Belas peças, outras nem tanto, que vão brevemente a leilão na casa Trocadero Leilões e Cabral Moncada.
Poesia, musica, celebridades, teatro, cinema, selecção de textos, poetas e escritores, banalidades, fotografias, arte, literatura, pintura e muita conversa.
sexta-feira, janeiro 18, 2013
quarta-feira, janeiro 09, 2013
Casa e Mudança Social
Aqui fica um lançamento a não perder... além de ser de uma querida amiga, o assunto é muito muito interessante: Casa e Mudança Social - Uma leitura das transformações da sociedade portuguesa a partir da casa, da autoria de Sandra Marques Pereira.
sexta-feira, janeiro 04, 2013
terça-feira, novembro 27, 2012
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; - Fernando Pessoa.
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação — a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.
s.d.
Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação — a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.
s.d.
Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.
quinta-feira, novembro 22, 2012
O Fado Está Na Moda
O Fado está na moda... literalmente. A prová-lo temos uma exposição no MUDE - Com Esta Voz Me Visto e o lançamento de uma edição limitada de um relógio da Tissot - Fado.
Um ano volvido sobre a consagração do Fado como Património da Humanidade, o MUSEU DO FADO e o MUDE promovem a exposição Com Esta Voz Me Visto – O Fado e a Moda nos dois espaços municipais.
A partir do dia 23 de Novembro estarão em exposição - no Mude e no Museu do Fado -vestidos, jóias e xailes dos mais célebres fadistas entre os quais Mariza, Ana Moura, Camané, Maria da Fé, Cristina Branco, Mísia ou Amália Rodrigues.
A exposição Com Esta Voz me Visto – O Fado e a Moda propõe uma viagem em torno das imagens que vestiram o fado e que ao longo dos séculos XX e XXI construíram e recriaram a sua identidade. Aqui, cada traje de cena remete para um tempo e um contexto singulares. Evoca inevitavelmente uma voz ausente. Convoca-nos para uma dimensão imaterial, intangível, incorpórea, para um património necessariamente fugaz, irrepetível, que dificilmente se materializa noutro testemunho que não o da memória individual. E simultaneamente, desvenda fragmentos de um outro diálogo, sempre renovado e redescoberto, entre o Fado e a Moda - a Voz e a sua Imagem - através do qual podemos, também, redescobrir muito do nosso olhar sobre nós próprios.
A Tissot, fiel à sua tradição de homenagear exemplos de excelência portuguesa, estejam eles ligados à arte, à cultura ou ao património, apresenta a Edição Especial Tissot Fado.
Por ocasião do primeiro aniversário da consagração do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a marca suíça presta homenagem a um dos maiores tesouros da cultura nacional.
Esta é uma edição especial, limitada e numerada, concebida em exclusivo para o mercado português.
A Tissot orgulha-se de apresentar o Tissot Fado, uma edição especial, limitada e numerada a 500 peças, um tributo direto à mais popular das canções urbanas portuguesas, um símbolo incontornável de identidade nacional, eleito Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2011.
Herdeiro de uma dimensão temporal aproximada de duzentos anos, o Fado continua a construir-se e a recriar-se, com uma enorme visibilidade internacional. O Fado não é apenas a canção de Portugal, a canção de figuras como Severa, Marceneiro, Amália, Carlos do Carmo, Camané ou Ana Moura, e hoje assume uma dimensão mundial, com presença assídua nas salas de espetáculo mais prestigiadas do mundo.
Trata-se de um tesouro que fala de Portugal, da sua cultura, da sua língua, dos seus poetas, mas que transporta consigo sentimentos universais, como a dor, o ciúme, a solidão ou o amor.
A Tissot encara esta nova edição especial como a homenagem apropriada a uma tradição viva, com raízes profundas e presença estruturante na história de Portugal, capaz de integrar influências poéticas, musicais e culturais diversificadas.
A Tissot em Portugal tem como estratégia o lançamento de edições especiais e limitadas para homenagear o património português. Como marca suiça multi-especialista que é, tem no seu portefólio modelos que abrangem diversas categorias, desde os modelos clássicos, aos mais tecnológicos, de design moderno aos heritage e em ouro. As edições especiais portuguesas encaixam na perfeição nesta filosofia da marca, uma vez que os modelos lançados são eles mesmos um exemplo de diferenciação.
A admiração pela cultura portuguesa tem sido traduzida em mais de uma dezena de Edições Especiais, que desde 1997, com o lançamento do Tissot Lisboa, prestam o seu tributo ao nosso País.
Edição limitada e numerada a 500 peças em aço, o Tissot Fado é uma peça distinta e exclusiva, equipada com um movimento mecânico de corda manual calibre ETA 7040.
No verso da caixa sobressai a imagem de uma guitarra portuguesa, com o movimento mecânico visível, e a inscrição “Património da Humanidade – Fado – Heritage of Humanity”. Este requintado modelo é apresentado num elegante estojo, especialmente desenhado para esta edição.
PVP: 498 euros
sexta-feira, novembro 16, 2012
Parabéns José Augusto França
PELOS 90 ANOS DO PROFESSOR JOSÉ AUGUSTO FRANÇA
José Augusto França fala de Jorge de Sena (no video)
Jorge de Sena dedica poema a José Augusto França
"Era tão doce uma verdade..."
Jorge de Sena dedica poema a José Augusto França
"Era tão doce uma verdade..."
a José Augusto França
Era tão doce uma verdade entressonhada!
Mas quando, em torno dela, já verdade,
as outras vinham como pétalas
e pouco a pouco eram, também pétalas
de outras flores que também eram verdade
mas não entressonhada,
e uma rede florida se estendia
sobre o jardim ansioso da memória,
como era amargo entressonhar verdades!
Na teia tão florida os olhos se perdiam...
Da terra, um vago cheiro a coisa oculta...
E,
mergulhar no oculto,
ou desgolhar a teia?
16/08/48
Do livro Poesia I, pág. 150, Edições 70
Era tão doce uma verdade entressonhada!
Mas quando, em torno dela, já verdade,
as outras vinham como pétalas
e pouco a pouco eram, também pétalas
de outras flores que também eram verdade
mas não entressonhada,
e uma rede florida se estendia
sobre o jardim ansioso da memória,
como era amargo entressonhar verdades!
Na teia tão florida os olhos se perdiam...
Da terra, um vago cheiro a coisa oculta...
E,
mergulhar no oculto,
ou desgolhar a teia?
16/08/48
Do livro Poesia I, pág. 150, Edições 70
Para aceder a 6 publicações inteiramente gratuitas de José Augusto França, disponiveis no site do Instituto Camões, clique na fotografia.
Com Esta Voz Me Visto: O Fado e a Moda
quarta-feira, novembro 14, 2012
domingo, novembro 11, 2012
Igreja do Cristo-Rei da Portela - 20 Anos
Sobre os 20 anos da Igreja do Cristo-Rei da Portela, do arquitecto Luiz Cunha. Para ler em melhores condições o texto, transfira as imagens para o seu computador e amplie-as. Pode também, clicando com o botão do lado direito do rato fazer "ver imagem" ou "view image" (para Mozilla Firefox).
quarta-feira, novembro 07, 2012
Coisas que vão a leilão... umas boas, outras (muito) más...
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