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sábado, abril 25, 2009
quarta-feira, abril 22, 2009
terça-feira, abril 21, 2009
Lançamento da Fotobiografia de Amélia Rey Colaço

Fotobiografia de Amélia Rey Colaço
Livro pode ser pretexto para pensar sobre o teatro português
A fotobiografia de Amélia Rey Colaço, lançada esta semana, procura dar a conhecer a vida da actriz de referência e ser pretexto para "pensar o teatro em Portugal", disse a sua autora, a historiadora Júlia Leitão de Barros. Amélia Rey Colaço é a quarta personalidade editada no âmbito da colecção "Fotobiografias do século XX", do Círculo de Leitores, dirigida por Joaquim Vieira, e que já publicou as de Amália Rodrigues, Fernando Pessoa e Vasco Santana.
"É um óptimo pretexto para pensarmos sobre a prática teatral portuguesa" tanto mais que, sublinhou Júlia Leitão de Barros, "quem conhece a historiografia respeitante a este vasto campo cultural sabe bem como as reflexões sobre o teatro em Portugal têm recaído, quase exclusivamente, nos autores e na sua dramaturgia".
"As empresas, os actores, a encenação, a cenografia, as práticas, a crítica, os públicos, etc., têm sido quase esquecidos", prosseguiu.
Esta obra apresenta "imagens sugestivas e um texto que permite "pensar sobre as relações da arte com o poder político e do poder político com a arte, sobre as representações sociais da arte (e a concorrência entre elas) sobre os campos de legitimação do artista, etc.", disse.
A historiadora afirmou que a principal dificuldade que encontrou foi "a carga política associada a Amélia Rey Colaço".
"Depois - prosseguiu - as inerentes à temática, isto é, o carácter efémero do acto de representar e, por último, a falta de estudos sobre o teatro em Portugal".
A feitura deste livro levou cerca de dois anos e meio, tendo cabido a selecção das 192 fotografias a Joaquim Vieira, alguns delas inéditas.
Quanto às fontes documentais utilizadas, Júlia Leitão de Barros consultou o espólio particular da actriz depositado no Museu Nacional do Teatro mas também a imprensa da época "e memórias de gente de diversa formação, que se cruzou com ela", para além de ter contado com os testemunhos da sua filha, a actriz Mariana Rey Monteiro, e da neta Rita Garnel.
Breve biografia da actriz
Amélia Rey Colaço nasceu em Lisboa em 1898 e representa pela primeira vez em 1904 numa récita particular. Em 1914, actua em Madrid, onde declama Afonso Lopes Vieira e Luís de Camões. Atravessa mais de cinco décadas de sucesso em sucessivas peças com êxito até que em 1974 suspende a actividade no Nacional D. Maria II.
Em 1982, participa pela primeira vez numa série televisiva, "Gente fina é outra coisa", ao lado da filha Mariana Rey Colaço, Simone de Oliveira, Nicolau Breyner, Rui de Carvalho, entre outros.
Em 1985, prepara a sua despedida dos palcos e monta a peça inédita de José Régio "D. Sebastião", em Portalegre, no Cine-Teatro Crisfal.
Faleceu na sua casa em Lisboa, a 8 de Julho de 1990.
Fonte: Lusa/SIC Notícias
segunda-feira, abril 20, 2009
Um Copo de Sol - Pedro Moutinho

