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sexta-feira, janeiro 25, 2013

8 Mulheres no Cinema e no Teatro

 
A peça 8 Mulheres, de Robert Thomas, foi estreada a 03 de Maio de 1962, no Teatro Nacional D. Maria II, com um elenco de luxo: Josefina Silva, Mariana Rey Monteiro, Cecília Guimarães, Lurdes Norberto, Teresa Mota, Amélia Rey Colaço e Palmira Bastos, com cenografia de Lucien Donnat e encenação de Pedro Lemos, segundo orientações de Jean le Poulain.
 
 
A adaptação ao cinema aconteceu em 2002, pela mão do realizador François Ozon, também com um elenco de luxo: Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Emmanuelle Béart, Fanny Ardant, Virgine Ledoyen, Danielle Darrieux, Firmine Richard, Ludivine Sagnier, Dominique Lamure.

sexta-feira, agosto 10, 2012

quinta-feira, maio 17, 2012

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Sobre Erwin Meyenburg em Portugal

"Trabalho de Estrangeiros em Portugal - Pedido da Empresa Rey Colaço-Robles Monteiro, Lisboa, a favor do súbdito alemão Erwin Meyenburg, ensaiador - autorizado até 31 de Dezembro p. fº., despacho de 20 de Outubro de 1947." (Boletim do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência - 15 de Novembro de 1947)

"Segue-se depois um hiato pela década de trinta, sendo somente levado à cena um texto de Goldoni em 1947 – uma vez mais A hospedeira –, desta feita pela mão de Amélia Rey Colaço no papel da estalajadeira Mirandolina, no Teatro Nacional D. Maria II, com encenação de Erwin Meyenburg.

Na imprensa diária, destaca-se sobretudo a interpretação da protagonista, Amélia Rey Colaço, adjectivada superlativamente: “criação excelente” (S.L., Diário Popular, 13-4-1947, p.2); “interpretação (...) com um colorido, uma leveza e uma graça de aguarela” (L.O.G., República, 13-4-1947, p.2). Ou ainda, nas páginas do Diário de Lisboa: “uma das coisas mais belas da sua carreira gloriosa” (N.L, Diário de Lisboa, 13-4-1947, p.7). Louvada é também a encenação de Meyenbourg: “primorosa (...) dum ritmo, duma graça e duma fantasia modelares. Verdadeira lição de teatro” (N.L, art. cit.)." - in: A DRAMATURGIA GOLDONIANA EM PORTUGAL NO SÉCULO XX: O MUNDO E O TEATRO, Rui Pina Coelho, Centro de Estudos de Teatro

domingo, dezembro 11, 2011

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Amélia Rey Colaço - 1927



"Amelia Rey Colaço, uma individualidade com ideias proprias, com exigências de estética, tem querido atirar-se para o campo largo da realisação livre. Recordo neste momento a forma verdadeira e expontanea como ela ergueu e viveu os quadros de "É preciso viver!..." Mas a porta ferrea, de grossas e pesadas cadeias, que dá para o campo livre, intimida-a. Teme pelo publico, teme pelos seus companheiros.

Mas dia virá em que Rey Colaço sentirá a atracção irresistivel, levantará a aldraba e não se arrependerá."
Texto de Carlos Abreu - in: Magazine Bertrand - 1ª ano, Nº 1, 2ª Série, Janeiro de 1927.

terça-feira, abril 21, 2009

Lançamento da Fotobiografia de Amélia Rey Colaço



Fotobiografia de Amélia Rey Colaço

Livro pode ser pretexto para pensar sobre o teatro português

A fotobiografia de Amélia Rey Colaço, lançada esta semana, procura dar a conhecer a vida da actriz de referência e ser pretexto para "pensar o teatro em Portugal", disse a sua autora, a historiadora Júlia Leitão de Barros. Amélia Rey Colaço é a quarta personalidade editada no âmbito da colecção "Fotobiografias do século XX", do Círculo de Leitores, dirigida por Joaquim Vieira, e que já publicou as de Amália Rodrigues, Fernando Pessoa e Vasco Santana.


