sexta-feira, outubro 17, 2008

Simone de Oliveira no Maxime


Para quem não possa ver e ouvir a Simone de Oliveira no próximo Sábado, dia 18 de Outubro, no Cabaret Maxime em Lisboa, poderá vê-la e ouvi-la, em directo, comodamente em sua casa através do site:




Não perca. Sábado, 18 de Outubro de 2008 pelas ,23:30 horas.


Hoje os Galheteiros... amanhã as Colheres de Pau...

Restaurantes. Ministro anuncia revogação da polémica portaria

Restaurantes vão ter de usar cartas de azeites para informar consumidor

Os restaurantes vão deixar de ser obrigados a usar galheteiros invioláveis, desde que passem a dispôr de cartas de azeite que permitam ao consumidor escolher e saber as características do produto que vai consumir. A promessa foi ontem deixada, em Santarém, pelo ministro da Agricultura, durante um encontro dos empresários do sector da restauração, que sempre se manifestaram inconformados por serem os únicos na União Europeia abrangidos por tal obrigação.

Jaime Silva, que afirmou concordar com as críticas à portaria que tornou obrigatório o uso de galheteiros, pediu a "parceria" da Associação da Restauração e Similares de Portugal (ARESP) para poder revogar esta legislação. Mas essa possibilidade está condicionada à disponibilização, por parte dos restaurantes, de cartas de azeites, deixando clara a sua composição e origem.

Em declarações ao DN, Ana Jacinto, responsável da ARESP, garantiu que o sector vai acatar a sugestão do ministro, esperando apenas que o Governo seja rápido a diligenciar a revogação da portaria. A proibição dos tradicionais galheteiros nos restaurantes e substituição pelas embalagens invioláveis resultou, segundo o sector, num agravamento dos custos económicos e ambientais da actividade de restauração.

O ministro da Agricultura manifestou ainda confiança na estabilização das relações entre a ASAE e os restaurantes. Passado o "sobressalto" inicial provocado pela actuação da ASAE, que teve a função de mostrar que Portugal está inserido num espaço em que os padrões de segurança alimentar são os "maiores do mundo", entrou-se numa fase de "equilíbrio", observou Jaime Silva.

Afirmando que a interpretação "mais rígida" da legislação, que visou pôr ordem à forma descurada como muitos produtores encaravam a legislação comunitária, gerou "incompreensões e mal-estar", o ministro disse que, depois da legislação que produziu, os pequenos produtores estão "salvaguardados".

Jaime Silva sublinhou que aqueles não precisam de licenciamento e apenas têm que comunicar aos serviços do Ministério o que produzem. "Não para mandarmos lá a ASAE, mas para que, se houver algum problema com algum produto, se conheça a sua origem", disse. O orçamento do Ministério vai manter-se igual em 2009. - C.A., com Lusa
In: Diário de Notícias, 17.10.08