O convite é que trague um COPO de SOL e se deixe invadir por uma luminosidade que desponta da voz sentida e sensual de PEDRO MOUTINHO que nos traz um novo brilho. De um modo que nunca se esquece, Pedro Moutinho neste novo álbum confessa-se e arrebata-nos. Produzido por Carlos Manuel Proença que também o acompanha à viola fazendo parceria com José Manuel Neto à guitarra portuguesa e Daniel Pinto na viola-baixo.
Se se desvenda um segredo seu, talvez este: o de ir à tradição e reinventá-la. Oiça-se “Toma lá colchetes d’oiro” que o mestre dos mestres, Marceneiro, criou, e Pedro Moutinho canta-a como se nunca a tivéssemos ouvido; a procura de um inédito de Jorge Rosa, poeta feito nas vidas do fado, ou as melodias tradicionais como os Fados Oliveira, Seixal ou Meia-Noite em que perpassa um raio luminoso das novas palavras dos poetas que escolheu como Pedro Tamen, Aldina Duarte ou Manuela de Freitas e como essa sua voz as burila, a par de novas melodias de Pedro Campos, Tiago Bettencourt, Amélia Muge ou Rodrigo Leão. Ilumina-se o fado. Distinguido com os Prémios Revelação da Casa Imprensa e Amália Rodrigues para o seu anterior álbum, também produzido por Carlos Manuel Proença, Pedro Moutinho justifica-os ao dar um salto com este novo álbum que confirma o que já circulava: temos fadista e fadista não é quem quer mas quem ao canto se lhe dedica de alma franca e cria um universo que sendo seu nos leva a identificarmo-nos com ele.
Para ouvir a faixa que dá nome ao álbum clique aqui: http://www.myspace.com/pedromoutinho
domingo, abril 19, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
Poema a Salazar...

* *É DE REGISTAR! ADAPTA-SE AO PRESENTE.*
* Conta-se que este poema foi dirigido ao Ministro**
da Agricultura do governo de Salazar, como forma
de pedir adubos. Por mais estranho que pareça, diz-se que
quem o escreveu não foi preso e que Salazar até
se fartou de rir (??!!!) quando o leu. Será mesmo?
*
- E X P O S I Ç Ã O -
Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!
O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e... como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?...
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n'um traque do Ministro das Finanças?...
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n'elas.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Adubos de potassa?... Cal?... Azote?...
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda...
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos,
do Norte, Centro e Sul do Alentejo
Évora, 13 de Fevereiro de 1934
O Presidente
D. Tancredo (O Lavrador)
domingo, abril 12, 2009
Amália Rodrigues: Senhor Extraterrestre

Amália edita, em 1982, O Senhor Extraterrestre, um maxi-single em vinil amarelo com duas canções de Carlos Paião.
Letra:
Vou contar-vos um história
que não me sai da memória,
foi p'ra mim uma vitória
nesta era espacial.
Noutro dia estremeci
quando abri a porta e vi
um grandessíssimo ovni
pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta,
veio uma figura torta,
eu disse: se não se importa
poderia ir-se embora,
tenho esta roupa a secar
e ainda se vai sujar
se essa coisa aí ficar
a deitar fumo p'ra fora.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá o botãozinho
e pôde contar-me então
que tinha sido multado
por o terem apanhado
sem carta de condução.
O senhor desculpe lá,
não quero passar por má,
pois você onde está
não me adianta nem me atraza.
O pior é que a vizinha
que parece que adivinha
quando vir que estou sozinha
com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé
venha tomar um café,
faz-me pena, pois você
nem tem cara de ser mau
e eu queria saber também
se na terra donde vem
não conhece lá ninguém
que me arranje bacalhau.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho,
disse para me pôr a pau,
pois na terra donde vinha
nem há cheiro de sardinha
quanto mais de bacalhau.
Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos com certeza,
mostre lá? Ai que riqueza,
não é mesmo uma beleza,
tão verdinho? sai ao pai.
Já está de chaves na mão?
Vai voltar p'ro avião?
Espere, que já ali estão
umas sandes p'ra viagem
e vista também aquela
camisinha de flanela
p'ra quando abrir a janela
não se constipar co'a aragem.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde-me então dizer
que quer que eu vá visitá-lo,
que acha graça quando eu falo
ou ao menos p'ra escrever.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só p'ra dizer: Deus lhe pague.
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.
sábado, abril 11, 2009
The Corries - Flower of Scotland
To MIchael, a Poker Buddy
quarta-feira, abril 08, 2009
Paulo Autran diz Carlos Drummond de Andrade - Procura da Poesia

Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
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