sexta-feira, janeiro 30, 2009

Mamma Mia - Filme mais visto em Portugal em 2008 - Eu ajudei com umas cinco idas ao cinema...


'Mamma Mia!' foi o filme mais visto em Portugal em 2008

Soraia Chaves, a Call Girl do filme de António-Pedro Vasconcelos, levou ao cinema mais de 175 mil espectadores tornando-se, sem grande dificuldade, o filme português mais visto em 2008. Ainda assim, muito longe do anterior sucesso da actriz, O Crime do Padre Amaro, que é ainda o filme português mais visto de sempre, com mais de 380 mil espectadores.

Em 2008, e pelo segundo ano consecutivo, as salas de cinema portuguesas perderam espectadores, mas aumentaram as receitas de bilheteira, por conta da subida do preço dos ingressos, segundo o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

De acordo com dados preliminares do ICA, citados pela Lusa, em 2008 passaram 15,9 milhões de pessoas pelas salas de cinema, o que representa menos 400 mil espectadores do que em 2007. No entanto, exibidores e distribuidores contabili- zaram 69,9 milhões de euros de receita bruta de bilheteira, ou seja, mais 800 mil euros do que no ano anterior, um acréscimo que o ICA justificou com a possível subida do preço dos bilhetes.

No ano passado estrearam-se 233 longas-metragens, 14 das quais portuguesas e 106 de produção norte- -americana. O musical Mamma Mia! foi o filme mais visto, com 851 mil espectadores e 3,7 milhões de euros de receita de bilheteira.

A animação está, como sempre, nos lugares cimeiros. No anterior tinha sido Shrek 3 e Ratatui, em 2008 foi a vez de Madagáscar 2 (731 427 espectadores) e O Panda do Kung Fu (604 489). Já é costume os lugares cimeiros desta lista serem ocupados por filmes de grande entretenimento. Em 2008, além de Mamma Mia!, não podia faltar o regresso de Indiana Jones, um filme que reuniu pela quarta vez Steven Spielberg e Harrison Ford. O herói dos anos 80 continua a ter adeptos no novo milénio.

Apesar de se ter estreado a 20 de Dezembro de 2007, Call Girl, de António-Pedro Vasconcelos, liderou o ranking dos filmes portugueses mais vistos de 2008, com 175 808 espectadores. Em segundo lugar figurou Amália, o Filme, de Carlos Coelho da Silva (136 798 espectadores), e em terceiro Arte de Roubar, de Leonel Vieira (28 917 espectadores). Apesar de estarem no top do ano, estes dois filmes ficaram muito aquém das expectativas dos seus produtores.

Pelo contrário, O Meu Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes, pode ser considerado um sucesso: com os seus 20 083 espectadores foi o quarto filme português mais visto, a grande distância do quinto classificado: Cristóvão Colombo - O Enigma, de Manoel de Oliveira (5577 espectadores).

A Lusomundo, que detém 51% da quota de mercado na exibição em Portugal, foi a que mais lucrou em 2008, com 35,7 milhões de euros, largamente à frente das restantes exibidoras do ranking. A Socorama - Castello Lopes Cinemas arrecadou 13 milhões de euros e a UCI, 9,3 milhões de euros.
Diário de Notícias, 30 de Janeiro de 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Padeira de Aljubarrota que, tal como Manuel Alegre, esteve também em Argel




Auto Novo, e Curioso da Forneira de Aljubarrota, em que se contem a vida, e façanhas desta valerosa Matrona – Composto por Diogo da Costa, Lisboa, Na Officina dos Herd. de António Pedrozo Galram, MDCCXLIII (1743)