quinta-feira, outubro 16, 2008

Freitas era "devoto de Salazar", escreveu Marcelo

E assim se vende a História deste país...
Leilão. No dia 25, no Hotel Fénix, é leiloado um lote de cartas que Marcelo Caetano, exilado no Brasil depois do 25 de Abril, escreveu a um destinatário chamado António e à sua mãe.
Várias cartas do exílio de Caetano no Brasil vão a leilão
"Querido António", "caro António". Marcelo Caetano manteve durante vários anos uma correspondência regular com um jovem adulto, de direita, e com a sua mãe. Com o filho, Caetano discorre sobre a política e a sua mágoa com o país, com os partidos de direita - omnipresente nas cartas é o "desgosto" com o seu antigo discípulo Freitas do Amaral, então líder do CDS, referido imensas vezes.
"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!" A carta em que Marcelo Caetano fala assim do seu antigo discípulo, Diogo Freitas do Amaral, é escrita a 13 de Abril de 1977, nove meses antes de o então presidente do CDS assinar o acordo com o PS de Mário Soares para o Governo.
O contexto é a expulsão de Galvão de Melo do CDS, que o ex-presidente do Conselho considera não ser justificada. "Não sei o que pensas do CDS", escreve Caetano a António, "para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri." Continua Marcelo, invocando os "favores" de Salazar para com o pai de Freitas do Amaral: "O Galvão de Melo não será muito boa peça, mas o que ele disse não justificava de modo nenhum a reacção do CDS, presidido por um filho de um antigo secretário de Salazar que este beneficiou largamente."
Dias mais tarde, a 28 de Abril de 1977, Marcelo escreve novamente a António e concede, relativamente ao CDS, que "na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor".
"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau." Um mês depois, a 25 de Maio de 1977, em nova carta, o diagnóstico do ex-presidente do Conselho no exílio sobre a direita portuguesa será genericamente arrasador. "O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."
A 20 de Fevereiro de 1978, Marcelo sente-se aterrado com o pluripartidarismo. "Quanto à política portuguesa, ela só confirma o que durante anos dissemos sobre o regime de partidos nesse país. Há-de ser cada vez pior." Mas em 8 de Junho seguinte tem a "impressão de que a direita se está fragmentando inconvenientemente" e faz planos estratégicos. "Tudo haveria a ganhar em fundir o MIRN e a Democracia Cristã com nova chefia, embora os antigos chefes ficassem a apoiar. Assim, nenhum dos grupos poderá ganhar dimensão e força suficiente para se impor. Um novo partido, com gente nova à frente, estou convencido de que obteria grande êxito. O que aqui chega é um grande desencanto com o CDS e um veemente desejo de aparecimento de um partido moderno e eficaz que faça frente à esquerda. Muita gente actualmente inscrita no PSD também se juntaria a esse partido."
Este conjunto de 15 cartas e seis bilhetes, até agora desconhecidos do público, vai a leilão no dia 25, no Hotel Fénix, às 15.00, por iniciativa de Nuno Gonçalves, leiloeiro e livreiro.
O mistério da carta quase indecifrável de Salazar
Leilão. Entre as várias peças que agora vão à praça está um bilhete de Salazar dirigido a Urbano Rodrigues
A letra de Oliveira Salazar é praticamente ilegível. Nuno Gonçalves vai levar a leilão no dia 25 deste mês, no Hotel Fénix, uma carta de Salazar, com a chancela do gabinete do presidente do Conselho, dirigida a um "senhor Urbano Rodrigues", jornalista. Está datada de 17 de Novembro de 1950.
É muito difícil conseguiu desbravar o conteúdo da comunicação de Oliveira Salazar ao jornalista Urbano Rodrigues. Aparentemente, e tanto quanto é possível decifrar, trata-se de uma reacção do chefe do Governo, satisfeita, a um artigo de jornal escrito por Urbano Rodrigues. A base de licitação deste conjunto de cartões do então "presidente do Conselho" são cem euros.
Mas existem muitas outras preciosidades apresentadas neste leilão: um álbum fotográfico de viagem de Hermenegildo Capelo, o oficial da Marinha Portuguesa que foi explorador em África e que participou com Roberto Ivens na travessia entre Angola e a costa do Índico; uma colecção completa da Ilustração Portuguesa.
Uma das peças mais notáveis que vão a leilão - e que estará em exposição a partir do dia 24, sexta-feira, das 15.00 às 23.00 - é um exemplar da revista de arte portuguesa KWY, que até hoje nunca foi a leilão. A KWY foi criada em Paris por Lourdes Castro e René Bertholo, que eram editores, impressores e distribuidores. Impressa em serigrafia, a revista durou 12 números, publicados em seis anos, e teve, entre os seus variadíssimos colaboradores, a pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. A base de licitação do exemplar é de 25 mil euros.
Num leilão com 542 lotes, há muitíssimo mais por onde "pegar". Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, cartas de Miguel Bombarda (o médico psiquiatra republicano que foi assassinado por um doente no dia 5 de Outubro de 1910) a Ana de Castro Osório, em que tece elogios à acção propagandista de Ana de Castro Osório, em defesa da condição feminina. Também vão a leilão cartas de Manuel Arriaga a Ana de Castro Osório, datadas de 1906, em que o futuro presidente da República acusa a recepção do livro Às Mulheres Portuguesas, fazendo considerações em defesa do feminismo.
In: Diário de Notícias, 16.10.08

terça-feira, outubro 07, 2008

(Clique na Imagem)

