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Inspirado pelo documentário recentemente passado na RTP2 sobre Wislava
Szymborska, prémio Nobel da Literatura de 1996 e de quem pouco ou nada
conhecia, resolvi colmatar a minha ignorância e comprar um livrinho com
alguma da sua poesia. Deixo aqui este, inspirado naquele que era o quadro da vida da poetisa: Rapariga com jarro de leite, 1658-60, de Vermeer.
Vermeer Enquanto esta mulher do Rijksmuseum, em quietude pintada e concentração, dia após dia, não verter o leite do jarro para a vasilha, o Mundo não merece o fim do mundo.
LANGRES, Nicolau de, ? - 1665
Desenhos e plantas de todas as praças do Reyno de Portugal Pello
Tenente General Nicolao de Langres Francez que serviu na guerra da
Acclamação [Manuscrito] [Ca 1661].
Assunto: Águeda (Santa) Descrição: Imagem de Santa Águeda. Data: 2.ª metade do séc. XVIII Gravador: Manuel da Silva Godinho Autor: Desconhecido Editor: Francisco Manuel Inscrição: O Em.º Sñr. Card./ Patriarcha concede 100 dias de =/Indulg.ª aq.m rezar huma Av. M.ª diante/ desta Imagem. Processo/Técnica: Buril Cor: Negro
Deve-se a Vicente Sodré, e a seu irmão, a origem do topónimo Cais do Sodré.
A praça deve o seu nome à família Sodré, de origem inglesa que se
estabeleceu neste local desde o séc. XV. Comerciantes tinham a sua
actividade associada ao comércio marítimo. Vicente Sodré partiu
para a Índia a 10 de Fevereiro de 1502, como sota-almirante
(sota-capitão) da armada comandada por seu sobrinho D. Vasco da Gama,
pois estava determinado que substituiria o almirante em caso deste
falecer, e morreria num naufrágio sob um tufão, junto às ilhas Curia
Muria (Omã), em finais de Abril ou inícios de Maio de 1503.
Em 1982, discutia-se acaloradamente na Assembleia da República questões relacionadas com a maternidade e a interrupção voluntária da gravidez. Em mais um momento de genialidade, Natália Correia intervem:
Em 1982, a RTP previa o inicio da III Grande Guerra Mundial - A Guerra Nuclear. O pânico gerado foi de tal ordem em alguns circulos que foi matéria de debate na Assembleia da República:
Neste ano de 2013 foi revelado o esboço de um discurso que a Rainha Isabel II de Inglaterra tinha já preparado, em 1983, caso se desse o inicio da III Grande Guerra Mundial. Era um receio transversal a toda a Europa.
Esse discurso versava assim:
When I spoke to you less than three months ago we were all enjoying
the warmth and fellowship of a family Christmas. Our thoughts were
concentrated on the strong links that bind each generation to the ones
that came before and those that will follow. The horrors of war could
not have seemed more remote as my family and I shared our Christmas joy
with the growing family of the Commonwealth.
Now this madness of war is once more spreading through the world and
our brave country must again prepare itself to survive against great
odds.
I have never forgotten the sorrow and the pride I felt as my sister
and I huddled around the nursery wireless set listening to my father's
inspiring words on that fateful day in 1939. Not for a single moment did
I imagine that this solemn and awful duty would one day fall to me.
We all know that the dangers facing us today are greater by far than
at any time in our long history. The enemy is not the soldier with his
rifle nor even the airman prowling the skies above our cities and towns
but the deadly power of abused technology.
But whatever terrors lie in wait for us all the qualities that have
helped to keep our freedom intact twice already during this sad century
will once more be our strength.
My husband and I share with families up and down the land the fear we
feel for sons and daughters, husbands and brothers who have left our
side to serve their country. My beloved son Andrew is at this moment in
action with his unit and we pray continually for his safety and for the
safety of all servicemen and women at home and overseas.
It is this close bond of family life that must be our greatest
defence against the unknown. If families remain united and resolute,
giving shelter to those living alone and unprotected, our country's will
to survive cannot be broken.