Começa a Obra

Na famosa, e sempre leal Cidade de Faro, a quem o Oceano (parecendo-lhe, que nisto lhe dá perro) lhe morde as prayas com as argentadas prezas de suas ondas, porem vendo, que lhe não póde meter dente se confessa corrido de lhe ter beijado-o pe quando lhe pretendia morder a planta: he esta famosa Cidade Metropoli do Algarve, em cujo Reyno ainda que seus moradores passão muito, com tudo sempre dão figas a muitas terras de Portugal. Esta foy a pátria da famosa Brites de Almeida, ou por outro nome, da valerosa Forneira de Aljubarrota (ainda que os desta Villa querem seja sua patrícia.)
Nasceo de pays humildes, e pobres, porém com tão altos pensamentos, que lhe parecia, que todo o Mundo era seu, pois nem sempre o inferior nascimento he índice da cobardia. Vivião seus pobres pays em huma humilde casa, ou taverna, onde ganhavão o sustento, repartindo pelo Povo o trabalhoso suor das vinhas, ou os saborosos dons do fecundo Baco: neste exercício se foy creando, e crescendo esta varonil matrona, sobindo-lhe taes fumos à cabeça, que apenas chegou a uso da razão, se foy mostrando de tal forma desarrezoada, que por qualquer cousa partia huma cabeça, o que fez muitas vezes, cuindando-se pouco no seu castigo, pelo sexo, e pouca idade, como se o corpo, que encerra grande maldade, não podesse receber igual supplicio.
Logo desde a meninice começou a ostentar animo varonil, porque em lugar de applicar ao lado da roca, somente procurava cingir a espada, e quando outras moças da sua idade a convidavão para brincarem com as suas bonecas, […] só se inclinava a formar pendências, a fingir desafios, e a jugar murros, e bofetadas, fazendo-se tão temida não só das raparigas, mas ainda dos rapazes, que em ella apparecendo, todos fogião. Chegando com estes intróitos à idade de vinte e seis annos, ficou orfãa de pay, e mãy, e vendo-se sem quem lhe podesse atalhar seu fervoroso animo, começou mais livremente a exercer suas travessuras; pois ficando-lhe algum dinheiro de seus pays, o começou a gastar com Mestres de esgrima, e em comprar boas espadas.
Nestes, e outros taes exercícios, gastou algum tempo fazendo vários crimes leves, que não os fazia mayores, porque lhe não davão motivo a isso, pelo muito, que todos a temião; mas vendo, que algum dinheiro, que de seus pays tinha herdado, estava quasi gasto, e que lhe era forçoso buscar modo de ganhar a vida, se foy arrendar huma fazenda junto a Loulé, pois não tinha génio para exercitar occupações mulheris, mas também nisso presistio pouco tempo; e foy a razão, que havia alguns mezes, tinha chegado a Faro hum soldado natural do Além-Tejo, homem valeroso, e de grandes forças, o qual ouvindo as acções de Brites de Almeida, e presenciando algumas, se abrazou em hum honesto amor de a solicitar para esposa; digo honesto amor; porque não o tinha rendido a quererlhe a fermosura, pois nella não havia motivos para ser querida pela presença, por quanto era da estatura do mais alto homem, magra mas corpulenta, a cor do resto pallida, o semblante triste e feyo, o cabello crespo, os olhos pequenos, o nariz e a boca grande, tinha seis dedos em cada mão, que logo parece, que a natureza por lisongear o seu valor quis dar com o augmento dos dedos mais motivos ao esforço de suas mãos.
Sendo este o seu retrato, se deve inferir, que somente rendeo a este infeliz amante, o vela no valor tão parecida ao seu génio, pois he a semelhança causa de amor, que podia attender, que essa mesma valentia, que nella admirava, era mayor motivo para se aborrecer, pois as mulheres somente se devem procurar prudentes, e virtuosas; porém o nosso soldado não admittio estas máximas, porque quem ama, julga prendas, o que são defeitos. Em fim sabendo, que a sua querida se tinha mudado para Loulé, se poz a caminho, e chegou em hum dia à tarde à fazenda a tempo, que ella estava assistindo à cava das vinhas, e castigando hum moço seu por certo descuido; e pedindolhe o cançado amante, que o attendesse menos irada, e mais compassiva, lhe manifestou o intento a que vinha. Estranhou ella o estylo da proposta, tanto porque no forte do seu peito nunca tinhão penetrado de amor as settas, como porque julgava o altivo de seu valor, que nenhum homem era capaz de sogeitarlhe o alvedrio. Por hum breve espaço esteve imaginando, se lhe daria a morte em resposta de seu atrevimento, e socegada por hum pouco, lhe respondeo, qual outra cruel Atalanta, que se queria dar a partido, mas de tal modo, que se elle a vencesse com a espada na mão, se rendaria ella à sua vontade; e quando elle ficasse vencido, perderia a vida aos fios da sua espada em castigo do seu atrevimento. Aceitou a condição o amante Hypomenes, porque quem ama a todo o partido se offerece; e ainda julgava pouco o arriscar a vida por merecela. E fiados cada qual no seu esforço (ainda que o infeliz amante tinha dous contrários, pois pelejava contra a sua inimiga, e contra o seu mesmo amor) meterão mão às espadas, e se começarão a atirar cruéis golpes; mas como na contenda só procurava o amante soldado vencer, e não maltratar, (pois mal offenderia, a quem amava) em breve tempo se se sentio passado pelo peito com a espada da sua cruel competidora, e cahindo em terra perdeo a vida.
