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segunda-feira, abril 06, 2009
domingo, abril 05, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
Brindemos ao Dia Mundial da Poesia com "Álcool" de Mário de Sá Carneiro

Álcool
Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longemente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.
Batem asas de auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de cor e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Descem-me a alma, sangram-me os sentidos.
Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo ---
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...
Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de oiro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...
Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eternizo?
Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante ---
Manhã tão forte que me anoiteceu.
Mário de Sá-Carneiro
Pedro Moutinho no Cinema São Jorge - A não perder...

Música: Novo CD de fadista Pedro Moutinho, "Um copo de sol", é editado em Abril
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
O álbum é constituído por 12 temas, na sua maioria inéditos, alguns cantados em melodias tradicionais como o Fado Seixal ou o Fado Oliveira, constituindo a única excepção "Toma lá colchetes d'oiro" (Henrique Rego/fado Corrido), uma criação de Alfredo Marceneiro.
"É um fado que canto desde os meus 12 anos, quase que faz parte de mim", justificou Pedro Moutinho.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou: "este é um álbum que reflecte a minha verdade, muitas das histórias que canto vivi-as".
O fadista canta pela primeira vez poetas como Manuela de Freitas, "Sem sentido" na melodia do fado Rosita de Joaquim Campos, e "Quando Lisboa partir" no fado Carlos da Maia de Quadras, ou Jorge Rosa, "Mais um dia", para o qual escolheu o fado Meia-noite de Filipe Pinto.
"Um Copo de sol" marca a estreia nas lides fadistas do músico Rodrigo Leão, que compôs "Passo lento" com poema da portuguesa Ana Carolina, sua parceira já habitual.
O tema que dá o título ao disco, "Copo de sol", é de autoria, música e letra, de Amélia Muge, autora que compôs já para, entre outros fadistas, Camané e Ana Moura.
"A Amélia escreveu-o propositadamente para mim, é um pouco o que sou, a vida que faço, entre Lisboa onde canto habitualmente, e a linha de Cascais onde vivo", disse o fadista.
"Por outro lado, pelo facto de não beber álcool", acrescentou entre risos o fadista.
Outros autores contemporâneos cantados por Pedro Moutinho são Tiago Bettencourt, "Vou-te levando em segredo", ou Pedro Campos, "Lisboa tu és assim", autor que escreveu "Montras" para o álbum "Transparente" de Mariza.
Aldina Duarte e Rogério Oliveira são dois autores reincidentes. Aldina assina "Primeira dança", que Pedro Moutinho interpreta na melodia do fado Seixal de José Duarte, e Rogério Oliveira, que escreveu"Paradoxos do amor", cantado no fado Oliveira do violista Miguel Ramos.
Outro poeta contemporâneo escolhido foi Pedro Tamen, autor de "Palavras minhas", para o qual Carlos Manuel Proença compôs o fado Sereno.
Carlos Proença, distinguido o ano passado com o Prémio Amália para Melhor Instrumentista, assina a produção deste álbum, tal como acontecera no anterior, "Encontro", que foi distinguido com o Prémio Amália para o Melhor Álbum.
Além de Proença na viola de fado, Pedro Moutinho é acompanhado por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Daniel Pinto (viola-baixo).
Pedro Moutinho tem já agendados dois espectáculos de apresentação deste álbum, para dia 04 de Abril no Centro Cultural de Vale Flor, em Guimarães, e dia 08 no Cinema S. Jorge, Lisboa.
NL.
Lusa/Fim
O álbum é constituído por 12 temas, na sua maioria inéditos, alguns cantados em melodias tradicionais como o Fado Seixal ou o Fado Oliveira, constituindo a única excepção "Toma lá colchetes d'oiro" (Henrique Rego/fado Corrido), uma criação de Alfredo Marceneiro.
"É um fado que canto desde os meus 12 anos, quase que faz parte de mim", justificou Pedro Moutinho.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou: "este é um álbum que reflecte a minha verdade, muitas das histórias que canto vivi-as".
O fadista canta pela primeira vez poetas como Manuela de Freitas, "Sem sentido" na melodia do fado Rosita de Joaquim Campos, e "Quando Lisboa partir" no fado Carlos da Maia de Quadras, ou Jorge Rosa, "Mais um dia", para o qual escolheu o fado Meia-noite de Filipe Pinto.
"Um Copo de sol" marca a estreia nas lides fadistas do músico Rodrigo Leão, que compôs "Passo lento" com poema da portuguesa Ana Carolina, sua parceira já habitual.