"É um óptimo pretexto para pensarmos sobre a prática teatral portuguesa" tanto mais que, sublinhou Júlia Leitão de Barros, "quem conhece a historiografia respeitante a este vasto campo cultural sabe bem como as reflexões sobre o teatro em Portugal têm recaído, quase exclusivamente, nos autores e na sua dramaturgia".

"As empresas, os actores, a encenação, a cenografia, as práticas, a crítica, os públicos, etc., têm sido quase esquecidos", prosseguiu.

Esta obra apresenta "imagens sugestivas e um texto que permite "pensar sobre as relações da arte com o poder político e do poder político com a arte, sobre as representações sociais da arte (e a concorrência entre elas) sobre os campos de legitimação do artista, etc.", disse.

A historiadora afirmou que a principal dificuldade que encontrou foi "a carga política associada a Amélia Rey Colaço".

"Depois - prosseguiu - as inerentes à temática, isto é, o carácter efémero do acto de representar e, por último, a falta de estudos sobre o teatro em Portugal".

A feitura deste livro levou cerca de dois anos e meio, tendo cabido a selecção das 192 fotografias a Joaquim Vieira, alguns delas inéditas.

Quanto às fontes documentais utilizadas, Júlia Leitão de Barros consultou o espólio particular da actriz depositado no Museu Nacional do Teatro mas também a imprensa da época "e memórias de gente de diversa formação, que se cruzou com ela", para além de ter contado com os testemunhos da sua filha, a actriz Mariana Rey Monteiro, e da neta Rita Garnel.

Breve biografia da actriz

Amélia Rey Colaço nasceu em Lisboa em 1898 e representa pela primeira vez em 1904 numa récita particular. Em 1914, actua em Madrid, onde declama Afonso Lopes Vieira e Luís de Camões. Atravessa mais de cinco décadas de sucesso em sucessivas peças com êxito até que em 1974 suspende a actividade no Nacional D. Maria II.

Em 1982, participa pela primeira vez numa série televisiva, "Gente fina é outra coisa", ao lado da filha Mariana Rey Colaço, Simone de Oliveira, Nicolau Breyner, Rui de Carvalho, entre outros.

Em 1985, prepara a sua despedida dos palcos e monta a peça inédita de José Régio "D. Sebastião", em Portalegre, no Cine-Teatro Crisfal.

Faleceu na sua casa em Lisboa, a 8 de Julho de 1990.

Fonte: Lusa/SIC Notícias

sábado, fevereiro 21, 2009

Intérpretes de Shakespeare e de Dias Gomes


Teatro. Em Fevereiro de 1965 eram entregues os Prémios da Crítica aos actores Mariana Rey-Monteiro, Rui de Carvalho e João Lourenço. Em contrapartida, os críticos não distinguiam nenhum autor nem nenhum encenador

Sentavam-se na mesma mesa do restaurante os críticos dos jornais salazaristas e dos oposicionistas

Os salazaristas convictos liam o Diário da Manhã, o Novidades e A Voz; os oposicionistas ao regime compravam o República e o Diário de Lisboa; os indiferentes dividiam-se entre o Diário de Notícias e O Século, o Diário Popular e o Jornal do Comércio. Mas os críticos teatrais de Lisboa, como se pode ler no DN de 9 de Fevereiro de 1965, entendiam-se entre si ao ponto de pensarem formar um Clube dos Críticos, "com o fim de se constituírem em entidade juridicamente responsável, fortalecendo ainda a sua posição de autoridade e criando meios de enriquecimento intelectual entre os novos valores que surjam".

A proposta era referida pelo representante do Diário de Lisboa no almoço em que eram entregues os prémios a Mariana Rey-Monteiro ("que, deste modo, reúne pela terceira vez a maioria de votos da Crítica, agora pelo seu desempenho na peça de Valle -Inclan, as Divinas Palavras"), a Rui de Carvalho ("que reuniu, também pela segunda vez, a maioria de votos e que, este ano, foi distinguido pelo seu trabalho na comédia de Shakespeare Dente por Dente"); e a João Lourenço ("o primeiro a receber o Prémio Revelação, pela sua interpretação em O Bem Amado", de Dias Gomes). "Os críticos resolveram, por maioria, não atribuir este ano prémios a autores e a encenadores, tendo em conta a relatividade dos valores revelados." Em contrapartida, "este ano, alargando o âmbito das suas atribuições, foi decidido criar também o Prémio Revelação, que pode não ser destinado a um estreante, mas àquele dos novos que tenha revelado o seu primeiro trabalho promissor".

