sábado, setembro 09, 2006


A imagem seguinte mostra um Cartoon que apareceu numa revista militar, mais precisamente de O Condestável - Revista do Regimento de Infantaria de Aljubarrota (R. I. 7), datado do ano de 1969. Ora esse ano, entre outras coisas, ficou marcado a nivel nacional pela canção Desfolhada à Portuguesa, interpretada por Simone de Oliveira e com letra de José Carlos Ary dos Santos. Música controversa para a época, que fez correr muitas tintas nos jornais, muito latim nas rádios e televisões.
O Cartoon que vos mostro fala exactamente de Simone e da Desfolhada... mas digo-vos já que não tem piadinha nenhuma... mas enfim... temos de recuar no tempo e colocarmo-nos num quartel nos anos 60... ora vejam:

(a qualidade da imagem não é boa porque foi tirada às escondidas na Biblioteca Nacional com o telemóvel... mas não digam nada a ninguém.)

20 comentários:

Arnaldoooooo disse...

Obrigado por este post. A Desfolhada foi a pedra no charco, a música que levou milhares de pessoas a Sta Apolónia, foi a música do festival que fez a união do povo português. Inédito neste país cinzento.

"Quem faz um filho fá-lo por gosto"

Arnaldoooooo

Anónimo disse...

A canção é de facto magnifica e ficou na história da música ligeira deste país.

Mas... já ouviram outras outras interpretações para além da da Simone? E o que lhes parece?

Muitas vezes creio que seria apenas mais uma canção...

Lembro-me perfeitamente da emoção que esta canção provocou na época.

Foi a única vez que uma canção no Festival RTP foi pontuada por todos os juris distritais com a pontuação máxima e foi também a única vez que após o anuncio de vitória um interprete teve que repetir duas vezes a canção.

Foi verdadeiramente empolgante, nessa noite e nas semanas seguintes as pessoas colocarem os rádios com o volume máximo para que nas ruas se ouvisse a canção, 4, 5... sei lá quantas vezes por dia...

Luis

le2256@gmail.com

Arnaldoooooo disse...

Caro Luís

Ora aí está um acontecimento que eu gostaria de ter vivido. Das poucas imagens que passam na televisão dá para ver a emoção daquela que foi chamada como a "maior manifestação espontânea em Portugal" durante o estado novo. E se excluírmos os acontecimentos políticos como o 25 de Abril, o 1º Maio e a campanha eleitoral de Humberto Delgado, será mesmo a maior manifestação vista em Portugal na história recente. E por uma música e um festival.

Abraços

Danies disse...

É tão bom saber que a Simone ainda levanta paixões... e se levanta.
Realmente os acontecimentos em torno da Desfolhada são fascinantes. E penso que o Luís tem razão quando diz que, em relação à música, "creio que seria apenas mais uma canção". O Poema do Ary é fortissímo mas a voz, a postura e atitude de Simone ao cantá-la agiganta-a até ao infinito. E aí está, penso eu, a causa do sucesso e da "eternidade" desta música.

Arnaldoooooo disse...

Encontrei este vídeo. Penso que irás gostar. Uma forma de retribuir

http://pd.ptbyte.com/ESC/1969.ram

Arnaldoooo

Luís disse...

Um dos previlégios da idade é ter assistido ao vivo e emocionado a algumas coisas que ficam na memória.

"Paixão" de facto existe por uma voz, que ainda ontem na RTP ouvi considerar por um produtor musical, como a melhor voz de sempre na música portuguesa.

Ouvir "Degrau em Degrau", "Que c'est triste Venise", "Tu és aquele", ou "Yesterday" por Simone é ouvir o que de melhor se pode encontrar em termos de canto.

Ouvir "Palavras Gastas" ou "À tua Espera" é escutar uma interprete extraordinária. Aqui e em qualquer parte do mundo!

Abraço

Luís

Danies disse...

Sem dúvida. Tenho em Vinil o "Simone ao Vivo no Hotel Altis", onde ela canta, por exemplo, "Ne me quite pas", numa excelente tradução de David Mourão-Ferreira, com o titulo "Não me vais deixar". É um concerto que merecia uam edição em CD, aliás como todos eles. Os albuns da Simone de finais de 60 inicios de 70 são absolutamente fantásticos. "Canção Cansada", "Ribalta", o disco de fados produzido pelo CArlos do Carmo "Simone Mulher Guitarra" tudo perolas por (re)descobrir.

Luis disse...

Eu sou mais um dos muitos coleccionadores da discografia de Simone de Olivera. Faltam-me no entanto algumas coisas importantes, o concerto no Altis, por exemplo e... algumas preciosidades nomeadamente "O Trabalho" uma canção revolucionária feita por Ary e Tordo para uma revista do Parque Mayer e uma outra cujo poema também é do Ary e cuja interpretação é de arrepiar.
Penso que se chama "É tarde meu amor", e para terminar vou deixar, de memória o poema que tantas vezes ouvi. (Espero não ser um chato)

"Aquele lugar vazio, que tu deixaste à minha mesa"
"Aquela queimadura que ficou na minha cama"
"Aquele cadeirão a baloiçar-se de tristeza"
"Esta chuva, este frio, esta lama"

"Aquele disco velho da canção ainda nova"
"Aquele livro aberto na página mais triste"
"E o teu retrato antigo de quando andavas na escola"~
"A saudade, meu amor, existe"

"E o ruido do carro que eu esperava e conhecia"
"E os teus passos na escada e o degrau que rangia"
"A chave que hesitava, a porta que se abria"
"E noite, meu amor acontecia"

"Tanto, tanto tempo está fechado nesta casa"
"Dias, meses anos, ou talvez apenas horas"
"Sou uma gaivota, ferida numa asa fechado neste espaço, no qual ainda moras"

"Aqui vês tu em mim o desespero da secura"
"Em mim provas o fel do mal que me fizeste"
"O ódio e o orgulho são tudo o que perdura"
"É tarde meu amor! Morreste!"

