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quinta-feira, dezembro 17, 2009
quarta-feira, dezembro 16, 2009
O Palhaço - Artigo de Opinião, por Mário Crespo
JN 14 Dez 09 00h30m
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço.
Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
quarta-feira, novembro 18, 2009
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Dias Cinzentos

Os dias cinzentos são menos dias porque mais escuros. Os dias cinzentos são noites longas, nostálgicas e melancólicas.
Tudo é feito num ritmo lento, arrastado. Até os pensamentos nos surgem em leves brisas ou como vagas de maré baixa que trazem consigo saudades de tempos passados, barcos afundados de antigas memórias, pescadores mortos de outras férias de Verão.
Nos dias cinzentos as casas decoram-se de sombras esbatidas, imperceptíveis. As pratas cinzentas como o dia, não brilham. Os quadros envergonham-se das cores, os sorrisos de outros em fotografias parece que se fecham.
Nos dias cinzentos ficamos mais sós, ainda mais sós do que em dias de Sol a sós.
Nos dias cinzentos visto-me de cor alegre, prolongo as horas de luz em mim e espero a noite, tranquilamente.
Tudo é feito num ritmo lento, arrastado. Até os pensamentos nos surgem em leves brisas ou como vagas de maré baixa que trazem consigo saudades de tempos passados, barcos afundados de antigas memórias, pescadores mortos de outras férias de Verão.
Nos dias cinzentos as casas decoram-se de sombras esbatidas, imperceptíveis. As pratas cinzentas como o dia, não brilham. Os quadros envergonham-se das cores, os sorrisos de outros em fotografias parece que se fecham.
Nos dias cinzentos ficamos mais sós, ainda mais sós do que em dias de Sol a sós.
Nos dias cinzentos visto-me de cor alegre, prolongo as horas de luz em mim e espero a noite, tranquilamente.
sábado, novembro 14, 2009
Teatro - A Dama de Copas e o Rei de Cuba - Companhia Teatral do Chiado

A Companhia Teatral do Chiado, residente no Teatro Estúdio Mário Viegas - Lisboa, estreou na passada Quinta-Feira, 12 de Novembro, a sua mais recente produção: A Dama de Copas e o Rei de Cuba, do sociólogo brasileiro Timochenco Whebi.
Juvenal Garcês - Director da CTC e encenador deste espectáculo - no seu breve discurso de estreia desta peça, referiu que a mesma é o pontapé de saída para a comemoração dos 20 anos da Companhia Teatral do Chiado e que a escolha deste texto não foi inocente. Timochenco Whebi, falecido há uns anos, foi grande amigo de Mário Viegas que nunca teve a oportunidade de encenar uma peça do amigo do "país irmão". Esta era a altura ideal. E a oportunidade de levar à cena um texto em lingua portuguesa.
Juvenal Garcês teve ainda a oportunidade de referir que esta peça foi levada à cena em Portugal, pela mão de Raul Solnado, no dia 22 de Abril de 1974. Três dias depois deu-se a Revolução dos Cravos e a oportunidade do êxito esfumou-se.
E o que dizer desta peça? Tiro certeiro, escolha acertada. Trata-se de um grande texto, escrito para uma realidade das favelas brasileiras mas aqui com uma excelente adaptação à realidade popular portuguesa, realidade popular citadina.
Três personagens muito bem construidas e conseguidas, quer na consistência quer na interpretação - Alexandra Sargento (Zinha), Cristina Basílio (Tita) e Pedro Saavedra (Avelino).
A acção desenrola-se num qualquer quarto de uma qualquer pensão da cidade de Lisboa, onde habitam duas personagens muito diversas mas com um ponto em comum - a solidão e a tentativa de fuga da mesma. Carlos Porto, critico de teatro, quando da estreia em 1974, referiu que esta peça era uma "comédia amarga". Nada mais certo. O segundo acto é, em certas cenas, altamente triste e comovedor.
São duas personagens femininas antagónicas, onde o cordeiro em pele de lobo (e vice-versa) assenta que nem uma luva.
O cenário é irrepreensível, onde as diferenças entre as personagens se notam até no mobiliário.
A escolha musical, apanágio aliás de qualquer encenação de Juvenal Garcês é comovedora e acertada. Amália Rodrigues, com "Formiguinha Bossa Nova" dá o arranque.
A encenação de Juvenal Garcês não apresenta uma única falha e, aqui, a sua imaginação e "sexto sentido" revela-se ao mais alto grau do bom-gosto e da inteligência, nunca caindo no óbvio e no brejeiro, caminho que seria de todo errado mas o mais fácil para o texto em questão.
As referências ao imaginário religioso português - como, não tenho dúvidas, no brasileiro - são uma constante na peça. Quer na referência à Procissão da Senhora da Saúde, quer no sonho de Zinha (onde uma Nossa Senhora aparece - cena de teatro brilhante), ou ainda, no final da peça, na Pieta de Zinha com Avelino (momento de celebração do Kitsch e de um certo imaginário Pierre Et Gilles).
O momento que elejo dos mais comoventes ao longo da peça, foi quando Tita abre uma caixinha de música e põe-se a danças ao som da música. Essa caixinha havia sido já usada por Lia Gama na peça que inaugurou a nova e bonita sala do Teatro Estúdio Mário Viegas - Oh Que Ricos Dias. Inocente ou não, esta caixinha de música marca uma nova etapa da Companhia Teatral do Chiado e do próprio Teatro em Portugal.
Só posso reforçar a escolha acertada de Juvenal Garcês, a sua encenação, os cenário e figurinos, a interpretação das actrizes. O extraordinário texto.
Parabéns Juvenal Garcês e a toda a Companhia Teatral do Chiado por este trabalho e pelos extraordinários 20 anos a encantar Portugal com o que de melhor se faz em Teatro.
Não percam esta peça: Quintas, Sextas e Sábados, às 21 horas, no Largo do Picadeiro, Chiado, Lisboa - Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas
Interpretação: Alexandra Sargento, Cristina Basílio, Pedro Saavedra
Encenação: Juvenal Garcês
Adaptação: Juvenal Garcês, Luciano Cavaco
Cenografia: Luciano Cavaco
Figurinos: Luciano Cavaco
Desenho de Luz: Vasco Letria
Sonoplastia: Sérgio Silva
Assistência de Encenação: Aritz Bengoa
Contra-Regra: Aritz Bengoa
Produção: Companhia Teatral do Chiado
Direcção de Produção: Luís Macedo
Marketing e Comunicação: Nuno Santos
Responsável de Bilheteira: Duarte Nuno Vasconcelos
Bilheteira: Ana Filipa Neves, Joana Barreto
Gestão de conteúdos da página na internet: Duarte Nuno Vasconcelos
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