"Há dez anos que, por iniciativa do falecido dr. Jorge Faria [1888-1960, que iria ser homenageado nesse mês pela Universidade de Coimbra, a quem cedeu o seu espólio e onde há agora o Instituto de Estudos Teatrais Dr. Jorge de Faria], os críticos teatrais de Lisboa se reúnem para conceder o Prémio da Crítica àqueles que, a seu ver, mais se distinguiram na época anterior, como autores, actores e encenadores."

A lista dos distinguidos nos anos anteriores: Amélia Rey Colaço, Eunice Muñoz (duas vezes), Laura Alves, Teresa Mota e Lurdes Norberto (interpretação feminina); Rogério Paulo, Pedro Lemos, Assis Pacheco, Erico Braga e José de Castro (interpretação masculina); Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno e Romeu Correia (autores); Eugénio Salvador, Manuel Couto Viana, João Guedes e Paulo Renato (encenação).

"No decorrer do almoço [no restaurante Tavares Rico], o eng. Armando Ferreira, na sua qualidade de decano dos críticos, fez a entrega dos prémios, recordou pormenores da actividade dos críticos e dos criticados na época passada, lembrando ainda que se trabalha para dar aos prémios simbólicos - em pergaminho encadernado, com o nome do premiado e da peça em que se distinguiram e, ainda, as assinaturas dos que subscreveram a decisão de atribuição - significado mais amplo."

Obviamente que aos contemplados não restava outra saída que não fosse terem "palavras de cumprimentos para aqueles que os haviam elegido os melhores do ano".


FERNANDO MADAÍL, Diário de Notícias, 22 de Fevereiro de 2009

terça-feira, julho 10, 2007

Retrato de Amélia Rey Colaço na revista Arte Peninsular, Ano 1, nº 1, Janeiro de 1929

