A minha cena favorita do filme Mamma Mia. Completo e boa imagem. Muito teatro em cinema. Grande interpretação da Streep.
Poesia, musica, celebridades, teatro, cinema, selecção de textos, poetas e escritores, banalidades, fotografias, arte, literatura, pintura e muita conversa.
sexta-feira, novembro 21, 2008
domingo, novembro 16, 2008
sexta-feira, novembro 14, 2008
Os filhos menores de 50 anos de Carreira

A Valentim de Carvalho aproveitou os festejos dos 50 anos de carreira de Simone de Oliveira para lançar uma espécie de best-of da referida artista. O resultado é, no mínimo, desastroso. Passo a explicar.
Quem lê regularmente este blog sabe perfeitamente da admiração e do gosto pela carreira e pela figura de Simone de Oliveira. É raro o mês que não faço uma menção à artista, seja por algum concerto seja por uma música ou uma atitude. Custa-me por isso o lançamento deste disco.
É composto por dois CD's: um supostamente de clássicos e outro de versões. A distinção é já de si errada.
Do primeiro Cd consta: Desfolhada Portuguesa - Começar de Novo - Nem Eu Nem Vocês - Não Te Peço Palavras - Avé-Maria do Povo - Sensatez - De Saudade Em Saudade - Já Ouviste O Mar - Praia de Outono - Canção Cigana - Olhos Nos Olhos - Sol de Inverno - Canção Ao Meu Velho Piano - Pingos de Chuva - Nunca Mais A Solidão - As Palavras Que Eu Cantei - Apenas o Meu Povo - Mulher Presente.
Do segundo Cd consta: Yesterday (beatles) - Estranhos Na Noite/Strangers In The Night (Frank Sinatra) - Não Me Vais Deixar/Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel) - Alguém Que Teve Coração/Anyone Who Had A Heart (Burt Bacharach) - As Coisas De Que Eu Gosto/My Favorite Things (Julie Andrews) - Aqueles Dias Felizes/Those Were The Days (Mary Hopkin) - Marionette/Puppet On A String (Sandie Shaw) - A Banda (Chico Buarque de Hollanda) - Falar Com Os Animais/Dr. Doolittle (Dr. Doolitle) - Eu Dançaria Assim/I Could Have Dance All Night ("My Fair Lady") - Quando Me Enamoro/Quando M'Innamoro (Anna Identici) - És A Minha Canção/This Is My Song (Petula Clark) - Que C'Est Triste Venise (Charles Aznavour) - Tu Só Tu (com Marco Paulo)/Something Stupid (Frank Sinatra) - Onde Vais/Edelweiss (Julie Andrews) - No Teu Poema (Carlos do Carmo) - Glória Glória Aleluia (com Quarteto 1111) (Tonicha) - Deshojada/Desfolhada Portuguesa
Relativamente ao primeiro, são raros os temas que terão sido pontos de interesse ou de viragem na carreira de Simone ou que se possam chamar realmente de "Clássicos". Nestes, a meu ver, deveriam estar o Tango Ribeiro, Prece, Degrau em Degrau, A Rosa e a Noite, Adeus (Palavras Gastas), Poema 8, Esta Lisboa que eu amo, Visita de Camarim e muitos outros que nem eu consigo, de momento, descortinar. Basta ver um concerto de Simone de Oliveira e perceber que os temas escolhidos para figurar no CD não são, concerteza, os seus favoritos ou aqueles que ela mesma escolheria para compôr um álbum de homenagem (de salientar que, como foi dito pela Simone no concerto do Maxime, a artista não teve "vota na matéria" na elaboração deste álbum, desconhecendo até a sua existência).
Relativamente ao CD 2, não entendo a existência do mesmo. A Simone não foi uma artista que fez carreira com Versões. Nunca foi reconhecida como tal. Foi sempre para além disso e procurou sempre originais. Estas versões apresentadas não têm, na minha opinião, qualquer expressão na construção da identidade artística de Simone de Oliveira.
Enfim, com isto quero apenas realçar que, mais uma vez, não foi feita justiça à música, aos poetas, aos músicos e à voz de Simone de Oliveira. No geral, não se realçou verdadeiramente a extraordinária pujança dos 50 anos que compõe a carreira de Simone. Há álbuns - que são autênticas perolas que há muito deviam ter re-edição em CD - que estão completamente omissos nesta colectânea.
