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terça-feira, dezembro 13, 2011

A Fado Traditionalist, Embracing Torment, Suffering and Song

Camané, the fado singer, with José Manuel Neto on guitarra portuguesa, at Brooklyn Academy of Music in the Next Wave Festival.
The essential fado instrument is the guitarra portuguesa, a long-necked, teardrop-shaped, steel-strung 12-string guitar that offers filigrees and countermelodies at a respectful distance from the singer’s voice, which is dramatically and mercilessly exposed.
Fado now toys with fusions and hybrids, mingling with New Age music, African rhythms, rock and electronics. But Camané came to Brooklyn as a traditionalist, dressed in black and accompanied only by guitarra, bass fiddle and acoustic guitar. It was a string band attentive to his every expressive fluctuation of tempo, or to a silent pause before words like “torment” and “suffering.” The closest it came to hybridizing was a tinge of jazz harmony and a slightly more prominent bass line in “Lembra-te Sempre de Mim” (“Always Remember Me”). Camané even ended his set with vocals and instruments unamplified, as if playing at a traditional fado house; his voice was large enough to fill the opera house.
Camané sang about separation, sorrows, haunting eyes and sad memories, along with some rare lighter moments. And he sang about fado itself, as a calling and a burden, though he carried them suavely, in long lines that crested and eased back with nuanced theatricality. He didn’t push toward the tearful, cathartic peaks of female fadistas like Mariza. But in hushed songs like “Ser Aquele” (“To Be That”) and — from Amália Rodrigues’s repertory — “Abandono” (“Abandonment”), there was passion behind the urbanity.
Lisboa Soul, an 11-member collective gathered for the occasion by its musical directors, Ricardo Parreira on guitarra and Yami on bass, was a revue working backward in history, from young singers with modern fado offshoots — adding drums, keyboards and electric bass — to older ones performing more traditionally. The set looked toward Cape Verde, with upbeat songs from Ritinha Lobo and Yami, before turning more somber with fado-rooted pop from Micaela Vaz and Vânia Conde. With the band shrunken to a trio, the guitarist Marco Oliveira revealed a richly imploring voice. He was followed by the elders: Rodrigo, singing in a weathered voice about fado’s history, and Beatriz da Conceição. Wearing the black dress and black shawl of classic fado performers, she was imperiously mournful, declaiming each phrase as a freshly felt lament.
This article has been revised to reflect the following correction:
Correction: December 7, 2011
A music review on Monday about performances by the singer Camané and the group Lisboa Soul, at the Brooklyn Academy of Music, misstated the surname of a guitarist with Lisboa Soul in some editions. He is Marco Oliveira, not de Oliveira. A version of this review appeared in print on December 5, 2011, on page C5 of the New York edition with the headline: A Fado Traditionalist, Embracing Torment, Suffering and Song.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Camané no CCB - Uma grande noite de Fado


Camané é, indiscutivelmente, o maior nome do Fado, na actualidade. Fez o seu caminho tranquilamente, degrau em degrau, e venceu. Estimado e respeitado por todos.
Tem uma discografia sólida e uma panóplia de concertos memoráveis. É, aliás, ao vivo que se vê toda a magia e poder de Camané.
Este novo álbum - Do Amor e dos Dias -, tal como o anterior, não me enchem as medidas a cem por cento. Alguns poemas são fraquinhos e metidos a martelo nas melodias, tipico de José Mário Branco. Penso que era altura de esta longa parceria ter umas merecidas férias.
Mas o que agiganta, ainda mais, Camané é, nas suas actuações ao vivo, dar a volta completa e surpreender. Por isso não me chateia nada que não goste dos álbuns, pois sei que Camané ao vivo nunca desilude...
E foi o que aconteceu na noite de ontem, 07 de Outubro, no Centro Cultural de Belém. Apesar de muito agarrado ao papel, Camané presenteou a sala esgotada do CCB com uma bela e emotiva noite de fados, dos novos e dos antigos, com o seu trio de luxo de músicos: José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola e Carlos Bica no contrabaixo.
Espero agora os próximos concertos no São Luiz... Camané, sempre Camané e cada vez melhor nas actuações ao vivo...