sexta-feira, setembro 09, 2005


Mariana: dar o máximo na hora exacta
Mariana Rey Monteiro: a mulher e a actriz para além das distinções atribuídas pelos criticos. Diante de si e do advento "de uma renovação no mundo inteiro". Sobretudo com grande força de vontade. Disposta a continuar. Aqui
Considerada pelos críticos teatrais a melhor actriz da temporada pelo seu trabalho em "Filomena Marturano". Mas já não é esse o verdadeiro "timing" da entrevista. Os críticos pronunciaram-se há um mês. Mariana Rey Monteiro - para além de os eminentes a reconhecerem, na actualidade, como uma das actrizes de primeira grandeza - percorreu pelos palcos uma longa trajectória, estudando enredos e ficções, acumulando uma experiência de artista e mulher que justificam, a todo o momento, ouvi-la. De preferência pontualmente, levando-a para as zonas de maior embaraço.
Possivelmente, não haverá em Portugal muitos encenadores à altura (estatura) dela.
Misteriosa. Subtil. Excelente jogadora (de ideias e palavras). Desconcertante, por vezes. Afável, depois.
Pelos vistos, robustecida interiormente, contou-nos quase num repente uma imensidade de evidências (que a tanta gente escapam) e de preocupações (suas e dos outros).
Pensa que é complicada. Não teme nem hesita em dizê-lo. Porém, não é difícil saquear-lhe o que de mais humano (e humanista) guarda em si.
Insistimos, apesar de acontecimento passado, em "Filomena Marturano". O que tinha aquela personagem dentro de Mariana Rey Monteiro? A resposta surge pronta, a desmanchar, facilmente, os mitos:
Pessoalmente nada tenho a ver com tal personagem. Um dos interesses da nossa profissão é saber como nos mostrar fora de nós próprios.
O que acha que as pessoas pensam dela?
Não faço a mínima ideia - replica - Como tenho uma péssima opinião de mim própria, desejaria saber como suscitar de pessoas os comentários mais favoráveis. Sinto-me, constantemente, vitima de muitos motivos de dúvida e calcanhares de fraqueza. Concretamente: não me vejo realizada, nem como actriz nem pessoalmente. Gostaria que o que sai de mim fosse melhor. E daí a insatisfação.
Angústia? - saímos ao atalho, afrontando, porventura, o seu depoimento.
Angústia, não. Tenho a percepção clarividente e total das minhas próprias fraquezas. E sei o que amaria conseguir. Tenho a ansia da perfeição e nunca o receio da minha personalidade. Da qual não pretendo mudar.
Salta-nos à ideia a imagem de artistas e cientistas que para buscarem mais rapidamente a perfeição (ou a especialização) vão temporariamente para o estrangeiro ou emigram mesmo. Confrontámos Mariana Rey Monteiro com a hipótese.
O êxodo? Com a família a acompanhar? Para quê? Aqui, na nossa terra, também podemos encontrar a perfeição. Nem na China eu seria capaz de fugir de mim própria. A não ser, claro, nas horas de palco, em que sucede a evasão.
O que é ser actor e ser cidadão em Portugal?
Mariana sorri, ante a questão dupla. Reage, contudo, ao primeiro assalto:
Na parte profissional, é conseguir oferecer ao publico uma, pelo menos, destas três coisas: cultivar-se, distrair-se, pensar. Na parte pessoal é suavizar o sofrimento e as carências do próximo.
A nivel social, que caminhos Portugal vai levar?
Gostaria de ser Deus para responder a isso - afirma.
Depois do laconismo, a pausa. E retoma. Confessa que "como as outras pessoas" tem montes de projectos para o futuro. "A maior parte deles vive e morre connosco" - e contrai-se, num encolher de ombros. Prossegue: No âmbito nacional, aconteceram, na ultima década, fenómenos interessantes. A criação da Companhia Nacional de Bailado. O arranque de grupos de teatro independentes com espectáculos importantes.
O que é para Mariana Rey Monteiro um espectáculo importante?
É todo aquele - expõe - que consegue os objectivos que indiquei para o actor, aquele que consegue montar uma boa encenação e uma boa interpretação. E que constitua coisa séria e, sobretudo, digna de respeito pelo que põe em prática.
Crise por crise, na sociedade nas épocas. E a entrevistada fala-nos, adiante, de uma crise internacional, em que se insere a convulsão para um estado de espírito menos agradável, mais preocupante. Penso - diz Mariana - que uma qualquer era está a chegar ao fim, constituindo o advento de uma renovação no mundo inteiro. Há crises cíclicas na História da Humanidade e atravessamos, agora, uma fase de mudança.
Mariana Rey Monteiro disserta, por avanço, sobre "a dificuldade de um actor ver, em Portugal, os seus frutos colhidos".
O teatro está na mesma proporção da riqueza de um país e o nosso é pobre. Por sua vez o publico conhece o teatro especialmente pelo teatro de revista (e sublinho, no entanto, que quem elabora um bom teatro de revista é bom artista). Tadavia, existe outro tipo de teatro mais profundo, ainda acessível apenas a sectores minoritários. As crianças sabem as horas dos programas da TV, mas ignoram quase totalmente (por culpa dos pais) o teatro, que é um sitio com cadeiras e um palco onde se vai passar alguma coisa ao vivo.
Contudo, a cavaqueira deu para muito mais. A actriz explicou-nos que não gosta de fazer teatro na televisão, para não se sentir "mecanizada".
O encanto da minha profissão é estar na hora exacta a dar o máximo sem poder voltar para trás - opinou.
Que pensa Mariana do Teatro Nacional?
Desde o incêndio nunca mais lá fui. Não sei como funciona, nem sequer como está construído.
Acrescentou, em mudanças de tema, que não é "nada supersticiosa. Nove netos já me chegam para tornar tudo bem real".
Por isso, não sendo supersticiosa, e imaginando-a num lado oposto, quisémos saber, de sua opinião em que pode a ciência constribuir para o teatro.
Com o estudo permanente - impõe -, nunca se acaba de aprender. A profissão tem ainda muitas buscas a fazer com base na leitura, na encenação, nos ensinamentos que cada encenador novo nos traz.
Parece-lhe existir, com alguma representatividade, um verdadeiro teatro de vanguarda?
Sim. O teatro de pesquisa.
Gostaria de participar nele?
Gostaria de passar por todas as experiências no campo do teatro.
E, depois, qual escolheria?
Só no momento adequado é que lhe poderia revelar.
Que influência teve a figura de sua mãe (Amélia Rey Colaço) na sua formação artística?
Não se esqueça de escrever que a minha resposta, neste caso, é muito suspeita. Mas como quer que lhe fale da minha mãe, dir-lhe-ei que é uma mulher extraordinária, superiormente inteligente e que se tivesse sido actriz na Alemanha, na Inglaterra ou na América não seria ignorada em qualquer canto do globo. Estou a dizer-lhe isto numa perspectiva em relação à minha mãe em que incluo aspectos de como actriz e como mulher também...
Que pensa das mulheres deste país?
Penso que as mulheres portuguesas são umas heroínas. Pelo menos no círculo em que me encontro, verifico como tanto as minhas filhas como as minhas noras são, constantemente, mulheres de armas a enfrentar a hora que passa e que lutam sozinhas, sem qualquer ajuda exterior, vencendo todas as escolhas.
Seria Mariana capaz de se integrar num movimento feminista?
Tenho um terrivel defeito, que, aliás, se encontra desactualizado: sou individualista. Sentir-me-ia incapaz de me filiar em qualquer organização. Não deixo, contudo, de admirar os movimentos que existem. Tento, simultaneamente, ajudar o meu semelhante no que posso, como já disse.
Preconceituada?
Não tenho qualquer preconceito - pronunciou tranquilamente.
Mas, neste particular, o jornalista interroga-se a si próprio em que medida a salvaguarda das aparências pode condicionar uma resposta.
Entrevista de Luís Cid Pinto a Mariana Rey Monteiro, Diário de Notícias, 10 de Agosto de 1980.