Não sei quem fez a pesquisa e a recolha de temas para este álbum. Mas quem a fez, fê-la muito mal. Não sei se por ignorância, má vontade, falta de tempo ou problemas de direitos de autor. Mas confesso que, para se ter lançado isto, mas valia ter estado quietinho. Apenas uma mais valia deste conjunto: dar a conhecer ao grande público a extraordinária tradução de David Mourão-Ferreira do Ne Me Quites Pas, de Jacques Brel. Mas mesma esta, não é apresentada na sua melhor versão.
Concerto de Pedro Moutinho

Na Sexta-feira passada, Pedro Moutinho apresentou-se no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide, para um concerto integrado no ciclo de fados promovido por aquela autarquia.
Eu sou fã de Pedro Moutinho, mas apenas o havia visto uma vez na casa de fados Mesa de Frades e no concerto dos 50 anos de carreira de Simone de Oliveira, que se realizou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Nunca tinha assistido a um concerto integral e único de Pedro Moutinho.
As expectativas eram muitas e foram totalmente superadas.
Contando apenas com dois álbuns editados, o concerto visitou alguns dos temas que compõem estes últimos, levantou o véu ao próximo álbum a ser editado por Pedro Moutinho e visitou um fado cantado pelo irmão - Camané - , outro de Carlos do Carmo e um outro de Fernando Maurício. Beatriz da Conceição foi também “homenageada” pelo fadista.
Pedro Moutinho venceu em palco. Demonstra uma capacidade vocal bem superior aquela que nos é apresentada nos álbuns, uma excelente dicção e postura. Mostrou uma bela cumplicidade com os seus músicos e soube manter a postura perante um problema técnico que ensombrou por momentos o concerto.
Mas acima de tudo, e para mim o mais importante, mostrou que não é cópia de ninguém. Tem um cunho pessoal bem vincado, um estilo, um modo próprio - e acertado - de estar no fado.
Não duvido que Pedro Moutinho vença na sua caminhada musical no mundo do fado. Tem voz, talento, poetas, músicos e originalidade. Tem, também, memória (todo o concerto foi marcado com a referência aos nomes que - implícita ou explicitamente - o marcam no fado).
Espero, ansioso, o novo trabalho e um novo concerto de Pedro Moutinho.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Miriam Makeba 1932 - 2008
Miriam Makeba morre após concerto anti-máfia
A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como "Mama Africa", morreu domingo à noite em Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela máfia napolitana.
A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra.
"Ela foi a última a subir ao palco, depois de vários outros cantores. Houve uma chamada ao palco, e nesse momento alguém perguntou aos microfones se havia um médico na assistência. Miriam Makeba tinha desmaiado", relatou.
Cerca de um milhar de pessoas assistiram ao concerto em Caltel Volturno, considerado um dos bastiões da máfia napolitana e onde seis imigrantes e um italiano foram abatidos em condições obscuras em Setembro passado.
Roberto Saviano é autor do best-seller "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes, além de ter sido escolhido para representar a Itália nos Óscares.
Convertida num dos símbolos da luta anti-"apartheid", Miriam Makeba, nascida em Joanesburgo em 04 de Março de 1932 e cujo título "Pata, Pata" a tornou conhecida em todo o mundo, sempre defendeu nas suas canções o amor, a paz e a tolerância.
A cantora, a quem chamavam "a imperadora da canção africana" deixou a África do Sul em 1959.
Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul-africanos ao abrigo de reformas instituídas pelo então presidente F.W. de Klerk.
"Nunca percebi por que é que não podia voltar ao meu país", disse Makeba quando regressou: "Nunca cometi nenhum crime".
Sul-Africanos homenageiam a cantora
Sul-Africanos de todas as origens e dos mais diversos pontos do país têm prestado homenagem à cançonetista.
Numa nota distribuída, a ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana, Zuzama Nzuma, descreveu Miriam Makeba como "uma das melhores cançonetistas de todos os tempos que morreu a fazer o que sabia fazer melhor: a comunicar uma mensagem positiva através da arte do canto".
"Ao longo de toda a sua vida Mama Makeba comunicou uma mensagem positiva ao mundo sobre a luta do povo sul-africano e sobre a certeza da vitória sobre as forças sombrias do apartheid e colonialismo através da suas canções", conclui a nota de condolências do governo e do presidente Kgalema Motlanthe.
A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como "Mama Africa", morreu domingo à noite em Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela máfia napolitana.
A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra.
