terça-feira, janeiro 13, 2009

É a peça que está há mais tempo nos palcos portugueses



As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos

Será este o inicio do fim da crise????

EUA
Cão de água português pode ser escolhido para companheiro das filhas de Barack Obama
Um cão de água português poderá ser o futuro companheiro de brincadeiras das filhas do presidente eleito dos EUA, conforme revelou hoje Barack Obama - in: jornal "Sol"
Futebol
Cavaco elogia jogador
O Presidente da República felicitou hoje o futebolista português Cristiano Ronaldo pelo título de Melhor Jogador do Mundo de 2008 atribuído pela FIFA, elogiando o seu «elevado nível desportivo». - in: jornal "Sol"
Vida
Quanto vale Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães é a prova de que a discrição compensa: afastada do pequeno ecrã em 2008, a estrela da SIC assinou de uma assentada dois contratos com marcas: o Millennium e a L´Oréal. Os cachets são elevados, mas Bárbara vale o que ganha. «É inteligente, bonita, próxima e simpática», diz o BCP. - in: jornal "Sol"
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições», diz Jardim
Em entrevista à SIC, Alberto João Jardim afirmou que basta que a líder do PSD lhe dê a garantia de derrotar o PS, para ele «vestir a camisola» da actual direcção social-democrata.
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições. Eu luto ao lado de qualquer um que estiver em condições de ganhar as eleições», disse.
«Se a dra. Ferreira Leite está em condições de correr com Sócrates e dar um novo caminho ao país, no dia seguinte, eu tirarei a camisa e estarei ali ao lado dela», acrescentou. - in: TSF

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Estreia já em Janeiro, no Teatro Cine-Arte/A Barraca


Carta

Foi com grande surpresa que recebemos por email uma belissima carta de um dos poucos amigos do meu avô - que morreu no início de Janeiro de 2009 - que ainda restam.
Para vocês não dirá muito... para mim diz tudo. Para que fique em arquivo, publico-a:
Cher José Manuel Ferreira,
Merci de vos nouvelles, et mes sincères condoléances pour la perte de feu votre père qui était un de mes meilleures amis et compagnons dans la vie professionnelle du textil. Nous avons passé de maintes heures et jours ensembles en beaucoup d'années. Il était un bon et toujours très correcte représentant qui nous aidait à avoir une bonne place dans les ventes des produits suisses au Portugal, et de bonnes relations avec nos clients. Je le garderai toujours avec de souvenirs de sympathie et respect dans ma mémoire.
Quand je reprenait (dans les années 60!) de mon prédecesseur la réorganisation des ventes au Portual pour la Maison Mettler, je le nommait représentant en raison de recommandations de la part de mes amis Bernasconi et Lamperti de la Maison Bischoff-Textil qui travaillaient déjà avec lui. Ensuite feu votre père passait l'agence à son collaborateur Miguel Valhelhas avec lequel - assisté par M. Eduard Tavares - on voyageait une à deux fois par année depuis Lisbonne au Nord du Portugal comme c'était l'habitude de feu votre père. Évidemment, la cathégorie de clientèle changeait énorment au courant des années.
Votre père m'écrivait encore le 19-12-2008 dernier une jolie lettre de voeux pour l'Année Nouvelle et c'était donc sa dernière lettre. Il y parlait de son âge de 101 ans et de ses 6 neuveux et ses 5 bis-neuveux ! Il jouissait sans doute de l'amour que votre belle famille lui dédiait. Ma femme et moi, nous admirions la parfaite calligraphie avec laquelle feu votre père savait encore écrire à cette age, et formuler clairement ce qui pensait. Si vous le désirez, je peux vous envoyer cette lettre, car à mon âge de 78 ans je suis obligé de réduire mes archives ....
Vous êtres probablement le fils de mon ami Delfim duquel il parlait avec l'indication "mon fils dentiste", mais nous avons en réalité rarement étendu nos conversations sur les vies familiaires réciproques. Il savait que je suis marié avec une éspagnole, et que assez souvent mes voyages au Portugal étaient liés avec ou par des voyages à l'Espagne.
Merci de votre photo, et encore de votre E-Mail, et je vous envoie mes meilleures salutations et voeux pour votre belle famille.
Sincèrement
Thomas & MariaRosa Clerici - Gols

domingo, janeiro 11, 2009

Jessye Norman



La Marseillaise, interpretada em París, em 1989, nos 200 anos da Revolução Francesa - La marsellesa. Jessye Norman,Place de la Concorde, Paris, France, July 14, 1989, "La Marseillaise".

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé.
L'étendard sanglant est levé:
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats!
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils et vos compagnes.