Como isto succedeo à vista dos cavadores, que com alaridos tudo atroavão, lhe foy preciso retirarse pondo-se a caminho para Faro, e tendo já caminhado pouco mais de ??? léguas, olhou para traz, e vio, que vinhão em seu seguimento mais de vinte homens armados; porém quando chegarão junto della, era a tempo, que já estava cerrada a noite, que muito escura, e tempestuosa, e valendo-se de hum bosque de figueiral, entrou por elle, e ainda que a justiça a seguio, não lhe foy possível achalla por causa da cerração da noite, e obscuridade do bosque; e assim caminhando todo a noite chegou a Faro pela manhãa, e achando na praya hum batel com vela, e leme, se meteo dentro, e entregou ao mar, confiada em alguma experiencia, que tinha, com tenção de passar o Guadiana, porém começando a cahirlhe hum vento leste, a foy desviando tanto ao largo da terra, que a poucas horas a perdeo de vista.
Todo aquelle dia passou naufragando entre as ondas, sem ver mais, do que mar, e Ceo, e deitando a vela abaixo se deixou ir para onde a agua, e o vento a quizessem levar, e pondo-se a roer nas unhas (que he o costume de Poetas, e afflictos) começou a imaginarse visinha ao ultimo fim da sua vida, por quanto ainda a escapar de ter profundo monumento nas salgadas ondas, se considerava brevemente morto cadáver na tumba de hum bater, pois passavão vinte e quatro horas, que não comia, nem bebia; chegada a noite a passou nestasm e outras considerações, arrependida já dos seus desacertos, sendo o seu mayor pezar o chegarlhe tão tarde o arrependimento.
Chegado o seguinte dia mais socegado de vento, e mais tranquillo o mar, ainda que mais augmentava a interior tormenta de suas afflicçoens, esteve desesperada quasi deitando-se ao mar por não ter mais dilatada morte; e levantando os olhos, vio, que huma embarcação à vela cortava as aguas, e tornando a levantar a vela ao batel para melhor ser vista (o que muito lhe custou pela fraqueza em que estava) a poucas horas vio junto de si huma setia de Mouros: bem razão tinha de estimar o encontro, pois ainda que inimigos, lhe trazião com o cativeiro o quasi perdido alento (que há occasioes tão terríveis, que se sestejão as mesmas desgraças.) Porém levada do seu génio, e valor pegou na espada, e determinou vender a vida a troco do inimigo sangue, e chegados os Mouros, começou a porse em defeza, ameaçando com a espada ao que intentasse cativala. Muito admirados estavão os inimigos, vendo que huma só mulher se oppunha a mais de duzentos homens, e recebendo nas rodelas os golpes, que lhes atirava, saltarão dentro no batel, e a cativarão, não sem lhes custar algum sangue, ficando muito admirados do seu valor, e mais sabendo, que havia quarenta e oito horas, que não comia, nem bebia. Tratarão logo de alimentar, e se puzerão a caminho para Argel, não porque fossem satisfeitos com a preza, mas porque estavão já faltos de mantimentos.
Com a demora de quatro dias aportarão em Argel, e posta a preza em lanço, como he costume, foy comprada por hum Turco rico, e poderoso, em cujo palácio achou mais dous cativos Portuguezes, que de algum a lívio lhe sevirão na sua desgraça (porque o ter companheiros nas penas senão he remédio, he ao menos consolação). Foy logo mandada trabalhar no exercício da cosinha entre as mais servas de Hamet (que assim se chamava o Turco) cousa, que ella muito sentio por não ser costumada a exercicios feminis; e posto que pedio ao Turco, que a mandasse cavar, ou fazer outros exercícios mais trabalhosos, não forão admittidos seus rogos, e assim neste tormento esteve mais de hum anno, até que desesperada buscou occasião de fallar com os dous cativos, e lhes intimou como não solicitavão a sua liberdade. Ao que elles responderão, que era impossível não sendo com resgate. Replicou ella, que se tinhão valor lhes promettia verem-se livres brevemente: e ajustada a seguinte noite para o que intentava, se forão ambos pêra o lugar onde ella mandou, que esperassem.

