quinta-feira, julho 13, 2006

Portugal e as mais amplas liberdades
Dom Vasco Teles da Gama *

Em plena euforia resultante do mundial de futebol, celebrou-se este mês mais um dia de Portugal, uma vez mais fora de Lisboa, talvez para, a pretexto de descentralizar, se evitarem confusões entre as comemorações oficiais e a homenagem que ocorre todos os anos em Lisboa aos milhares de Portugueses que, no último século, morreram por Portugal.

Que espantosa diferença entre o que se passa, por exemplo, na monarquia inglesa e o vergonhoso complexo que as autoridades portuguesas manifestam pelos seus mortos, talvez ainda fruto de uma já velha revolução, cujo significado começa, para os mais jovens, a perder-se entre as brumas da memória… É que estes mortos eram portugueses e foi por Portugal, a mando dos políticos que então exerciam o poder, que combateram, como muitos antes deles, para que, melhor ou pior, o seu País continue a existir, nove séculos depois de ter sido fundado por D. Afonso Henriques e um punhado de antepassados nossos, que no seu tempo morreram também, pela mesma causa.

Entretanto, os que agora mandam entretêm-se a sufocar a nossa agricultura e pescas às ordens de Bruxelas, mais interessada em criar mercado de consumidores para os excedentes de países mais poderosos e ricos, do que em promover as nossas. Continuam a reformar as escolas, agora com a peregrina ideia de submeter os professores ao juízo dos pais dos alunos corrécios, o mais das vezes analfabetos, até à iliteracia e indigência totais. Em resultado de anos de incompreensíveis e inacessíveis restrições no acesso às faculdades de medicina, importam-se agora médicos castelhanos, porque os que por cá se formaram nos últimos trinta anos, não chegam para as encomendas.

Para cúmulo, o parlamento livremente eleito e garante, como foi amplamente propalado, das mais amplas liberdades para o povo, ocupa-se, segundo moda importada, a promover uma legislação que equipara os fumadores aos leprosos da Idade Média! A tentação totalitária do poder, mesmo em democracia, gera estes tiques impensáveis, no que toca às regras de conduta. Querem meter o bedelho em tudo e com o avanço da tecnologia, se não reagirmos, desconfio que acabamos todos com um chip atrás da orelha e comportamentos padronizados (Já começaram com as ovelhas e as vacas…). Depois do acosso ao tabaco e ao álcool, a pretexto do terrorismo e do ambiente, só Deus sabe quantas proibições irão ainda passar por aquelas indigentes e prepotentes cabecinhas…

A republica está velha, caduca e autoritária e já não é garante nem das mínimas liberdades.

Viva Portugal, Livre e Eterno!

* Nota: o texto publicado é da exclusiva responsabilidade do autor.

In, Diário Digital

1 comentário:

pedro disse...

Será apenas culpa do poder político, ou também dos que não exercem directamente esse poder (ou povo, como lhe quiserem chamar)? Ou não será apenas consequência da caminhada civilizacional?