terça-feira, janeiro 20, 2009

Primeiro discurso de Obama como Presidente.

As multidões e eu...

Há qualquer coisa no fenómeno de massas que me emociona. Muita gente por um mesmo propósito, seja ele qual for.
Um jogo de futebol apinhado de gente, o rio de luzes trémulas da Procissão das Velas de Fátima, um concerto com público em delírio ou uma nação presente para receber um novo presidente ou homenagear alguém querido (lembremo-nos, por exemplo, do funeral de Amália Rodrigues), são imagens mais do que suficientes para me emocionarem.
Até o desfile do 1º Maio último – o único a que fui – serviu para que a voz me faltasse em soluços e me tivesse de controlar para que as lágrimas não me escorressem pela cara.
Estranho fenómeno este em mim. Eu que odeio, temo e não me meto em multidões.

Cucha Carvalheiro à frente do Teatro da Trindade.



Teatro - Nova direcção assume funções em Maio

Mulher à frente do Trindade

A actriz e encenadora Cucha Carvalheiro – que o grande público conhece, também, das telenovelas nacionais – é a nova directora do Teatro da Trindade, em Lisboa, e deverá assumir funções em Maio, altura em que aquele espaço gerido pelo INATEL entrará em obras de remodelação.

A notícia foi confirmada ao CM pela própria, que acrescentou que a sua principal preocupação – e a da nova administração, em funções desde Setembro passado – é a a de assegurar, no Trindade, um teatro de serviço público.

"Queremos que o Teatro da Trindade seja o cartão-de-visita da Fundação INATEL e que tenha repercussão em todo o País, já que tem equipamentos espalhados por todos os distritos e há que assegurar a programação teatral também desses espaços."

Não querendo adiantar muito sobre a sua programação, que ainda está em fase de estruturação, Cucha Carvalheiro, uma das poucas mulheres a ser nomeadas para cargos de direcção em teatros – no ano passado Maria João Brilhante foi designada pelo Ministério da Cultura como directora do Teatro Nacional D. Maria II –, adiantou, porém que, sempre em diálogo com a administração da Fundação INATEL, pretende levar à cena teatro de repertório.

"Vou procurar fazer aquilo a que se costuma chamar teatro popular de qualidade", explicou. "Ou seja, fazer bons textos que agradem às pessoas."

Não querendo ainda avançar números sobre o orçamento disponível para a sua gestão artística, diz que está neste momento a estudar uma estratégia programativa e que a sua marca começará a ser impressa a partir de Setembro. E que se fará sentir, nomeadamente, no melhor aproveitamento dos espaços alternativos do Teatro da Trindade, a saber a Sala-Estúdio e o Café Teatro.

"Quero programar para estes espaços, que têm sido de acolhimento, mas onde queremos passar a apresentar também produção própria", conclui a actriz e encenadora.

PORMENORES

MULTIFACETADA

Cucha Carvalheiro tem 60 anos, é licenciada em Filosofia pela Universidade de Lisboa e começou a fazer teatro no Grupo Cénico de Direito. Irmã de José Fonseca e Costa, é encenadora e actriz de teatro, cinema e televisão. Escreveu vários livros e orientou inúmeros cursos de formação teatral.

MELHOR ACTRIZ DE 2004

Integrou o elenco de diversas companhias, foi co-fundadora, com Fernanda Lapa, da Escola de Mulheres – Oficina de Teatro, fez direcção de actores para televisão e assumiu a direcção artística da produtora NBP entre 2002 e 2004. Nesse mesmo ano ganhou o Globo de Ouro para Melhor Actriz de Teatro (com ‘A Cabra’, de Albee, na Comuna).

SUBSTITUI RUI SÉRGIO

Cucha Carvalheiro substitui no cargo o ainda director interino do Teatro da Trindade Rui Sérgio, que assumiu funções em Setembro de 2006, na sequência da saída de Carlos Fragateiro para o TNDM II.

Morreu João Aguardela


Morreu artífice da música popular

João Aguardela, que em 1992 com os Sitiados pôs Portugal a cantar "esta vida de marinheiro está a dar cabo de mim/rapara para parapa raparaparê’’, morreu no domingo à noite, em Lisboa, vítima de cancro. Tinha 39 anos (faria 40 em Fevereiro) e a sua morte deixa mais pobre a música portuguesa.