terça-feira, julho 12, 2005

Amélia Rey Colaço - 1917

Apesar da pessima qualidade da imagem, não podia deixar de partilhar convosco esta maravilhosa capa da revista "Illustração Portugueza", de 03 de Dezembro de 1917.
Uma extraordinária fotografia de Amélia Rey Colaço (que, na legenda, aparece como sendo Amélia dos Reis Colaço), cujo mau estado da imagem se deve ao facto de ser uma cópia retirada através de microfilme, presente na Biblioteca Nacional de Lisboa.

sábado, março 12, 2005

Amélia Rey Colaço - Palavras Para Quê?


Amélia Rey Colaço

Natália Correia e Fernanda de Castro chamavam-lhe, pelo seu porte aristocrático e energia marcial, a Imperadora.

Oriunda de famílias de aristocratas e artistas (o pai era o compositor Alexandre Rey Colaço, professor dos príncipes, a avó, a célebre Madame Reinhardt, com salão literário e musical em Berlim), Amélia recebe, desde criança, uma formação invulgarmente requintada.

Apaixona-se pelo teatro aos 15 anos, ao ver, na Alemanha, os espectáculos de Max Reinhardt. Recebe aulas de Augusto Rosa e, a 17 de Novembro de 1917, estreia-se no Teatro República, na peça Marinela. Para fazer a personagem, uma rude vagabunda, aprende, durante meses, a andar descalça e a usar farrapos, no interior do jardim do seu palacete. O êxito é retumbante.

Casa, em Dezembro de 1920, com o actor Robles Monteiro, um ex-seminarista vindo da Beira Baixa, para trocar, a conselho do bispo (entusiasmado com as suas récitas religiosas), o altar pelo palco. Rapidamente os dois fundam uma companhia própria - será a mais antiga (durou 53 anos) da Europa.

Amélia imprime aos seus espectáculos um cunho de elegância, de bom-gosto, de invenção, de requinte desconhecidos entre nós. Chama pintores prestigiados para colaborarem com ela, casos de Raul Lino, Almada Negreiros, Eduardo Malta. Contrata nomes que são ídolos do público (Ângela Pinto, Palmira Bastos, Nascimento Fernandes, Alves da Cunha, Lucília Simões, Estêvão Amarante, Maria Matos, Vasco Santana) e revela, fazendo escola, novos actores, como Raul de Carvalho, Álvaro Benamor, Maria Lalande, Assis Pacheco, João Villaret, Augusto de Figueiredo, Paiva Raposo, Pedro Lemos, Eunice Muñoz, Carmen Dolores, Maria Barroso, João Perry, Madalena Sotto, Helena Félix, Rogério Paulo, José de Castro, Lurdes Norberto, Varela Silva, João Mota.

