domingo, setembro 03, 2006

E o que prometia ser uma noite inesquecível... foi mesmo. Que junção extraordinária esta de Camané com Carlos do Carmo. As duas maiores vozes - no activo - do Fado. A antiga e a recente geração do Fado. Duas visões diferentes do que é o Fado... a mesma genialidade.
Marcado para as 22 horas, o concerto iniciou-se com dez minutos de atraso... no problem.
Milhares de pessoas - e não é exagero - enchiam o relvado frente à Torre de Belém, prontas para demonstrar que o Fado está vivo, diria mesmo vivíssimo, e recomenda-se.
O espectáculo inicia-se com Bernardo Sassetti ao piano e as palavras de Sophia de Mello Breyner pela voz de Eunice Munoz que, minutos depois, emprestou a sua voz a Álvaro de Campos e com Carlos do Carmo a prestar-lhe uma homenagem que culminou com uma imensa salva de palmas e o público de pé. "Que sorte tem este nosso país em ter uma Dama desta categoria no nosso Teatro" - referiu Carlos do Carmo.
Após o primeiro poema surge a primeira "brincadeira" da noite. Camané aparece e canta uma música do reportório de Carlos do Carmo. Depois vem Carlos e faz o mesmo... canta uma música do reportório de Camané.
Tudo o resto é deslumbramento. A Voz, as Palavras, a postura dos dois fadistas em palco. A brilhante execução dos músicos e a prestação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa a elevar a magia da noite.
Como seria de esperar, os Fados de Carlos do Carmo foram os que maior entusiasmo causaram junto do público. "Canoas do Tejo", "Gaivota", "Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça" e outros, foram cantados em côro por todos os que se encontravam presentes. Quando tal não acontecia, reinava o silêncio, mostrando um público atento, deslumbrado e agradecido pela oportunidade, que eu espero que se repita, de ver Mestre e Discípulo, juntos, em palco.
Mais uma vez, e à semelhança de todos os outros concertos de Carlos do Carmo a que me referi em outros textos neste blog, não posso deixar de sublinhar a excelência de voz que Carlos do Carmo ainda possui. É extraordinário, depois de mais de 40 anos de carreira, que ele se mantenha em forma, arriscando-me mesmo a dizer que nunca esteve tão espectacular na forma de cantar.
Em pano de fundo foram sendo projectadas fotografias de Lisboa de Eduardo Gageiro, publicadas no livro "Lisboa - No Cais da Memória".

1 comentário:

Louco disse...

Gostava de ter estado lá, pelo que contas deve ter sido admirável.
Passei pelo teu blog, agradou-me muito, espero voltar,
Como diz o povo Basco
Agur
Abraço até um dia