O tema que dá o título ao disco, "Copo de sol", é de autoria, música e letra, de Amélia Muge, autora que compôs já para, entre outros fadistas, Camané e Ana Moura.
"A Amélia escreveu-o propositadamente para mim, é um pouco o que sou, a vida que faço, entre Lisboa onde canto habitualmente, e a linha de Cascais onde vivo", disse o fadista.
"Por outro lado, pelo facto de não beber álcool", acrescentou entre risos o fadista.
Outros autores contemporâneos cantados por Pedro Moutinho são Tiago Bettencourt, "Vou-te levando em segredo", ou Pedro Campos, "Lisboa tu és assim", autor que escreveu "Montras" para o álbum "Transparente" de Mariza.
Aldina Duarte e Rogério Oliveira são dois autores reincidentes. Aldina assina "Primeira dança", que Pedro Moutinho interpreta na melodia do fado Seixal de José Duarte, e Rogério Oliveira, que escreveu"Paradoxos do amor", cantado no fado Oliveira do violista Miguel Ramos.
Outro poeta contemporâneo escolhido foi Pedro Tamen, autor de "Palavras minhas", para o qual Carlos Manuel Proença compôs o fado Sereno.
Carlos Proença, distinguido o ano passado com o Prémio Amália para Melhor Instrumentista, assina a produção deste álbum, tal como acontecera no anterior, "Encontro", que foi distinguido com o Prémio Amália para o Melhor Álbum.
Além de Proença na viola de fado, Pedro Moutinho é acompanhado por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Daniel Pinto (viola-baixo).
Pedro Moutinho tem já agendados dois espectáculos de apresentação deste álbum, para dia 04 de Abril no Centro Cultural de Vale Flor, em Guimarães, e dia 08 no Cinema S. Jorge, Lisboa.
NL.
Lusa/Fim
Fonte: Site do Jornal Expresso
quarta-feira, março 18, 2009
Amália Rodrigues
Duas músicas que nunca tinha ouvido da Amália Rodrigues. Maravilhosas (mais pela interpretação que pelos poemas).


segunda-feira, março 16, 2009
EXEQUIAL DE AMÁLIA RODRIGUES

HOMILIA DE D. JOSÉ SANCHES ALVES NA MISSA
Emudeceu a voz que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. A Nação está de luto. Todos nos curvamos respeitosamente perante os restos mortais de Amália, a artista singular que cantou, como ninguém, a saudade da alma portuguesa e fez vibrar as cordas da tristeza em acordes de alegria. Artista verdadeira e construtora genial da beleza musical ficará para sempre associada ao mistério da criação. Nela brilhou com fulgor o poder criador de Deus. Pela música, abriu, a seu modo, «um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo», afastou para longe o desespero que invade os espíritos embotados e fez nascer a alegria no coração dos homens. Através da música, cultivou a beleza que, no dizer do papa João Paulo II, «é chave do mistério e apelo ao transcendente. Convida a saborear a vida e a sonhar o futuro». Suscita nos homens a misteriosa saudade de Deus, Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento e alegria inexprimível (Cf Carta aos Artistas, 16). Cantou a saudade da terra, do mar e do céu. Saudade do passado. Saudade do futuro. Saudade da origem. Saudade do Além. Saudade de Deus que a criou. Saudade de Deus que a chamou para a outra margem da vida, sempre envolta em mistério, inacessível tanto à ciência como à filosofia e onde apenas a luz da fé pode fazer brilhar a esperança. Amália era uma mulher crente. Disse-o muitas vezes. Da sua fé falam os actos que praticou. As imagens que religiosamente trouxe consigo ou venerou religiosamente no santuário do seu lar. As orações que rezou. As esmolas que deu. As amizades que partilhou com as mais variadas classes de pessoas. Na sua vida há reflexos daquele ideal evangélico, sintetizado por Jesus Cristo nas bem-aventuranças, que há pouco foram proclamadas para nós, no decorrer desta celebração. As bem-aventuranças condensam o ideal mais elevado a que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, pode e deve aspirar. É um ideal sublime que contrasta com os ideais humanos. Difícil de captar por quem vive enredado nas teias da razão, envolto no turbilhão da vida, absorvido com as preocupações da cidade terrena e esquecido das exigências da cidade celeste. Esse ideal toma-se mais luminoso e compreensível nos momentos fortes do confronto directo com o mistério como este que estamos a viver. Quando «a tenda que é a nossa morada terrestre » se desfaz e, libertos do exílio, se nos franqueiam as portas do infinito, para entrar na «habitação eterna, que é obra de Deus (Cf 2Cor5, 1). Quando, iluminados pela fé e alentados pela esperança, nos confrontamos com uma experiência limite, então conseguiremos compreender o valor da simplicidade e da misericórdia, da humildade e da pureza de coração, do sofrimento, da perseguição e da luta pela justiça, como forças geradoras de paz, de alegria e de amor, tal como Jesus Cristo no ensina com o sermão da montanha. Com efeito, o que fica depois da morte é o espírito e não a matéria. O que acompanha, no Além, os que partem desta vida, é o bem que praticaram e não as riquezas que acumularam. Todos partem de mãos vazias. A bagagem chama-se justiça e verdade, amor e perdão. É invisível. Mas é real. Para os que partem munidos desta bagagem, cresce a esperança de imortalidade e a certeza da fé: «Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar a nós para nos levar para junto d'Ele» (2 Cor.4,14).
