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sábado, junho 13, 2015

Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português no Museu Nacional de Arte Antiga





















A exposição Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português, patente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, é merecedora de uma visita demorada e atenta.
O meu gosto por Josefa de Óbidos é limitado. Restringe-se sobretudo, e talvez pelo meu interesse pela culinária - em especial pela doçaria - aos quadros de natureza morta onde a "mesa" é o tema central. A forma como nos apresenta a doçaria conventual, os queijos, certas frutas e flores, as faianças e os barros, e certos utensílios do quotidiano em redor da mesa são excepcionais. Para mim, e esta observação vale o que vale, o interesse de Josefa de Óbidos não está no quadro como um todo mas nos pormenores, nos pequenos pormenores que, salvo raríssimas excepções, se encontram em todas as suas pinturas. A pintura de Josefa de Óbidos (e de outros que compõem a exposição: Zurbarán, Baltazar Gomes Figueira - Pai de Josefa -, entre outros) requerem tempo, atenção e contemplação. São riquíssimos de informação,  que nem sempre é perceptível num olhar rápido.

No entanto, a pintura de Josefa vai muito para além da doçaria. Representações da Virgem, do Menino Jesus, de Santa Teresa, um extraordinário Cristo flagelado, de costas ensanguentadas e muito mais pode ser admirado nesta exposição. As temáticas, os materiais e os interesses são variados. Uma certeza, porém, une todas estas obras: a Beleza.

“Não pretendemos que a exposição seja sobre toda a obra conhecida da Josefa”, explica Joaquim Caetano. “Pretendemos mostrar que, ao contrário do que se pensa, ela não é uma pintora de naturezas-mortas. Não é uma rapariga que está fechada em casa a pintar bolinhos.”

Vá ver por si mesmo... não se fique por estas pequenas e fracas imagens - que não são todas de obras de Josefa de Óbidos - que pouco ou nada transmitem a verdadeira dimensão da obra exposta.

terça-feira, abril 21, 2015

Da construção da Maternidade Alfredo da Costa




Assim, a construção da maternidade entrou num período de orçamentos insuficientes e previsões impossíveis, por longos anos.

Subitamente, num dia memorável, Augusto Monjardino foi abordado por um grande benemérito, Rovisco Pais, que pediu anonimato até à sua morte, e lhe entregou um donativo de mil e quinhentos contos. O impulso que esta verba deu à comissão traduziu-se no desenvolvimento da construção.
Mas a maternidade, estando quase pronta, faltava o “quase” e o recheio. Para tal, contribuiu muito o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Bettencourt Rodrigues, que conseguiu, pelas reparações de guerra, o fornecimento de grande parte do mobiliário, máquinas e outro equipamento, no valor de cerca de oitocentos mil marcos-ouro. Contudo, a obra não podia dar-se concluída e foi nessa altura que Oliveira Salazar, ministro das Finanças, a visitou demoradamente. Costa Sacadura conta um curioso episódio dessa visita:

Esse homem de Estado, silenciosamente, vai tudo observando e ouvindo. De longe em longe, faz umas pequenas perguntas, pede um rápido informe. Não devia ter dito, nesse detida visita, mais do que duas dezenas de palavras, ao todo. À saída, ao despedir-se, atirou com uma derradeira interrogação:
- Quanto julgam os senhores que é preciso para terminar os trabalhos e a maternidade principiar a funcionar?
- Mil contos!
Nem pestanejou. E nem observou coisa alguma. Silenciosamente, distribuiu secos apertos de mão e partiu.
Dias depois, comunica-me o Dr. Augusto Monjardino:
- O sr. Dr. Oliveira Salazar fazia-lhe notar que ele poderia saber muito – não o duvidava – de cirurgia e de ginecologia, mas pouco de contas. Pois eram precisos não mil contos mas mil e quatrocentos contos. E publicava a portaria com a dotação assim anunciada.

Deste modo, a maternidade foi acabada e inaugurada no dia 05 de Dezembro de 1932, com o nome de Dr. Alfredo da Costa, aquele que sonhou e em toda a sua vida profissional lutou, para que ele viesse a existir.

In: Omnia Sanctorum - Histórias da História do Hospital Real de Todos-os-Santos e seus sucessores. Edição By The Book.

sexta-feira, junho 13, 2014

Amália Rodrigues

 Amália Rodrigues

 Amália Rodrigues e Camões

 Amália Rodrigues e Amélia Rey Colaço

 Amália Rodrigues, Carlota Guerra e Juliette Greco

 Amália Rodrigues e Rudolf Nureyev

Amália Rodrigues, Laura Soveral, 
Norberto Barroca e Marco Paulo

Fonte: Matrixpix

segunda-feira, julho 01, 2013

Sobre a Avó Eduarda (Dadinha para os amigos)



Maria Eduarda de Ataíde Sá e Melo Amaral Marques Teixeira

A minha Avó nasceu em 1925. Morreu em 2013, pouco menos de um mês antes de completar 88 anos.