sábado, agosto 23, 2008

Simone de Oliveira e Camané

Simone de Oliveira e Camané foram dois dos entrevistados no programa Prova Oral, da Antena 3, com Fernando Alvim.
Ambas as entrevistas estão descontraídas e galhofeiras e por isso com alguma graça. Vale a pena ouvir.





domingo, maio 18, 2008

Camané - Sei de Um Rio - Pedro Homem de Mello

Camané no Coliseu dos Recreios de Lisboa



Camané apresentou-se dia 16 de Maio no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Sala esgotada. Dez minutos de atraso, mais coisa menos coisa. Luzes apagadas. Uma voz agressiva lembra aos menos educados ou menos cívicos que devem desligar os telemóveis e que não se pode fotografar ou gravar o espectáculo.

Saem os primeiros sons de guitarra... uma luz acende e Camané, sentado numa cadeira, de lado, começa com um incrivelmente belo e arrepiante Sei de um Rio, de Pedro Homem de Mello, a música jóia da coroa do novo álbum "Sempre de mim".

O resto, foi um desfilar emocionante e de rara beleza de 30 músicas, ou mais, non-stop.

Camané foi grande o suficiente para encantar, deslumbrar ou emocionar o Coliseu dos Recreios de Lisboa.

Com uma voz melhor que nunca, amadurecida e com belíssimas variações, Camané cantou alguns temas do novo álbum e grandes sucessos - como se constatou nos diversos encores - dos discos anteriores.

Qualquer tentativa que tenha em descrever o concerto ou qualquer tentativa que possa fazer para transmitir as emocões vividas em noite tão especial, ficarão sempre aquem da realidade.

Camané provou, numa sala que se sabe dificil, com um público indisciplinadissimo - num constante sai e entra, velhotas perdidas nos tapetes vermelhos do Coliseu, pessoas a quem a voz agressiva do início não meteu medo, mexendo nos telemóveis o tempo inteiro, até aos mal educadissimos operadores de câmara e fotografos que teimam em incomodar quem pagou (e convenhamos que não se pagou pouco) um bilhete para um espectáculo que não merece distracções - Camané, dizia, provou que nasceu para grandes vôos e que é, sem qualquer tipo de dúvida, a grande voz e a grande referência do Fado actualmente.
Humilde na sua maneira de ser, Camané quase pediu desculpa por um Fado que iria cantar e que não era seu. Percebe-se que não gosta de cantar o que já antes havia sido cantado por outros e, principalmente, quando os outros eram Amália Rodrigues. Mas fê-lo... e com muita autoridade. Falo de Asas Fechadas, Fado emblemático do não menos emblemático álbum Busto de Amália. E que extraordinária interpretação.

A comprovar a excelência do fadista e dos fados que interpreta estão, claro está, as inúmeras pessoas ligadas à música que compareceram no Coliseu: Aldina Duarte (que iluminou com o seu belissimo sorriso a sala), Celeste Rodrigues, Carlos do Carmo, Sérgio Godinho (que escreve uma letra bem ao seu estilo no novo álbum do Camané), os irmãos Pedro e Helder Moutinho, Rodrigo Costa Felix, entre outros.

