terça-feira, outubro 17, 2006


Acabo de chegar a casa vindo da festa dos 25 anos de carreira em Teatro do Actor Simão Rubim.
Confesso que é com imensa dificuldade que escrevo o que quer que seja sobre o Simão. Tudo o que possa escrever é pouco e não irá fazer jus ao que ele merece que seja escrito sobre ele.
Teve a festa que merecia. A representar no palco e na plateia uma sala cheia de amigos que não deixaram de estar presente para lhe dar os parabéns e desejar outros 25 anos cheios de sucessos e conquistas.
A melhor palavra para descrevê-lo será, entre muitas outras, Apaixonado. Apaixonado pelo Teatro, apaixonado pelas memórias, apaixonado pelos amigos, apaixonado pela vida.
Mas também Revoltado. Revoltado pelo modo como o Teatro é tratado pelo governo, revoltado contra aqueles que maltratam o Teatro (normalmente, vindo de pessoas ligadas ao próprio meio teatral), revoltado contra os lobbies instalados.
No discurso que proferiu no final da peça - enquanto tirava as unhas postiças e se desmaquilhava - Simão Rubim agradeceu, emocionado, ao Teatro Experimental de Cascais (que frequenta desde os 11 anos) na pessoa de Carlos Avillez e João Vasco e, claro está, a Mário Viegas e Juvenal Garcês. Emocionado, emocionando-me, Simão abandona o palco.
E é esta uma, das muitas, qualidades que admiro em Simão Rubim. Não se esquece, nunca, daqueles que o apoiaram hoje, como ontem.
Para mim, o Simão - e ele não ficará zangado se juntar também Juvenal Garcês - é uma escola onde tenho aprendido muito, sempre, todos os dias. Ouvi-lo falar de Teatro, da sua Vida, de Mário Viegas, é algo que me emociona sempre e que me enriquece interiormente.
Jamais poderei retribuir tudo aquilo que com ele aprendi, todos os medos que ele me ajudou a enfrentar (bem mais do que aqueles que ele julga), todos os momentos - alguns bem caricatos (Igreja na Passagem de Ano, lembraste?) - que passamos juntos.
Não quero dizer mais. Acho que ele sabe bem tudo aquilo que representa para mim, a amizade inesgotável e o carinho infindável que tenho para com ele... mas tinha de deixar aqui o meu tributo publico a si e ao seu trabalho.
Por todas as gargalhadas que já me fizeste dar, por todas as lágrimas que já me fizeste derramar (incluindo as de hoje), por todas as emoções que já vivi contigo, um imenso beijo de ternura, de profundo respeito e amizade.
Muitos parabéns pelos teus 25 anos de Palco, muitos parabéns por cada peça levada à cena.
Cá estarei para comemorar contigo os teus 50 anos de carreira (e, portanto, os 35 anos das Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos).
Obrigado pela Amizade profunda.
Um beijo e um grande abraço
Julie Andrews...

3 comentários:

Ad Domum disse...

Embora tu possas não saber ao certo quem sou, conhecemo-nos em Pombal. Ontem comentei com uma amiga que também te conhece que gostei do que vi em ti e hoje, logo pela manhã, fizeste-me chorar...de tristeza porque ontem não pude estar com o Simão, de alegria porque me transportaste lá no teu texto e de lembrança de quando em 1993 vi o Mário Viegas a fazer o que todos fazemos diariamente...esperar por Godot. Beijo enorme, obrigada por me teres lembrado.

Rita Lima disse...

:)
Tão lindo!
Tens de perder esta mania de emocionar-me assim à descarada! :(
Um excelente texto, como sempre.
Sou tua fã!
E olha que isto de ser fã já trouxe reprecursões impensáveis a muita gente.... heheheheheheh.
Parabéns aos dois. A ti e ao Simão!
É uma grande alegria terem entrado assim na minha vida!
Beijo.

pedro disse...

Só posso dizer: "Obrigado Simão"