Poesia, musica, celebridades, teatro, cinema, selecção de textos, poetas e escritores, banalidades, fotografias, arte, literatura, pintura e muita conversa.
segunda-feira, agosto 30, 2010
terça-feira, agosto 24, 2010
Humor de 1931
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Texto:
1º Quadrado:
"Acabavam de bater as três horas da madrugada quando o mendigo "Zé Pedinchas" foi bater à porta do capitalista Lopes Sargedas.
2º Quadrado:
Assustadissimo, e arreliadissimo porque a criadagem estava ferrada no sono, o nosso Lopes saltou da cama num pulo, para ir ver quem era.
3º Quadrado:
- Uma esmolinha pelo amor de Deus
- Então você vem acordar-me a esta horas para me pedir esmola? - berrou o Lopes.
- Que quer o cavalheiro, retorquiu o mendigo, com esta crise de trabalho não tenho remédio senão fazer horas extraordinárias.
terça-feira, agosto 17, 2010
A actividade Politica do meu Avô Manuel
quarta-feira, julho 21, 2010
Nós, Leitores, e o Encerramento da Biblioteca Nacional

"Nós, Leitores, e o Encerramento da Biblioteca Nacional
Após várias notícias e artigos publicados na imprensa relativos ao encerramento dos serviços de leitura da Biblioteca Nacional (BN), gostaríamos de destruir algumas ideias atribuídas aos investigadores que questionaram o processo de encerramento da BN. É, entre nós, consensual que as obras de ampliação e remodelação da BN são necessárias. Sabemos que, ao reabrir, a 1 de Setembro de 2011, a instituição reunirá melhores condições para responder às solicitações. O problema diz respeito à forma como foi planeado o seu encerramento. Quem abaixo assina está contra o fecho, por cerca de dez meses, da totalidade do fundo da Sala de Leitura Geral e não, naturalmente, contra as obras de requalificação.
Dizer o contrário é faltar à verdade. A apresentação dogmática de uma, e apenas uma, forma de proceder à transferência dos fundos, como se não houvesse alternativa, merece objecção. A nosso ver, a condução do processo negligenciou os leitores e o facto, importante, de a BN prestar um serviço público. Por exemplo, hospitais e aeroportos são, igualmente, remodelados, todavia não encerram. Por outro lado, há, no estrangeiro, exemplos de outras bibliotecas que migram para edifícios novos, fechando por partes ou durante períodos curtíssimos. Veja-se o caso da British Library, em Londres, ou da Bibliothèque Nationale de France, em Paris.
As notícias e os artigos de opinião publicados tendem a descrever os signatários do abaixo-assinado, recentemente organizado contra o encerramento da BN, como uma casta de privilegiados, ainda por cima birrentos, que não querem ver alterados os seus hábitos de trabalho. Ora, muitos de nós trabalham em várias bibliotecas e arquivos, em Portugal e no estrangeiro, e não apenas na BN. Sabemos do que falamos.
Ao contrário do que afirma a sub-directora da BN, a investigação científica em Portugal vai ser prejudicada, sobretudo nas áreas da História e das Ciências Sociais. Para além de periódicos, o fundo da Sala de Leitura Geral inclui títulos do século XVI ao século XXI. Todos os investigadores serão afectados, e não apenas os que trabalham sobre períodos mais recentes. A doutora Maria Inês Cordeiro pode não conhecer a Hemeroteca Municipal ou a Biblioteca do Palácio Galveias, mas nós sabemos onde ficam e as deficiências que apresentam. Do mesmo modo, pode desconhecer as formas misteriosas como funciona o Depósito Legal (uma obrigação criminosamente esquecida por empresas tipográficas, editoras e autores), mas os investigadores constatam diariamente a ausência de livros, antigos e recentes, que deveriam constar nos fundos das Bibliotecas. Por isso, quando a sub-directora da BN afirma que «há excelentes bibliotecas públicas e universitárias», só podemos interrogar há quanto tempo a doutora Maria Inês Cordeiro não vai - como leitora, naturalmente - a uma dessas “excelentes bibliotecas”, que infelizmente não chegam a contar-se pelos dedos de uma mão.
