domingo, fevereiro 22, 2009

Lagoa Henriques

Morreu o Mestre Lagoa Henriques



A última vez que estive com o Mestre Lagoa Henriques foi num jantar de homenagem, realizado no seu atelier, à actriz Maria do Céu Guerra. Aqui fica o "programa" do jantar, com um poema escrito pelo Mestre Lagoa Henriques a Maria do Céu Guerra.
Um dos seus últimos criativos foi a concepção/cenografia, juntamente com o Mestre Carlos Amado, do cenário para a peça "Antígona", estreada no ano passado no Teatro Cine-Arte, A Barraca, com a interpretação de, entre outros, Rita Lello, João d'Ávila, Zeca Medeiros, Ruben Garcia e Maria do Céu Guerra.

Aos 85 anos
Morreu o escultor Lagoa Henriques
22.02.2009 - 10h09 Lusa
O escultor Lagoa Henriques faleceu ontem à noite em Lisboa aos 85 anos de idade, de doença prolongada, informou hoje fonte da sua família.

O féretro de Lagoa Henriques, autor da escultura representativa do poeta Fernando Pessoa que se encontra na esplanada do Café Brasileira, no Chiado, em Lisboa, estará a partir de hoje em câmara ardente no seu atelier em Belém, também em Lisboa, a partir das 18h00 e até às 23h00, com funeral marcado para segunda-feira no Cemitério da Ajuda, às 10h30.

Mestre e motivador de sucessivas gerações de criadores artísticos, autor de desenhos e esculturas notáveis, poeta, conferencista e coleccionador de peças tão diversas como pinturas, conchas, livros, troncos de árvores e outros acervos, segundo o seu site na Internet, Lagoa Henriques "deixa um vazio" no círculo em que se movimentava.

Lagoa Henriques deixa uma obra marcada pela transfiguração das formas clássicas através do contacto directo com as pessoas, a cidade e a natureza. Exemplo emblemático dessa ligação das formas eruditas ao quotidiano é a estátuta que criou de Fernando Pessoa, sentado a uma mesa do Café A Brasileira, que o poeta frequentava para escrever e falar com os amigos.

António Augusto Lagoa Henriques, nascido em Lisboa a 27 de Dezembro de 1923, era grande admirador de Pessoa e de Cesário Verde. Dizia que Pessoa tinha sido o seu mestre da realidade interior e Cesário o mestre da realidade exterior, inspirando muitas das suas esculturas, como a do Grupo das Varinas.

O ensino foi outra grande paixão do escultor, que continou a dar aulas e a fazer conferências após completar 80 anos, nomeadamente na Escola de Superior de Belas-Artes do Porto e de Lisboa, e na Universidade Autónoma.

Costumava levar os alunos de desenho à rua para que tivessem contacto com o movimento da cidade, as pessoas, os elementos da natureza, aliando o ensino das formas clássicas à descoberta da realidade.

Foi na Escola de Belas-Artes de Lisboa que iniciou os estudos de escultura, em 1945, mas passados dois anos transferiu-se para a Escola de Belas-Artes do Porto, onde teve como referência principal da sua formação artística o professor Barata Feyo.

Finalizado o curso com nota máxima, conseguiu uma bolsa e foi estudar para Itália, orientado pelo escultor Marino Marini. Esteve ainda em França, Bélgica, Holanda, Grécia e Inglaterra, países onde conseguiu uma visão ampla do ensino do desenho e escultura que viria a introduzir em Portugal.

Regressado ao país natal, a sua carreira fica marcada, nos anos 70, pela destruição de um grande número de peças devido a um incêndio que eclodiu no seu atelier, em Lisboa.

Além da conhecida estátua de Fernando Pessoa, deixou muitas obras de arte pública em várias localidades, como o conjunto "União do Lis e Lena", no centro de Leiria, e a escultura de Alves Redol em Vila Franca de Xira, que causou polémica na altura, por ter retratado o escritor nu, apenas com a boina na cabeça.