"Ela foi a última a subir ao palco, depois de vários outros cantores. Houve uma chamada ao palco, e nesse momento alguém perguntou aos microfones se havia um médico na assistência. Miriam Makeba tinha desmaiado", relatou.
Cerca de um milhar de pessoas assistiram ao concerto em Caltel Volturno, considerado um dos bastiões da máfia napolitana e onde seis imigrantes e um italiano foram abatidos em condições obscuras em Setembro passado.
Roberto Saviano é autor do best-seller "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes, além de ter sido escolhido para representar a Itália nos Óscares.
Convertida num dos símbolos da luta anti-"apartheid", Miriam Makeba, nascida em Joanesburgo em 04 de Março de 1932 e cujo título "Pata, Pata" a tornou conhecida em todo o mundo, sempre defendeu nas suas canções o amor, a paz e a tolerância.
A cantora, a quem chamavam "a imperadora da canção africana" deixou a África do Sul em 1959.
Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul-africanos ao abrigo de reformas instituídas pelo então presidente F.W. de Klerk.
"Nunca percebi por que é que não podia voltar ao meu país", disse Makeba quando regressou: "Nunca cometi nenhum crime".
Sul-Africanos homenageiam a cantora
Sul-Africanos de todas as origens e dos mais diversos pontos do país têm prestado homenagem à cançonetista.
Numa nota distribuída, a ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana, Zuzama Nzuma, descreveu Miriam Makeba como "uma das melhores cançonetistas de todos os tempos que morreu a fazer o que sabia fazer melhor: a comunicar uma mensagem positiva através da arte do canto".
"Ao longo de toda a sua vida Mama Makeba comunicou uma mensagem positiva ao mundo sobre a luta do povo sul-africano e sobre a certeza da vitória sobre as forças sombrias do apartheid e colonialismo através da suas canções", conclui a nota de condolências do governo e do presidente Kgalema Motlanthe.
No 60º Aniversário do Nascimento de Mário Viegas
"ANTÓNIO MÁRIO LOPES PEREIRA VIEGAS
Nasceu em Santarém em 10 de Novembro de 1948, às 23.30h, meia-Hora antes do Dia de S. Martinho.
É do signo Escorpião no Hemisfério Ocidental e do Rato no Hemisfério Oriental.
Trineto, por via paterna, do grande Actor Cómico do século XIX Francisco Leoni, Bisneto de Francisco José Pereira, Republicano, Deputado e Senador por Santarém na Primeira Assembleia da Primeira República, sendo saneado de Director Geral do Congresso no 28 de Maio.
Neto e filho de Republicanos e Anti-Fascistas, duma família paterna toda ligada ao ramo Farmacêutico.
Neto por via materna, de um dos fundadores da Amadora, António Cardoso Lopes e sobrinho, do famoso hoquista Álvaro Lopes (8 vezes campeão do mundo), e Tiotónio (um dos pioneiros da Banda-Desenhada em Portugal e criador do semanário “O Mosquito”), e de Augusto Lopes (inventor e criador do sistema do Cinema foto-sonoro em Portugal), sendo a sua Mãe licenciada em Grego Clássico, Latim. Viveu a sua infância e adolescência em Santarém, onde estudou no Liceu Sá da Bandeira e onde se estreia como Actor-Recitador amador com o Coro de Amadores de Música, dirigido pelo Maestro Fernando Lopes-Graça, com 16 anos, em substituição da ex-Actriz e Declamadora Maria Barroso.
Fica logo com a sua primeira ficha na P.I.D.E.
Não tem pre-conceitos sexuais. Sendo scalabitano, gosta de touros, cavalos, mulheres, homens, vinho branco ou tinto, sabe dançar o fandango e já pegou uma vaca em 1967.
Frequentou a Fac. de Letras de Lisboa em 1966/67 e 1967/68 e a Fac. de Letras do Porto em 1968/69, onde termina o 3º ano do Curso Superior de História. Faz parte da Crise Académica de 1969, como Recitador e Agitador no Porto e em Coimbra.
Nunca esteve filiado em nenhum Partido ou Clube Desportivo, nem nunca foi convidado para tal.
Não tem nenhuma ficha na P.S.P. ou na Polícia Judiciária por actividades ilícitas e/ou imorais.
É solteiro e não tenciona casar oficialmente.
É-lhe retirado o Adiamento Militar, por actividades políticas e é proibido de actuar como Actor e Recitador quer públicamente, na antiga Emissora Nacional e na R.T.P.
Os seus discos de Poesia são proibidos de passar na Rádio, até ao 25 de Abril de 1974.
