sexta-feira, março 20, 2009

Pedro Moutinho no Cinema São Jorge - A não perder...


Música: Novo CD de fadista Pedro Moutinho, "Um copo de sol", é editado em Abril
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O álbum de Pedro Moutinho "Um copo de sol" será o primeiro a sair para o mercado pela Iplay, depois desta editora ter sido comprada pela Fantasy Day/Lemon à SIC.
O álbum é constituído por 12 temas, na sua maioria inéditos, alguns cantados em melodias tradicionais como o Fado Seixal ou o Fado Oliveira, constituindo a única excepção "Toma lá colchetes d'oiro" (Henrique Rego/fado Corrido), uma criação de Alfredo Marceneiro.
"É um fado que canto desde os meus 12 anos, quase que faz parte de mim", justificou Pedro Moutinho.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou: "este é um álbum que reflecte a minha verdade, muitas das histórias que canto vivi-as".
O fadista canta pela primeira vez poetas como Manuela de Freitas, "Sem sentido" na melodia do fado Rosita de Joaquim Campos, e "Quando Lisboa partir" no fado Carlos da Maia de Quadras, ou Jorge Rosa, "Mais um dia", para o qual escolheu o fado Meia-noite de Filipe Pinto.
"Um Copo de sol" marca a estreia nas lides fadistas do músico Rodrigo Leão, que compôs "Passo lento" com poema da portuguesa Ana Carolina, sua parceira já habitual.
O tema que dá o título ao disco, "Copo de sol", é de autoria, música e letra, de Amélia Muge, autora que compôs já para, entre outros fadistas, Camané e Ana Moura.
"A Amélia escreveu-o propositadamente para mim, é um pouco o que sou, a vida que faço, entre Lisboa onde canto habitualmente, e a linha de Cascais onde vivo", disse o fadista.
"Por outro lado, pelo facto de não beber álcool", acrescentou entre risos o fadista.
Outros autores contemporâneos cantados por Pedro Moutinho são Tiago Bettencourt, "Vou-te levando em segredo", ou Pedro Campos, "Lisboa tu és assim", autor que escreveu "Montras" para o álbum "Transparente" de Mariza.
Aldina Duarte e Rogério Oliveira são dois autores reincidentes. Aldina assina "Primeira dança", que Pedro Moutinho interpreta na melodia do fado Seixal de José Duarte, e Rogério Oliveira, que escreveu"Paradoxos do amor", cantado no fado Oliveira do violista Miguel Ramos.
Outro poeta contemporâneo escolhido foi Pedro Tamen, autor de "Palavras minhas", para o qual Carlos Manuel Proença compôs o fado Sereno.
Carlos Proença, distinguido o ano passado com o Prémio Amália para Melhor Instrumentista, assina a produção deste álbum, tal como acontecera no anterior, "Encontro", que foi distinguido com o Prémio Amália para o Melhor Álbum.
Além de Proença na viola de fado, Pedro Moutinho é acompanhado por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Daniel Pinto (viola-baixo).
Pedro Moutinho tem já agendados dois espectáculos de apresentação deste álbum, para dia 04 de Abril no Centro Cultural de Vale Flor, em Guimarães, e dia 08 no Cinema S. Jorge, Lisboa.
NL.
Lusa/Fim
Fonte: Site do Jornal Expresso

quarta-feira, março 18, 2009

Amália Rodrigues

Duas músicas que nunca tinha ouvido da Amália Rodrigues. Maravilhosas (mais pela interpretação que pelos poemas).