Entre outros, recebeu o Prémio Soares dos Reis, o Prémio Teixeira Lopes, o Prémio Rotary Clube do Porto, o Prémio Diogo de Macedo e o Prémio de Escultura da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.
Jornal "Público", 22 de Fevereiro de 2009

sábado, fevereiro 21, 2009

Intérpretes de Shakespeare e de Dias Gomes


Teatro. Em Fevereiro de 1965 eram entregues os Prémios da Crítica aos actores Mariana Rey-Monteiro, Rui de Carvalho e João Lourenço. Em contrapartida, os críticos não distinguiam nenhum autor nem nenhum encenador

Sentavam-se na mesma mesa do restaurante os críticos dos jornais salazaristas e dos oposicionistas

Os salazaristas convictos liam o Diário da Manhã, o Novidades e A Voz; os oposicionistas ao regime compravam o República e o Diário de Lisboa; os indiferentes dividiam-se entre o Diário de Notícias e O Século, o Diário Popular e o Jornal do Comércio. Mas os críticos teatrais de Lisboa, como se pode ler no DN de 9 de Fevereiro de 1965, entendiam-se entre si ao ponto de pensarem formar um Clube dos Críticos, "com o fim de se constituírem em entidade juridicamente responsável, fortalecendo ainda a sua posição de autoridade e criando meios de enriquecimento intelectual entre os novos valores que surjam".

A proposta era referida pelo representante do Diário de Lisboa no almoço em que eram entregues os prémios a Mariana Rey-Monteiro ("que, deste modo, reúne pela terceira vez a maioria de votos da Crítica, agora pelo seu desempenho na peça de Valle -Inclan, as Divinas Palavras"), a Rui de Carvalho ("que reuniu, também pela segunda vez, a maioria de votos e que, este ano, foi distinguido pelo seu trabalho na comédia de Shakespeare Dente por Dente"); e a João Lourenço ("o primeiro a receber o Prémio Revelação, pela sua interpretação em O Bem Amado", de Dias Gomes). "Os críticos resolveram, por maioria, não atribuir este ano prémios a autores e a encenadores, tendo em conta a relatividade dos valores revelados." Em contrapartida, "este ano, alargando o âmbito das suas atribuições, foi decidido criar também o Prémio Revelação, que pode não ser destinado a um estreante, mas àquele dos novos que tenha revelado o seu primeiro trabalho promissor".

"Há dez anos que, por iniciativa do falecido dr. Jorge Faria [1888-1960, que iria ser homenageado nesse mês pela Universidade de Coimbra, a quem cedeu o seu espólio e onde há agora o Instituto de Estudos Teatrais Dr. Jorge de Faria], os críticos teatrais de Lisboa se reúnem para conceder o Prémio da Crítica àqueles que, a seu ver, mais se distinguiram na época anterior, como autores, actores e encenadores."

A lista dos distinguidos nos anos anteriores: Amélia Rey Colaço, Eunice Muñoz (duas vezes), Laura Alves, Teresa Mota e Lurdes Norberto (interpretação feminina); Rogério Paulo, Pedro Lemos, Assis Pacheco, Erico Braga e José de Castro (interpretação masculina); Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno e Romeu Correia (autores); Eugénio Salvador, Manuel Couto Viana, João Guedes e Paulo Renato (encenação).

"No decorrer do almoço [no restaurante Tavares Rico], o eng. Armando Ferreira, na sua qualidade de decano dos críticos, fez a entrega dos prémios, recordou pormenores da actividade dos críticos e dos criticados na época passada, lembrando ainda que se trabalha para dar aos prémios simbólicos - em pergaminho encadernado, com o nome do premiado e da peça em que se distinguiram e, ainda, as assinaturas dos que subscreveram a decisão de atribuição - significado mais amplo."

Obviamente que aos contemplados não restava outra saída que não fosse terem "palavras de cumprimentos para aqueles que os haviam elegido os melhores do ano".