António Botto - Inédito cedido por Francisco Esteves a Natália Correia


Do mesmo autor que o Super Hit de Fátima - "A 13 de Maio na Cova da Íria" - aqui fica um poema que dedico do fundo do coração a todos os acusados no Processo Casa Pia.

Nunca te foram ao cu,
nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
lavadinho, todo nu, gosto!
Sem ter pentelho nenhum,
com certeza, não desgosto,
até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.
Vou-lhes ao cu
dou-lhes conselhos,
enfim... gosto!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

A Peça Para Dois - Teatro Cinearte - A Barraca



ESTREIA A 31 de JANEIRO: “A PEÇA PARA DOIS”
de Tennessee Williams

Realidade e Sonho mesclados numa obra meta-teatral com uma aterrorizante mestria próxima do suspense de um thriller.
Quando Felice e Clare, dois Actores - irmão e irmã - em tournée, são abandonados pela sua Companhia de Teatro, num decadente “Teatro de província de uma província que ninguém sabe onde fica.” e são confrontados por um público que espera uma actuação, tentam a “Peça Para Dois” – uma ilusão dentro da ilusão, “de certeza a peça mais estranha do nosso reportório. Pessoal de mais, talvez… as personagens têm os nossos nomes e…”, afirma a dada altura Clare – uma peça em que dois irmãos, Felice e Clare, vítimas ou assassinos dos seus pais, lutam para conseguir sair de casa numa pequena cidade que já os condenou.
“Penso que é a minha mais bela peça desde Um Eléctrico Chamado Desejo” disse Tennessee Williams, “e nunca parei de trabalhar nela... é um cri de coeur, mas, em certo sentido, todo o trabalho criativo, toda a vida, é um cri de coeur.”
Um texto enigmático e extraordinário sobre os limites do Teatro e da Vida, da Máscara dentro da Máscara, sobre a evanescente fusão das realidades.

Ficha Artística e Técnica
Autor: Tennessee Williams
Tradução: Rita Lello
Espectáculo de Rita Lello
Assistência de Encenação: Tiago Cadete
Elenco: Rita Lello, Pedro Giestas
Execução Figurinos: Alda Cabrita
Luminotecnia: Fernando Belo, José Carlos Pontes
Sonoplastia: Rui Mamede
Montagem e Carpintaria: Luis Thomar, Mário Dias
Costureira: Inna Siryk
Produção: Marta Gato
Secretariado de Produção: Inês Aboim
Relações Públicas: Elsa Lourenço
Bilheteira: Inês Marques
Fotografia: Luis Rocha – MEF
Cartaz: Elsa Lourenço
Secretariado: Maria Navarro

Horário
5ª a Sábado às 20h00
Domingo às 15h00
na sala 2 do TeatroCinearte
de 31 de Janeiro a 29 de Março de 2009
Informações e Reservas: 213965360, 213965275