Homenagem dos 9 anos passados sobre a Morte de Amália Rodrigues no blog Filosofia Duma Manta de Retalhos

SÓ EU SEI PORQUE NÃO FICO EM CASA

Está toda a gente muito preocupada por os homossexuais não se poderem casar - eu estou muito mais preocupado por os deputados não poderem pensar. Ao aprovar a disciplina de voto (com excepção de uma mascote da JS, que está autorizada a votar a favor da proposta e assim demonstrar a extraordinária "pluralidade" dos socialistas) numa matéria claríssima de costumes e de consciência individual como é o casamento dos homossexuais, o PS enfiou mais uma machadada na credibilidade do Parlamento e dos seus deputados. Obrigado, Alberto Martins.

A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.

Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade - a votação das propostas - eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento.

E tão grave quanto a disciplina de voto do PS é a sua justificação. Segundo Strecht Ribeiro, vice-presidente do grupo parlamentar, os socialistas não estão a votar contra o casamento dos homossexuais. Nada disso. O que eles estão é a votar contra "o oportunismo político" do Bloco de Esquerda. Ou seja, o PS acredita que a situação actual dos gays é manifestamente injusta. Mas entende que esta não é a altura certa para reparar a injustiça. Extraordinário. Nós vivemos num país onde o partido que nos governa entende que até a correcção de injustiças que não dependem de mais nada senão da aprovação de uma lei deve obedecer a um timing certo. E os oportunistas políticos são os outros, claro. Partidos destes não deviam sentar-se no Parlamento. Partidos destes deviam sentar-se nas bancadas do Estádio de Alvalade.

João Miguel Tavares, Diário de Notícias, 07 de Outubro de 2008

sábado, outubro 04, 2008

Simone de Oliveira no MAXIME

Simone de Oliveira estará no próximo dia 18 de Outubro, pelas 24 horas, no Cabaret Maxime, na Praça da Alegria (ou, se prefererirem, Gay Square), em Lisboa. Um concerto, seguramente, a não perder.
Para estímulo, deixo-vos com dois vídeos: o mítico Desfolhada à Portuguesa, de José Carlos Ary e o vídeo de No Teu Poema, de José Luís Tinoco (em relação a esta música, visite o Manta de Retalhos e escute as diferentes versões desta canção que lá se apresentam).
Já sabe, 18 de Outubro - MAXIME - 24 horas.




Diniz Machado


Morreu o escritor Dinis Machado

O escritor Dinis Machado morreu esta sexta-feira em Lisboa, aos 78 anos, disseram à agência Lusa as editoras Bertrand e Assírio & Alvim.

O corpo do escritor estará ainda esta sexta-feira em câmara ardente na capela mortuária da Igreja de Santa Catarina, em Lisboa, indicou fonte da Assírio & Alvim.

O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, afirmou que a morte de Dinis Machado é "uma grande perda para a literatura e para a escrita portuguesa".

"É uma pena que tenha morrido", declarou à Lusa o ministro, sublinhando que era amigo do escritor, "um homem com uma sabedoria de vida extraordinária", que "gostava muito da vida e dos prazeres da vida".

"Dinis Machado era um escritor que soube encarnar o que são as questões da vida, da vida de um bairro, da vida do Bairro Alto, da vida popular, de uma festa popular, da experiência, da aventura, de tudo aquilo, como um dia disse Luiz Pacheco, numa espécie de cavalgada furiosa de episódios, com uma extraordinária proximidade do que é a vida", disse Pinto Ribeiro.

A sua escrita reproduziu essa "cavalgada furiosa", afirmou o ministro, destacando "O que diz Molero" como "uma coisa única" na literatura portuguesa.

Nascido a 21 de Março de 1930, em Lisboa, Dinis Machado foi jornalista desportivo, crítico de cinema e dedicou-se também à banda desenhada.