Trapalhão na fala mas grandioso na postura, Camané, acompanhado pelo trio fantástico de José Manuel Neto – guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença – viola, Paulo Paz – contrabaixo e como convidado especial - Carlos Bica, dominaram por completo o palco, a alma e o coração de quem lá esteve, viu e ouviu. Espera-se mais, muitos mais concertos brevemente.
José Daniel Ferreira
"O Coliseu é feito de fado e Camané é o seu senhor
Quando Camané dedica palavras ao seu público, sem o acompanhamento de violas e guitarras, multiplica-se em agradecimentos e deixa explicações sobre os fados que canta. Mas cedo se perde entre os nervos que as canções afastam. Este é o senhor fado que nasceu para contar histórias de miseráveis apaixonados e infelizes boémios elevando a voz, tornando maior que tudo o que, no momento, a rodeia. E fá-lo com uma invejável expressão de contentamento. A noite de sexta-feira fica documentada como a sua estreia em nome próprio no Coliseu dos Recreios. Mas quando canta, juramos que a história e a tradição da sala também lhe pertencem.
O novo Sempre de Mim é ainda disco em crescimento junto de quem o ouve. Mas certezas como esta não pedem por muito tempo para se revelarem: esta é a poesia que melhor serve a tradição fadista que Camané apregoa. E o fadista fá-lo hoje melhor que nunca. Começa sentado, longe das luzes. Canta "sei de um rio onde a própria mentira tem o sabor da verdade" e contorce-se a cada palavra que Pedro Homem de Mello parece ter-lhe dedicado. Volta sempre a Alfredo Marceneiro e mesmo ali regressa à infância, quando escutou quem hoje ainda o acompanha. Fernando Pessoa e David Mourão-Ferreira ecoam pelo Coliseu como poucas vezes até aqui. Lembremos então Amália, que Camané recorda, tímido, em Asas Fechadas. A modéstia serve-lhe a elegância mas sabe vestir a canção como só o próprio poderia.
Camané fez-se fadista para o demonstrar em público. De mão no bolso e fato escolhido ao pormenor. Reservando espaço para quem lhe dá o suporte musical (nesta noite com Carlos Bica como convidado especial) e entregando-se. Na resposta, o Coliseu pediu-lhe quatro encores, aclamou-o e soltou típicos "bravos" ou uns menos ortodoxos "és lindo". Camané sorriu e respondeu que sim."
Crítica de dia 18 de Maio - Diário de Notícias - Tiago Pereira e Tiago Lourenço

domingo, maio 06, 2007

Critica do jornal "El Pais" ao espectáculo de Camané - Outras Canções II

De fadista a 'crooner'
Camané, la gran voz de Portugal, hace suyos clásicos de Sinatra y Brel
MIGUEL MORA - Lisboa - 05/05/2007

Es el príncipe del fado de esta época, la gran voz masculina de Portugal. Canta desde niño, y a los 11 años sorprendió al maestro Carlos do Carmo por su dicción asombrosa y su capacidad para transmitir emociones "adultas" desde una contención que no admite concesiones. Camané (Lisboa, 1967) canta con una mano metida en el bolsillo, los ojos cerrados, cada palabra perfectamente colocada en su sitio, sin prisas, sin estridencias. Ahora, a sus 40 años, Carlos Manuel Moutinho ha elegido 21 canciones de sus maestros favoritos, y, acompañado por la Orquesta Sinfónica Portuguesa y un quinteto de jazz, los ha llevado a escena.

El espectáculo Otras canciones II ha vuelto al teatro São Luiz, de Lisboa, con el papel agotado, tras los éxitos de los cuatro conciertos del pasado fin de semana. "¿Ha salido bien? No tengo yo esa percepción". Eso decía sonriente Camané el domingo, en el camerino. Había cantado durante cerca de dos horas, con tres o cuatro propinas. Era el día del partido Benfica-Sporting; el teatro no se había llenado, pero la gente reconoció entregada la dificultad de la empresa.

El fadista lisboeta se transmuta en crooner, chansonier, canzonetista, cantante de boleros (Vete de mí) y de bossa nova. Canta en inglés, francés, italiano, español y en portugués, y en Anos dourados y Olha María saca el dulce soutaque -acento- brasilero para rendir homenaje a Chico Buarque.

La elección del repertorio habla de su buen gusto y su coraje. En inglés hace todo el repertorio clásico de Broadway. Clásicos de Bernstein y Sondheim (Somewhere), Henri Mancini (Moon River), Ray Noble (The touch of your lips), Neil Hannon (Perfect lovesong), y se atreve incluso con My funny Valentine, de Rodgers, Kurt Weil (September song), los Beatles (For no one).

En francés rescata a Charles Trenet (Que reste-t-il de nos amours), Aznavour (Lei), Gainsbourg (la estupenda Black trombone) y el final espléndido Que c'est triste Venise de Françoise Dorin y Eddie Barclay.

