terça-feira, janeiro 20, 2009

Morreu João Aguardela


Morreu artífice da música popular

João Aguardela, que em 1992 com os Sitiados pôs Portugal a cantar "esta vida de marinheiro está a dar cabo de mim/rapara para parapa raparaparê’’, morreu no domingo à noite, em Lisboa, vítima de cancro. Tinha 39 anos (faria 40 em Fevereiro) e a sua morte deixa mais pobre a música portuguesa.


Orgulhoso da tradição musical portuguesa, João Aguardela foi um visionário, um artífice da música popular portuguesa. Como matéria-prima elegeu as raízes profundas, que depois casava com sonoridades contemporâneas. Em 1994, tal ousadia valeu-lhe o Prémio Revelação atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Além dos Sitiados, com quem lançou cinco discos desde a fundação em 1987 até 2000, a Aguardela se devem ainda vários outros projectos que tiveram a virtude de rejuvenescer a música portuguesa. Foram os casos de Megafone (recolhas etnográficas de Giacometti e José Alberto Sardinha com electrónica), Linha da Frente (cantando autores como Manuel Alegre, Ary dos Santos, Fernando Pessoa e Natália Correia, entre outros) e, mais recentemente, A Naifa, que conjuga o fado clássico com linguagens pop. Com este projecto lançou três discos, o último dos quais, ‘Uma Inocente Inclinação para o Mal’, data do ano passado. Exemplo da sua versatilidade (e disponibilidade), Aguardela fez ainda a banda sonora do documentário ‘Labirinto do Atum’.

O músico não quis velório e a cerimónia fúnebre realiza-se hoje (16h00) no cemitério do Alto de S. João, Lisboa.

TESTEMUNHOS

SABIA O QUE QUERIA E ERA UM ACTIVISTA: Zé Pedro, Músico, Xutos & Pontapés

Chegámos a tocar juntos no Estádio de Alvalade... Foi uma figura singular no nosso meio musical. Sabia o que queria e era um activista. Nunca baixava os braços.

PERDA IMPORTANTE E DEMASIADO CEDO: José Jorge Letria, Vice-presidente da SPA

Recebemos a notícia com surpresa e choque. Era um cooperador cordial e amigo. Com ele, perdeu-se um nome importante da nova geração de músicos. E demasiado cedo!

FAZIA COISAS COM SENTIDO: Adolfo Luxúria Canibal, Músico, Mão Morta

Fomos colegas de Direito e não estávamos juntos há muitos anos, mas, apesar de não trabalharmos no mesmo registo, eu percebia o que ele fazia. Fazia coisas com sentido.

Luís Figueiredo Silva - in: Correio da Manhã


Sitiados - Outro Parvo No Meu Lugar

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Fernando Dacosta - Os Mal-Amados



Através de casos pessoais, a presente narrativa pretende ser a evocação de uma época, de uma fractura na História de Portugal.
Ter-se nascido na ditadura (nas censuras, nas representações), vivdo a revolução (o sonho, a desmesura), contribuído para a Democracia (a liberdade, a diversidade), imergido no neoliberalismo (o lucro, a excendetarização) foram experiências-limite concedidas às gerações que, agora, começam a sair, mal-amadas, de cena. Mal-amadas por míngua de sentimentos, por excesso, ausência, desencontro, receio deles.
É a sua memória, mágoa, sarro, utopia, ousadia que aqui se encenam, nesta versão recriada so Nascido no Estado Novo.



