quarta-feira, janeiro 11, 2006

Mais uma vez reafirmo que o propósito deste blog mais não é do que "publicar" artigos que a mim chamaram a atenção, na minha óptica pessoal e por isso muito discutivel, e que quero "imortalizá-los" ou tê-los sempre a mão, sempre que os quiser ler ou reler. É uma espécie de arquivo privado, album de fotos ou diário. Os textos que escrevo são, por assim dizer, acrescentos que saem da norma, do que este blog deveria ser.
Espero que fique então claro, de uma vez por todas, o propósito a que se destina. Recolha de textos que a mim me dizem algo, e pouco mais.
Em relação à actuação da Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, pouco de positivo existe a dizer. Mas como ela, todos os outros anteriores a ela, de todos os governos que existiram. Falta-lhes planificação, uma ideia claro do que pretendem ou não pretendem em termos culturais para o país, falta-lhes Cultura. Bem ou mal, durante o Estado-Novo, havia uma ideia de Cultura para o país, e esta deveria servir o Estado e os seus propositos. A Cultura era um meio de propaganda dos ideias politicos. Sempre foi e sempre o será, desde a antiguidade clássica até aos nossos dias. Mas como a politica anda também um pouco às avessas, assim anda a Cultura.
Falta inteligência, conhecimento da Mentalidade do povo português e, por conseguinte, da sua "Cultura".
Mas uma coisa é certa, as politicas culturais realizadas neste país nos ultimos anos nunca se destinaram para o "povo" (palavra que abomino pela carga demasiadamente perjurativa que contém). Foram sempre realizadas tendo em conta um grupo de pessoas muito restrito, que anseiam há muito serem o espelho da cultura, do bom-gosto e da inteligência em Portugal. Falo, claro, das Cornucópias todas deste país, que não sendo pessoas boas para a cultura, ganham Prémios Pessoa, entregues pelos meia duzia que os seguem, como um comboio "Expresso", da Lisboa ao Porto, que, infelizmente, não descarrila.
Mas a nomeação de Carlos Fragateiro para o Nacional foi o primeiro boicote na linha, o primeiro prego que ajudará a descarrilar esta máquina há muito imposta.
Claro que Carlos Fragateiro não será a resposta para os problemas nem a melhor solução. Mas é um começo. Depois dele virão outros, que espero, esses sim, com o programa da revolução cultural há muito esperada e que tarda.
DANIES

5 comentários:

Pôncio Palitos disse...

Revolução cultural? Mao Maria...! Fique-se lá pela revista "Flama" e pela Madonna e não diga disparates. Acha bem um teatro nacional exclusivamente dedicado à dramaturgia portuguesa? Não basta já o disparate das quotas de música nas rádios? E se se fizesse o mesmo no Teatro de São Carlos? Só ópera portuguesa... era bonito, não era? Chega e sobra a pancadita do Senhor Pinamonti, que de resto é uma pessoa muito estimável e um profissional de grandíssimo nível, em ressuscitar todos os anos uma ópera portuguesa que merecidamente caíu no esquecimento. (E escreve-se "pejorativa", não "perjurativa".)

Danies disse...

Não ouviu bem o que a Ministra disse. Não é o Nacional apenas e só para a dramaturgia portuguesa. Como aliás é obvio. É dramaturgia portuguesa, de países de lingua e expressão portuguesa e também estrangeiros.

Pôncio Palitos disse...

A respeito do Teatro D. Maria II, o que ouvi a dra. Pires de Lima dizer foi que queria dinamizar a identidade nacional através da dramaturgia portuguesa (parafraseando a conversa arrevezada da ministra). Quanto à identidade portuguesa, a dra. Pires de Lima pode fazer com ela o que bem entender menos usá-la para justificar ir-me ao bolso. Nem um tostão dos meus impostos para a patacoada endémica (da esquerda à direita) da identidade nacional! E já estou a imaginar as delícias da dramaturgia guineense, sãotomense, caboverdiana... Ou será que a dra. Pires de Lima e o Sr. Fragateiro já estão a ponderar a encomenda de uma peça a esse génio da literatura angolana, o Sr. Agualusa? Quanto aos brasileiros, não precisam do Estado português para coisa nenhuma. Têm o Tivoli, onde qualquer bicho careto actor de telenovelas de quinta categoria, reverencialmente sobrevalorizado nesta aldeia, enche a casa e até faz tournée ao Porto e à Figueira da Foz, mesmo sem Santana Lopes para o receber de braços abertos. A dra. Pires de Lima tem a inteligência de um carapau seco. Como académica, já sabíamos que não valia nada. Conseguiu um lugar na universidade quando qualquer patarata conseguia um lugar na universidade e subiu na carreira com a habitual benção dos colegas de Coimbra e Lisboa que coçam as costas uns dos outros. Como se viu por ocasião da morte do poeta Eugénio de Andrade, a dra. Pires de Lima não é capaz de articular uma frase com sentido e num país civilizado a sua mente encarquilhada não a qualificaria sequer para professora do ensino primário. Como ministra, vimo-la ontem à noite a ser entrevistada por Anabela Mota Ribeiro e a repetir "ad nauseam" que Portugal não é só Lisboa. Que argumento tão sofisticado! Não lhe ocorreu mais nada para rebater as críticas à política populista do seu ministério do que usar a estratégia não menos populista do Sr. Pinto da Costa! Só uma provinciana com complexo de inferioridade é que se lembrava de uma destas. Ir buscar a teoria da conspiração de Lisboa contra o resto do país (e, nomeadamente, presumo, o Porto) é, convenhamos, um bocadinho demais. A dra. Pires de Lima nem talento tem para escolher um cabeleireiro, quanto mais para nomear o director de um teatro nacional! Tenho por ela a consideração intelectual que tenho pela TV Guia e espero sinceramente que o Eng. Sócrates a devolva aos ares do Norte e aos decerto infelizes alunos da Universidade do Porto o mais depressa possível.

gustavo disse...

Mas que violência, caro Pôncio Palitos! Se fôssemos pela sua ordem de ideias a respeito da inteligência dos ministros (e se calhar podemos ir), não se conseguia formar um Governo! Infelizmente - faltou-lhe dizer isso - não se pode ter muito mais consideração intelectual pelos críticos da ministra do que essa que diz ter pela TV Guia (e que só lhe fica bem). E se formos a falar de consideração moral, a ministra se calhar ganha.

Pôncio Palitos disse...

Totalmente de acordo, caro Gustavo. Os subscritores da petição suscitam-me repulsa. Quanto à Clara Ferreira Alves, engana-se: ela ainda está na fase da esferográfica. É uma idiota chapada e serviu-me como exemplo extremo e absurdo. (Não gosto da dra. Pires de Lima e das suas ideias para o teatro nacional, o que é que se há-de fazer?)