Orgulhoso da tradição musical portuguesa, João Aguardela foi um visionário, um artífice da música popular portuguesa. Como matéria-prima elegeu as raízes profundas, que depois casava com sonoridades contemporâneas. Em 1994, tal ousadia valeu-lhe o Prémio Revelação atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Além dos Sitiados, com quem lançou cinco discos desde a fundação em 1987 até 2000, a Aguardela se devem ainda vários outros projectos que tiveram a virtude de rejuvenescer a música portuguesa. Foram os casos de Megafone (recolhas etnográficas de Giacometti e José Alberto Sardinha com electrónica), Linha da Frente (cantando autores como Manuel Alegre, Ary dos Santos, Fernando Pessoa e Natália Correia, entre outros) e, mais recentemente, A Naifa, que conjuga o fado clássico com linguagens pop. Com este projecto lançou três discos, o último dos quais, ‘Uma Inocente Inclinação para o Mal’, data do ano passado. Exemplo da sua versatilidade (e disponibilidade), Aguardela fez ainda a banda sonora do documentário ‘Labirinto do Atum’.

O músico não quis velório e a cerimónia fúnebre realiza-se hoje (16h00) no cemitério do Alto de S. João, Lisboa.

TESTEMUNHOS

SABIA O QUE QUERIA E ERA UM ACTIVISTA: Zé Pedro, Músico, Xutos & Pontapés

Chegámos a tocar juntos no Estádio de Alvalade... Foi uma figura singular no nosso meio musical. Sabia o que queria e era um activista. Nunca baixava os braços.

PERDA IMPORTANTE E DEMASIADO CEDO: José Jorge Letria, Vice-presidente da SPA

Recebemos a notícia com surpresa e choque. Era um cooperador cordial e amigo. Com ele, perdeu-se um nome importante da nova geração de músicos. E demasiado cedo!

FAZIA COISAS COM SENTIDO: Adolfo Luxúria Canibal, Músico, Mão Morta

Fomos colegas de Direito e não estávamos juntos há muitos anos, mas, apesar de não trabalharmos no mesmo registo, eu percebia o que ele fazia. Fazia coisas com sentido.

Luís Figueiredo Silva - in: Correio da Manhã


Sitiados - Outro Parvo No Meu Lugar

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Fernando Dacosta - Os Mal-Amados



Através de casos pessoais, a presente narrativa pretende ser a evocação de uma época, de uma fractura na História de Portugal.
Ter-se nascido na ditadura (nas censuras, nas representações), vivdo a revolução (o sonho, a desmesura), contribuído para a Democracia (a liberdade, a diversidade), imergido no neoliberalismo (o lucro, a excendetarização) foram experiências-limite concedidas às gerações que, agora, começam a sair, mal-amadas, de cena. Mal-amadas por míngua de sentimentos, por excesso, ausência, desencontro, receio deles.
É a sua memória, mágoa, sarro, utopia, ousadia que aqui se encenam, nesta versão recriada so Nascido no Estado Novo.



Recentemente saído, “Os Mal-Amados”, de Fernando Dacosta, é uma espécie de segunda versão, refundida e recriada, acrescida e retemperada, de uma outra obra do autor, “Nascido no Estado Novo”. Dividida em cinco partes, começa na Primavera (da marcelista ao 25 de Abril de 1974), passando pelo Verão (quente!), pelo Estio (de Sá Carneiro às aparições de Fátima), pelo Inverno ( da guerra das colónias) acabando no Outono (do nosso descontentamento, nalguns casos). Partindo de aproximações e análises muito pessoais (e vividas) de contactos com alguns dos mitos maiores do nosso País, nos últimos 50 anos, Dacosta recorda Salazar e Cunhal, Marcelo Caetano e Mário Soares, Amália Rodrigues e Natália Correia, Agostinho da Silva e Saramago, a Irmã Lúcia e Snu Abecassis, e muitos e muitos outros nomes que fizeram a grande e a pequena história do Portugal contemporâneo. Isto por si só seria muito, mas há muito mais, há o que faz a diferença em Dacosta: uma escrita elegante e viva, inebriante de cor e de riqueza emocional, pejada de anotações e citações autênticas recolhidas das bocas dos visados, todos eles olhados com respeito e por vezes com alguma admiração, mesmo quando não estimados pelo autor (Salazar é um caso típico, já assim tratado em “As Máscaras de Salazar”, esse magnífico best seller da literatura portuguesa mais recente). Jornalista por profissão, mas ficcionista por temperamento, Dacosta mescla com extraordinária mestria a realidade dos factos com a névoa da memória emotiva e oferece-nos uma belíssima panorâmica desta terra madrasta e maravilhosa onde se erguem na glória e se afundam no desespero tantos e tantos vultos e tantos e tantos heróicos anónimos que fizeram e fazem a nossa gesta. Indispensável para reconforto da alma e para nos conhecermos um pouco melhor a nós próprios. (Ed. Casa das Artes, 2008). - Lauro António

