quarta-feira, janeiro 22, 2014

Santa Águeda (ou Ágata)


Assunto: Águeda (Santa)
Descrição: Imagem de Santa Águeda.
Data: 2.ª metade do séc. XVIII
Gravador: Manuel da Silva Godinho
Autor: Desconhecido
Editor: Francisco Manuel
Inscrição: O Em.º Sñr. Card./ Patriarcha concede 100 dias de =/Indulg.ª aq.m rezar huma Av. M.ª diante/ desta Imagem.
Processo/Técnica: Buril
Cor: Negro

Vicente Sodré


Deve-se a Vicente Sodré, e a seu irmão, a origem do topónimo Cais do Sodré.
A praça deve o seu nome à família Sodré, de origem inglesa que se estabeleceu neste local desde o séc. XV. Comerciantes tinham a sua actividade associada ao comércio marítimo.
Vicente Sodré partiu para a Índia a 10 de Fevereiro de 1502, como sota-almirante (sota-capitão) da armada comandada por seu sobrinho D. Vasco da Gama, pois estava determinado que substituiria o almirante em caso deste falecer, e morreria num naufrágio sob um tufão, junto às ilhas Curia Muria (Omã), em finais de Abril ou inícios de Maio de 1503.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Natália Correia e o Sexo

Em 1982, discutia-se acaloradamente na Assembleia da República questões relacionadas com a maternidade e a interrupção voluntária da gravidez. Em mais um momento de genialidade, Natália Correia intervem:


A RTP, em 1982, e Isabel II de Inglaterra, em 1983 previam uma III Grande Guerra Mundial

Em 1982, a RTP previa o inicio da III Grande Guerra Mundial - A Guerra Nuclear. O pânico gerado foi de tal ordem em alguns circulos que foi matéria de debate na Assembleia da República:

Neste ano de 2013 foi revelado o esboço de um discurso que a Rainha Isabel II de Inglaterra tinha já preparado, em 1983, caso se desse o inicio da III Grande Guerra Mundial. Era um receio transversal a toda a Europa.

Esse discurso versava assim:


When I spoke to you less than three months ago we were all enjoying the warmth and fellowship of a family Christmas. Our thoughts were concentrated on the strong links that bind each generation to the ones that came before and those that will follow. The horrors of war could not have seemed more remote as my family and I shared our Christmas joy with the growing family of the Commonwealth.
Now this madness of war is once more spreading through the world and our brave country must again prepare itself to survive against great odds.
I have never forgotten the sorrow and the pride I felt as my sister and I huddled around the nursery wireless set listening to my father's inspiring words on that fateful day in 1939. Not for a single moment did I imagine that this solemn and awful duty would one day fall to me.
We all know that the dangers facing us today are greater by far than at any time in our long history. The enemy is not the soldier with his rifle nor even the airman prowling the skies above our cities and towns but the deadly power of abused technology.
But whatever terrors lie in wait for us all the qualities that have helped to keep our freedom intact twice already during this sad century will once more be our strength.
My husband and I share with families up and down the land the fear we feel for sons and daughters, husbands and brothers who have left our side to serve their country. My beloved son Andrew is at this moment in action with his unit and we pray continually for his safety and for the safety of all servicemen and women at home and overseas.
It is this close bond of family life that must be our greatest defence against the unknown. If families remain united and resolute, giving shelter to those living alone and unprotected, our country's will to survive cannot be broken.
My message to you therefore is simple. Help those who cannot help themselves, give comfort to the lonely and the homeless and let your family become the focus of hope and life to those who need it.
As we strive together to fight off the new evil let us pray for our country and men of goodwill wherever they may be.
God bless you all.

Felizmente nada se deu. A Paz prevaleceu.

quinta-feira, novembro 14, 2013

Sobre a Morte e o Morrer - Walter Osswald


Sobre a Morte e o Morrer - Walter Osswald - €3.15

Numa escrita simples e bem fundamentada, Walter Osswald traça um panorama reflexivo e histórico sobre "o processo de morrer", a forma como é (devia ser) encarado, com o enfoque nos doentes terminais e salientando (elogiando), por diversas vezes, a necessidade de uma maior expansão dos cuidados paliativos e preparação/formação das equipas de saúde.
Saliento os notáveis capítulos:
- Um manto de cuidados
- Quem cuida do cuidador?
- A morte anunciada
- Dor e sofrimento
- A morte e os outros

Retiro da conclusão da obra:

