sexta-feira, julho 31, 2009

Peças inéditas de Amália expostas

Está patente no Panteão Nacional até 15 de Novembro a mostra 'Amália no Mundo - O Mundo de Amália', que destaca a carreira internacional da fadista

Ontem ao final da tarde um cantor espanhol cantava Amália no Panteão Nacional. A voz era de Juan Santamaria, acompanhado pelos músicos que durante anos estiveram ao lado da fadista: Joel Pina, Lelo Nogueira e Carlos Gonçalves. Mas antes já muitos tinham passado pela exposição que se inaugurou naquele espaço, Amália no Mundo - O Mundo de Amália. Esta mostra tem como um dos principais objectivos "promover e divulgar" a dimensão da carreira internacional da fadista. Isabel Melo, directora do Panteão, considera mesmo que "os portugueses não têm a noção da verdadeira dimensão que Amália teve no estrangeiro", disse ao DN.

Ao todo nesta exposição, que assinala os dez anos da morte da fadista, estão presentes entre 140 a 150 objectos relacionados com Amália Rodrigues, desde vestidos, sapatos, jóias ou luvas que usou em concertos, bem como programas dos espectáculos que deu no estrangeiro ou até cartazes desses concertos, nomeadamente um relativo a um concerto que ocorreu na Rússia em 1970.

O espólio que constitui a exposição é proveniente da Fundação Amália Rodrigues, do Museu do Teatro e de algumas colecções de privados. Segundo Isabel Melo, estes permitiram que a mostra revelasse "alguns objectos inéditos de Amália", como por exemplo o seu primeiro passaporte, de 1943, "quando ela foi pela primeira vez a Espanha, convidada pela Embaixada de Portugal", sublinhou.

A directora do Panteão Nacional enumerou ainda outros objectos em destaque, como "um quimono, todo bordado a fio de prata, que lhe foi oferecido da primeira vez que foi ao Japão, em 1970" ou "uma mala de viagem", que Isabel Melo julga ter sido a primeira da fadista.

A directora do Panteão Nacional reforça que "todas as peças têm uma história", sendo que a maior dificuldade em organizar esta exposição foi mesmo "seleccionar o que seria mais relevante". Isabel Melo contou que ao organizar esta mostra se deparou "com tanta informação importante" que teve alguma dificuldade no processo de selecção.

Além dos vários objectos pessoais e dos programas de espectáculos, que até 15 de Novembro se encontram no Panteão Nacional, nesta exposição está ainda integrado o documentário The Art of Amalia, de Bruno de Almeida, que conta com vários depoimentos da fadista. A mostra está ainda integrada num percurso "que inclui o Museu da Água e o Museu do Fado, durante o qual as pessoas visitam os três espaços, acompanhadas por um animador e assim ficam a conhecer melhor a história de Amália", referiu Isabel Melo.

No Panteão Nacional haverá ainda um serviço educativo que realizará visitas guiadas e ateliers dedicados às crianças, onde estas podem criar uma banda desenhada, aprendendo sobre quem foi Amália. Isabel Melo referiu que esta é uma das "missões" desta mostra, a de fazer que "Amália Rodrigues permaneça na memória das gerações vindouras".

A exposição estará patente até 15 de Novembro, sendo que para visitá-la apenas se paga "o ingresso de entrada no Panteão, que é de 2,5 euros".