Viveu uma vida feliz, apesar dos dissabores que numa existência em pleno são inevitáveis.

Nasceu no seio de uma família grande, privilegiada (a pulso, pelo Bisavô João), de refinada inteligência e humor. E partiu rodeada de uma família igualmente grande (dois filhos, um genro, seis netos, seis bisnetos e um número que já não sei contar de sobrinhos).

Escrever sobre a Avó não é tarefa fácil. É, garanto, sempre uma tarefa inacabada. As valências da sua pessoa são inúmeras, tanto há a salientar.

A par da inteligência, a “liberdade” foi aquilo que sempre me fascinou na Avó. A liberdade de escolher, de se adaptar, de se actualizar sempre, aceitando sempre, com uma enorme dignidade, cada novo desafio da vida: a viuvez, o desaparecimento precoce de todos os irmãos, um filho que, como tantos outros, foi à guerra e voltou, para depois de novo se ausentar para o outro lado do mundo, a mudança política e social em Portugal (que eu sei que a Avó abraçou e gostou - nos seus últimos meses de vida, e por diversas vezes, “deixou escapar” alguns comentários críticos à situação pré-25 de Abril).

Mais do que tudo, a Avó acompanhou, reflexiva e inteligentemente, a modernidade dos tempos. E sempre com uma elegância e uma postura como, desculpem-me a exclusão definitiva, nunca vi em mais ninguém. E foi assim na vida como na morte.

A Avó nunca viveu refugiada nos apelidos de nascença (que eram muitos), nem de vidas que já passaram e que não foram a sua. Construiu solidamente a sua biografia pelas acções que praticou. Nunca parou. O futuro, e nunca o passado, foi a sua vida. Olhou o primeiro de frente e do passado queria apenas as histórias, lembranças e recordações do que viveu mas nunca a ele ficou presa.

Ela própria o diz numa carta enviada a uma sobrinha em 2003, referindo-se à família, para ela tão importante e da qual ela própria foi um importante pilar:

Enquanto nós existirmos, as pessoas que amamos não morreram, porque vivem sempre na nossa lembrança e no nosso coração. Vamos recordá-las sempre com muita saudade, mas sem tristeza. Temos tantas coisas, tantos momentos, tantas lembranças tão boas nas nossas memórias, que é isso que devemos sempre conservar como um bem precioso. Temos de nos sentir felizes com a Família que Deus nos deu. Com os que já partiram e com todos os que temos junto de nós.

E isto tanto servia para a família como para os amigos. A Avó sempre cultivou grandemente as amizades. E tinha-as de longuíssima data. Não dispensava, fizesse Sol ou chuva, o chá semanal na Avenida de Roma com as colegas do Colégio.

Culturalmente, a Avó mantinha-se constantemente actualizada. Tantas vezes fui com ela ao Teatro, ao Cinema e a Exposições. Lembro-me, desde miúdo, de com ela conhecer a Gulbenkian como as minhas mãos. Levou-me ao Museu Grão Vasco. O ex-libris terá sido o Museu de Cera de Fátima… muito nos rimos. Falava-me de música, dos seus tempos no Conservatório Nacional de Música. Recordava comigo as grandes peças de Teatro que vira, os Bailados que assistiu, as Óperas.

Exercitava constantemente a memória e a inteligência.

Devorava palavras cruzadas (dava-as como álibi para comprar a revista Caras e outras).

Lia imenso e sempre com sentido crítico. E era tão bom ver o entusiasmo com que falava quando encontrava um novo – no sentido de desconhecido - autor que havia gostado. O último, penso, terá sido Rentes de Carvalho. O livro chamava-se “Ernestina”. Ofereci-o porque este era o nome de um cozinheira que tivera durante anos em sua casa. Uma figura que todos estimámos.

Mas para verem o quanto era importante a literatura para a Avó, aqui fica mais um excerto, desta feita de um postal de aniversário que me enviou em 2007:

À tarde, está calor e ficamos em casa. Leio 3 livros ao mesmo tempo. Levanto-me cedo e venho ler a Divina Comédia - o Inferno de Dante. É terrível e morro de medo. À tarde, para amenizar, leio as Cartas de Inglaterra do Eça e à noite não dispenso um policial. Assim se vai passando o tempo.”

Construiu assim uma grande biblioteca. Foi, aliás, a última grande obra que realizou na casa das Eiras. Mandou fazer, onde outrora funcionava a sala de refeições dos criados, uma biblioteca. A sua biblioteca.

