domingo, novembro 25, 2007

Simone de Oliveira no Teatro da Malaposta



No ano em que comemora os 50 anos de carreira, e a poucos meses de completar 70 anos de vida, Simone de Oliveira brindou-nos com mais um concerto, revisitando os grandes êxitos da sua longa carreira e partilhando diversas (e divertidas) histórias passadas no mundo do espectáculo em Portugal.

Apenas acompanhada pelo piano (EXCEPCIONAL) de Nuno Feist, pelo palco desfilaram grandes temas como Tango Ribeirinho, Esta Palavra Saudade, Visita de Camarim, Desfolhada à Portuguesa, No Teu Poema, No País do Eça de Queirós e o sempre aguardado (por mim) A Noite e a Rosa, entre outros.

Detentora de uma voz grave mas bela, Simone de Oliveira está exímia na arte de interpretação dos temas que canta e possuí uma admirável e fascinante sensualidade em palco. A comoção de quem vê Simone em palco é incontrolável e só lá, nas "tábuas" do Palco, na força das palavras que canta, nos gestos com que encena a sua interpretação musical se percebe a genialidade e a veracidade das suas actuações e a razão de ser de uma carreira longa e merecida.

E Simone é uma comunicadora por excelência. Por diversas vezes levou a plateia cheia do Teatro da Malaposta às gargalhadas e, consequentemente, às palmas. Houve interacção saudável entre Simone e o seu público, ou o espectáculo não se chamasse "Intimidades".

Entre cada actuação uma ou outra história do persurso artístico de Simone, sempre recordando os grandes nomes de referência da sua vida. Varela Silva, José Carlos Ary dos Santos, Armando Cortês e Nicolau Breyner foram alguns dos amigos referidos.

Resumindo, o concerto da noite passada no Teatro da Malaposta serviu para mostrar que Simone de Oliveira está bem e recomenda-se (muito). Considero um privilégio ainda poder assistir e emocionar-me com um nome maior da música e do espectáculo em Portugal. Simone de Oliveira - a quem o tema da morte foi sendo recorrentemente falado ao longo do espectáculo - garante que ainda tem muito para dar e não mostra - felizmente - sinais de abrandamento. A comprovar isto mesmo estão as diversas digressões agendadas para o seu espectáculo "Conversas de Camarim", com Victor de Sousa, a rodagem da telenovela Vila Faia e - ATENÇÃO ATENÇÃO (rufo de tambor)... o espectáculo comemorativo dos 50 ANOS DE CARREIRA NO COLISEU DE LISBOA NO DIA 25 DE FEVEREIRO DE 2008.

A Simone de Oliveira só me resta dizer um MUITO OBRIGADO por mais uma inesquecível noite que me proporcionou, por partilhar a sua música, os seus poetas (aí a Noite e a Rosa...) e as suas histórias.

4 comentários:

Arnaldoooooo disse...

Eu estive lá e confirmo TUDO o que foi dito aqui. E também ouvi pela boca da Simone a confirmação do concerto no coliseu. Vamos lá estar todos

nuno vasconcellos disse...

Só me resta confirmar tudo o que escreveste... e aproveitar para confirmar que lá estaremos todos no Coliseu no próximo dia 25 de Fevereiro de 2008

Luís Macedo disse...

Meu querido amigo Daniel, talvez não seja este o local adequado para to dizer mas, e confessando que é a primeira visita que faço ao teu blog, não posso calar esta coisa boa, muito boa mesmo, que foi ler-te. Escreves muito bem! Conheço-te desde os ‘bancos’ da faculdade e este apogeu, esta profunda maturidade de fazer uma coisa tão difícil que é dar a ver o «Outro», dar ouvir o «Outro», no fundo a (re)aprender essa coisa magnífica que é a nossa disponibilidade para o «mundo» e permitir que ele (continuamente) nos espante! Digo-te isto emocionado e dizendo também que é bom ter-te como amigo, no mais um «Senhor», sempre, coisa rara agora; tão igual a ti e, contudo, tão já profundamente diferente.

Quanto ao concerto assevero esta serena «intimidade» da Simone. São poucos os artistas cuja coerência entre a persona pública e privada seja verdade. Daí a possibilidade de o fazer como o faz! Convenha-se, privilégio de poucos. A idade é amiga do talento, o que constitui aviso aos incautos para que não caiam no logro da «juventude» como um estatuto válido por si só, o que no mais até constitui uma boa notícia para esta genta mais nova com tanto talento. Aquilo que assisti(mos) foi Arte. Há muito que a Simone ultrapassou o estatuto meritório da cantora/intérprete: ela, como ninguém em Portugal, recria a matéria-prima textual e musical, como um entrecho ou se se quiser uma narrativa pessoal, daí o acerto do nome da conversa-(en)cantada da pretérita noite de sábado: «Intimidades». Até nisso a serena maturidade de pisar no terreno confessional, sem a menor tentação expositiva. Sem artifícios, ouve aquelas eternas mãos (pássaros?) a desenharem tudo aquilo que ouvimos, aquele seu desplante, e aquela serena calma-triste de quem venceu alguns (!) Cabos-das-Tormentas. A voz (grave e a espaços rouca) confere esse testemunho presencial, daí ser pessoa ao invés da intérprete. Lograr enfrentar plateias ao fim (ou ao começo) de 50 anos de ‘estrada’ só confirma o talento de, quando a ouvimos-vemos-interpretamos, ter ela a capacidade de dizer da nossa alma. Penso ser mais correcto dizer que somos nós que nos sentimos ‘nus’ quando daquela voz tão antiga e tão nova se desprende Vida: os sonhos sonhados e os magoados, os vivos e os mortos, o mar, os filhos e os amigos, os amores e os desamores.

O Nuno Feist é aquela coisa imensa de talento. A Simone merece definitivamente alguém que lhe permita voar!

A Fátima e a Adelaide merecem que se reconheça publicamente o seguinte: numa época de nivelamento de gostos (por baixo!) e de hegemonização dos ‘tempos de antena’ o seu sereno (e árduo) trabalho de manter portas e janelas abertas para que a Simone possa dar-se a ver, a ouvir e a sentir é obra! E nisto não se confunda a sua amizade para com ela. Confundir as coisas na esfera pública, seria de alguma formar retirar força a este trabalho de sapa de há 12 anos a esta parte.

Todos ao Coliseu!

Luís Macedo

Roxy disse...

Infelizmente não vi o concerto mas já tenho bilhetes para o Coliseu!
Gostei muito de ler o que escreveste no blog. E como me identifico com o que escreves!
Quanto à Simone...não há palavras! É única e não se pode perder este concerto!
Até breve
Teresa