segunda-feira, julho 27, 2009

O escarrador obrigatorio nas casas publicas

Escarrador de Rafael Bordalo Pinheiro

“Pouca gente até á data se tem preocupado com o bem estar comum.
Existem meios de defeza a que a maioria das entidades não ligam aquela importância que deviam ligar e neste caso temos a utilidade do escarrador obrigatório nas casas publicas.
O uso do escarrador tem sido descurado no paiz.
Raras são as entidades que o utilisam.
Aparte, algumas Repartições publicas, alguns barbeiros e não o vemos nas casas de espectáculos, nos hotéis, casas de hospedes, nas casas de pasto e nos diferentes estabelecimentos comerciais onde o publico aflui com mais frequência.
Nós constituímos uma população que tende a contaminar-se, uma população, em suma, pouco higiénica, porque tirando-lhe o habito de lavar apenas a ponta do nariz conforme viram fazer aos seus avós, raros são aqueles que primam pelo banho habitual domestico: já que ir ás praias é coisa mais dispendiosa para quem não pode passar do limite do “caldo e da broa”.
A cuspinhada de taberna que o alcoólico atira, impregnada de vinho, que antes vai dar mais vida ás bactérias orgânicas aderentes, são focos que se poderiam pôr fóra de uso.
Porque, o nosso povo habitua-se a tudo.
Uma simples postura, modificar-lhes-hia os hábitos, tornando-o mais higiénico, porque. quanto a moralidade em certa gente é letra morta; só a escola obrigatoria poderia atravez as gerações limar as arestas que se notam na educação coeva do antigo serrano das selvas que não respeitava a decencia nem evitava os palavrões diante dos seus inocentes filhinhos.
Combatamos, pois aqui, os maus usos e os maus costumes e aliados á obra moralisadora do Estado, contribuiremos tambem, assim, para um Portugal que se há-de impor aquelas nações que nos dão luzes.
Nos meus insignificantes artigos, tenho-me declarado um francófilo sem nunca renegar esta admirável Patria a que pertenço, mas devemos confessar que a França é e será sempre o único paiz que dará o exemplo a todas as nações do Mundo.
É ali, que nas suas povoações se vê o escarrador publico, o escarrador que o transeunte topa a todo o passo para não ter desculpa de lançar ao pó das amplas ruas alcatroadas ou cimentadas o escarro contaminante.
É ali, tambem, que topamos o cesto para deitar papeis, muita vez utilisados por pessoas doentes e que lançados á via publica são outros focos de infecção ao envolver-se no pó dos caminhos.
Daqui até que nós atinjamos uma tão completa perfeição ha-de demorar, mas “Roma e Pavia não se fez num dia”.

Povo das Beiras, São Pedro do Sul, Junho de 1933 – José de Jesus Rogado”
...e a perfeição ainda não foi atingida...

domingo, julho 19, 2009

quinta-feira, julho 09, 2009

A utilização dos livros na Biblioteca Nacional de Portugal


A imagem que apresento em cima é a da fachada da Biblioteca Nacional de Lisboa - Portugal. Em baixo, segue um pormenor da dita fotografia. Uma janela de guilhotinha aberta com dois suportes muito interessantes: Dois livros, de capa vermelha e letras douradas. Bem sei que são os objectos que estão mais à mão numa biblioteca, mas desconhecia esta sua nova função. Espero, contudo, que seja má literatura.

sábado, julho 04, 2009

E vai dai tive de comprar esta peça...

Papeleira "FADO" de Rafael Bordalo Pinheiro

"Um aspecto que todas as fontes originais sublinham repetidamente, no que respeita a este Fado das dácadas de meados do século, é o da associação indissolúvel entre o canto e a dança. Por mais que se refira o carácter lamentatório - ou mesmo choroso - da melodia, a presença de uma pulsação rítimica bem marcada por batimentos dos calcanhares no chão e por movimentos ondulantes dos quadris é uma característica fundamental que quer as descrições relativas ainda ao Brasil quer os primeiros relatos portugueses nunca deixam de mencionar. Já vimos como Camilos nos fala dos "rijos fados batidos", da "sapatear do fado" e do "rebater trémulo de calcanhares no sobrado"; as quadras supracitadas atribuídas à Severa referem que a Chicória do Sarmento "bate o fado tão bem" e consideram como "supremo gozo [...] bater o fado liró"; o próprio Fado do Vimioso, ao gabar a "voz enternecida" da fadista, acrescenta logo, por entre os elogios que lhe dirige, o facto de esta "dançar o fado com rigor desconhecido", sempre "batendo forte".