Se a sub-directora da BN é perita nos labirintos bibliotecários e nós uns ignorantes leitores, diga-nos, por favor, qual a percentagem de obras que apenas existem na BN e às quais o acesso irá portanto ficar vedado e, já agora, qual a percentagem do fundo que existe igualmente em Coimbra ou no Porto (locais para onde os funcionários da BN nos irão, presume-se, reencaminhar). E quem fala de livros, fala de periódicos, uma área onde a incúria nacional é escandalosa. Seriam estas as interrogações que deveriam ter sido atendidas pela direcção da BN, antes de ter decidido o fecho.
Desde há décadas que os decisores políticos têm tratado o sector das bibliotecas e arquivos com negligência. As chamadas «ciências documentais» apenas vieram reforçar a gestão burocrática que substituiu uma direcção assegurada por quem tem formação humanista. Pessoas há, como a doutora Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura, que consideram que tudo se resolve com mais cimento e que, provavelmente com sinceridade, julgam que os críticos são velhos que resistem ao maravilhoso mundo do investimento público (DN de 14.07.2010).
Não é esse o caso: queremos, desejamos, obras na BN, incluindo naturalmente locais adequados à preservação dos livros e manuscritos. Mas o processo de reestruturação seguido não é aceitável. Não tendo experiência directa de trabalho nestes locais, a doutora Isabel Pires de Lima deveria ter-se informado do que a BN contém. Em vez disso, limitou-se a fazer um frete político, afirmando que o movimento de crítica - aliás reduzido a um abaixo-assinado – mais não era de uma conspiração de «bloquistas», para mais, alfacinhas.
Este ódio ao Bloco de Esquerda – de que nenhum dos signatários é membro - é um assunto que os apoiantes do Partido Socialista têm de resolver com os respectivos psicanalistas.
Para nós, trata-se apenas de não impedir que a investigação em Portugal prossiga durante um tempo insuportavelmente longo. Ao contrário do que parece supor a Doutora Isabel Pires de Lima, frequentamos as bibliotecas e os arquivos de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Ponta Delgada. Congratulamo-nos até com o facto de os interesses intelectuais da doutora Isabel Pires de Lima (a hermenêutica da poesia de Fradique Mendes e os versos «fosforescentes» de Eugénio de Andrade) estarem disponíveis em edições correntes, eximindo-a de frequentar as salas de leitura da BN.
Outro argumento falacioso, repetido nos jornais, prende-se com a Biblioteca Vaticana, fechada há vários anos. Este facto foi referido pela sub-directora, doutora Maria Inês Cordeiro, numa notícia que saiu no Público (25.06.2010). Não vale a pena entrar na discussão sobre as especificidades do Estado do Vaticano, mas gostaríamos de lembrar que em Roma, onde fica o dito Estado, existe aberta, e em funcionamento, a Biblioteca Nazionale Centrale di Roma. Ou seja, quem vive em Roma ou em Itália tem alternativa.
Nota-se, na forma como foi anunciado o encerramento, o desprezo pelos leitores. A BN nem sequer projectou a criação de uma sala provisória que pudesse acolher os pedidos de quem tem prazos académicos, financiamentos de projectos aprovados ou livros a entregar a editoras. Curiosamente, esse espaço existe: a antiga sala dos periódicos e o espaço da antiga livraria, ambos desactivados, poderiam servir para tal. Se a BN sabe que os pisos com mais pedidos são o 3.º, 4.º e 5.º, porque não foi previsto, para estes, um fecho por um período curto? Mais, se sabia, pelos vistos há anos, que iria ocorrer um longo período de encerramento (a obra foi adjudicada em 2008), porque não intensificou a digitalização das obras fundamentais?
Na década de 1990, quando o Arquivo Nacional da Torre do Tombo mudou do Parlamento para o Campo Grande, ouviu os seus leitores, pelo que tudo correu de forma aceitável. Quando a BN mudou de São Francisco para o Campo Grande, em 1969, a transferência demorou seis meses. Agora, a BN não estudou uma alternativa, porque não tem peso político, porque ninguém quer saber do que se passa nas bibliotecas e porque o Ministério da Cultura não previu a verba que permitiria acelerar o processo. Sem dinheiro, a BN teve de planear tudo da forma mais barata possível, imaginando que os leitores – que, pela sua natureza, são pouco dados a revoltas – não seriam capazes de contestar. Enganaram-se.