O seu maior êxito como escritor foi o romance "O Que Diz Molero", editado em 1977 e reeditado em 2007, no dia do seu 77.º aniversário, e já adaptado ao teatro.

Sob o pseudónimo Dennis McShade, escreveu alguns policiais, que estão agora a ser reeditados pela Assírio & Alvim.

In: Jornal de Notícias

quinta-feira, outubro 02, 2008

Santa Águeda


Conheço esta Santa - SANTA ÁGUEDA - há apenas uns anos. Foi-me apresentada por um amigo e fiquei desde logo apegado a ela. Apegado pela trágica e comovente história de vida desta mártir romana e pelo facto de o seu dia se comemorar no dia em que o meu avó Manuel faleceu.
E como ando sempre a comprar pajelas ou imagens (ou a tentar, porque são raras) para oferecer a mulheres que se encontrem em certas e determinadas situações, resolvi deixar aqui alguma iconografia, uma biografia e uma oração, estando assim sempre ao meu alcance e de quem quiser/precisar.

Santa Águeda

Virgem e mártir, nasceu na Sicília. Segundo uma lenda foi entregue a uma prostituta e foram-lhe cortados os seios; mas S. Pedro curou-a desta mutilação. O seu culto estendeu-se à Igreja universal e o seu nome é lembrado na I Oração Eucarística (Cânone Romano). Várias vezes libertou a sua cidade natal das erupções do temível vulcão Etna. É a protectora das lactentes (humanos e animais), dos fundidores e dos ourives. É figurada com um vaso numa mão, cheia de seios cortados, e na outra com uma faca ou um par de tenazes. A sua festa é a 5 de Fevereiro. Portugal tem uma cidade com o seu nome.

Edições Paulus



Da Wikipédia: Santa Águeda foi uma virgem e mártir, padroeira de Catânia, filha de nobres cataneses, e viveu entre os séculos III e IV durante a dominação romana do pro-cônsul Quinciano e foi martirizada durante as perseguições de Décio, o Diocleciano. O seu nome aparece no Cânone Romano já em tempos remotíssimos.

Águeda (em italiano e siciliano Agata) nasceu em Catânia. Alguns historiadores apontam o ano de seu nascimento entre 230 e 235. Segundo a tradição cristã, Águeda consagrou-se a Deus com quinze anos de idade.

Depois de inúmeras tentativas de Quinciano para corrompê-la, Águeda foi encarcerada brevemente e depois torturada. Foi chicoteada e os seus seios foram arrancados com tenazes mas, segundo a tradição, ela foi curada dos ferimentos por São Pedro que a visitou na prisão. Por fim, Águeda foi submetida ao suplício de brasas ardentes e na noite seguinte, 5 de Fevereiro de 251 (alguns sugerem o ano de 254), faleceu na sua cela.

A sua morte foi seguida de um tremor de terra que abalou toda a cidade. Um ano após a sua morte, o Etna entrou em erupção, despejando um mar de lava em direcção a Catânia. Então os habitantes colocaram o véu que cobria a sepultura de Ágata diante do fogo, que parou imediatamente, poupando a cidade.

Desde então, a sua protecção é invocada contra os tremores de terra, as erupções vulcânicas e os incêndios.

A festa litúrgica é celebrada aem 5 de Fevereiro.

As relíquias da santa foram levadas a Constantinopla em 1040 por um general bizantino; em 1126 dois soldados (talvez franceses), Giliberto e Goselino, furtaram os restos mortais de Águeda, que foram entregues ao bispo Maurício no Castelo de Aci.

Em 17 de Agosto de 1126, as relíquias voltaram ao duomo de Catânia, onde até hoje permanecem em nove relicários: cabeça e busto, mãos, braços, pés e pernas, mamas e o Santo Véu.



Oração

Daí-nos, Senhor, a vossa misericórdia, por intercessão da santa mártir Águeda, que resplandece na Igreja pela glória da virgindade, do martírio e dos milagres. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Pai nosso, Ave Maria e Glória...