Aux armes citoyens,
Formez vos bataillons.
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons

Que veut cette horde d'esclaves
De traîtres, de rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves
Ces fers dès longtemps préparés
Ces fers dès longtemps préparés
Français, pour nous, Ah quel outrage
Quel transport il doit exciter!
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage

Quoi! Des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! Ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers.
Terrasseraient nos fiers guerriers.
Grand Dieu! Par des mains enchaînées
Nos fronts, sous le joug, se ploieraient.
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées

Tremblez tyrans, et vous perfides
L'opprobe de tous les partis.
Tremblez, vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix!
Vont enfin recevoir leur prix!
Tout est soldat pour vous combattre.
S'ils tombent nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux
Contre vous, tous prêts à se battre

Français en guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups.
Épargnez ces tristes victimes
A regrets s'armant contre nous!
A regrets s'armant contre nous!
Mais ce despote sanguinaire
Mais les complices de Bouillé
Tous les tigres qui sans pitié
Déchirent le sein de leur mère!

Amour Sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos braves vengeurs.
Liberté, Liberté chérie
Combats avec tes défenseurs
Combats avec tes défenseurs
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et nous, notre gloire

(« Couplet des enfants »)

Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leur vertus!
Et la trace de leur vertus!
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil.
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre

Aux armes citoyens,
Formez vos bataillons.
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons

Em Português

Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
Contra nós, da tirania
O estandarte ensanguentado se ergueu.
O estandarte ensanguentado se ergueu.
Ouvis nos campos
Rugirem esses ferozes soldados?
Vêm eles até aos nossos braços
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Que um sangue impuro
Agüe o nosso arado

2
O que quer essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados?
Esses grilhões há muito tempo preparados?
Franceses! A vós, ah! que ultraje!
Que comoção deve suscitar!
É a nós que consideram
retornar à antiga escravidão!

3
O quê! Tais multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
O quê! Essas falanges mercenárias
Arrasariam os nossos nobres guerreiros
Arrasariam os nossos nobres guerreiros
Grande Deus! Por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Os mestres dos nossos destinos!

4
Tremei, tiranos! e vós pérfidos,
O opróbrio de todos os partidos,
Tremei! vossos projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço!
Vão enfim receber seu preço!
Somos todos soldados para vos combater.
Se tombam os nossos jovens heróis
A terra de novo os produz
Contra vós, todos prontos a vos vencer!

5
Franceses, guerreiros magnânimos,
Levai ou retende os vossos tiros!
Poupai essas tristes vítimas
A contragosto armando-se contra nós.
A contragosto armando-se contra nós.
Mas esses déspotas sanguinários
Mas os cúmplices de Bouillé,
Todos os tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!

6
Amor Sagrado pela Pátria
Conduz, sustém-nos os braços vingativos.
Liberdade, liberdade querida,
Combate com os teus defensores!
Combate com os teus defensores!
Sob as nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo, e nós a nossa glória.

A estrofe seguinte, a sétima, cujo autor continua até hoje desconhecido, foi acrescida em 1792.

7
Entraremos na batalha
Quando nossos anciãos não mais lá estiverem.
Lá encontraremos as suas cinzas
E o resquício das suas virtudes!
E o resquício das suas virtudes!
Bem menos desejosos de lhes sobreviver
Que de partilhar o seu esquife,
Teremos o sublime orgulho
De os vingar ou os seguir.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Al Jarreau e Your Song

Um dos meus cantores favoritos interpreta magistralmente umas das minhas canções favoritas: Al Jarreau e Your Song.

sábado, janeiro 03, 2009

Avô Delfim - 1907 - 2009

Há cerca de dois anos e tal atrás coloquei um post em comemoração dos 99 anos de idade do meu avô Delfim. Pessoa de quem muito me orgulho e que me deixou, para sempre, esta madrugada. Resolvi reler o que então tinha escrito... não altero uma única linha e apetece-me voltar a colocá-lo no blog para mim, para os meus pais, irmãos, sobrinhos, amigos e, sobretudo, para a minha avó.
Desculpem a repetição.

