segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Amigo fiel

Tinha nele a maior das esperanças e como o amigo mais fiel. Estava sempre que era preciso e, mesmo que não se encontrasse, era fazer apenas uma ronda pelos cafés, lojas extras, bombas de gasolina, e ele lá estava.
Não era preciso muito para pô-lo a falar. Dava conselhos, avisava-o, ria quando ele ria e chorava quando ele chorava.
Por vezes, tinha de o dar. Todo ou apenas uma parte. Mas, passados alguns minutos, ele lá aparecia de novo. Fino, vestido de branco e cabelo ardente.
Acompanhou-o nas esperas mais prolongadas, foi companheiro nas viagens solitárias, ia com ele até à janela espreitar a vista ou, o que é verdade, espreitar os vizinhos da frente na sua rotina diária (normalmente, nocturna).
Se ficava sem o ver muito tempo, descontrolava-se. Ficava ansioso, sem tino, desesperado para o ter.
Quando alguém o avisava que não era bom amigo, não ligava. Bufava mesmo de raiva. Odiava então todos aqueles que, tendo sido amigos dele, o já não eram e tinham um discurso radical quando ele aparecia, desprevenido, com alguém.
Para o ter era necessário mantê-lo a todo o custo… e o custo ia sempre subindo. Chegou a ser banido de alguns locais públicos pelo incómodo que provocava.
Mas ele resistiu em manter a amizade até ao fim. Era o seu mais fiel amigo… mas, no final, matou-o… de cancro de pulmão.

1 comentário:

pedro disse...

Muito bom!