"Na sua longuíssima convivência com a morte, o Homem sempre foi confrontado com o mistério e a inevitabilidade. Em diferentes fases do seu percurso civilizacional, personificou-a (como Cavaleiro do Apocalipse, como Thanatos, como Irmã Morte, como esqueleto armado de roçadoura, etc) ou endeusou-a (Egipto). Tornada presença habitual pelas pestes que grassaram na Europa, pelas guerras que a dilaceraram, pelas deficientes condições higiénicas, pela elevada taxa de perda perinatal e infantil, acabou por ser domada, na medida em que se tornou acontecimento quase banal, temido mas não estranho.
A esta fase seguiu-se a do escamoteamento, senão negação, da morte: já que não a podemos evitar, ignoremo-la. Logo, nada de a lembrar nem celebrar: esconde-se das crianças, não se dá relevo público, remete-se para o hospital, de modo que as nossas casas não sejam por ela assinaladas nem detectado o seu odor.
Este esforço pueril e votada ao fracasso tem sido, felizmente, denunciado e combatido. Reconhecer a morte, atribuir significado e exigência ao processo de morrer são hoje as linhas mestras do pensamento antropológico e filosófico. Se há um inegociável e universalmente válido direito à vida, também há um direito à boa morte, ou seja, uma morte em condições de dignidade e de compostura, sem sofrimento, aureolada de afecto.
Mas a realidade mostra-nos que ainda muitas vezes se morre em distanásia, ou seja, uma má morte. Morre mal o paciente que morre sozinho, ocultado dos campanheiros de enfermaria por biombos ou retirado para uma sala de pensos; morreu mal aquele a quem retiram o suporte respiratório horas depois de ter ocorrido a morte; morre mal a pessoa que não teve a companhia de familiares, amigos ou companheiros de trabalho ou o conforto dos ritos da sua religião. Se estas situações são sobretudo hospitalares, o facto de o óbito se dar no domicilio não é garante de uma boa morte - condições materiais deficientes, falta de carinho e de humanidade, solidão, podem também ocorrer nestas condições. [...]
Na realidade, a questão da boa ou má morte, tal como delineamos, diz sobretudo respeito às mortes anunciadas, ou seja, aquelas que surgem em doentes terminais e se encontram, pois, previstas. Ora, a implantação e rápida expansão dos cuidados paliativos vieram demonstrar que nestas circunstâncias é possível unir os esforços dos profissionais, da familia e do próprio doente para que a morte ocorra em aceitação, serenidade e paz. O principio básico de não acelerar nem retardar a morte natural é observado nos cuidados paliativos. Daí que não se pratique o erro trágico de recorrer a medidas e técnicas desproporcionadas, tentando desesperadamente e a elevado custo atrasar uma morte inevitável, nem se recorra à eutanásia, paradoxalmente matando quem vai morrer.

O que urge é não apenas o reforço e a criação de cuidados paliativos (unidades autónomas ou sedeadas no hospital, cuidados domiciliários em articulação com unidades ou centros de saúde), mas a conversão de mentalidades de profissionais e de pacientes ou familiares para que se abram a este conceito da boa morte e a adoptem na sua acção, sem esquecerem que, mais cedo ou mais tarde, todos estaremos em condições de a experienciarmos."

terça-feira, novembro 12, 2013

É Urgente Salvar os Arquivos dos Governos Civis

 

Arquivos históricos dos governos civis sem destino

 
 

quinta-feira, outubro 24, 2013

A Biblioteca Nacional e os Aviões


Esta é uma imagem de satélite da Biblioteca Nacional de Portugal - Lisboa - retirada dos mapas do portal Bing. E é impressionante porque capta aquilo que é o dia a dia desta biblioteca, a maior de Portugal. A passagem constante, em vôo raso, de aviões. Há horas em que passam praticamente de 5 em 5 minutos. 

Quem conhece ou é utente da Biblioteca Nacional sabe do que falo e quase que aposto que já por algumas vezes susteve a respiração a pensar: "é agora que me entra aqui pela sala dentro o avião", tal é o barulho assustador que eles fazem. E em dias de temporal, especialmente vento, é vê-los a abanar mesmo por cima das nossas cabeças.

Quer a Biblioteca Nacional quer a Torre do Tombo estão na linha de aterragem dos aviões no Aeroporto de Lisboa. Aliás, estão a 5 minutos de carro do mesmo. Quando sobrevooam estes dois edíficos já vão muito, assustadoramente muito, baixos. Veja-se a imagem. Veja-se a sombra do avião no terreno. 

Há espaços áreos que não podem ser sobrevoados sem autorização prévia. O caso do Palácio de Belém, instituições militares e, salvo erro, a Assembleia da República, vulgo Palácio de S. Bento. Mas na Biblioteca Nacional eles continuam, dia após dia, a passar razias. 

Temos tido sorte... até ao dia em que ela terminará. E vai terminar...

Sou uma pessoa prevista. Antes do ladrão chegar já tenho trancas na porta. Uma coisa são desastres naturais que não podemos evitar. Outra é brincar com a sorte e ser-se estúpido. E é este o caso relativamente à Biblioteca Nacional (e estendo à Torre do Tombo que também tem a sua dose de aviões a passar-lhe ao lado). E é para mim maior tesouro a Biblioteca Nacional que o Palácio de Belém ou São Bento.

Na Biblioteca Nacional e na Torre do Tombo guardam-se milhares de kilometros de documentos e livros de mais de 800 anos. Espólios importantissimos de personalidades impares de várias áreas do saber e da cultura em Portugal. Toda uma memória que urge preservar por mais 800 anos. 

Não há, em Portugal, edificios mais importantes que a Biblioteca Nacional e a Torre do Tombo. Edificios que merecem, por todos os meios e mais alguns, segurança e vigilância. E antes que seja tarde.

Por favor, acabem com a passagem de aviões por cima destes edificios. Façamos, uma vez pelo menos, as coisas bem antes que o mal aconteça.

A borrada feita na Cidade Universitária em Lisboa

 Ambulância em socorro sem meio de "fuga"
Filas intermináveis numa artéria essencial à cidade de Lisboa

Continuo a achar esta obra na Cidade Universitária - a redução de duas faixas para uma junto da Faculdade de Letras e da Faculdade de Direito - uma estupidez e de quem não percebe nada de nada do trânsito em Lisboa. Uma via essencial e fundamental para a passagem - lenta ou em socorro - de ambulâncias para Santa Maria foi reduzida a uma faixa. Formam-se filas intermináveis onde as ambulâncias ficam paradas ou são obrigadas (metendo pela rua lateral à Torre do Tombo) a irem por um caminho mais longo. Um caos que era dispensado com dois dedos de testa e algum civismo.