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segunda-feira, junho 26, 2006

Na Sexta e Sábado assisti a dois incríveis concertos de Fado no nosso lindo e deslumbrante Castelo de São Jorge. Foram eles os concertos de Aldina Duarte e Kátia Guerreiro.
Aldina Duarte é aquilo mesmo. Alma autêntica, Fado puro e cru na voz, sensualidade no corpo e ingenuidade no sorriso. Uma fadista a 100%, sem artifícios ou encenações. Tudo em Aldina é espontâneo, do momento presente. Todo o poder das palavras saem da sua voz de forma natural, apaixonada e, acima de tudo, de forma honesta. Ah... e canta muitas vezes sentada, o que não é para todos. Sem dúvida a melhor do Fado Tradicional.
Kátia Guerreiro enche-nos com a sua presença, a sua voz que parece não conhecer limites, a sua simpatia em palco. Os seus "covers" de alguns fados de Amália Rodrigues são absolutamente deslumbrantes, não chocando rigorosamente nada ouvi-los na voz de Kátia, como tantas vezes sucede quando um cantor canta uma música que rapidamente se associa a outro que foi o melhor, o original, o divino (como acontece tantas vezes com os que teimam em cantar Amália Rodrigues).
Os fados originais de Kátia Guerreiro têm poemas lindos de alma e conteúdo. O Amor, a Traição, o Ciúme, todos os ingredientes da vida estão contemplados, quase como sendo escritos de um Diário que nós mesmo redigimos.
O grande senão do concerto foi a cena familiar semi-improvisada, com uma criancinha a subir ao palco, o público de coração enternecido, as gracinhas da criancinha e a dita criatura a distrair o público no momento maior do concerto quando Kátia cantou o "Gaivota". O público, estúpido, preferiu rir das gracinhas da criancinha, todos aos "AH" e aos "OH", como se o "Gaivota" da Kátia ouvissem por aí aos pontapés e criancinhas não as houvesse mais, por aí, com as mesmas gracinhas. (Mas por que raio têm as pessoas que ficar sempre com cara de idiotas embevecidos sempre que aparece uma criança?)
No entanto, e como disse quem comigo foi ao concerto, é tempo de a Kátia Guerreiro pensar os seus espectáculos de outra forma. Tem de se deixar levar mais pela espontaniedade, pelo improviso e pela emoção. Os seus concertos tornam-se previsíveis, com as mesmas graças supostamente espontâneas, com os belíssimos efeitos da sua voz sempre nos mesmos sítios.
O poder da voz de Kátia Guerreiro é inesgotável. Resta agora que aprenda a usá-lo de uma forma mais verdadeira e consentânea com o Fado.
Sem dúvida, a melhor (apesar de tudo) do Fado Novo... mas sem criancinhas.

domingo, novembro 27, 2005


Entrevista da fadista Kátia Guerreiro a Carlos Vaz Marques, por ocasião do seu penúltimo disco "Nas mãos do fado".
Kátia Guerreiro estará nos próximos dias 9 e 10 de Dezembro de 2005 no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, para dois concertos que se esperam, uma vez mais, inesqueciveis. Este concerto dará a conhecer o seu último trabalho "Tudo ou Nada".

terça-feira, outubro 18, 2005

TUDO OU NADA - KÁTIA GUERREIRO


"Tudo ou Nada" é o novíssimo álbum de Kátia Guerreiro. E é um álbum que me faz dar graças a Deus por ser deste cantinho do mundo, por falar esta língua e ter quem cante assim, como ela. É um álbum que faz esquecer os problemas do mundo, a incompetência dos nossos políticos, o povinho que vota e elege criminosos, os 142 euros de segurança social que tenho de pagar todos os meses, entre outras desgraças maiores... ou menores.
Neste álbum, Kátia Guerreiro confirma tudo o que vinha demonstrando ao longo dos dois álbuns anteriores... uma superioridade invulgar, quer vocal quer sentimental, para cantar o fado... genuinamente. Sem artifícios, efeitos ou manobras de distração.
Sendo este um disco que se aproxima da perfeição é, na minha opinião, nos espectáculos ao vivo que podemos ver, ouvir e sentir esta fadista "em tom maior" em todo o seu esplendor e deslumbramento. Quem assistiu ao concerto no CCB, junto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no passado dia 1 de Outubro, concordará que a interprete mostra-se mais tímida e contida em álbum que no palco. Pelo que, vê-la ao vivo a cantar é ataque cardíaco na certa... graças a Deus para nós que ela é médica de profissão e fadista de coração.
Em "Tudo ou Nada", as melodias tiradas da Guitarra Portuguesa de Paulo Valentim, Viola de João Veiga e do Contrabaixo de Rodrigo Serrão envolvem a voz de Kátia como se de abraços de ternura se tratassem. Além destes músicos obrigatórios ao lado de Kátia, surge-nos neste álbum o dedilhar do piano por Bernardo Sassetti, numa das belas canções do alinhamento - "Minha Senhora das Dores".
Vários são os poetas que emprestam as palavras à voz de Kátia: António Lobo Antunes, António Calém, Mª Luísa Baptista, Dulce Pontes, Sophia de Mello Breyner, José Carlos Ary dos Santos (com a "Menina do Alto da Serra", tema interpretado por Tonicha no Festival da Canção), Vinícius de Morais, Joaquim Pessoa, entre outros.
Sinto que me faltam as palavras para descrever este álbum e as emoções que fui sentindo ao ouvi-lo. Sei, convictamente, que o que senti foi Fado.... e do bom.
Espero agora, impacientemente, pelos dois espectáculos de Kátia Guerreiro, agendados para Dezembro, no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa.
Alinhamento:
1. Disse-te Adeus À Partida/O Mar Acaba Ao Teu Lado - António Lobo Antunes
2. Despedida - António Calém
3. Ser Tudo Ou Nada - João Veiga
4. Muda Tudo. Até O Mundo - Mª Luísa Baptista
5. Minha Senhora Das Dores - Jorge Rosa
6. Canto Da Fantasia - Paulo Valentim
7. Vaga - Rodrigo Serrão
8. Dulce Caravela - Dulce Pontes
9. Quando - Sophia de Mello Breyner
10. Menina Do Alto Da Serra - José Carlos Ary dos Santos
11. Saudades Do Brasil Em Portugal - Vinícius de Morais
12. O Meu Navio - Rodrigo Serrão
13. Talvez Não Saibas - Joaquim Pessoa
14. Tenho Uma Saia Rodada
Produção Executiva: Kátia Guerreiro