Falar da Avó é, também, falar do Avô Manuel. Eram perfeitos um para o outro. Havia igualdade entre ambos e não se permitiam a fretes. Se um queria ir para a esquerda e o outro para a direita, assim era e encontrar-se-iam, de novo, mais à frente.

O Avô mimava-a constantemente. Com palavras, actos e nenhumas omissões. Tinham ambos uma inteligência forte e um sentido de humor apurado que se completavam. E nos longos meses da doença terminal do Avô a Avó foi uma heroína, até à exaustão física. Um exemplo. Mas era-o sempre perante a adversidade. Era seguro que encontraríamos nela um baluarte.

O Natal era, nunca lhe perguntei mas adivinha-se, a época favorita. Primeiro os passados na sua casa de infância, em Passos de Carvalhais, e por fim os passados na casa das Eiras que ela organizava e esmerava-se sempre.

Tudo profusamente iluminado e decorado. A lareira acesa. Por cima desta um presépio grande, com musgo verdadeiro, que a Avó sempre se ria e chamava a atenção para elementos “menos próprios” que nele habitavam: desde camelos decapitados, a uma confusa banda de música, um mocho de olhos esbugalhados, entre outras. O pinheiro, sempre verdadeiro, era cortada de alguma das suas matas.

Normalmente raquítico, com meia dúzia de agulhas onde se espalhavam as bolas e as fitas de Natal.

Tudo o resto era amor e muita comida. A canja, o bacalhau e o peru. Uma obscena mesa de doces, e taças e tacinhas de frutos secos, bombons de recheio e frutas cristalizadas. Sempre uma noite especial, com muita gente – a Tia e os primos de Vouzela, os meus irmãos, os meus pais, os caseiros da quinta e quem mais que aparecesse. A mesa de camilha com a braseira ligada (a lareira era mais decorativa que calorifica).

Haviam duas coisas que fascinavam a Avó: o Mar e as searas alentejanas (como somos diferentes até nisso!). Terá percorrido Portugal de lés a lés com o Avó… mas era sempre o Mar e as searas que lhe davam tranquilidade.

Tinha Espinho no coração. Era a praia de toda uma vida. E tantas histórias me contou. Foi lá, no Casino, que o Bisavó João – para grande escândalo de alguns presentes –  a levou para provar, pela primeira vez, vodka… a pedido da Avó (lembro-me de vê-la a beber caipirinha quando existia uma espécie de restaurante italiano em Santa Cruz da Trapa, há muitos anos).

Ouvi-la a contar as histórias das viagens de São Pedro do Sul para Espinho no célebre Vouguinha era de chorar a rir. Era todo um cerimonial e muitas horas de viagem. Aliás, histórias com comboios tinha muitas. Um atentado à bomba e um descarrilamento. Um deles foi sério. Foi parar, era noite escura, a um campo de milho.

Fico-me, para já, por aqui. São muitas as coisas que vêm à cabeça, tantas que se atropelam umas às outras e dificultam a escrita. Mais tarde, outro dia, voltarei a escrever.

Fica uma espécie de apresentação, que é de saudade, de amor e de falta. A vida ainda se está a reorganizar, a preencher os vazios da ausência. Foram anos e anos com um ritmo presente sempre certo. Agora não há os almoços de Terça e Quinta-feira. Agora não há os jantares aos Sábados. Vamos lá ver os Natais.

Para já, ainda não me adaptei.

sábado, fevereiro 23, 2013

Coisas vários do periódico O Branco e Negro, de Jorge Colaço

 O Branco e Negro (capa)
 Ângela Pinto e a Penhora de Bens
 O Padre José Daniel e o Fado do Branco e Negro
 O Baptizado do Gungunhana
 Sobre a Casa da Boneca, de Ibsen, com Lucília Simões
 As lindas rosas da Batalha das Flores
Palavreado à la sec. XIX e a Higiene Feminina - Ser Formosa

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Do Almanak de "O Mundo" - 1908 e 1909

 Adelaide Cabette
 Bernardino Machado - I
 Bernardino Machado - II
 Casa Africana
 Chapelaria A Social - Chapéus de Políticos
 Escola Estefânia
 Filtros de Água Sistema Pasteur
 Coroas Fúnebres
 Escola Estefânia
Agência Funerária - Embalsamamento
Hino De Algum Dia - Guerra Junqueiro - Republicano
Hino da Maria da Fonte
Jardim de Lisboa
Chá Lipton
Loção de Nice
Pensão, Hotel ou as duas coisas
Armazéns Mousinho - Porto
Quem É O Papa - Guerra Junqueiro
Fotografo com acessório especial para pessoas nervosas
Mulheres Republicanas
Os Táxis de então - Trens de Aluguer
Tisana Anti-Sifilitica
 
Acessível no site da Biblioteca Nacional de Portugal Digital. Para ver este Almanaque de O Mundo na integra clique AQUI.