Oração

Concedei-nos, Senhor, o amor constante ao Vosso Santo Nome e a graça da perseverança nas coisas do alto durante toda a nossa vida. E pela intercepção de Santa Águeda, dai-nos, Senhor Omnipotente, a graça que humildemente vos pedimos (citar a graça).

Por Cristo Senhor Nosso, Ámen.

Santa Águeda, rogai por nós.

MAMMA MIA

Adivinhem onde fui esta noite? É verdade... ver o Mamma Mia pela terceira vez. E não me aborreço. Cada nova vez uma nova descoberta. Hoje, além de confirmar a genialidade de Meryl Streep, percebi que filme tem algumas partes extremamente comoventes. Não sei se estaria eu mais susceptível ou sensível que das outras vezes, mas o certo é que lá derramei uma lágrima ou outra. Mas mais uma vez saí de lá com uma barrigada de riso e óptima disposição.

Ficarei eu pela terceira vez? Hum... desconfio.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Paul Newman



1925-2008 Paul Newman Era grande, muito grande

28.09.2008, Luís Miguel Oliveira


Actor, realizador, marido, político, piloto de automóveis, team owner, cozinheiro, empresário, filantropo e com certeza ainda mais alguns et cetera. Poucos poderiam recitar com tanta propriedade o célebre poema de Walt Whitman: "I am large, I contain multitudes". Paul Newman era muito, muito grande. Por Luís Miguel Oliveira


"Há alguns que são actores natos, intuitivos. Eu não. Representar, para mim, é tão difícil como dragar um rio. É uma experiência dolorosa. Não tenho, muito simplesmente, nenhum talento intuitivo. O meu trabalho inquieta-me e estou sempre a queixar-me das minhas representações." Paul Newman dizia isto em 1959, e não consta que alguma vez o tenha substancialmente desdito. São palavras que, no seu esboço tipológico (os "intuitivos" e os outros), o definem bem como actor, e explicam alguma coisa da sua qualidade discreta e meticulosa, da sua exuberância controlada: os "intuitivos", para quem tudo parece fácil, gostam de deixar um rasto do trabalho, gostam que se veja que houve trabalho; os outros, aqueles para quem tudo parece difícil, tentam apagar as marcas do trabalho que fizeram, para que o resultado seja limpo, fluido, como se feito por intuição. Trabalho duro, muito duro: "Quando começámos a ensaiar, Paul insistia tanto nos mais pequenos pormenores que eu pensei: 'Nunca mais vamos sair daqui!'", disse Robert Rossen acerca da rodagem de The Hustler (A Vida é um Jogo) (1961), o filme que deu a Newman um dos seus mais célebres papéis, o de Fast Eddie Felson, ás do snooker, depois retomado por Martin Scorsese em A Cor do Dinheiro (1986).
Fast Eddie Felson foi há quase meio século. Newman retirou-se do cinema em Maio do ano passado, pouco antes de anunciar estar doente com um cancro de pulmão, e morreu na sexta-feira, aos 83 anos. A notícia foi avançada ontem por Vincenzo Manes, presidente da fundação italiana Dynamo Camp di Limestre, criada pelo actor, e foi depois confirmada pela porta-voz da família, Marni Tomljanovic. Newman, dez vezes nomeado para os Óscares, a mais recente das quais em 2003, nasceu a 26 de Janeiro de 1925 em Shaker Heights, perto de Cleveland, no Ohio. Esteve internado parte deste ano, para tratamentos de quimioterapia, mas no princípio de Agosto, quando se soube que poderia ter apenas semanas de vida, pediu para ter alta: disse que queria morrer em casa com as cinco filhas e a mulher, a também actriz Joanne Woodward, com quem esteve casado 50 anos.


