segunda-feira, março 07, 2005

SEBASTIÃO DE MAGALHÃES LIMA


Magalhães Lima

Para os interessados (admiradores, amigos e estudiosos) faz-se aviso de que se encontra já publicada a Tese de Mestrado de Maria Rita Lino Garnel, com o titulo "A República de Sebastião de Magalhães Lima", pela editora Livros Horizontes.
Para atiçar os apetites aqui fica um escrito elogioso (de propaganda política, entenda-se) de Rafael Bordalo Pinheiro sobre Magalhães Lima, o fundador do jornal "O Século".
Sebastião de Magalhães Lima
Tem todo o enthusiasmo, toda a sinceridade, toda a honradez, toda a persistencia d'um rapaz compenetrado d'uma ideia nobre e elevada! É seguramente uma das physionomias mais sympathicas para as classes populares da nossa capital, para aquellas que teem assistido ao espantoso movimento republicano d'estes ultimos tres annos.

Magalhães Lima é perfeitamente um arrojado! É um typo completo do jornalista revolucionario, do jornalista atrevido, que sente a força e o enthusiasmo na lucta pelas ideias grandes, exhaltando-se com a mesma aspiração elevada que elle procura fazer comprehendida d'um grupo menos ilustrado.

Formado em Direito, Magalhães Lima, dedicou-se primeiro á litteratura onde conquistou um lugar distincto. O jornalismo politico, porém, attrahia-o, e a sua aspiração democratica arrastava-o para a lucta. Fundou o Commercio de Portugal, jornal declaradamente republicano, d'onde depois teve de sair pelos attrictos conservadores que ali encontrou, para ir fundar O Seculo. O Seculo é especialmente a sua grande obra, aquella que mais o tem elevado, e mais o tem collocado na consideração e no respeito do publico.

Quando na legislatura passada, Lourenço Marques estava sendo presa da ambição britannica, O Seculo tomou a mais notavel attitude patriotica. Esse jornal era vendido aos milhares por toda a parte, e Magalhães Lima tendo a seu lado homens d'um grande e vigoroso talento como Alexandre da Conceição, Augusto Rocha, Manuel d'Arriaga, Theophilo Braga, Gomes Leal e outros, fez a mais temivel das propagandas e deu a queda ao ministerio progressista. É este o seu grande, o seu enorme trabalho!

Magalhães Lima na imprensa é o jornalista fogoso, arrebatado, dispondo d'uma palavra cortante, que fére no lombo d'uma instituição, como uma chicotada violenta. Magalhães Lima no meeting é o tribuno ardente que inflamma milhares de pessoas com a sua palavra fluentissima e accendida, a que o gesto e a physionomia dão uma grande expressão de força e de sinceridade.

Magalhães Lima na vida intima é o mais honesto e o mais querido dos rapazes, é uma alma bôa e um coração generoso. Dedicando-se devotadamente á causa republicana, passando por ella os maiores dissabores, vendo alguns dos seus collegas processados, preso Gomes Leal, O Seculo prestes a ser supprimido, Magalhães Lima continua ainda e sempre com o mesmo enthusiasmo, a mesma fé, o mesmo ardor, que é o das consciencias fortes e impollutas.

O movimento republicano deve-lhe muito, muitissimo até! A sua guerra franca e aberta ás instituições velhas e decadentes, vacillantes e verminadas, tem sido implacavel e rigido. O Seculo tem dado os mais certeiros e fundos golpes.

Pois bem! Este homem tem necessidade absoluta de exercer a sua influencia n'outras regiões. Depois de educar e de enthusiasmar nos comicios, precisa corrigir e emendar no parlamento. Tem de ir ahi fazer a revolução, prégando a verdade. Assim, eleitores, filhos do povo, o vosso unico movimento será votar n'estas eleições por este nome que é só por si uma garantia e uma esperança, o nome de: Sebastião de Magalhães Lima.

2 comentários:

DNV disse...

Como admirador, (ex-)aluno e amigo da Rita Garnel, fiquei muito feliz por saber, através deste blog, que a sua Tese de Mestrado sobre Sebastião Magalhães de Lima já se encontra publicada. Fui logo comprá-la. Obrigado "Conversa... Muita Conversa"

Gustavo Almeida disse...

É bem verdade que inúmeros vultos da nossa história de oitocentos e inícios de novecentos têm vindo a ser esquecidos.

Todavia, é através das ínumeras teses e investigações que têm vindo a ser salutarmente desenvolvidas nos últimos tempos que aqueles começam a ser devidamente (re)lembrados.

Já agora, e porque falamos do Século, poderá ser também referido um dos seus colaboradores: Abel Acácio de Almeida Botelho, aquele que é conhecido como o expoente do Naturalismo em Portugal. Também ele dirigiu um orgão de imprensa: O Reporter. Também ele foi extremamente importante para a época em termos políticos, sociais e culturais.

Será que já há alguma tese sobre Abel Botelho?