Cumpre o Serviço Militar Obrigatório como Oficial entre Outubro de 1971 e Outubro de 1974, tendo a sua Caderneta Militar os mais altos louvores pela disciplina militar.
É-lhe dada a especialidade e o curso de Acção Psicológica e Propaganda do Exército (A.P.S.I.C.), sendo re-classificado quando estagiava na 2ª Repartição do Estado-Maior do Exército em 1972. É-lhe dado um cargo de Instrutor de Combustíveis e Lubrificantes no Quartel do Campo Grande (E.P.A.N.), de onde é afastado no dia 22 de Abril de 1974.
Assiste e participa desde as 11H00 da manhã, ao golpe-militar do 25 de Abril, no Largo do Carmo. Às 19H00 na Rua António Maria Cardoso e participa na primeira tentativa Popular de assalto à sede da P.I.D.E.-D.G.S.
Faz parte da Extinção da P.I.D.E.-D.G.S. e Legião Portuguesa desde o início de Maio de 1974 até Outubro de 1974, como Oficial-Miliciano do M.F.A., de onde é afastado.
Após proibição em Conselho de Ministros, da peça “EVA PERÓN”, de Copi, (de que era protagonista e que seria a primeira encenação de Filipe La Féria), em Janeiro de 1975, sai de Portugal entre inícios de Maio de 1975 até finais de Setembro de 1975, indo viver para Copenhaga, Dinamarca, desiludido com a situação política do país.
Como Independente, participou “de borla” em algumas campanhas e espectáculos ao vivo e na televisão do P.C.P. (1977), do P.S.R. e da U.D.P., até 1994. Está arrependidíssimo! Abre uma excepção à U.D.P.
Apoiou públicamente a candidatura à Presidência da República do Engº Carlos Marques nas últimas eleições Presidenciais.
Foi leitor durante 2 anos (1987, 1988), dos comunicados do dia 25 de Abril de Otelo Saraiva de Carvalho, quando este esteve preso em Caxias (caso FP25). Não ganhou nada com isso!
Foi alcoólico Público e Anónimo, encontrando-se completamente recuperado.
É Fumador activo e passivo, careca e práticamente cego do olho esquerdo.
Estreia-se como Actor profissional em 16 de Fevereiro de 1968 no Teatro Experimental de Cascais. Trabalhou diariamente durante 30 anos no Teatro, Cinema, Disco, Rádio e Televisão como Actor, Empresário, Encenador e Cenógrafo, com o nome artístico de Mário Viegas. Ao contracenar com Marcello Mastroianni em 1994 descobriu que não conseguiria ser o Maior Actor de Portugal, da Europa e do Mundo, de Teatro e Cinema; o mais popular Cómico do País e com maior unanimidade; ter um lugar em Hollywood; representar em francês, espanhol, inglês ou japonês. Desiludido e revoltado decide encetar a carreira mais fácil, menos efémera e com reforma assegurada: PRESIDENTE DA REPÚBLICA de Portugal, Açores, Madeira, Macau e Timor-Leste.
As Sondagens dão-lhe 93,4% de intenção de voto.
Não sabe o que quer para o País, mas o País sabe o que quer dele!
Não quer ser o Presidente de todos os Portugueses!
Tem como Lemas da campanha a frase de Eduardo de Filippo: “Os Actores vivem a sério no Palco, o que os outros na Vida representam mal”; e “Nesta Pátria onde a Terra acaba e o Mário começa!”.
Slogans da campanha:
“VIEGAS AMIGO ! O MÁRIO ESTÁ CONTIGO !!”
“MÁRIO SÓ HÁ UM ! O VIEGAS E MAIS NENHUM !”
“O MÁRIO QUE SE LIXE ! O VIEGAS É QUE É FIXE !”
Foi agraciado por sua Exª o actual Presidente da República, o Sr. Dr. Mário Soares com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, sendo pois, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Mário Viegas"
Texto retirado da "Auto-Photo Biografia (não autorizada), de Mário Viegas
quarta-feira, novembro 05, 2008
quinta-feira, outubro 30, 2008
Coisas que nunca mudam
(Interior da Pastelaria Lobo)Vim passar uns dias a Viseu. Instalado na casa da minha irmã, acompanhado com as minhas maravilhosas sobrinhas, sinto-me bem. Viseu tem algo que me põe para cima, que me alegra e me comove.
Ando pelas ruas, sozinho, e parece que as percorro como se fosse a primeira vez.