Dean, Brando e os outros


De certeza que Newman estava a pensar em Marlon Brando quando se colocou de fora do grupo dos "intuitivos". Brando, apenas um ano mais velho, e seu grande amigo, foi sempre um "fantasma" para Newman. "Um dia, hão-de dizer que Brando é que é parecido comigo!", costumava dizer, num ligeiro complexo de inferioridade resolvido com bom humor (e provavelmente numa altura em que Newman não podia prever o "monstro" disforme em que o envelhecido Brando se tornaria). Brando, o "intuitivo", o "animal de cena", o "actor esmagador", emblema da nova geração de leading men do cinema americano do pós-II Guerra, aquele com quem todos eram comparados. Brando, o insaciável, Newman, a encarnação da modéstia; verdade, mas, como escreveu um crítico americano, havia alguma coisa de reconfortante no facto de ser impossível imaginar Paul Newman a encher a boca de algodão (como Brando no Padrinho) ou a alinhar nas tropelias sexuais do tipo das de O Último Tango em Paris. E nos últimos anos, quando Brando já não cabia em filme nenhum que não fosse feito à sua medida, Newman, sempre criterioso na escolha dos papéis, soube envelhecer graciosa e discretamente - e o facto é que quase toda a sua filmografia dos últimos 25-30 anos vale a pena, nalguns casos (como o par de filmes feito com Robert Benton, Vidas Simples, em 1994, e Twilight, em 1998) reflectindo mesmo, com mais angústia ou com mais bonomia, o seu próprio envelhecimento (em Twilight há um rumor persistente que põe em causa a virilidade da sua personagem).

"Stanislavski e blue jeans", assim definia a revista inglesa Sight and Sound, num artigo de 1955, a nova geração de actores que fizera o trajecto entre o teatro de Nova Iorque e o cinema de Hollywood. Newman era um deles, posto ao lado de James Dean (que morreria poucas semanas depois) como candidato a "novo Brando" ou a "novo Montgomery Clift". Esta nova geração, para além de Stanislavski e dos blue jeans, definia-se por um tipo de sensibilidade atormentada que cavava uma diferença para os actores da velha guarda de Hollywood. Uma "nova psicologia", por assim dizer, a psicologia com que os milhares de rapazes americanos que tinham combatido na II Guerra - e tinham voltado dos desertos do Norte de África ou das selvas do Pacífico com a certeza de que o mundo e a humanidade eram um pouco mais complexos do que o que lhes tinham dito - se podiam identificar. Brando e Clift, por exemplo, entraram no cinema em filmes directamente sobre o assunto, a fazerem de veteranos de guerra em The Men e em The Search, respectivamente (ambos filmes de Fred Zinnemann). Newman, que tinha feito os últimos meses da guerra do Pacífico (como operador de rádio a bordo de um avião torpedeiro, depois de lhe ser diagnosticado um leve daltonismo que o impediu de ser piloto), levou sempre um bocado a mal que o seu primeiro papel em cinema tenha sido uma coisa muito mais inócua, uma espécie de peplum chamada The Silver Chalice e realizada por Victor Saville. Tanto assim que, já nos anos 70, numa ocasião em que o filme ia ser exibido na televisão, pagou um anúncio de jornal de uma página inteira a dizer às pessoas que o filme era mau e a pedir-lhes que... não o vissem. Mas os dez anos seguintes, e os filmes feitos nesse período, não lhe deram tanto de que se queixar: Marcado pelo Ódio (1956), de Robert Wise, no papel do pugilista Rocky Graziano que estava destinado a James Dean; Vício de Matar (1958), de Arthur Penn, na pele de um Billy the Kid "moderno", precursor do olhar que o mesmo Penn dedicaria a outros anti-heróis, Bonnie e Clyde, dez anos mais tarde; a prova de que também funcionava em registo cómico em A Morena Ardente, de Leo McCarey, contracenando com Joanne Woodward no mesmo ano em que se casou com ela; os filmes realizados por Martin Ritt (The Long Hot Summer, em 1958, e Hud - O Mais Selvagem entre Mil, em 1963), o citado A Vida é um Jogo e ainda o par de filmes, feitos por Richard Brooks e baseados em peças de Tennessee Williams, Gata em Telhado de Zinco Quente (1958) e Corações na Penumbra (1962), talvez os filmes que melhor jogam com a criação de uma ambiguidade nascida no espaço entre os good looks de Newman e a tortuosidade psicológica das suas personagens. De resto, se Newman cultivava o aspecto e a forma atlética (fumava que se fartava, mas era um desportista) e tinha plena consciência da importância que isso tinha na sua carreira, os filmes deste período trabalham frequentemente uma ameaça à integridade física e mesmo à masculinidade "icónica" - fica com a cara num bolo no filme do pugilista, partem-lhe as mãos em A Vida É um Jogo, anda de muletas em Gata em Telhado de Zinco Quente, é desfigurado à pancada no final de Corações na Penumbra (na peça de original de Williams a personagem era castrada).