No próximo Sábado, dia 14, o meu Avô paterno - Delfim - vai comemorar 99 anos de vida... 99 anos. Como ele próprio refere - em jeito de resumo de uma vida - nasceu numa Monarquia, viu nascer a República, sobreviveu a duas Grandes Guerras, sobreviveu ao Salazarismo e tenta sobreviver aos "Carroceiros" (expressão usada pelo próprio) que depois dele vieram. Acha o Mário Soares um "palhaço" e um "chéché", o Jorge Sampaio um "piegas", o Sócrates um "vaidoso" e Guterres um "merdas"... Só para nomear alguns.
Lembra-se de instalarem a luz electrica no Porto (de onde é natural), referindo sempre que esta, tal como hoje a TvCabo, só era instalada em algumas divisões da casa.
Viveu intensamente (enquanto solteiro, claro!) o Parque Mayer, contando histórias perfeitamente "surreais", em episódios cómicos que eu só julgava possíveis nas rábulas dos filmes antigos portugueses ou do velho, enquanto novo, Raul Solnado (quantas vezes não o ouvi a rir e a contar a célebre rábula do Soldado da Guerra).
Fez da Baixa e do Chiado a sua segunda casa (duplex, portanto). Até há muito pouco tempo ainda lá ia tomar o seu café ao sitio do costume. Agora já não vai. "Morreram todos... eramos por vezes mais de 30, agora só resto eu", diz... sorrindo e ironizando.
Escreve-lhe ainda um amigo, mais novo (uns 80 e tal) a quem ele dera emprego no seu escritório da Rua da Madalena. Mas escreve da Suiça (País, não a Pastelaria).
A Rua dos Fanqueiros, continua a ser aquela rua onde tudo se encontra e onde "apenas lá é que arranjas isso que procuras", diz... e quem se atreve a tentar convencê-lo do contrário?!?!
Não faz muito tempo perguntou-me se o Nina, no Largo do Picadeiro, ainda tinha por lá umas espanholas. Ficou contentissimo por saber que tal "espaço de convivio" ainda existia, embora as nacionalidades que por lá passem sejam mais viradas a Leste.
Deixou de ler o jornal "O Diabo". Descobriu as maravilhas do "Compact Disc", embora eu ache que ele nem se apercebeu da mudança do Vinil para a Cassette. Primeira encomenda? Um CD do Carlos Paredes.
Só no ano passado, deixou o seu único cigarro diário, embora não dispense um cálice de Porto, Lacrima, Contreau ou Licor Beirão. Por Lagosta ou Camarões é capaz de dançar o vira.
Continua vaidoso. Sempre impecavelmente bem vestido, penteado, barbeado e cheiroso.
Na vida profissional era representante de grandes marcas internacionais de tecidos. Pelo toque percebe logo se um tecido é bom ou mau. Normalmente diz sempre que é mau... no tempo dele é que era... e devia ser. Mas mostrar uma peça de roupa nova ao meu Avô pode ser a coisa mais frustante deste mundo. Eu já não o faço. Quase que chorou quando encerraram o Marks & Spencer da Avenida Guerra Junqueiro. Contenta-se agora com a Springfield, de que - até - não diz mal.
Para ele os espanhóis são o melhor que o mundo tem. Depois sim, vêm as crianças. Ele ainda tem um costela de São Tiago de Compostela... mas não precisava de exagerar. Deve odiar o Nuno Álvares Pereira e a Batalha de Aljubarrota... hei-de perguntar-lhe.
Os padres nunca o convenceram... Quando da cerimónia religiosa dos 50 anos de casado, a minha Avó obrigou-o a confessar-se. Esteve que tempos fechado com o padre - padre Apolinário - no confessionário. A minha avó, comovida e, por certo, aliviada, pensava que ele estava a expiar os 50 anos de pecados cometidos e nunca confessados. Claro que não... futebol foi o tema de conversa entre confessor e confessado... Deus foi o árbitro.
Tardes inteiras passámos (eu e os meus irmãos) a jogar Biriba (jogo de cartas oriundo do Brasil) ou Krapô (será assim que se escreve??); e a minha Avó (normalmente na equipa adversária) a refilar da "caganeira" monstruosa que ele tem a jogar seja o que fôr.
Faz-lhe impressão os preguiçosos ou aqueles que vivem bem sem trabalharem... "aquele malandro vive do quê, afinal?".
Só no ano passado começou a usar bengala. Não queria nada. "Disparate... usar bengala é para velhos... eu não estou velho. Hum...". Gargalhada geral, pois tá claro.
O seu sonho, neste momento, é chegar aos 100 anos e ir directo à Multiopticas usufruir dos "descontos iguais à idade"... e se fizer 101 não me admira se lá fôr receber a percentagem de lucro.
Escrevo tudo isto não sei porquê!!! Memórias que ficam já registadas. No fundo, talvez seja o orgulho de ter um avô com esta vivência, idade e total usufruto de todas as suas capacidades. Ou porque me assusta a aproximação da data do aniversário. Já lá vai o tempo em que me entusiasmavam os aniversários da minha familia mais chegada. Agora já não. Assustam-me. Fico triste ao olhar a mesa, todos em redor dela... e para o ano? A mesa será composta por todos, tal qual, como no ano anterior? E se faltar alguém? Já falta um, o avô materno. E faz falta, muita. Não quero que falte jamais mais ninguém... se assim fosse...
Quem me dera ser como o David e escrever isto, com a perfeita consciência da finitude... e a sua aceitação:

Ladainha dos póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

David Mourão-Ferreira, in "Cancioneiro de Natal"
Mas não deixa de ser uma cadeia fantástica. Do meu Avô criou-se um filho; este fez-se Pai de seis; destes já se geraram quatro. Estará assegurada a minha sobrevivência acompanhada - e não solitária - neste mundo?
E já agora? O que é que se compra de prenda de aniversário a uma pessoa que faz 99 anos???
Aceitam-se sugestões.

sexta-feira, dezembro 26, 2008