A verdade é que desde que me lembro de existir que venho à cidade de Viriato. Passando na infância e adolescência todas as férias em Santa Cruz da Trapa - São Pedro do Sul -, Viseu nunca me foi estranha.
Fosse para visitar familiares, para ir à Feira de São Mateus no Verão ou simplesmente passear, era uma ida sempre obrigatória. "Temos de ir à cidade", dizia-se.
Mas é com o meu avô que as recordações de Viseu mais se avivam, homem nascido nestas paragens.
Antigo Governador Civil desta cidade, conheci-a como ninguém. À cidade e às pessoas. Marcaram-me para sempre as idas ao Hotel Grão Vasco almoçar, a ida primeira ao Museu Grão Vasco, o seu velório numa capela da cidade.
Mas as recordações que mais sabor e cheiro têm, são as da ida à Confeitaria Lobo, bem no centro. A montra dos bolos, o cheiro reconfortante, os vidros trabalhados e pintados, as pessoas. Mas, mais do que tudo, os Pastéis de Feijão, que há anos que não os comia.
Resolvi ir até lá. Fiquei parado à porta uns momentos, com medo que as anteriores recordações fossem deturpadas por uma nova ordem, por um outro café que não fosse aquele que conheci.
Mas entrei. O ambiente é o mesmo. As mesmas montras, o meus conforto, o mesmo género de clientela, a mesma decoração. Sentei-me. Pedi um chá preto e, a medo, dois pasteis de feijão.
Quando vieram, trinquei desconfiado o primeiro pastel. Num ápice recuei para os meus 8 anos de idade e voltei a ter a companhia do meu avó bem ao meu lado.
Felizmente, existem ainda coisas que não mudaram...
sexta-feira, outubro 24, 2008
Natália Correia

Natália Correia é uma das mulheres que mais admiro desde há muitos anos. Sempre me fascinou a postura, a imagem altiva, bela e quase desumana porque divina, a maneira de falar e, mais tarde, quando descobri a sua escrita, a sua poesia, a sua prosa, os seus discursos parlamentares, os seus discos.
Lembro-me em miúdo ficar parado frente ao televisor quando a via. Não percebia por completo as coisas que dizia e falava mas algo de quimíco, mágico, acontecia porque me paralisava.
Quando descobri o prazer de andar em lojas de vinil a vasculhar, reencontrei-a. Reencontrei-a no disco "Cantigas de Amigos", com Amália Rodrigues e Ary dos Santos, no disco "Cantigas de Amôr e de Amigo dos Trovadores Galego-Portugueses", com adaptação e declamação da própria Natália e no disco "Improvisos", com o Maestro António Victorino de Almeida onde, além dos seus dotes declamatórios, Natália Correia expõe a sua extraordinária voz de quase cantora lírica.
Veio depois o aprofundamento da literatura.
Primeiro a sua poesia:
"ODE À PAZ
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!"
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!"
(outras poesia em:
Depois a sua prosa:
Do livro Descobri que era europeia
"Trouxe curiosidades para a América. E não as levo no regresso. Também não levo certezas. Nenhuma das minhas curiosidades foi satisfeita. Deixo-as aqui, como um tributo à alta montanha que o pequeno esquilo não logra trepar. Não foi medo nem desesperança que me tolheram os passos na escalada. Foi a simples verificação dum facto: a América é um problema de que só ela tem a chave. A solução desse problema só interessa aos americanos. Se tentarmos compreendê-la, partindo de nós próprios, da nossa concepção do que ela "possa ser", escolhemos o caminho mais longo, porque nós somos estruturalmente diferentes.
Apontar as diferenças que nos extremam seria a recapitulação da História.
Ponhamos, pois, a questão nestes termos: gostei ou não gostei da América?
Ainda aqui a minha posição é ambígua. É tão impossível gostar da América como não gostar. Isto traduz-se num sentimento abstracto: o da fascinação. E qual é a fonte donde brota essa fascinação? O enorme tablado onde se desenrola a esotérica urdidura da tragédia americana. O seu esoterismo não é o inviolável segredo dos deuses. É a crise do desenvolvimento. Uma puberdade física e mental que convive, no seu âmago, com os fantasmos das coisas irreveladas. Nas suas células em formação ferve o sangue coagulado de várias taras sem poros para se evaporarem, a neurastenia da solidão acompanhada, um romantismo turbulento e um puritanismo mórbido. Objectiva e utópica, intransigente e tolerante, aventureira e calculista, arrebatada e grave, magnânima e egoísta, franca e enigmática, tudo de bom e de mau, de elevado e de mesquinho, nela existe em potencial, como num barro tosco a que o cinzel dos séculos ainda não deu forma.