Robles Monteiro, um dos maiores ensaiadores do teatro português, apaga-se deliberadamente para a projectar. «Toda a sua vida foi feita em função de mim. Trocou as suas ambições pelas minhas. Tinha os seus sonhos próprios e pô-los de lado pelos meus sonhos», afirmar-nos-á Amélia Rey Colaço.

ÉPOCA DE OIRO

A concepção que Amélia Rey Colaço tinha do que devia ser uma companhia nacional resultou em pleno. Fará no século XX o mesmo que Almeida Garrett no XIX.

Actuando em vários planos, estrutura, primeiro, uma companhia coesa e disciplinada, metódica e exigente. A seguir, joga na dignificação social do actor, conquistando para ele um estatuto de superioridade inovador. Organiza, ao mesmo tempo, um reportório ambicioso, diversificado, alternando contemporâneos com clássicos, estrangeiros com portugueses. Abre (e nisso foi única) as portas à dramaturgia nacional, fomentando-a, recompensado-a como ninguém mais fez depois dela.

O incentivo dado aos nossos autores fê-los conhecer, contra a Censura e o dirigismo cultural, uma época de oiro. José Régio, Luiz Francisco Rebello, Bernardo Santareno, Romeu Correia, Miguel Franco são alguns dos que, então, se afirmaram.

«Nesse período admirável de ressurgimento da nossa dramaturgia são levadas à cena 116 peças de autores nacionais, 63 em estreia absoluta», anota Vítor Pavão dos Santos, para quem a Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro «é a espinha dorsal do teatro português do século XX».
«Amélia Rey Colaço soube, como ninguém, manter a chama do teatro apesar da ditadura. Conheci muitas pessoas do teatro e ela foi a única que me ensinou, pessoalmente, algo dos seus diversos ofícios», comenta-nos o dramaturgo Mário Sério.

SALAZAR ADMIRAVA-A

Com ousadia revela, por outro lado, o que de mais avançado surge no mundo: Jean Cocteau, Jean Anouih, Lorca, Valle Ínclan, Alejandro Casona, O'Neill, Tennessee Williams, Arthur Miller, Pirandello, Eduardo De Filippo, Diego Fabri, Max Firisch, Ionesco, Durrenmatt, Albee, Pinter.

Apaixonada por Brecht, pede ao ministro da Educação (entidade que tutelava o teatro Nacional) uma audiência. Ao entrar no seu gabinete, o governante diz-lhe: «Se vem cá pedir para eu autorizar esses comunistas de que gosta, o Brecht, o Camus, o Sartre, pode ir-se embora.» Amélia pára e diz: «Então, boa tarde», e dá meia volta.

Salazar gostava do seu porte altivo e grave. Apreciava-lhe a fineza, a inteligência, a cultura. Ficava-se a ouvi-la, quando se deslocava aos ensaios gerais das suas peças (nunca ia a estreias), com curiosidade, com prazer. Ela não lhe fazia pedidos, ele não lhe agredia a independência.

ANCIÃ BELÍSSIMA

Aos 90 anos, Amélia Rey Colaço era uma anciã belíssima, serena por fora, vibrátil por dentro. Luminosidades intensas fulguravam-lhe com frequência o olhar, como se a alma, a energia se quisessem libertar do corpo que as arqueava.

Era um ser notável de sedução, de ironia, de humildade, de orgulho. Como poucos, sabia aproximar-se e distanciar-se, revelar-se e ocultar-se. Tornou-se numa personagem ficcionada, encenada por si própria com, por vezes, genialidade.

O reverso dos aplausos, das benesses, chegar-lhe-ia penosamente à medida que a companhia se decompunha por incêndios, por bloqueios, por incomprensões, em agonia lenta, densa. «O meio fechou-se, os críticos estavam, no final, contra nós», recorda-nos Mariana Rey Monteiro.
Em princípios de 1974, Amélia Rey Colaço regressa ao S. Luiz, de onde partira. O ciclo fecha-se. Pouco depois dá-se o 25 de Abril. Percebendo que a vão encarar como um símbolo do Estado Novo, suspende a companhia e sai de cena.