FERNANDO MADAÍL, Diário de Notícias, 22 de Fevereiro de 2009

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Casa modernista e painéis de Almada em risco

Património. Uma vivenda construída nos anos 50, exemplar da arquitectura do final do movimento modernista, tem um processo de demolição integral e de construção nova em análise na Câmara de Lisboa. Ontem, alguns azulejos de Almada Negreiros foram retirados do imóvel e a autarquia embargou, para já, a remoção de quaisquer objectos

Moradia com processo pendente na CML

Um painel de azulejos da autoria de Almada Negreiros foi ontem parcialmente removido da parede de uma casa no Restelo, em Lisboa. Mas entretanto, o vereador Manuel Salgado, disse ao DN ter dado instruções para o embargo da obra, "até tudo ser esclarecido" .

A moradia, localizada na Rua da Alcolena, 28, foi construída no início dos anos 50 e depois de ter sido vendida pelos herdeiros da original proprietária - Maria da Piedade Mota Gomes - tem actualmente um processo de licenciamento de obra de construção nova em apreciação nos serviços de urbanismo da Câmara de Lisboa, cujo requerente, é a Soindol, Sociedade de Investimentos Dominiais, Lda.

Ontem, perto da hora de almoço, vários operários retiraram alguns azulejos que revestem uma das varandas da casa, com recurso a rebarbadoras. José de Almada Negreiros (filho), acompanhado das suas filhas, netas do artista plástico e autor do Manifesto Anti-Dantas, estavam incrédulos e indignados perante o que viam. "A Polícia Municipal esteve aqui, mas mal saiu, os homens voltaram ao mesmo e nada os parou", disse a familiar do artista. Ao fim da tarde, Helena Roseta, vereadora do movimento Cidadãos por Lisboa (CPL), deslocou-se ao Restelo para acompanhar de perto a situação e disse ter informado o gabinete da presidência da CML sobre o que se estava a passar. Pouco depois, chegaram elementos da Polícia Municipal que procederam a averiguações e lavraram um auto de notícia.

"O que se está a passar aqui é um atentado ao património, uma barbaridade", disse a vereadora, também arquitecta. "Curiosamente," - e Roseta chamou a atenção para o facto - "este atentado ao património acontece um dia depois de termos pedido o agendamento para discussão em reunião de câmara de uma proposta nossa que defende a abertura de um processo de classificação da moradia como imóvel de interesse municipal". No documento, as vereadoras do CPL defendem ainda a aquisição da casa (numa parceria público-privada), bem como a criação no local de um projecto-piloto de "casa-museu-atelier de artes plásticas". De acordo com Manuel Salgado, a moradia consta do "inventário municipal do património", um anexo ao PDM, facto que para Helena Roseta "implica que nada se possa fazer na casa sem que a câmara se pronuncie". O projecto pendente nos serviços de urbanismo pede a demolição total do imóvel.

Porém, segundo o DN apurou, o promotor e actual proprietário, comprou-a "sem os azulejos incluídos", cumprindo uma exigência do anterior dono. Apesar da tentativa, não obtivemos declarações do promotor até à hora de fecho desta edição.

LUÍSA BOTINAS, Diário de Notícias - 20 de Fevereiro de 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Jacques Brel - Rosa

Uma pérola...

Dulce Matos

A última vez que estive com a Dulce Matos foi num lançamento de um livro de um amigo em comum.
Ao longo dos anos fomo-nos afastando, por vicissitudes várias. Mas Natal e Aniversário não falhava. Sempre com palavras amigas e simpáticas.
Conhecemo-nos num bar, na Bica. No Baliza Bar, mais concretamente. Neste local, ocupou durante largos anos uma mesa ao fundo, bengala encostada à parede, a agenda, recortes, livros e papeis para todos os gostos pousados sobre o tampo. Em redor, sempre espaço para mais uma cadeira e muita conversa... umas vezes óptima, outras mais maçadoras.. como são sempre as conversas. Normalmente acabava a noite a dormir, encostada, como a bengala, à parede.
Mulher enérgica, organizadora de belíssimos jantares com tertúlia e convidados de primeira água.
Devo à Dulce Matos alguns dos meus grandes e bons amigos. Não os nomeio porque eles saberão quem são. Mais não seja, ficarei para sempre agradecido e para sempre em dívida. Nunca lho disse nem lho agradeci. Fica o reparo.