É a antítese da tragédia europeia filtrada no cristal do tempo: a serenidade clássica da experiência e da razão.
Os americanos transmitem-nos a angústia do inacabado. Eles não são completamente generosos, nem completamente egoístas; não são completamente cordiais, nem completamente hostis. São seres por revelar.
Agosto de 1950"
E as suas sessões parlamentares, principalmente com o famoso episódio do deputado Truca Truca.
Durante uma discussão na Assembleia sobre o aborto, 1982, o deputado do CDS, João Morgado, que só tinha um filho, opunha-se à legalização do aborto, argumentando que o coito era apenas para procriar [assim na escola da Manuela Ferreira Leite]. A deputada e poetisa do PRD que era a favor do aborto, alcunhou-o ali mesmo de deputado Truca-Truca e, na hora, fez estes versos dirigidos ao mesmo. Nunca mais tal deputado pôs os pés na Assembleia da República.«Ficou capado o Morgado»
1982
Já que o coito, diz o Morgado,
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração - uma vez.
E se a função faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado»
(Para ler um dos mais brilhantes discursos parlamentares de Natália Correia: http://conversamuitaconversa.blogspot.com/2005/12/notvel-discurso-da-deputada-natlia.html)
E agora, do disco Improvisos, Natália Correia canta e declama:
A Donzela de Biscaia
Queixa das Almas Jovens Censuradas
Quarto
Árvore Geniológica
Cabelos os Meus Cabelos
Depois disto, tudo o que diga é mau Latim. Fica a Homenagem.
quarta-feira, outubro 22, 2008
A Casa Palmela - Livros Horizonte

É hoje posto à venda nas melhores livrarias do País o livro "A Casa Palmela", do Historiador Pedro Urbano [da Universidade Nova de Lisboa], editado pela Livros Horizonte.
Como um familiar costuma dizer, para se perceber bem o País em que vivemos, devemos conhecer a fundo a base e o topo da sociedade. Convido-vos, assim, a conhecerem a história da maior família aristocrata do Portugal do Séc. XIX e primeira metade do XX, percorrendo a sua política de casamentos e heranças, postos de influência na Sociedade, educação dos descendentes e poderio económico, entre outros temas fulcrais para a percepção da Casa Palmela.
Retirado de uma comunicação do XXV Encontro da APHES [Associação Portuguesa de História Economica e Social], intitulada ‘Partilhar e Legar: o Património da Casa Palmela - por Pedro Urbano’, aqui fica um excerto para abrir o apetite para "A Casa Palmela" - Livros Horizonte:
É indiscutível a importância que a Casa Palmela desempenhou na modelação da sociedade e economia liberais. Em finais de Antigo Regime, e embora não sendo titular, tratava-se de uma família da primeira nobreza de corte que havia consolidado a sua posição social e económica ao longo das gerações que a precederam, quer pelos cargos desempenhados, quer pela vinculação à casa de alguns morgados. A adaptação à nova ordem liberal terá permitido o acesso à titulação e a confirmação do seu poder, sobretudo se atentarmos no percurso individual do primeiro titular, D. Pedro de Sousa Holstein, a quem foram outorgados sucessivamente, os títulos de Conde, Marquês e Duque, de juro e herdade. Casou com D. Eugénia Telles da Gama, filha dos Marqueses de Nisa, casa da primeira nobreza de Corte, de quem teve uma numerosa prole. O casamento do herdeiro da casa, D. Domingos de Sousa Holstein, com D. Luísa Maria de Sampaio Noronha, filha e herdeira do Conde da Póvoa, rico financeiro, viu-se envolvido em grande celeuma, sobretudo pelo engrandecimento económico que acarretou. Desse casamento nasceriam três filhas, das quais D. Maria Luísa de Sousa Holstein, a primogénita, seria a herdeira da Casa. Do seu casamento com António de Sampaio e Pina de Brederode, segundo filho dos primeiros Viscondes da Lançada nasceriam dois filhos. A única filha sobrevivente, que viria a herdar a casa à sua morte, D. Helena Maria de Sampaio e Pina de Sousa Holstein, casou com Luís Coutinho Dias da Câmara, filho dos primeiros Condes da Praia e de Monforte.
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