Recentemente saído, “Os Mal-Amados”, de Fernando Dacosta, é uma espécie de segunda versão, refundida e recriada, acrescida e retemperada, de uma outra obra do autor, “Nascido no Estado Novo”. Dividida em cinco partes, começa na Primavera (da marcelista ao 25 de Abril de 1974), passando pelo Verão (quente!), pelo Estio (de Sá Carneiro às aparições de Fátima), pelo Inverno ( da guerra das colónias) acabando no Outono (do nosso descontentamento, nalguns casos). Partindo de aproximações e análises muito pessoais (e vividas) de contactos com alguns dos mitos maiores do nosso País, nos últimos 50 anos, Dacosta recorda Salazar e Cunhal, Marcelo Caetano e Mário Soares, Amália Rodrigues e Natália Correia, Agostinho da Silva e Saramago, a Irmã Lúcia e Snu Abecassis, e muitos e muitos outros nomes que fizeram a grande e a pequena história do Portugal contemporâneo. Isto por si só seria muito, mas há muito mais, há o que faz a diferença em Dacosta: uma escrita elegante e viva, inebriante de cor e de riqueza emocional, pejada de anotações e citações autênticas recolhidas das bocas dos visados, todos eles olhados com respeito e por vezes com alguma admiração, mesmo quando não estimados pelo autor (Salazar é um caso típico, já assim tratado em “As Máscaras de Salazar”, esse magnífico best seller da literatura portuguesa mais recente). Jornalista por profissão, mas ficcionista por temperamento, Dacosta mescla com extraordinária mestria a realidade dos factos com a névoa da memória emotiva e oferece-nos uma belíssima panorâmica desta terra madrasta e maravilhosa onde se erguem na glória e se afundam no desespero tantos e tantos vultos e tantos e tantos heróicos anónimos que fizeram e fazem a nossa gesta. Indispensável para reconforto da alma e para nos conhecermos um pouco melhor a nós próprios. (Ed. Casa das Artes, 2008). - Lauro António

Excerto:

Confidências de Pessoa

A meio do trajecto inclina-se para o motorista: «Por favor, em vez de levar-nos ao Príncipe Real deixe-nos no Café Martinho da Arcada». Recosta-se e comenta-me: «Vamos jantar com o Pessoa».
A sua mesa estava vaga. Dá-me o lugar que fora do poeta e senta-se de frente: «Era aqui que eu ficava».
Raramente Agostinho da Silva referia a sua relação com o autor de A Mensagem. Chegou até, incomodado com o afã das suas (de Pessoa) fanáticas universitárias, a negar que o tivesse conhecido. Num encontro ardilado por algumas, invectiveis do mesmo: «Deixem-se de coscuvilhices sobre a sua vida e estudem a sério a sua obra. Se ele entrasse aqui neste momento a pedir-lhes dinheiro para um bagaço, vocês corriam-no, nem sequer o reconheceriam.
Pedimos bacalhau com natas, água sem gás e café.
«Encontrámo-nos aqui em Dezembro de 1934. Eu tinha chegado há pouco a Lisboa, dava explicações a particulares, e entrei. Era um fim de tarde frio, chuvoso. Vi-o neste recanto, sozinho, papéis na mesa, um ovo estrelado, um copo de aguardente. Olhámo-nos. Eu lera artigos seus, ele coisas minhas. Fez sinal para o acompanhar. Quase não falou. Nem eu. Perguntou-me se queria um sol frito, era assim que chamava aos ovos estrelados. Passámos a estar juntos, discutíamos literatura, filosofia, política... Quis traçar a minha carta astrológica, mas recusei. Tinha feito a sua, iria morrer, asseverou, dentro de oito meses. Faleceu um pouco mais tarde, a 30 de Novembro de 1935».
«Nas últimas vezes que nos encontrámos, Pessoa estava invulgarmente acabrunhado. “Sinto-me muito arrependido”, disse-me, “pelas cartas de amor que escrevi a Ofélia”. Fizera-o movido pela sua irremediável fantasia heteronímica. Enfastiado, resolvera criar (interpretar) o papel de um vulgar empregado de escritório da Baixa de Lisboa, que se enamora, o que era frequente suceder, por uma vulgar colega. Para o papel desta foi buscar Ofélia, sem reparar que se tratava de uma mulher real, crédula, apaixonada. Divertiu-se durante bastante tempo (interrompeu e recomeçou o jogo do compromisso) com a escrita de ridículas cartas de amor a uma ridícula dactilógrafa carente de afecto e atenção. Quando percebeu a monstruosidade criada, caiu em si e, cerce, cortou o equívoco. A missiva onde o fazia, a última, num estilo completamente alheio ao das anteriores, é significativa disso».
Nela, escreve: «O meu destino pertence a outra lei, de cuja existência a Ofelinha nem sabe, e está subordinada cada vez mais a Mestres que não permitem nem perdoam».
Curiosamente «ninguém, até hoje, entre tantos especialistas, teses, congressos, ensaios, livros sobre ele, percebeu o drama que o dilacerou», exclama já no fresco do Terreiro do Paço, Agostinho da Silva.
Encarando-me, comenta: «Você devia escrever, no estilo de O Viúvo, um romance sobre o heterónimo em que ele se transformou no dia em que desapareceu, porque ele não morreu».