Cantar todo eso y no morir en el intento no está al alcance de muchos. Y cantar como canta el Ne me quitte pas de Jacques Brel, con ese respeto religioso, emocionando, reinventándolo y llevándolo a su terreno pero siendo absolutamente fiel al espíritu y la letra, eso habla de que ahí hay una estrella.

A Camané se le nota más cómodo en el francés que en el inglés. "Fue su segunda lengua en el colegio", explica su hermano mayor, Helder Moutinho. Aunque ahí se le ve más suelto (la mano en el bolsillo), su manera de pronunciar las cinco lenguas (incluido el español del Vete de mí de Virgilio y Homero Expósito y el italiano de Estate) es espectacular.

El asunto tiene además una dificultad añadida: los arreglos de Mário Laginha, Pedro Moreira (que dirige la orquesta), Filipe Melo y Bernardo Sassetti abundan en la insistencia en los violines y los remates instrumentales cuando la voz ha terminado; eso hace que muchas canciones se parezcan entre sí, lo que acaba resultando monótono. Siempre que el peso recae en la frescura del magnífico combo de jazz, el espectáculo remonta. Aunque él sigue siendo escéptico: "Espero que por lo menos el último día salga bien de verdad".

Como dice el musicólogo Rui Vieira Nery en el texto del programa, "un fadista no es sólo aquel que canta fado. Es antes que nada alguien que tiene una relación expresiva especial con los textos, una manera particularmente intensa de colocar la voz, un cierto diseño inconfundible en el lanzamiento de las frases musicales...".

La pregunta es: ¿tendrá Camané que dejar de lado el fado para ser una figura internacional? No parece... En septiembre saldrá su nuevo disco de fados castizos. La espera será larga para sus seguidores, pero, como siempre, merecerá la pena.

quinta-feira, abril 26, 2007

Camané no São Luíz... A NÃO PERDER


OUTRAS CANÇÕES II

CAMANÉ E A ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA

27 ABR ~ 6 MAIO

Quinta a Domingo às 21h00


Um concerto único e memorável em que o Fadista canta

Tó Jobim Beatles Frank Sinatra Elis Regina Charles Aznavour Jacques Brel

e canções dos nossos musicais favoritos, acompanhado pela

Orquestra Sinfónica Portuguesa

e por um combo de músicos notáveis: João Moreira (trompete), Filipe Melo (piano), Mário Delgado (guitarra), Bernardo Moreira (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

Arranjos de Pedro Moreira, Filipe Melo, Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Um concerto a não perder!

domingo, setembro 03, 2006

E o que prometia ser uma noite inesquecível... foi mesmo. Que junção extraordinária esta de Camané com Carlos do Carmo. As duas maiores vozes - no activo - do Fado. A antiga e a recente geração do Fado. Duas visões diferentes do que é o Fado... a mesma genialidade.
Marcado para as 22 horas, o concerto iniciou-se com dez minutos de atraso... no problem.
Milhares de pessoas - e não é exagero - enchiam o relvado frente à Torre de Belém, prontas para demonstrar que o Fado está vivo, diria mesmo vivíssimo, e recomenda-se.
O espectáculo inicia-se com Bernardo Sassetti ao piano e as palavras de Sophia de Mello Breyner pela voz de Eunice Munoz que, minutos depois, emprestou a sua voz a Álvaro de Campos e com Carlos do Carmo a prestar-lhe uma homenagem que culminou com uma imensa salva de palmas e o público de pé. "Que sorte tem este nosso país em ter uma Dama desta categoria no nosso Teatro" - referiu Carlos do Carmo.
Após o primeiro poema surge a primeira "brincadeira" da noite. Camané aparece e canta uma música do reportório de Carlos do Carmo. Depois vem Carlos e faz o mesmo... canta uma música do reportório de Camané.
Tudo o resto é deslumbramento. A Voz, as Palavras, a postura dos dois fadistas em palco. A brilhante execução dos músicos e a prestação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa a elevar a magia da noite.
Como seria de esperar, os Fados de Carlos do Carmo foram os que maior entusiasmo causaram junto do público. "Canoas do Tejo", "Gaivota", "Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça" e outros, foram cantados em côro por todos os que se encontravam presentes. Quando tal não acontecia, reinava o silêncio, mostrando um público atento, deslumbrado e agradecido pela oportunidade, que eu espero que se repita, de ver Mestre e Discípulo, juntos, em palco.
Mais uma vez, e à semelhança de todos os outros concertos de Carlos do Carmo a que me referi em outros textos neste blog, não posso deixar de sublinhar a excelência de voz que Carlos do Carmo ainda possui. É extraordinário, depois de mais de 40 anos de carreira, que ele se mantenha em forma, arriscando-me mesmo a dizer que nunca esteve tão espectacular na forma de cantar.
Em pano de fundo foram sendo projectadas fotografias de Lisboa de Eduardo Gageiro, publicadas no livro "Lisboa - No Cais da Memória".