Maria Callas / Alfredo Kraus - Traviata - Lisboa

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Entrevista a Juvenal Garcês

Eu e o Juvenal

To be or not to be já não é uma questão existencial para a Companhia Teatral do Chiado! Entrevista exclusiva com o director e encenador da Companhia que celebrou o seu 18º aniversário no passado mês de Dezembro.Localizada nesta zona emblemática de Lisboa e fundada em 1990 pelo saudoso Mário Viegas e Juvenal Garcês, a Companhia Teatral do Chiado (CTC) conta com uma sólida carreira de 18 anos e com um fenómeno chamado “Obras Completas de Shakespeare em 97 minutos” dos americanos Daniel Singer, Adam Long e Jess Borgeson. A propósito da comemoração dos 12 anos em cena desta peça de teatro – e também dos 18 anos da companhia, a Rua de Baixo entrevistou o encenador e director artístico da CTC, Juvenal Garcês, que nos faz um balanço deste percurso e do sucesso desta peça junto do público português, nunca esquecendo a alusão ao actual panorama teatral nacional e a polémica do financiamento artístico.

RDB - “Obras completas de William Shakespeare em 97 minutos” … são 12 anos, cerca de 190 mil espectadores, 150 digressões … será que as obras já são conhecidas por todos os portugueses?

Juvenal Garcês (JG) - Acho que não… não quero ser tão megalómano a esse ponto! Mas são já conhecidas pelo menos por 180 mil espectadores - o que é um feito extraordinário - e já estar há 12 anos em cena. Confesso que nunca imaginei que tivesse tanto sucesso! Pensei que seria de 3 meses! Aconselhavam-me a não fazer este espectáculo, seria complicado em Portugal. As pessoas não conhecem Shakespeare, e fazer um espectáculo sobre as obras completas iria ser um flop. Na altura, o Mário Viegas tinha acabado de morrer e seria um risco muito grande… que eu decidi correr… Não tinha dinheiro nenhum. O espectáculo, chamado de “teatro pobre” (que de pobre não tem nada), era de montagem fácil: cenário e figurinos quase inexistentes (risos). E acabou por ser um sucesso, que tem também divulgado imenso a Companhia pelo país todo. Ou seja, o Shakespeare é de facto um grande dramaturgo e comercial (risos): tem sustentado todas as obras, todos os outros espectáculos que tenho feito nesta companhia. Shakespeare ainda continua a ser o grande motor da literatura.

RDB - Falou da questão da montagem da peça como factor de sucesso - que permite tanta mobilidade. Quais foram os outros factores?

JG - Shakespeare! E o facto de ter 3 actores fantásticos: o Simão (Rubim), o Manuel Mendes, o João Nuno Carracedo… Mas o grande mestre é o Shakespeare. Dá para tudo. E há qualquer coisa de enigmático ou de mágico na palavra de William Shakespeare.

RDB - As pessoas também têm tendência a gostar mais de comédias?

JG - A comédia sempre foi o género mais popular de sempre, o próprio Shakespeare o sabia, escreveu 16 comédias e tragédias só escreveu 10. Ou seja, ele sabia que a comédia é sempre o género mais popular.

A comédia é criticar o poder, é criticar os costumes, é descontrair… por isso as pessoas gostam. E mesmo nas tragédias, o Shakespeare tem cenas cómicas para cativar o público. As comédias sempre foram e serão o género mais popular. Como o Mário Viegas era um actor cómico por excelência e gostava muito de fazer comédias, nada melhor do que orientar uma companhia de teatro popular para as comédias.

RDB - Passados 12 anos, que agora permitem uma boa avaliação olhando para trás, mudaria algo na peça?

JG - Nada! Já nem o saberia fazer… porque é tão simples… acho que a minha cabeça já está demasiado complicada (risos)! A peça tem a ingenuidade de quem começa a encenar (na altura era a minha segunda encenação). E isso é que é o grande truque do espectáculo!

Os ingleses não fazem assim, de maneira nenhuma, fazem em 97 minutos – hora e meia, tiro e queda, com guarda-roupa fantástico, com cenário fantástico… Eu não faço nada daquilo, o cenário está a cair às três pancadas, os figurinos são sacos de batatas. E não tem hora e meia, tem quase 3 (risos).