Este aspecto, que é um dos elos mais evidentes à tradição afro-brasileira anterior, não pode, pois, ser ignorado, se bem que as descrições relativas ao último terço do século XIX tendam já a evidenciar o progressivo abandono da componente coreográfica em facor de uma execução meramente musical, seja esta apenas instrumental ou envolvendo voz e instrumentos. No entanto, parece haver diferenças consideráveis entre vários tipos de movimentação associados ao Fado. Pinto de Carvalho, escrevendo já na viragem para o século XX, regista, a este respeito, uma observação que além de ser tardia se limita a pouco mais do que um comentário de passagem, e que, apesar de ter sido por diversas vezes citada por outros autores, continua a levantar problemas evidentes de interpretação:

"O fado tem duas espécies de dança: bater o fado e a dança do fado propriamente dita. Bater o fado é uma dança ou meneio particular em que entram duas pessoas ou três: uma que apara (ou duas, às vezes) e que deve estar quieta e o mais firme possível, e a outa que bate, dando regularmente as pancadas com a parte inferior das coxas das pernas do que apara, e meneando-se com requebros obscenos."

E o autor prossegue com a enumeração dos nomes de diversos "batedores de Fado" célebres, entre os quais cita o próprio Conde de Vimioso, e de diversas fadistas que "aparam" com particular garbo essas "batidas", referindo depois separadamente alguns exemplos de "bailarinos de Fado" famosos.

José Ramos Tinhorão parte desta descrição para propor uma identificação deste movimento de "bater o Fado" com aquele em que se pode encontrar igualmente em algumas danças tradicionais afro-brasileiras em que se utiliza a chamada "pernada", um golpe de coxa dado por um dançarino que "bate" na coxa de outro que "apara", procurando desiquilibrá-lo. Se o dançarino que "apara" a pernada não perdeu o equilibrio é ele quem vai em seguida "bater" num outro; se, pelo contrário, se desiquilibrou, o "batedor" pode escolher novo parceiro que tentará também fazer cair. A pernada é dada, em qualquer caso, de surpresa, por entre um jogo de quadris sensual, correspondendo aos "requebros obscenos" de que fala Pinto de Carvalho, e qualquer dos intervenientes pode, em simultâneo, estar a cantar a melodia do fado, improvisando mesmo, por vezes, o respectivo suporte poético.

Esta leitura do investigador brasileiro não só coincide com os dados da descrição específica a que se aplica como concorda ainda com a de Camilo quando o autor do Eusébio Macário nos narra como o seu personagem feminino, a Custódia, ao ouvir cantar o Fado ao irmão, "fazia saracotes de quadris, batendo o pé à frente na atitude marafona de quem apara nos rijos fados batidos".

(...)

Pinto de Carvalho não descreve em detalhe aquilo que designa como "dança do fado, propriamente dita", sendo de admitir que esta corresponda de forma mais directa às coreografias descritas pelos observadores alemães ou por Manuel António de Almeida relativamente ao Brasil nas primeiras décadas do século. De qualquer modo, o que parece implícito no texto, até pelo simples facto da natureza meramente passageira da descrição e do carácter remoto dos exemplos mencionados de "batedores" e "bailariios" de Fado, é que no momento em que este autor está a escrever já ambas as formas de movimento caíram em desuso crescente. Do Fado coreografado de meados do século - tanto "batido" como "dançado" - terão assim ficado gradualmente apenas os apontamentos de movimento ainda incorporados na atitude corporal dos cantores: a postura hirta, semelhante à do parceiro que "apara", o gingar dos ombros ou dos quadris, remniscente dos traços coreográficos anteriores, ou a possibilidade de dar alguns passos, avançando ou recuando, numa tradição que chegará ainda, bem vistas as coisas, a Alfredo Marceneiro.

in: Para uma História do Fado, de Rui Vieira Ney, Edições Jornal Público.

sexta-feira, junho 26, 2009

Amália Rodrigues - Os Primeiros Anos


Frente e Verso do Picture Disc com as primeiras gravações de Amália Rodrigues

Hoje comprei a minha prenda muito antecipada. Um Picture Disc (disco em vinil pintado) com as primeiras gravações de Amália Rodrigues. É uma edição limitada a 600 discos. Não faço ideia qual a editora ou o propósito... se alguém o souber, por favor diga-me. De qualquer forma, o disco - com um som surpreendente - já cá canta... no gira-discos, claro!