UM abraço

Luís

Danies disse...

Antes de mais... não é nada chato. Tomara eu que todos os meus "post" gerassem esta quantidade de comentários. Se há coisa boa nos blogs é esta - a de se poder transmitir conhecimentos, vivências, histórias e estórias. Haverá sempre alguém que os irá ler e, quem sabe, até emocionar-se.
Relativamente ao poema que colocou é fantástico. A Simone canta-o no seu disco "Simone me Confesso", um CD duplo onde ela regravou alguns temas e cantou outros inéditos.

Arnaldoooooo disse...

Boas....Infelizmente gostaria de coleccionar a discografia em CD, mas infelizmente não é possível 8o vinil não é do meu tempo).

Tenho alguns CD's, as colectaneas e as edições em CD. E o DVD "Intimidades". E o mp3 da Desfolhada em francês. Pouco...

Danies disse...

O DVD do Intimidades é muito bom... e onde eu aparece frequentemente no público :) um mimo que eu não esperava. O concerto memorável. Como foi memorável o concerto que ela deu na Expo 98 (a única coisa que lá me levou). Chovia torrencialmente... o palco era flutuante sobre o Tejo. Entre as nuvens de chuva, pesadas, uma lua cheia cheia de brilho... imaginam estes ingredientes todos e a Simone lá a cantar... uma noite mágica.

Luís disse...

Felizmente consegui passar os meus discos antigos (infelizmente não são muitos) para CD.

Nalguns casos as gravações ficaram de algum modo imperfeitas, mas mesmo assim valeu a pena o esforço.

De vez em quando lá vou a uma feira e consigo mais um vinil antigo, infelizmente também quase sempre em mau estado, e muito caros...

Aconselho por isso uma boa atenção às feiras periodicas de discos antigos.

Um abraço

Luís

Arnaldoooooo disse...

Também eu tive lá a Expo, no concerto. Também eu só fui à Expo pelo concerto...

Duarte Veiga disse...

Arrepiei-me a ler os vossos comentários. Tenho 16 anos e, infelizmente, não vivi nenhum desses acontecimentos. Não vivi o auge da carreira da "minha" Simone, não vivi a ida a Santa Apolónia, não vivi para ver o país parar para ouvir a "Desfolhada". Tenho pena de não ter ido ao seu concerto na Expo98, pois era um menino e não "conhecia" a Simone. Tenho cerca de 200 músicas da Diva e um vinil. Já estive variadissimas vezes com ela e até na sua casa. Não tenho palavras para descrever o que sinto quando leiu coisas como as que li aqui, nem para descrever o que sinto por essa Senhora. Deixo-vos aqui um poema do meu Poeta, Eugénio de Andrade, que foi interpretado por Ela:

ADEUS

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."

Filipe.

Luis disse...

Caro Filipe

Não tens, porque não podes ter, as tuas próprias memórias destes acontecimentos, mas tens as que eu já aqui deixei, e as de todos os outros que passam nesta simpática casa do DANIES.

É que a grandeza e a beleza deste tipo de "paixões" é o desejo incontido de as partilhar com toda a gente, de dar a conhecer, de não guardar só para si.

Simone é para mim é uma referencia e uma "paixão" de sempre... e sinceramente a tuas palavras, vindas de um jovem, tão jovem, comoveram-me. Muito.

Um abraço

Luís

Danies disse...

Faço minhas as palavras do Luís. Cá para mim, a Simone está sempre no auge. Nunca deixou de trabalhar, nunca nos deixou. O "Vulto" pode não ter ido a concertos dela... mas pode agora ir vê-la ao São Luiz... se estiver em Lisboa. Temos sempre o DVD para a recordar...

Arnaldoooooo disse...

O que vai haver no S. Luiz?????

Danies disse...

LOL... Então a Simone vai estar acompanhada com o maestro Nuno Feist no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz... com o Victor de Sousa... É às 23 e 30 da noite... São algumas noites... ver se descubro... Ela vai cantar, contar histórias e estórias... deve ser maravilhoso... tipo o que ela fez no Casino Estoril.

Anónimo disse...

recordar Ary Eugenio Alegre.......este felizmente ainda em grande forma......leiam a terceira rosa ,o che,alma,senhora das tempestades

Simoniano disse...

Olá Daniel

Gostaria de pedir a tua autorização para ter a imagem deste blog no blog que temos dedicado à Simone. Este mês de Março pretendemos ter alguns posts sobre a desfolhada e os seus 40 anos.

Aguardamos o teu feedback bem como a tua visita

Cmpts
A equipa do "O canto de simone"