in Fernando DaCosta, Os Mal Amados, págs. 357-9, Casa Das Letras.

domingo, janeiro 18, 2009

A noite de Cristiano Ronaldo pelo Sociólogo Alberto Gonçalves


segunda-feira, 12 de Janeiro

UMA NOITE COM RONALDO

AA RTP1, "serviço público", realiza longo "directo" desde a Ópera de Zurique, mas para transmitir a gala da FIFA e a entrega do prémio de jogador do ano. A emissão prolonga-se até depois das 20h. O "telejornal" não irrompe à hora certa, a fim de não perturbar a consagração de Cristiano Ronaldo. A consagração acontece. Discurso de agradecimento e imagens de um punhado de golos do futebolista.

O Telejornal começa às 20.15 com a notícia da vitória de Ronaldo e ligação à casa da família no Funchal. De seguida, prossegue entre ligações a Zurique e ao Funchal, testemunhos de especialistas em Ronaldo e golos de Ronaldo. A terminar, uns minutos de actualidade nacional (a "vaga de frio"), internacional (o cão português de Obama) e cultural (golos de Ronaldo). Após o noticiário, entram os comentários semanais de António Vitorino, que acabam com Judite de Sousa a interrogá-lo acerca de Ronaldo e Vitorino a responder que não liga a futebol e que está muito contente com o sucesso de Ronaldo.

Por volta das 21.00, documentário sobre Ronaldo, que inclui, além de golos de Ronaldo, entrevistas a Ronaldo e a especialistas em Ronaldo, incluindo o sujeito descobriu Ronaldo em 1999 e o sujeito que descobriu Ronaldo em 1998. Tenta-se apurar o valor desportivo, comercial e sexual de Ronaldo. Fica razoavelmente apurado que Ronaldo é o maior.

Após pausa mal empregada em anúncios e num concurso, surge o Prós e Contras dedicado a debater Ronaldo, ou melhor, a debater qual dos convidados possui maior capacidade em exaltar Ronaldo. Participam treinadores de futebol, publicitários, um ex-secretário de Estado do Desporto, um secretário de Estado do Desporto, o sujeito que descobriu Ronaldo em 1997, o sujeito que o treinou dez minutos depois e o sujeito que lhe deu boleia da descoberta ao treino. Após trinta minutos em que o contributo de Ronaldo para o país ameaça ultrapassar o de Buda para o budismo, e sobretudo em que as referências ao corpo de Ronaldo se abeiram da excitação erótica, desligo o televisor.

Imagino que, perto das duas da madrugada, o primeiro-ministro tenha comunicado à nação os sentimentos que o talento de Ronaldo lhe inspira, e que às duas e quarenta o presidente da República tenha subscrito tais sentimentos (com excepção de um ponto, que vetou, e de outro, que enviou à apreciação do Tribunal Constitucional).

Diário de Notícias - Domingo, 18 de Janeiro de 2009

sexta-feira, janeiro 16, 2009

E andamos nós a mandar-lhe sapatos à cara... rosas... rosas é que deviam ser... mas com muitos espinhos...

«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo». - último discurso do Presidente Norte-Americano, George Bush "júnior"

Bolas... Não fazia ideia disto... estou chocadíssimo...

EUA: Vaticano reconhece homossexualidade nos seminários

O Vaticano reconhece que continua a haver comportamentos homossexuais nos seminários norte-americanos, apesar de defender que os responsáveis dos estabelecimentos foram eficazes em travá-los.
A Congregação para a Educação Católica analisou, face aos escândalos de abusos sexuais, a forma como as escolas educam os futuros padres nos Estados Unidos, dando especial destaque a «evidências de homossexualidade».

Num relatório, que os bispos norte-americanos divulgaram esta semana, a Congregação aponta, no passado, para «dificuldades na área da moralidade» nos seminários, que «habitualmente, mas não exclusivamente», envolviam «comportamentos homossexuais». Os examinadores da Santa Sé sustentam que «tais dificuldades foram superadas», graças à boa actuação dos responsáveis dos estabelecimentos.