Excerto:

Confidências de Pessoa

A meio do trajecto inclina-se para o motorista: «Por favor, em vez de levar-nos ao Príncipe Real deixe-nos no Café Martinho da Arcada». Recosta-se e comenta-me: «Vamos jantar com o Pessoa».
A sua mesa estava vaga. Dá-me o lugar que fora do poeta e senta-se de frente: «Era aqui que eu ficava».
Raramente Agostinho da Silva referia a sua relação com o autor de A Mensagem. Chegou até, incomodado com o afã das suas (de Pessoa) fanáticas universitárias, a negar que o tivesse conhecido. Num encontro ardilado por algumas, invectiveis do mesmo: «Deixem-se de coscuvilhices sobre a sua vida e estudem a sério a sua obra. Se ele entrasse aqui neste momento a pedir-lhes dinheiro para um bagaço, vocês corriam-no, nem sequer o reconheceriam.
Pedimos bacalhau com natas, água sem gás e café.
«Encontrámo-nos aqui em Dezembro de 1934. Eu tinha chegado há pouco a Lisboa, dava explicações a particulares, e entrei. Era um fim de tarde frio, chuvoso. Vi-o neste recanto, sozinho, papéis na mesa, um ovo estrelado, um copo de aguardente. Olhámo-nos. Eu lera artigos seus, ele coisas minhas. Fez sinal para o acompanhar. Quase não falou. Nem eu. Perguntou-me se queria um sol frito, era assim que chamava aos ovos estrelados. Passámos a estar juntos, discutíamos literatura, filosofia, política... Quis traçar a minha carta astrológica, mas recusei. Tinha feito a sua, iria morrer, asseverou, dentro de oito meses. Faleceu um pouco mais tarde, a 30 de Novembro de 1935».
«Nas últimas vezes que nos encontrámos, Pessoa estava invulgarmente acabrunhado. “Sinto-me muito arrependido”, disse-me, “pelas cartas de amor que escrevi a Ofélia”. Fizera-o movido pela sua irremediável fantasia heteronímica. Enfastiado, resolvera criar (interpretar) o papel de um vulgar empregado de escritório da Baixa de Lisboa, que se enamora, o que era frequente suceder, por uma vulgar colega. Para o papel desta foi buscar Ofélia, sem reparar que se tratava de uma mulher real, crédula, apaixonada. Divertiu-se durante bastante tempo (interrompeu e recomeçou o jogo do compromisso) com a escrita de ridículas cartas de amor a uma ridícula dactilógrafa carente de afecto e atenção. Quando percebeu a monstruosidade criada, caiu em si e, cerce, cortou o equívoco. A missiva onde o fazia, a última, num estilo completamente alheio ao das anteriores, é significativa disso».
Nela, escreve: «O meu destino pertence a outra lei, de cuja existência a Ofelinha nem sabe, e está subordinada cada vez mais a Mestres que não permitem nem perdoam».
Curiosamente «ninguém, até hoje, entre tantos especialistas, teses, congressos, ensaios, livros sobre ele, percebeu o drama que o dilacerou», exclama já no fresco do Terreiro do Paço, Agostinho da Silva.
Encarando-me, comenta: «Você devia escrever, no estilo de O Viúvo, um romance sobre o heterónimo em que ele se transformou no dia em que desapareceu, porque ele não morreu».