RDB - Há pessoas que voltam a ver a peça… que é sempre diferente! Como é essa re-invenção?

JG - Há sempre uma margem de improviso. E que depende muito do público. Há espectáculos em que o público é óptimo e puxa pelos actores, é inteligente! E percebemos que o espectáculo começa a crescer. Mas o público nao é sempre o mesmo… e depende deles!

RDB - A razão do sucesso da tournée nacional é também o facto de adaptarem a peça a cada região…

JG - Sim, algumas coisas podemos adaptar, mas nem sempre… o motor de sucesso do Shakespeare é o Shakespeare!

RDB - A reacção do público não é muito diferente de local para local?

JG - Não, mas há pessoas que se chateiam (risos). Desde pessoas que ficam furiosas, insultam-nos, chamam-nos nomes… há pessoas que adoram, que já viram 10 vezes “As obras completas …”, já temos clube de fãs! Há pessoas que já vieram ver, casaram e trouxeram os filhos (risos)! E isto acontece na Companhia! Uma coisa fantástica! Como já houve pedidos de casamento durante o espectáculo… já aconteceu de tudo (risos)! Desde um padre a levantar-se, um senhor a insultar-nos… É assim. É um espectáculo vivo!i

COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO - 18 ANOS DE RELAÇÃO COM O PÚBLICO

RDB - Estava a falar na questão dos autores ingleses. Nestes 18 anos da CTC, a escolha recai maioritariamente em autores anglo-saxónicos. Porquê?

JG - Sim, mas também tenho feito autores nórdicos, tenho feito (Henrik) Ibsen, (August) Strinberg… mas mais recentemente tenho feito os ingleses. Principalmente por uma coisa: porque eles têm uma grande tradição e escola de escrita teatral – é a terra do Shakespeare - e têm grandes peças. Tenho - a CTC - “A Arte do Crime”, que é uma peça do ponto de vista de estrutura perfeita. Através das palavras ele consegue cativar o público durante duas horas. Os ingleses quando são bons, são perfeitos a construir. O teatro faz parte dos ingleses… uma coisa que em Portugal ainda não acontece… eles vão ao teatro como quem vai ao cinema.

RDB - Essa é a minha próxima questão. Falava que em Portugal não existia a cultura do teatro: é essa a razão para não escolher autores portugueses?

JG - Não… Em Portugal temos geralmente é uma grande tradição de comédia e de actores cómicos… os grandes actores que ficam normalmente são cómicos, Laura Alves, Beatriz costa, Mirita Casimiro, Vasco Santana, Ribeirinho, Mário Viegas, etc… Os grandes actores são sempre cómicos e faziam grandes comédias. A grande tradição é de facto de actores de comédia…

Vou ser sincero… nós não temos uma grande escrita a nível de escola de dramaturgia. Temos o Garrett… mas grandes peças do ponto de vista de escrita não há. Temos grandes poetas, muitos, são tantos que a gente nem fixa (risos). Mas a nível de construção de peças não temos.

RDB - Falando exactamente do público: a CTC e o próprio Juvenal dizem que o público é vosso grande patrocinador. O que distingue esta companhia das outras em Portugal para ter tanto sucesso junto do público e não precisar dos apoios?

JG - Nós não fazemos teatro à espera do subsídio! O meu sonho - e que neste momento já realizo - é o teatro sem subsídios… temos pequenas ajudas, da Câmara (de Lisboa)… que nos cede o espaço, a água e luz… mas o meu sonho é fazer de facto um teatro verdadeiramente independente, que não dependesse do Estado! Já faço, mas acho que o teatro deveria depender mais do público! Os portugueses ainda continuam a pensar que se não houver subsídio, não há teatro… e isso é completamente errado! As pessoas têm que arriscar, e isso é o que nos distingue das outras companhias. Aliás, deixei de pedir subsídios, são todos viciados, é uma pescadinha de rabo na boca… as companhias têm milhares de euros e acabam por fazer 3 espectáculos, com 30 representações cada um: ou seja, fazem 90 representações - o exigido pelo ministério - se pensarmos que o ano tem 365 dias, o que fazem nos restantes? O teatro tem por obrigação estar aberto todos os dias e esse é o meu objectivo! Aliás, neste momento temos peças a mais. Uma no auditório Carlos Paredes, a Biblia (A Bíblia: Toda a Palavra de Deus) e temos uma peça infantil na escola São João de Brito. Aqui, o Teatro Mário Viegas tem de estar aberto todos os dias: é um espaço municipal, temos de dar espectáculos às pessoas, elas têm o direito, como qualquer capital europeia civilizada, de sair à noite e se lhes apetece ir ao teatro, este estar aberto. O que não acontece em Portugal! São poucos os teatros que fazem isso…