Chegado a 1963, com o sucesso de Hud (que lhe valeu a terceira nomeação para um Óscar que só ganharia nos anos 80 com o filme de Martin Scorsese), Newman estava definitivamente imposto como uma das maiores stars de Hollywood. Começa então a transição para uma meia-idade mais calma, e nada isenta de alguma auto-ironia. Disposto a correr alguns riscos, Newman alinha em "experiências" como filmar com Hitchcock (em A Cortina Rasgada, de 1965) ou com o seu amigo Robert Altman (dois filmes nos anos 70), ao mesmo tempo que arranca alguns dos seus filmes mais populares - como O Presidiário (Stuart Rosenberg, 1967) e os filmes em parceria com Robert Redford e o realizador George Roy Hill (Dois Homens e um Destino e A Golpada, em 1969 e 1973).

Estes anos, 60/70, são os anos em que Newman se vai dedicando, cada vez mais, a outros interesses e actividades. A realização, em primeiro lugar. A sua majestosa carreira de actor não nos deve fazer esquecer de que ele foi também um dos mais delicados e secretos cineastas americanos das últimas décadas: cinco filmes entre 1968 e 1987, em que o zénite talvez seja A Influência dos Raios Gama no Comportamento das Margaridas, filme feito para uma actriz que idolatrava, a mulher, Joanne Woodward, e incluindo, em Harry and Son (1981), a "expiação" de um drama familiar (a morte de um dos seus filhos, por overdose) e, em O Jardim Zoológico de Cristal (1987), um regresso a Tennessee Williams para uma espécie de fecho do círculo aberto nos anos 50 dos seus inícios. Na viragem de 60 para 70 Newman andou também bastante envolvido na política (num contexto democrata), com o seu amigo e rival Marlon Brando; experiência frustrante: "Ninguém queria saber de nós para nada". Se representar era "difícil", Newman descobriu por essa altura a única coisa que, sic, "fazia com graça e souplesse": ser piloto de automóveis. Por volta dos 50 anos iniciou uma carreira de piloto semiprofissional que incluiu um segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans e um lugar no Guinness como mais velho vencedor (aos 70 anos...) de uma prova oficial (as 12 Horas de Sebring). Tinha a sua própria equipa e, há algumas semanas, quando foi anunciado que Newman tinha os dias contados, também se disse que tinha telefonado ao seu team manager pedindo-lhe que preparasse um carro para poder ir dar "umas últimas voltas". Nos anos 70, os jornalistas pensaram ter descoberto o "lado negro" de Newman na sua paixão pelos automóveis, que só podia ser a expressão de um death wish; Newman riu-se do disparate, era só uma coisa que gostava muito de fazer, "a Joanne vai para a ópera e eu vou para as corridas, é assim que um casamento funciona". O casamento de 50 anos com Joanne Woodward era, claro, outro pormenor distintivo na vida de Newman, verdadeira raridade no meio da volatilidade sentimental de Hollywood. Mas Newman nunca foi o "hollywoodiano" típico: os lucros dos seus molhos para saladas (e da linha de produtos alimentares Newman's Own, espantosamente bem sucedida) vão inteiros para organizações de caridade.

Actor, realizador, marido, político, piloto de automóveis, team owner, cozinheiro, empresário, filantropo e com certeza ainda mais alguns et cetera. Poucos poderiam recitar com tanta propriedade o célebre poema de Walt Whitman: "I am large, I contain multitudes". Paul Newman era muito, muito grande.

In: jornal Público



Fica para mim na memória o filme Gata em Telhado de Zinco Quente, com Elizabeth Taylor...