Lisboa, 15 de Julho de 2010
Maria Filomena Mónica
Maria de Fátima Bonifácio
Paulo Silveira e Sousa"
segunda-feira, julho 12, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
domingo, junho 27, 2010
"Entre Nós e as Palavras", o dever de ver esta peça
quarta-feira, junho 09, 2010
António Manuel Couto Viana - 1923 - 2010
(Ilustração de Afonso Cruz)O poeta da Távola Redonda - António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. O Teatro Sá de Miranda era propriedade de sua família e lá começou a dar os primeiros passos na arte de representar e estreou a sua primeira peça de teatro infantil, "A Rosa Verde". Em 1946, foi viver com a família para Lisboa onde conheceu Sebastião da Gama, David-Mourão Ferreira e Vasco Lima Couto. David-Mourão Ferreira, conhecedor da sua paixão pelo teatro, levou-o para o Teatro Estúdio do Salitre onde se estreou como actor, figurinista e encenador. Em 1948, estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961). O culto do passado está presente em toda a sua obra poética, em oposição ao neo-realismo que era na época a corrente literária dominante. Couto Viana fez parte da direcção do Teatro de Ensaio (Teatro Monumental), Companhia Nacional de Teatro e foi empresário e director do Teatro do Gerifalto, onde apresentou dezenas de peças para crianças. Encenou óperas para o Círculo Portuense de Ópera, Companhia Portuguesa de Ópera (Teatro da Trindade), foi mestre de arte de cena do Teatro Nacional de S. Carlos e orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra. A sua obra foi distinguida com vários prémios e foi condecorado pelo Governo Português e pelo Governo Espanhol.
"António Manuel Couto Viana é poeta, contista, ensaísta, actor, dramaturgo, encenador e figurinista. Entre a Poesia e o Teatro ainda há espaço para a Ópera e a Gastronomia. Reformou-se como Mestre de Cena do Teatro S. Carlos mas está desejoso de se reformar da reforma porque o seu quarto, na Casa do Artista, é uma oficina onde trabalha noite e dia.
Está a escrever três livros ao mesmo tempo, um sobre poetas do Minho, que fica concluído ainda este mês, outro de ensaios, estudos e memórias de viagens e outro ainda de poesia. Nos intervalos faz prefácios e conferências. Uma vida em cheio que recomeça todos os dias, vai para 83 anos. O teatro também tem lugar na sua oficina de reformado. Está a desenvolver um projecto de Teatro Sacro, com os franciscanos do Convento da Luz, em Lisboa.
Autores - A reforma está a dar-lhe muito trabalho?
António Manuel Couto Viana - Desde que estou a viver na Casa do Artista tenho trabalhado imenso, aqui tenho excelentes condições, isto é um projecto extraordinário. Neste momento estou a concluir o terceiro volume dos poetas minhotos, é uma encomenda da Câmara Municipal de Viana do Castelo. O livro inclui 22 autores e tem de estar pronto até final de Dezembro.
São poetas conhecidos do grande público? _Alguns são apenas conhecidos nas suas terras de origem mas figuram na antologia nomes como António Pedro, Tomás de Figueiredo, que não nasceu no Minho mas sempre se considerou um minhoto do coração, e Amândio César.
E o livro de ensaios? _Não é apenas um livro de ensaios, é um livro sobre escritores e literatura, obras e correntes literárias, memórias da minha vida, viagens. É o meu último livro, estou com 82 anos e vou ficar por aqui. Incluo nesta obra um estudo sobre Amélia Janny, uma poetisa do final do século XIX, parnasiana, formalmente perfeita, muito apreciada por Teixeira de Pascoaes e António Feliciano de Castilho. Ela foi contemporânea de João de Deus, que lhe dedicou um poema. Era filha de Correia Caldeira, um minhoto que fez carreira universitária em Coimbra e era sobrinho do célebre Cardeal Saraiva. A Câmara Municipal de Coimbra editou as obras completas de Amélia Janny.