RDB - A tal questão da gestão e da arte estarem de costas voltadas tem de mudar?

JG - Claro, claro. Se formos a ver quanto custa ao herário público - que são as pessoas coitadas que andam a pagar - quanto custa cada cadeira ao Estado … é um terror! Quando sabemos que em Portugal há pessoas que vivem com 300 euros e famílias com 600 e têm de alimentar filhos… acho que isto é um desperdício e um privilégio que ninguém deve ter.

RDB - Como é a relação da CTC com as outras companhias portuguesas?

JG - Temos pouco, aliás não há, está tudo estragado… como não fazemos parte dos subsídios, não vamos… não estamos mesmo…

RDB - No entanto a companhia é aberta a outras iniciativas?

JG - Sim, já tivemos, mas tenho um problema aqui na sala - tem apenas 100 lugares - apesar de não fazer teatro com objectivos comerciais, atenção… mas esta sala é muito pequena! Um dia gostava de voltar a fazer programas - que já fiz - mas isso teria de ter pelo menos outra sala com 200 lugares. Muitas vezes temos de fazer tournées para poder pagar o Teatro Mário Viegas, ou seja, a estrutura toda que está aqui criada, actores, produção, meninas da bilheteira, a senhora que vem limpar os camarins… há toda uma estrutura que o próprio Teatro Mário Viegas não tem cadeiras para pagar, então de vez em quando fazemos tournées.

RDB - Vamos mudar um pouco de assunto e falar dos 18 anos da companhia. No início, em 1990, o Juvenal e o Mário Viegas pensavam neste sucesso e longevidade?

JG - Não, não pensávamos. Nem no desfecho que iria ser. Nem o Mário nem eu sabíamos fazer outra coisa. E depois como éramos muito amigos, pensámos porque não haveríamos de fazer uma companhia. Mas não foi com um objectivo de muito sucesso… foi para nos divertirmos, para fazer teatro (risos).

RDB - Mas agora o discurso muda um pouco, já fala na questão comercial, no sustento da estrutura…

JG - Claro, porque tenho responsabilidades; além de ser director do Teatro Mário Viegas, sou encenador, sou director da empresa e sou sócio maioritário, e tenho pessoas a quem tenho de pagar ordenado, porque têm filhos, têm de pagar a renda, a água e luz… tenho responsabilidades sobre isso e não posso chegar ao final do mês e dizer que não tenho dinheiro para lhes pagar!

RDB - Mas não é também um dever público? Mostrar o teatro e a CTC ao resto do país, através das tournées?

JG - Exactamente! E para ganhar dinheiro para poder pagar aos actores e às pessoas que aqui trabalham!

RDB - Falando agora do Mário Viegas… 13 anos depois da sua morte, ainda sente a sua influência na direcção do Teatro?

JG - Sempre, sempre! Eu já tenho uma certa maturidade, mas claro que sou uma espécie de produto do Mário, porque tinha 18 anos quando o conheci e ele tinha 30 e muitos. Obviamente que o Mário também se inspirou em algumas coisas que eu tinha como jovem e vice-versa. Mas a minha educação e o meu gosto teatral foram muito influenciados por ele… mas eu também já tinha isso, porque o actor que eu mais gostava era já o Mário Viegas (risos)! Era a pessoa de quem eu mais gostava, a maneira de estar no teatro e na vida, que eu mais me identificava… Antes de o conhecer, de o ver… já havia uma cumplicidade de gostos e maneira de estar!