segunda-feira, março 16, 2009

EXEQUIAL DE AMÁLIA RODRIGUES


HOMILIA DE D. JOSÉ SANCHES ALVES NA MISSA

Emudeceu a voz que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. A Nação está de luto. Todos nos curvamos respeitosamente perante os restos mortais de Amália, a artista singular que cantou, como ninguém, a saudade da alma portuguesa e fez vibrar as cordas da tristeza em acordes de alegria. Artista verdadeira e construtora genial da beleza musical ficará para sempre associada ao mistério da criação. Nela brilhou com fulgor o poder criador de Deus. Pela música, abriu, a seu modo, «um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo», afastou para longe o desespero que invade os espíritos embotados e fez nascer a alegria no coração dos homens. Através da música, cultivou a beleza que, no dizer do papa João Paulo II, «é chave do mistério e apelo ao transcendente. Convida a saborear a vida e a sonhar o futuro». Suscita nos homens a misteriosa saudade de Deus, Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento e alegria inexprimível (Cf Carta aos Artistas, 16). Cantou a saudade da terra, do mar e do céu. Saudade do passado. Saudade do futuro. Saudade da origem. Saudade do Além. Saudade de Deus que a criou. Saudade de Deus que a chamou para a outra margem da vida, sempre envolta em mistério, inacessível tanto à ciência como à filosofia e onde apenas a luz da fé pode fazer brilhar a esperança. Amália era uma mulher crente. Disse-o muitas vezes. Da sua fé falam os actos que praticou. As imagens que religiosamente trouxe consigo ou venerou religiosamente no santuário do seu lar. As orações que rezou. As esmolas que deu. As amizades que partilhou com as mais variadas classes de pessoas. Na sua vida há reflexos daquele ideal evangélico, sintetizado por Jesus Cristo nas bem-aventuranças, que há pouco foram proclamadas para nós, no decorrer desta celebração. As bem-aventuranças condensam o ideal mais elevado a que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, pode e deve aspirar. É um ideal sublime que contrasta com os ideais humanos. Difícil de captar por quem vive enredado nas teias da razão, envolto no turbilhão da vida, absorvido com as preocupações da cidade terrena e esquecido das exigências da cidade celeste. Esse ideal toma-se mais luminoso e compreensível nos momentos fortes do confronto directo com o mistério como este que estamos a viver. Quando «a tenda que é a nossa morada terrestre » se desfaz e, libertos do exílio, se nos franqueiam as portas do infinito, para entrar na «habitação eterna, que é obra de Deus (Cf 2Cor5, 1). Quando, iluminados pela fé e alentados pela esperança, nos confrontamos com uma experiência limite, então conseguiremos compreender o valor da simplicidade e da misericórdia, da humildade e da pureza de coração, do sofrimento, da perseguição e da luta pela justiça, como forças geradoras de paz, de alegria e de amor, tal como Jesus Cristo no ensina com o sermão da montanha. Com efeito, o que fica depois da morte é o espírito e não a matéria. O que acompanha, no Além, os que partem desta vida, é o bem que praticaram e não as riquezas que acumularam. Todos partem de mãos vazias. A bagagem chama-se justiça e verdade, amor e perdão. É invisível. Mas é real. Para os que partem munidos desta bagagem, cresce a esperança de imortalidade e a certeza da fé: «Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar a nós para nos levar para junto d'Ele» (2 Cor.4,14).

Lisboa, 8 de Outubro de 1999

† José Alves, bispo auxiliar

domingo, março 08, 2009

Maria da Fé - Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa


Fadista
Maria da Fé distinguida com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa nos seus 50 anos de carreira
A Câmara de Lisboa decidiu distinguir a fadista Maria da Fé, a celebrar 50 anos de carreira, com a Medalha de Ouro da Cidade, disse fonte autárquica

A fadista realizará em Junho, dias 25 e 26, dois espectáculos celebrativos do seu cinquentenário artístico, respectivamente em Lisboa e no Porto.

A fadista afirmou-se «muito satisfeita e honrada». «É sempre um momento gratificante, até como portuense que sou é um orgulho»,disse Maria da Fé que acrescentou ser até «quase um reconhecimento como alfacinha».

Actualmente a residir no bairro lisboeta da Madragoa, tendo a sua casa de fados «paredes-meias com a Lapa», a criadora de Cantarei até que a voz me doa (José Luís Gordo/Fontes Rocha) vive na capital desde 1961.

A fadista afirmou guardar «gratas recordações» de uma carreira que começou no Porto, de onde é natural, e que a levou a pisar «os mais importantes palcos do mundo».

A intérprete de Sem fé (Frederico de Brito) afirmou ter sempre pugnado «pela dignificação do fado». «Vivi só para o fado», frisou.

Maria da Fé candidatou-se com 14 anos ao concurso ‘Rainha das cantadeiras’, mas não foi apurada por ser menor de idade. Venceria este concurso no ano seguinte, e aos 17 anos, depois de ter realizado digressões com Amália Rodrigues pelo Norte do país, instalou-se em Lisboa.

Na capital integrou o elenco da prestigiada Adega Machado, e posteriormente da Parreirinha de Alfama, de Argentina Santos, tendo sido das primeiras fadistas a actuar no Casino Estoril.