O contista Couto Viana nasceu este ano. É para continuar? _Nunca me passou pela cabeça que o meu livro de contos ("Meias de Seda Vermelha e Sapatos de Verniz com Fivelas de Prata") tivesse tanto êxito. Está concluído um segundo livro de contos, "Os Despautérios do Padre Libório", na mesma linha do primeiro, são 11 contos irónicos, quase satíricos, na maioria pícaros, onde retrato uma época que não vivi - o final do século XIX, princípios do século XX - mas que me chegou por relatos da família.
Quando é editado? _Isso queria eu saber. Para já, não tenho editor, mas também tenho preguiçado a edição do livro, estou a trabalhar em coisas mais imediatas.
Ainda se recorda da sua primeira peça de teatro, no S* de Miranda, em Viana do Castelo? _Fiz l* tanta coisa... O teatro era nosso, herdado do meu avô. Ainda estudante do liceu, fiz lá muitas revistas. A minha vedeta era Estela Varajão, hoje viúva do marechal Costa Gomes. Mas lembro-me perfeitamente do último espectáculo, foi a pedido da minha mãe, que queria angariar receitas para o Socorro de Inverno, uma iniciativa filantrópica através da qual as senhoras de Viana conseguiam dinheiro para os pobres. Levei à cena "A Rosa Verde", a minha primeira peça de teatro infantil. As senhoras de Viana do Castelo queriam que os filhos entrassem no espectáculo e a minha mãe vinha pedir-me mais um papel para o filho ou a filha desta e daquela. Entrou na peça uma multidão.
E depois do Sá de Miranda o Teatro do Salitre? Após "A Rosa Verde" a minha família mudou-se para Lisboa, corria o ano de 1946. Um dia fui ao Café Chiado, que era propriedade de Júlio Dantas, encontrar-me com o poeta Sebastião da Gama, que me apresentou David-Mourão Ferreira. Organizámos um recital de poesia na Faculdade de Letras, onde é hoje a Academia das Ciências. O declamador foi Vasco Lima Couto. Na época, os declamadores eram todos epígonos de João Villaret, declamavam ao seu estilo e o seu reportório. Vasco Lima Couto declamou poemas nossos. Eu escrevi um texto sobre o espectáculo. Mais tarde, David-Mourão Ferreira levou-me para o Teatro Experimental do Salitre. Foi aí que me iniciei como actor, cenógrafo e figurinista, na peça "Isolda", de David-Mourão Ferreira, e que ainda hoje permanece inédita. Mais tarde fiz a peça "Contrabando", também de David-Mourão Ferreira, com Fernanda Botelho e Cecília Guimarães.
E o Teatro da Mocidade? _Aí trabalhei como director, foi uma época muito importante para mim. Jovens cheios de talento, como Rui Mendes, Morais e Castro, Francisco Nicholson, Fernanda Montemor, António Anjos, Alina Vaz, Catarina Avelar e muitos outros, começaram comigo a dar os primeiros passos no teatro.
Dada a sua ligação ao regime, teve dissabores depois do 25 de Abril? _Nada disso. Eu deixei o Teatro da Mocidade em 1968 e além disso nunca fui um político, sou sebastianista, aderi às teses do Quinto Império.
Fernando Pessoa também... _Pois foi, mas escondem essa faceta do poeta. Pessoa tinha uma grande paixão pelos ditadores, escreveu um belíssimo poema ao Miguel Primo de Rivera, quando ele morreu.
E escreveu violentamente contra o Salazar... _Isso é verdade, mas Fernando Pessoa escreveu contra o Salazar porque achava que ele era um ditador coitadinho, que não tomava café nem bebia vinho tinto. Considerava-o um pobre funcionário, burocrata, um verdadeiro pobre diabo. Pessoa gostava do Sidónio Pais, em cima de um cavalo e de espada na mão.
Portugal vai ser o centro do império? _Portugal para mim é e sempre será a aventura e o sonho, por isso sou sebastianista. Apaixona-me a grandeza do século das Descobertas, gosto dos reis sebásticos, D. António Prior do Crato, D. Pedro V, D. Miguel, os que hão-de vir para salvar a pátria. É verdade que depois dos Descobrimentos nunca mais fizemos nada de grandioso, mas temos de viver com a esperança no horizonte, algo há-de vir.
