terça-feira, abril 25, 2006

25 DE ABRIL... dia da Liberdade. Dia maior de Portugal. Neste dia todos andam numa felicidade disfarçada. 364 dias a dizerem mal de Portugal, dos Portugueses, do estado da Nação... e com razão. Um dia, apenas um - 25 de Abril - em que se sorri, fala-se da liberdade e das conquistas feitas! Mas que conquistas feitas? O Desemprego brutal? A Inflação galopante? Os Políticos corruptos? Uma Escola que desmascara o analfabetismo em ilitracia? A pseudo liberdade de pensamento ou de expressão? Quem acredita?
Eu festejo o 25 de Abril. Reconheço-lhe a maior importância para a nossa história recente... Não me imagino sem essa data. Mas tenho pena que depois tenha vindo o 26 de Abril e tudo tenho voltado ao mesmo... a mesma servidão, mascarada; o mesmo paleio, mascarado; os mesmos "barões", mascarados; o mesmo Povo, mascarado; a mesma fome, mascarada; a mesma inércia, mascarada; a mesma polícia, mascarada; os mesmos jornais, mascarados.
E para reflectir aqui fica, de novo, o "Não, Não, Não Subscrevo..." de Jorge de Sena... para ler e pensar se, realmente, o 25 de Abril não ficou encerrado, nesse dia, sobre si mesmo.

1 comentário:

Pedro disse...

E depois de Marx, o que ficou? Talvez a ideia de luta de classes, ou de grupos, como lhe queiram chamar, afinal não seja assim tão descabida. A grande questão, no entanto, não se trata do fim da história, mas sim o móbil da história e essa sim, parece-me ser aquilo que já no antigo testamento foi, e bem, frisado: o desejo pelo fruto proibido. Numa palavra, a cobiça. Seja qual for o regime, seja qual for a classe, é a cobiça que faz mover o mundo. Por isso, o descontentamento do 25 de Abril, da revolução tão desejada mas que tão desalentado trás o povo português, sofre daquilo que toda a humanidade vem pecando. E enquanto não nos livrarmos da cobiça, a verdadeira revolução não se fará.