RDB - Olhando para o passado… Nestes 18 anos e há 14 que dirige o teatro, alguma coisa que mudaria?

JG - Fazem-se erros. Disparates. Já tenho 47 anos e uma certa maturidade para dizer que fiz alguns erros e que não os voltaria a fazer. O que é natural. Mas a maior parte das coisas não mudaria.

RDB - E nestes 18 anos, gostaria de destacar um ponto positivo, um ponto negativo e uma surpresa na história da CTC? Apesar de ser complicado fazer este tipo de avaliação numa carreira tão longa.

JG - Positivo, a fundação da Companhia e a minha estreia como encenador. Triste, a morte do Mário Viegas.
A surpresa, “As Obras Completas de Shakespeare em 97 minutos”. Estávamos tão mal, tão mal de dinheiro que foi uma surpresa. E toda a gente dizia que iria apenas durar 3 meses! Aquilo é uma espécie de ad eternum… há mais 10 milhões de portugueses que ainda querem ver (risos)! O Shakespeare é um marco na companhia e no teatro português! Acho que não há nenhum espectáculo que tenha 12 anos em cena!

RDB - E planos futuros?

JG - Quero continuar a fazer teatro, a divertir-me, principalmente com os meus amigos e actores que gosto. E mais nada! Fazer teatro e viver minimamente bem.
Entrevista retirada do site: Rua De Baixo

Documentário

Um rapaz que, como eu, passa férias em Santa Cruz da Trapa, fez esta pequena pérola documental. É sobre as recordações da sua casa... a mim emocionou-me muito.
É santa Cruz da Trapa e está tudo dito.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Simone de Oliveira e Ary dos Santos - Apenas o Meu Povo





Apenas o Meu Povo

Quem disse que morreu a madrugada?
Quem disse que esta noite foi perdida?
Quem pôs na minha alma magoada
As palavras mais tristes que há na vida?
Quem me disse saudade em vez de amor?
Quem me disse tristeza em vez de esperança?
Quem me lançou a pedra do terror
Matando o cantador e a criança?
Quem fez da minha espera desespero?
Quem fez da minha sede temperança?
Quem me dando tudo quanto eu quero
Da minha tempestade fez bonança?
Quem amainou os ventos do meu corpo
E saciou o mar da minha fome?
Quem foi que me venceu depois de morta
E soletrou as letras do meu nome?
Quem foi foi quem fez serva sem servir?
Quem foi que me fez escrava sem querer?
Quem foi que disse que eu podia ir
Tão longe quanto nós podemos ser?
Apenas quem me viu calada e triste
E despertou em mim um mundo novo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo

Porque Ary dos Santos morreu a 18 de Janeiro de 1984, aqui fica a homenagem. A voz de uma das artistas e amigas de Ary dos Santos e um dos poemas favoritos da mesma artista e amiga de José Carlos Ary dos Santos.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Discurso Integral de Obama

Barack Obama has been sworn in as the 44th US president. Here is his inauguration speech in full.

My fellow citizens:

I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and co-operation he has shown throughout this transition.

Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because we, the people, have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.

So it has been. So it must be with this generation of Americans.

Serious challenges

That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.

Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.

On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.

On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.

Nation of 'risk-takers'

We remain a young nation, but in the words of scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.

In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labour, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.

For us, they packed up their few worldly possessions and travelled across oceans in search of a new life.

For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and ploughed the hard earth.

For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.

'Remaking America'

Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.

This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.

For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. All this we will do.

Restoring trust

Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.

What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - that a nation cannot prosper long when it favours only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our gross domestic product, but on the reach of our prosperity; on the ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.

'Ready to lead'

As for our common defence, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our founding fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and we are ready to lead once more.

Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with the sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.

We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the spectre of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defence, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.

'Era of peace'

For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.

To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.

To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

'Duties'

As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honour them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.

For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.

Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - honesty and hard work, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.

'Gift of freedom'

This is the price and the promise of citizenship.

This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.

This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than 60 years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have travelled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:

"Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it]."

America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.

Thank you. God bless you. And God bless the United States of America.