Maria da Fé foi a primeira fadista a concorrer a um Festival RTP da Canção, em 1969, com Vento do Norte (Francisco Nicholson/António Braga dos Santos).

A sua primeira saída ao estrangeiro, recordou a fadista, foi em finais da década de 1960, «para actuar numa associação recreativa» em Newark (Nova Jérsia), Estados Unidos.

Deste então pisou «todos os mais importantes palcos», sem esquecer detalhes e guardando «gratas memórias» de alguns, nomeadamente os brasileiros.

A criadora de Obrigado, meu Deus obrigado (José Luís Gordo/Fontes Rocha), considera-se de um tempo «em que era ainda difícil actuar no estrangeiro, levar o fado para fora».

Reconhece que hoje «é mais fácil», mas salientou o seu papel, e o de outros fadistas, designadamente Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Fernando Machado Soares, na divulgação da canção nacional além fronteiras.

A criadora de Já sei meu amor, já sei (F. Radamanto/Casimiro Ramos), recebeu em 2005 a Medalha de Mérito Cultura do Ministério da Cultura e no ano seguinte o Prémio Amália Rodrigues para a Melhor Intérprete.

«Vivi só para o fado e a minha casa de fados é exemplo disso. Aqui canto todas as noites, mas todas as noites são diferentes. Nascemos com este condão, mas há que trabalhar todos os dias, há que burilar o estilo e forma de cantar» , afirmou a fadista, que ao longo da sua carreira mereceu várias outras distinções, como o Prémio da Imprensa, em 1970, e Medalha de Ouro da Cidade do Porto.

Lusa / SOL




sábado, março 07, 2009

O Inspector Geral - Teatro Cine-Arte A Barraca


Recomendo vivamente. Duas horas e meia de muita gargalhada, numa sátira política, social e familiar assustadoramente actual.
João d'Ávila é um Presidente de Câmara corrupto, despota e rídiculo, de uma qualquer província.
Sabe-se, por uma carta, que um Inspector-Geral - mandado pela capital - irá chegar a qualquer momento à vila.
Começa o drama. O Tribunal que não funciona há anos, o hospital imundo, as ruas uma lixeira, tudo virado do avesso. O Presidente manda limpar a cidade, Tribunal e hospital. E se o dinheiro não chegar... "usem o do saco-azul".
Dois labregos informam o Presidente que está na estalagem um hóspede há duas semanas, que não paga mas manda. ERA O INSPECTOR-GERAL... pensam...
E o melhor começa a partir daqui... equivocos, seduções, traições, festões...
O Inspector-geral mostra um João d'Ávila num registo altamente cómico, vencendo e segurando o papel muitissimo bem.
Maria do Céu Guerra é uma mulher ambiciosa, fogosa e muito, muito, provinciana... mas não muito mais que muitas das citadinas. Um registo cómico muito muito bom... de grande "mérito".
O restante elenco, melhor ou pior, aguenta bem a peça e levando-nos a bons momentos de comédia.
Um texto genial... cómico e muito sério, como tudo o que é caricatural.

Ficha Artística e Técnica

Texto de Nikolai Gogol
Espectáculo de Maria do Céu Guerra
Cenário de Maria do Céu Guerra realizado por Mário Dias
Música e Direcção Musical de António Victorino d’ Almeida
Com: Maria do Céu Guerra, João D'Ávila, Adérito Lopes, Carla Alves, Jorge Gomes, Pedro Borges,
Rita Fernandes, Sérgio Moras, Sérgio Moura Afonso, Susana Costa
participação especial: António Rodrigues e ao piano Madalena Garcia Reis
Poemas: Miguel Martins
Movimento: Catarina Santana
Vozes: Mariana Abrunheiro
Narizes: Inês de Carvalho

Montagem e Carpintaria: Mário Dias
Luminotecnia: Fernando Belo
Sonoplastia: Rui Mamede
Costureira: Inna Siryk
Apoio Técnico: Luis Thomar e José Carlos Pontes
Apoio Pintura e Cenário: Anna Trotinetkaia
Relações Públicas e Produção: Elsa Lourenço, Inês Aboim
Bilheteira: Inês Marques
Secretariado: Maria Navarro
Fotografias: Luís Rocha - MEF

Horário
5ª a Sábado às 21h45
Domingo às 17h00
na sala 1 do TeatroCinearte
de 6 de Março a 31 de Maio de 2009
M/12