Lisboa, 8 de Outubro de 1999
† José Alves, bispo auxiliar
Emudeceu a voz que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. A Nação está de luto. Todos nos curvamos respeitosamente perante os restos mortais de Amália, a artista singular que cantou, como ninguém, a saudade da alma portuguesa e fez vibrar as cordas da tristeza em acordes de alegria. Artista verdadeira e construtora genial da beleza musical ficará para sempre associada ao mistério da criação. Nela brilhou com fulgor o poder criador de Deus. Pela música, abriu, a seu modo, «um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo», afastou para longe o desespero que invade os espíritos embotados e fez nascer a alegria no coração dos homens. Através da música, cultivou a beleza que, no dizer do papa João Paulo II, «é chave do mistério e apelo ao transcendente. Convida a saborear a vida e a sonhar o futuro». Suscita nos homens a misteriosa saudade de Deus, Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento e alegria inexprimível (Cf Carta aos Artistas, 16). Cantou a saudade da terra, do mar e do céu. Saudade do passado. Saudade do futuro. Saudade da origem. Saudade do Além. Saudade de Deus que a criou. Saudade de Deus que a chamou para a outra margem da vida, sempre envolta em mistério, inacessível tanto à ciência como à filosofia e onde apenas a luz da fé pode fazer brilhar a esperança. Amália era uma mulher crente. Disse-o muitas vezes. Da sua fé falam os actos que praticou. As imagens que religiosamente trouxe consigo ou venerou religiosamente no santuário do seu lar. As orações que rezou. As esmolas que deu. As amizades que partilhou com as mais variadas classes de pessoas. Na sua vida há reflexos daquele ideal evangélico, sintetizado por Jesus Cristo nas bem-aventuranças, que há pouco foram proclamadas para nós, no decorrer desta celebração. As bem-aventuranças condensam o ideal mais elevado a que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, pode e deve aspirar. É um ideal sublime que contrasta com os ideais humanos. Difícil de captar por quem vive enredado nas teias da razão, envolto no turbilhão da vida, absorvido com as preocupações da cidade terrena e esquecido das exigências da cidade celeste. Esse ideal toma-se mais luminoso e compreensível nos momentos fortes do confronto directo com o mistério como este que estamos a viver. Quando «a tenda que é a nossa morada terrestre » se desfaz e, libertos do exílio, se nos franqueiam as portas do infinito, para entrar na «habitação eterna, que é obra de Deus (Cf 2Cor5, 1). Quando, iluminados pela fé e alentados pela esperança, nos confrontamos com uma experiência limite, então conseguiremos compreender o valor da simplicidade e da misericórdia, da humildade e da pureza de coração, do sofrimento, da perseguição e da luta pela justiça, como forças geradoras de paz, de alegria e de amor, tal como Jesus Cristo no ensina com o sermão da montanha. Com efeito, o que fica depois da morte é o espírito e não a matéria. O que acompanha, no Além, os que partem desta vida, é o bem que praticaram e não as riquezas que acumularam. Todos partem de mãos vazias. A bagagem chama-se justiça e verdade, amor e perdão. É invisível. Mas é real. Para os que partem munidos desta bagagem, cresce a esperança de imortalidade e a certeza da fé: «Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar a nós para nos levar para junto d'Ele» (2 Cor.4,14).
Lisboa, 8 de Outubro de 1999
† José Alves, bispo auxiliar
quarta-feira, março 11, 2009
Caldeirada (Poluição) ou Fado AL Gore (digo eu, claro!)
Uma interpretação com muita graça de Amália Rodrigues.
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