Notícia da morte da amiga Dulce Matos.


Morreu a filóloga Dulce Matos
Pela nossa vida passam sempre professores que nos marcam. É o caso de Dulce Matos, minha professora de Português, no curso de Administração e Línguas, no ISLA.
A sua capacidade para motivar alunos e interessá-los pelo estudo da nossa língua era invulgar. Para além de professora era amiga e continuei a encontrá-la em muitos dos trabalhos jornalísticos que fiz. Fica a mágoa por nunca ter ido a uma das várias tertúlias para as quais me convidou. Mea culpa, professora!
Um beijo enorme e obrigada por ter sido minha amiga!

Manuela Silva Reis


DULCE MATOS (1938-2009)
Faleceu, de morte súbita, na sua casa na Rua de Campolide, em Lisboa, a filóloga Dulce Matos (Maria Dulce Coelho de Matos) na madrugada de Domingo.
Presidente da Associação Cais de Culturas, com sede no bairro de Campolide, era uma figura muito conhecido das letras e das tertúlias literárias de Lisboa, estando ligada a um grupo muito expressivo de associações culturais.
Nascida em Lisboa em 17 de Novembro de 1938, frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e possuía Mestrado em Literaturas Brasileira e Africana pela mesma faculdade. Era diplomada em Língua e Literatura Francesas pelas Universidades de Toulouse Le Mirail, de Tours e de Estrasburgo e pela Alliance Française.
Exerceu com grande dedicação a actividade de palestrante / divulgadora da Literatura e Cultura Portuguesas junto de Universidades do Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Itália e, sobretudo, das comunidades portuguesas dos referidos países.
Foi colaboradora do Presidente do ICALP - Instituto de Cultura e Língua Portuguesa - para as áreas do Brasil, América Latina, África de expressão portuguesa e Senegal (1984-1985) e assistente do Professor Agostinho da Silva, Director do Centro de Estudos Latino-Americanos do Instituto de Relações Internacionais, entre 1986 a 1994.
Entre 1984 e 2006 realizou 32 viagens de divulgação cultural ao Brasil, Argentina e Uruguai, proferindo 260 palestras e realizando 20 seminários
A sua incansável actividade teve também expressão na apresentação e no prefácio de vários livros sendo amiga pessoal de grandes nomes da literatura nacional e internacional.
Foi funcionária da TAP durante muitos anos, trabalho que exerceu em paralelo com o ensino no ISLA (1978-2001) e em vários grupos culturais, onde foi uma mestra muito apreciada e querida dos seus muitos alunos, sobretudo da área do curso de Administraçção e Línguas
O funeral de Dulce Matos sairá da Basílica de Estrela na QUARTA-FEIRA, pelas 15h00 e será precedido por uma missa de corpo presente às 14h30.


Site rtp

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

É seu o papel principal




Esta é a publicidade que poderá ver em alguns cinemas de Lisboa à Companhia Teatral do Chiado.

COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO

em cena no Teatro-Estúdio Mário Viegas

A Arte do Crime
com Emanuel Arada, Simão Rubim e Vanessa Agapito
encenação de Juvenal Garcês

A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (d'uma assentada)
com Henrique Martins, Pedro Saavedra e Ricardo Cruz
encenação de Juvenal Garcês

As Vampiras Lésbicas de Sodoma
com João Carracedo, João Marta, Manuel Mendes, Pedro Luzindro, Rita Lello e Simão Rubim
encenação de Juvenal Garcês

As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos
com João Carracedo, Manuel Mendes e Simão Rubim
encenação de Juvenal Garcês

Perguntem aos Vossos Gatos e aos Vossos Cães
com Diogo Andrade, Gonçalo Ruivo, Helena Veloso e Maria Dias
encenação de Manuel Mendes

quinta-feira, fevereiro 12, 2009