Contudo, reconhecem haver «um ou outro caso de imoralidade, habitualmente comportamento homossexual», que se estende aos institutos geridos por ordens religiosas.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, janeiro 13, 2009

É a peça que está há mais tempo nos palcos portugueses



As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos

Será este o inicio do fim da crise????

EUA
Cão de água português pode ser escolhido para companheiro das filhas de Barack Obama
Um cão de água português poderá ser o futuro companheiro de brincadeiras das filhas do presidente eleito dos EUA, conforme revelou hoje Barack Obama - in: jornal "Sol"
Futebol
Cavaco elogia jogador
O Presidente da República felicitou hoje o futebolista português Cristiano Ronaldo pelo título de Melhor Jogador do Mundo de 2008 atribuído pela FIFA, elogiando o seu «elevado nível desportivo». - in: jornal "Sol"
Vida
Quanto vale Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães é a prova de que a discrição compensa: afastada do pequeno ecrã em 2008, a estrela da SIC assinou de uma assentada dois contratos com marcas: o Millennium e a L´Oréal. Os cachets são elevados, mas Bárbara vale o que ganha. «É inteligente, bonita, próxima e simpática», diz o BCP. - in: jornal "Sol"
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições», diz Jardim
Em entrevista à SIC, Alberto João Jardim afirmou que basta que a líder do PSD lhe dê a garantia de derrotar o PS, para ele «vestir a camisola» da actual direcção social-democrata.
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições. Eu luto ao lado de qualquer um que estiver em condições de ganhar as eleições», disse.
«Se a dra. Ferreira Leite está em condições de correr com Sócrates e dar um novo caminho ao país, no dia seguinte, eu tirarei a camisa e estarei ali ao lado dela», acrescentou. - in: TSF

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Estreia já em Janeiro, no Teatro Cine-Arte/A Barraca


Carta

Foi com grande surpresa que recebemos por email uma belissima carta de um dos poucos amigos do meu avô - que morreu no início de Janeiro de 2009 - que ainda restam.
Para vocês não dirá muito... para mim diz tudo. Para que fique em arquivo, publico-a:
Cher José Manuel Ferreira,
Merci de vos nouvelles, et mes sincères condoléances pour la perte de feu votre père qui était un de mes meilleures amis et compagnons dans la vie professionnelle du textil. Nous avons passé de maintes heures et jours ensembles en beaucoup d'années. Il était un bon et toujours très correcte représentant qui nous aidait à avoir une bonne place dans les ventes des produits suisses au Portugal, et de bonnes relations avec nos clients. Je le garderai toujours avec de souvenirs de sympathie et respect dans ma mémoire.
Quand je reprenait (dans les années 60!) de mon prédecesseur la réorganisation des ventes au Portual pour la Maison Mettler, je le nommait représentant en raison de recommandations de la part de mes amis Bernasconi et Lamperti de la Maison Bischoff-Textil qui travaillaient déjà avec lui. Ensuite feu votre père passait l'agence à son collaborateur Miguel Valhelhas avec lequel - assisté par M. Eduard Tavares - on voyageait une à deux fois par année depuis Lisbonne au Nord du Portugal comme c'était l'habitude de feu votre père. Évidemment, la cathégorie de clientèle changeait énorment au courant des années.
Votre père m'écrivait encore le 19-12-2008 dernier une jolie lettre de voeux pour l'Année Nouvelle et c'était donc sa dernière lettre. Il y parlait de son âge de 101 ans et de ses 6 neuveux et ses 5 bis-neuveux ! Il jouissait sans doute de l'amour que votre belle famille lui dédiait. Ma femme et moi, nous admirions la parfaite calligraphie avec laquelle feu votre père savait encore écrire à cette age, et formuler clairement ce qui pensait. Si vous le désirez, je peux vous envoyer cette lettre, car à mon âge de 78 ans je suis obligé de réduire mes archives ....
Vous êtres probablement le fils de mon ami Delfim duquel il parlait avec l'indication "mon fils dentiste", mais nous avons en réalité rarement étendu nos conversations sur les vies familiaires réciproques. Il savait que je suis marié avec une éspagnole, et que assez souvent mes voyages au Portugal étaient liés avec ou par des voyages à l'Espagne.
Merci de votre photo, et encore de votre E-Mail, et je vous envoie mes meilleures salutations et voeux pour votre belle famille.
Sincèrement
Thomas & MariaRosa Clerici - Gols