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domingo, junho 17, 2012

Maria da Fé e Beatriz da Conceição


O concerto de Beatriz da Conceição no Castelo de S. Jorge, em Lisboa, foi um misto de muitas emoções... No palco uma mulher frágil. Soou a despedida, o que é uma dor de alma, uma tristeza grande. Mas o Fado e a Poesia estiveram lá. Sempre. E para sempre Beatriz da Conceição.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Uma noite no Sr. Vinho

Capa do disco de Filipa Cardoso. Um nome a fixar e uma voz a adorar


Ontem - 2ª feira - tive uma noite inesperada. Depois de um jantar com dois amigos num restaurante chinês nas Avenidas Novas, fui levado - sem nenhum sacrificio, diga-se - até ao Restaurante Sr. Vinho, a Casa de Fados de Maria da Fé.

Foi a minha estreia.

Depois de uma recepção calorosa por parte dos responsáveis do Restaurante, sentámo-nos a uma mesa de canto, protegidos por duas belas estatuetas em madeira de Santa Anna e de Santo António. Pediram-se cafés e uma belissima sangria.

Estavamos em amena cavaqueira quando as luzes da sala quase se apagaram, e os primeiros acordes das guitarras começaram a soar. Aparece a primeira fadista da noite - Filipa Cardoso ( Vencedora da " Grande Noite do Fado" de 2004 ).

Um assombro. Uma autêntica alma de fadista espelhada na postura do corpo, na voz forte e no sentimento colocado na dureza das palavras cantadas. Quatro belissimos fados foram o arranque de uma noite de emoções fortes.

Terminada a actuação de Filipa Cardoso - que se pode também ver na Revista, no Parque Mayer - a conversa retomou o seu caminho, a sangria foi desaparecendo, os cigarros ardendo nos cinzeiros.

Pouco depois, começa a cantar António Zambujo, guitarrista da casa. Uma voz delico-doce, um pouco a puxar "para baixo", com bonitas letras de fado, embora intermináveis. Encanta mas não emociona.

Vem depois a dôr de alma maior. A senhora detentora da Voz, do Fado e da Força que não entendo de onde vem - Maria da Fé.

Três fados, entre eles o célebre "Cantarei até que a voz me doa". Nessa altura estava a nossa mesa aterrada, comovida, esmagada pelos sentimentos que daquela voz maior transparecem, pelo belo que o seu perfil à meia-luz nos afigura, pelo facto de a idade ser, sem dúvida, uma mais valia imensissima para as emoções do fado.

Quando as luzes se acenderam e as ovações terminaram, reinou o silêncio por uns momentos à mesa; todos a recuperar o folgo, mais um trago na sangria e mais um cigarro que ajudasse a colocar no seu andamento correcto o bater do coração, que estava descontrolado. A noite estava mais que ganha.

No fim da noite, já com apenas a minha mesa e outra, canta Vanessa Alves. Fadista nova, de voz mediana e uma postura algo sui-generis.

Uma experiência a repetir e a recomendar. No Sr. Vinho enche-se o espirito de som, de poesia, de emoções... enche-se a alma de um optimismo estranho, porque tudo nos parece mais belo, mais perfeito.