My message to you therefore is simple. Help those who cannot help
themselves, give comfort to the lonely and the homeless and let your
family become the focus of hope and life to those who need it.
As we strive together to fight off the new evil let us pray for our country and men of goodwill wherever they may be.
Numa escrita simples e bem fundamentada, Walter Osswald traça um
panorama reflexivo e histórico sobre "o processo de morrer", a forma
como é (devia ser) encarado, com o enfoque nos doentes terminais e
salientando (elogiando), por diversas vezes, a necessidade de uma maior
expansão dos cuidados paliativos e preparação/formação das equipas de
saúde. Saliento os notáveis capítulos: - Um manto de cuidados - Quem cuida do cuidador? - A morte anunciada - Dor e sofrimento - A morte e os outros
Retiro da conclusão da obra:
"Na sua longuíssima convivência com a morte, o Homem sempre foi
confrontado com o mistério e a inevitabilidade. Em diferentes fases do
seu percurso civilizacional, personificou-a (como Cavaleiro do
Apocalipse, como Thanatos, como Irmã Morte, como esqueleto armado de
roçadoura, etc) ou endeusou-a (Egipto). Tornada presença habitual pelas
pestes que grassaram na Europa, pelas guerras que a dilaceraram, pelas
deficientes condições higiénicas, pela elevada taxa de perda perinatal e
infantil, acabou por ser domada, na medida em que se tornou
acontecimento quase banal, temido mas não estranho. A esta fase
seguiu-se a do escamoteamento, senão negação, da morte: já que não a
podemos evitar, ignoremo-la. Logo, nada de a lembrar nem celebrar:
esconde-se das crianças, não se dá relevo público, remete-se para o
hospital, de modo que as nossas casas não sejam por ela assinaladas nem
detectado o seu odor. Este esforço pueril e votada ao fracasso tem
sido, felizmente, denunciado e combatido. Reconhecer a morte, atribuir
significado e exigência ao processo de morrer são hoje as linhas mestras
do pensamento antropológico e filosófico. Se há um inegociável e
universalmente válido direito à vida, também há um direito à boa morte,
ou seja, uma morte em condições de dignidade e de compostura, sem
sofrimento, aureolada de afecto. Mas a realidade mostra-nos que
ainda muitas vezes se morre em distanásia, ou seja, uma má morte. Morre
mal o paciente que morre sozinho, ocultado dos campanheiros de
enfermaria por biombos ou retirado para uma sala de pensos; morreu mal
aquele a quem retiram o suporte respiratório horas depois de ter
ocorrido a morte; morre mal a pessoa que não teve a companhia de
familiares, amigos ou companheiros de trabalho ou o conforto dos ritos
da sua religião. Se estas situações são sobretudo hospitalares, o facto
de o óbito se dar no domicilio não é garante de uma boa morte -
condições materiais deficientes, falta de carinho e de humanidade,
solidão, podem também ocorrer nestas condições. [...] Na realidade, a
questão da boa ou má morte, tal como delineamos, diz sobretudo respeito
às mortes anunciadas, ou seja, aquelas que surgem em doentes terminais e
se encontram, pois, previstas. Ora, a implantação e rápida expansão dos
cuidados paliativos vieram demonstrar que nestas circunstâncias é
possível unir os esforços dos profissionais, da familia e do próprio
doente para que a morte ocorra em aceitação, serenidade e paz. O
principio básico de não acelerar nem retardar a morte natural é
observado nos cuidados paliativos. Daí que não se pratique o erro
trágico de recorrer a medidas e técnicas desproporcionadas, tentando
desesperadamente e a elevado custo atrasar uma morte inevitável, nem se
recorra à eutanásia, paradoxalmente matando quem vai morrer.
O
que urge é não apenas o reforço e a criação de cuidados paliativos
(unidades autónomas ou sedeadas no hospital, cuidados domiciliários em
articulação com unidades ou centros de saúde), mas a conversão de
mentalidades de profissionais e de pacientes ou familiares para que se
abram a este conceito da boa morte e a adoptem na sua acção, sem
esquecerem que, mais cedo ou mais tarde, todos estaremos em condições de
a experienciarmos."