D. Sebastião, numa manhã de nevoeiro? _Que venha a ilusão, sou um poeta, tenho de participar nas utopias e nos sonhos, alimento a fogueira da ilusão.
terça-feira, junho 08, 2010
Vão acabar as Varinas!?...

Vão acabar as Varinas!?...
A varina ambulante, pregoeira de peixe por essas ruas e vielas da cidade, louvada na prosa do Ramalho, cantada nos versos do Cesário, a varina inspiradora de tantos erotismos e tantos desenhos, vai acabar dentro em breve?!
Incaracteristica, nova-rica, cliente de “taxis”, calçada à fina força pelas posturas municipais, a varina ao que parece vai perder a canastra, a sua linda canastra, que tem o recorte airoso das barcas fenicias da sua terra.
Conforme noticia que noutro lugar publicamos, o peixe do futuro apenas será vendido em peixarias, possivelmente por caixeiros mazombos, de batas de brim.
Adeus pregões da “viva da costa”, “pescada fina do alto”, “belo carapau”, tão grato aos gatos e aos pobres!...
Não mais, das mansardas, vizinhas esganiçadas perguntarão para baixo o preço do cachucho. Não mais cachuchos aos domicilios.
As varinas vão-se. Como foram os aguadeiros. Como foram os cocheiros e as pilecas de praça.
Outros tempos – outros aspectos.
Lisboa tem destas pechas. Houve época em que toda a gente fundava uma leitaria. Havia três e quatro leitarias em cada rua. Vendiam vinho a copo. Depois, a actividade comercial de Lisboa manifestou-se especialmente nas instalações de sapatarias. Surgiram lojas de calçado por todos os cantos. Parecia e parece estarmos em terra de centopeias.
Agora vamos ter peixarias. Já estamos a vê-las, com seus nomes pitorescos: Peixaria das Necessidades… Palace da Pescada em Posta… Le Poisson d’Or…
E das varinas, se para com elas houver um pouco mais de complacência e de humanidade, apenas restarão dentro em pouco saudades, umas vagas imagens literárias, e maior população em terras de Ovar.
Diário de Noticias – 05 de Agosto de 1930
sexta-feira, junho 04, 2010
Maria Barroso diz Poesia...

Maria Barroso era a artista que mais marcou a minha juventude, pelo seu exemplo de Actriz corajosa, pondo a Poesia e o Teatro ao serviço do anti-fascismo. (...) Mas voltemos ao Bar "Toxinas" do Hospital de Santa Maria. Ei-la que sobe ao estrado para falar, com um casaco castanho. Lembro-me como se fosse hoje!! Logo um chefe da polícia a agarrar por um braço e diz: "A Senhora está proibida de falar!!!". - Uh! Uh! Uh! - vozes "de malta", claro... E diz Maria Barroso: Não posso falar, mas posso recitar!! E diz um Poema do velho Poeta Comunista Armindo Rodrigues.
Mário Viegas, Auto-Photo Biografia (Não Autorizada).
1 – Fernando Namora – Cacilda2 – Álvaro Feijó – Nossa Senhora da Apresentação
3 – Joaquim Namorado – Prometeu
4 – Mário Dionísio – Elegia ao companheiro morto
5 – João José Cochofel – XIII
6 – Políbio Gomes dos Santos – Poema da voz que escuta
7 – Francisco José Tenreiro – Epopeia
8 – Manuel da Fonseca – Estradas
9 – Carlos Oliveira – Descidas aos infernos
10 – Sidónio Muralha – Soneto imperfeito da caminhada perfeita
11 – Mário Dionísio – Utilidade
12 – Manuel da Fonseca – Maria Campaniça
13 – Álvaro Feijó – Dois sonetos da hora triste
14 – Mário Dionísio – Arte poética
15 – Carlos de Oliveira – Xácara das bruxas
16 – Mário Dionísio – Depois de mim
17 – Manuel da Fonseca – Mataram a tuna