Assume a injustiça com dignidade, com discrição. Em silêncios imerge no outro lado da ribalta, o da penumbra, o do apagamento. Para trás dela ficam - o futuro irá comprová-lo - espectáculos (a Castro, O Processo de Jesus, A Visita da Velha Senhora, Tango) que são obras-primas, patrimónios preciosos da nossa cultura, da nossa memória.

RECORDAÇÕES NEFASTAS

«Incêndios em teatros», e «datas em 8» perseguiram dramaticamente a actriz durante a vida. Quatro edifícios onde actuou foram, com efeito, pasto das chamas, ruindo dois por completo.

A série começa no São Luiz (ex-Teatro República), que arde pouco antes de Amélia se estrear. Logo a seguir, o fogo obriga-a a deixar o Trindade, onde se instalara. Radicada no D. Maria, por concessão pública, vê as labaredas reduzirem-no a escombros na noite de 2 de Dezembro de 1964. Três anos mais tarde, o Avenida, onde se acolhera, transforma-se em cinzas. Novo incêndio (no Capitólio) obriga-a, em 1970, a nova mudança (para o Trindade).

As datas terminadas em 8 revelam-se-lhe; entretanto (anota a revista Guia na sua última edição), um flagelo. A avó materna e o pai, por exemplo, falecem em 1928, a mãe em 1938, o marido e o genro em 1958.

Dificuldades graves obrigam-na a deixar, em 1968, a moradia onde nascera, na Lapa. A sua companhia é oficialmente extinta em 1988, altura em que a actriz se vê obrigada a leiloar o recheio da casa do Dafundo (cedida pela marquesa do Cadaval) e a abandoná-la. A 8 de Julho morre, em Lisboa, junto da filha.

TEXTO DE FERNANDO DACOSTA - In Revista "Visão", Lisboa, 26 de Fevereiro de 1998

segunda-feira, março 07, 2005

LADY MACBETH - MARIANA REY MONTEIRO

MARIANA REY MONTEIRO
Esta espantosa fotografia (de uma beleza e de uma força que não se explica) pertence à Revista de "O Século Ilustrado", nº 1404, de 28 de Novembro de 1964, na semana de estreia de "Macbeth" no Teatro Nacional D. Maria II, sob a encenação de "Sir" Michael Benthal.
Diz-se que esta famosa peça de Shakespeare está envolta numa maldição terrivel... BBBBBUUUUUUU....
Vamos lá ver se consigo, em poucas palavras, resumi-la.
Parece que quando se leva à cena tal obra (MACBETH), a actriz que representa o papel principal, o de "Lady Macbeth", tem que ter umas certas atenções especiais.
Se a memória não me falha, ela tem que murmurar umas quantas deixas do texto da peça ou cantarolar umas tantas rezas antes de entrar em cena, ou chatice da grossa acontecerá...
Claro que os mais cepticos não acreditam em nada disto mas... como diz a outra - "eu não acredito em bruxas, mas que as há... HÁ". E o certo é que temos imensos relatos de desgraças ou acidentes em teatros acontecidos durante as representações desta peça de Shakespeare.
E como não há desgraça que Portugal não acolha, também levámos com a de Macbeth...
A prová-lo está o nº 1405 da Revista "O Século Ilustrado", em que na capa aparece-nos o Teatro Nacional D. Maria II em chamas, num incêndio que o destruiu por completo.
É verdade.
Uma semana após a estreia, e todo o teatro ficou reduzido a cinzas, destruindo todo o material que a extraordinária Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro havia fabricado e guardado durante anos de intensa actividade artística: cenários, figurinos, projectos...
Não é extraordinário? Será coincidência? Coisa estranha...
Só não sei porque tornaram a levantar o Teatro Nacional.... assim como assim não se passa lá nada... bom, quer dizer, abriga da chuva... já não é mau...
Prometo que amanhã coloco a imagem da capa da revista aqui no blog.
As coisas que se descobrem nos alfarrabistas.... vale muito a pena cheiriscar...