in Fernando DaCosta, Os Mal Amados, págs. 357-9, Casa Das Letras.

domingo, janeiro 18, 2009

A noite de Cristiano Ronaldo pelo Sociólogo Alberto Gonçalves


segunda-feira, 12 de Janeiro

UMA NOITE COM RONALDO

AA RTP1, "serviço público", realiza longo "directo" desde a Ópera de Zurique, mas para transmitir a gala da FIFA e a entrega do prémio de jogador do ano. A emissão prolonga-se até depois das 20h. O "telejornal" não irrompe à hora certa, a fim de não perturbar a consagração de Cristiano Ronaldo. A consagração acontece. Discurso de agradecimento e imagens de um punhado de golos do futebolista.

O Telejornal começa às 20.15 com a notícia da vitória de Ronaldo e ligação à casa da família no Funchal. De seguida, prossegue entre ligações a Zurique e ao Funchal, testemunhos de especialistas em Ronaldo e golos de Ronaldo. A terminar, uns minutos de actualidade nacional (a "vaga de frio"), internacional (o cão português de Obama) e cultural (golos de Ronaldo). Após o noticiário, entram os comentários semanais de António Vitorino, que acabam com Judite de Sousa a interrogá-lo acerca de Ronaldo e Vitorino a responder que não liga a futebol e que está muito contente com o sucesso de Ronaldo.

Por volta das 21.00, documentário sobre Ronaldo, que inclui, além de golos de Ronaldo, entrevistas a Ronaldo e a especialistas em Ronaldo, incluindo o sujeito descobriu Ronaldo em 1999 e o sujeito que descobriu Ronaldo em 1998. Tenta-se apurar o valor desportivo, comercial e sexual de Ronaldo. Fica razoavelmente apurado que Ronaldo é o maior.

Após pausa mal empregada em anúncios e num concurso, surge o Prós e Contras dedicado a debater Ronaldo, ou melhor, a debater qual dos convidados possui maior capacidade em exaltar Ronaldo. Participam treinadores de futebol, publicitários, um ex-secretário de Estado do Desporto, um secretário de Estado do Desporto, o sujeito que descobriu Ronaldo em 1997, o sujeito que o treinou dez minutos depois e o sujeito que lhe deu boleia da descoberta ao treino. Após trinta minutos em que o contributo de Ronaldo para o país ameaça ultrapassar o de Buda para o budismo, e sobretudo em que as referências ao corpo de Ronaldo se abeiram da excitação erótica, desligo o televisor.

Imagino que, perto das duas da madrugada, o primeiro-ministro tenha comunicado à nação os sentimentos que o talento de Ronaldo lhe inspira, e que às duas e quarenta o presidente da República tenha subscrito tais sentimentos (com excepção de um ponto, que vetou, e de outro, que enviou à apreciação do Tribunal Constitucional).

Diário de Notícias - Domingo, 18 de Janeiro de 2009

sexta-feira, janeiro 16, 2009

E andamos nós a mandar-lhe sapatos à cara... rosas... rosas é que deviam ser... mas com muitos espinhos...

«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo». - último discurso do Presidente Norte-Americano, George Bush "júnior"

Bolas... Não fazia ideia disto... estou chocadíssimo...

EUA: Vaticano reconhece homossexualidade nos seminários

O Vaticano reconhece que continua a haver comportamentos homossexuais nos seminários norte-americanos, apesar de defender que os responsáveis dos estabelecimentos foram eficazes em travá-los.
A Congregação para a Educação Católica analisou, face aos escândalos de abusos sexuais, a forma como as escolas educam os futuros padres nos Estados Unidos, dando especial destaque a «evidências de homossexualidade».

Num relatório, que os bispos norte-americanos divulgaram esta semana, a Congregação aponta, no passado, para «dificuldades na área da moralidade» nos seminários, que «habitualmente, mas não exclusivamente», envolviam «comportamentos homossexuais». Os examinadores da Santa Sé sustentam que «tais dificuldades foram superadas», graças à boa actuação dos responsáveis dos estabelecimentos.

Contudo, reconhecem haver «um ou outro caso de imoralidade, habitualmente comportamento homossexual», que se estende aos institutos geridos por ordens religiosas.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, janeiro 13, 2009