domingo, abril 02, 2006

Mulheres À Força - Pedro Lomba, Diário de Noticias

Consideremos os argumentos de quem defende a lei da paridade e as quotas para as mulheres na política. São eles que têm o ónus de argumentar a seu favor, de nos convencer. Alguns argumentos não servem: a política no feminino ou a última tese de uma especialista americana em gender studies "provando" que, por causa da biologia, as mulheres são melhores decisoras do que os homens. Podemos esquecer coisas destas e tentar pensar sobre o assunto.
Logo a abrir, a ideia de que as mulheres não são um grupo minoritário, ao qual se atribuem direitos que se negam às outras minorias, mas uma maioria sub-representada na política. Mas não só o fundamento teórico para a criação das quotas é de facto a obrigação de reconhecer direitos a um grupo como a representação política não se coaduna com divisões de género. Não se elegem mulheres para representar mulheres. Presumo que o objectivo de quem quer a paridade não é chegar a um parlamento de grupos. Grupos, e grupos excluídos, há muitos.
A seguir vem a crença esperançosa na vocação das mulheres para certas áreas políticas, como as sociais. Não preciso lembrar o que dizia Thatcher do Estado-Providência. E, já agora, não digam que Thatcher era um homem ou que as mulheres são todas assistenciais e solidárias. De resto, também não convence o princípio de que as quotas são um mal transitório. Mas o que significa, neste contexto, transitório? A escassez de mulhe- res na política é um problema cultural e a cultura não muda transitoriamente. Dez anos? Vinte? Duas legislaturas? Quanto tempo?
Em quarto lugar, as quotas femininas simplificam o recrutamento de mulheres com mérito, desde logo porque impõem esse recrutamento. Mas alguém acredita na veracidade da ideia? O que vai acontecer é que a selecção das mulheres reproduzirá os mesmos vícios do recrutamento partidário que tem favorecido os homens. Resta a vontade de corrigir no topo (no acesso aos cargos políticos) os erros da base : a sujeição e indignidade de algumas mulheres em Portugal. Os defensores da paridade são uns optimistas.

1 comentário:

Vida Involuntária disse...

Viva!
Obrigada pela sua visita. Ainda bem que gosta da Callas e de Jessie Norman. Para além da lendária Callas, esta Jessie é extrordinária. Tenho um CD dela, com "Frauenliebe und Leben" (Amores e Vida de uma Mulher) do Schumann, que é de um veludo forte e de um vibrato, do outro mundo!Mas também gosto do Fischer-Dieskau e do Mathias Goerne (falta o trema). E tmbém gosto da Hermínia e da Amália e de vozes masculinas. Reparei que também gosta de ópera, pois claro; é aí que para além de tudo o resto se juntam as coloraturas do baixo ao soprano. É o Universo, que nenhuma religião ou filosofia é capaz de mostrar...
Ainda bem que há gente, na casa dos 20, que gosta destas coisas.Parabéns.

Quanto às paridades,não acredito nas "qualidades" de uns ou de outros. Onde é que li recentemente:"Quando acabamos de nascer, mostram-nos logo, como é."? Isto é válido para o masculino e para o feminino". Nunca vi nenhum baby-boy vestido de cor-de-rosa.
Para mim é a tal questão do ´"mérito". Haja para toda a gente, independentemente do "gender" direito à pascovice, ao oportunismo, ao lugar-comum, à demagogia barata da maior parte dos parlamentaristas -homens do mundo.Por que as mulheres hão-de salvar o mundo? Mais uma utopia parola.Por que as mulheres têm que ser excepcionais para atingirem lugares cimeiros de representatividade?

Veja lá, isto tudo dava quase uma "posta" no meu blog.
Beijocas

Vivi