segunda-feira, abril 17, 2006


Lançamento DVD: Camané ao vivo no S. Luiz

O primeiro DVD de Camané regista a actuação do fadista no ano passado no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, e também inclui algumas faixas extras, nas quais apresenta um documentário sobre um dos nomes mais marcantes do fado.
O DVD, intitulado "Camané ao vivo no São Luiz", inclui como faixas extras filmagens nos bastidores do espectáculo, onde é possível ouvi-lo a dedilhar uma guitarra, o documentário "Como sempre... Como dantes" com uma entrevista ao fadista e os depoimentos do técnico de som Hugo Ribeiro e das cantoras Mariza e Teresa Salgueiro.
Camané actuou dias 30 e 31 de Março e a 01 de Abril do ano passado, no teatro São Luiz, acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Carlos Manuel Proença e por Carlos Bica no contrabaixo.
Nestes espectáculos, de que o DVD regista os melhores momentos, Camané passa em revista vários temas da sua carreira para além do instrumental "Será/variações em ré menor" (Carlos Bica/José Fontes Rocha) que mereceu fortes aplausos da sala.Camané interpreta 21 fados, entre eles, "Mais um fado no fado", "Fado Sagitário", "Noite apressada", "Complicadíssima teia", "Senhora do Livramento", "A cantar é que te deixas levar" ou "A minha rua".
Nos depoimentos, tanto Mariza como Teresa Salgueiro referem "o arrepio" que sentem quando ouvem Camané, que "é um narrador de histórias que nos faz sentir dentro delas", como afirma a fadista.
Teresa Salgueiro, por seu turno, salienta "a forma natural" como encara um grande palco e o torna "intimista".
Hugo Ribeiro técnico de som de vários fadistas, entre eles Amália, faz questão de enfatizar "a intenção que Camané coloca em cada palavra que canta", no que o compara à falecida fadista.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que "há agora uma atitude totalmente diferente em relação ao fado".
Para Camané, o fado "vive muito da comunicação, da palavra e de uma empatia entre a pessoa que ouve e quem canta".
Este DVD de espectáculos de Camané surge depois da edição, há dois anos, do seu primeiro disco assumidamente ao vivo onde reúne actuações em diferentes espaços, desde o Centro Cultural de Belém à Taverna do Embuçado, em Lisboa.
Refira-se que o CD "Uma noite de fados", editado em 1995 também pela EMI Music, foi gravado ao vivo durante quatro noites consecutivas no Palácio das Alcáçovas, em Lisboa, onde foi recriada uma casa de fados, mas sem que esse ambiente transparece-se no resultado final.
Apontado pela crítica como "o melhor fadista da actualidade" Camané começou a cantar fado aos 11 anos, venceu a Grande Noite do Fado em 1979.
A sua carreira tem procurado conjugar o tradicional com o moderno, apoiando-se numa instrumentação claramente fadista onde o contrabaixo, "se a princípio se estranhava, tornou-se natural", explicou à Lusa.
Relativamente à sua postura em palco afirmou: "Esqueço tudo o resto, só assim posso ser honesto comigo próprio, procuro não ser importante para poder oferecer totalmente o que sou".