domingo, maio 20, 2007

Jorge de Sena


Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.
Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,
um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,
tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.
22/2/1954 - Jorge de Sena - As Evidências

segunda-feira, maio 14, 2007

A ESPOSA IDEAL

(clique na foto para aumentá-la)

No número 80 da revista Crónica Feminina, do dia 5 de Junho de 1958 - praticamente há 50 anos - saia um inquérito para as Senhoras saberem se eram a esposa ideal. 50 anos depois, será que mudou muita coisa? As esposas querem-se da mesma maneira? Hum... não sei. Se é mulher e esposa, aceite o desafio e responda ao inquérito. Se é homem, leia-o e veja se pretende ter alguém com aquele perfil.
Eu espero que todas as mulheres chumbem este inquérito... mas é uma opinião de um não casado...

domingo, maio 13, 2007

Retrato Robot

Na quinta-feira, dez de Maio, o jornal Correio da Manhã publicou um artigo sobre as investigações da PJ em relação ao desaparecimento da menina inglesa que, por negligência ou estúpidez (ser-se britânico não é sinónimo de inteligência), ficou sozinha com os irmão - também menores - no quarto do hotel sem nenhuma vigilância de um único adulto.

Não sei se para aliviar um pouco a tensão do artigo e seu assunto, ou por estarem convencidos de que podia ser uma ajuda importantisssima para o achamento do "raptor" da menina , o Correio da Manhã publico o retrato robot do mesmo. Já sabem... olhem bem para o retrato. Se virem alguém na rua com fisionomia parecida, não se esqueca de contactar a polícia local ou a PJ. Mantenha os olhos bem atentos... toda a ajuda é necessária.


Colabore...

domingo, maio 06, 2007

Critica do jornal "El Pais" ao espectáculo de Camané - Outras Canções II

De fadista a 'crooner'
Camané, la gran voz de Portugal, hace suyos clásicos de Sinatra y Brel
MIGUEL MORA - Lisboa - 05/05/2007

Es el príncipe del fado de esta época, la gran voz masculina de Portugal. Canta desde niño, y a los 11 años sorprendió al maestro Carlos do Carmo por su dicción asombrosa y su capacidad para transmitir emociones "adultas" desde una contención que no admite concesiones. Camané (Lisboa, 1967) canta con una mano metida en el bolsillo, los ojos cerrados, cada palabra perfectamente colocada en su sitio, sin prisas, sin estridencias. Ahora, a sus 40 años, Carlos Manuel Moutinho ha elegido 21 canciones de sus maestros favoritos, y, acompañado por la Orquesta Sinfónica Portuguesa y un quinteto de jazz, los ha llevado a escena.

El espectáculo Otras canciones II ha vuelto al teatro São Luiz, de Lisboa, con el papel agotado, tras los éxitos de los cuatro conciertos del pasado fin de semana. "¿Ha salido bien? No tengo yo esa percepción". Eso decía sonriente Camané el domingo, en el camerino. Había cantado durante cerca de dos horas, con tres o cuatro propinas. Era el día del partido Benfica-Sporting; el teatro no se había llenado, pero la gente reconoció entregada la dificultad de la empresa.

El fadista lisboeta se transmuta en crooner, chansonier, canzonetista, cantante de boleros (Vete de mí) y de bossa nova. Canta en inglés, francés, italiano, español y en portugués, y en Anos dourados y Olha María saca el dulce soutaque -acento- brasilero para rendir homenaje a Chico Buarque.

La elección del repertorio habla de su buen gusto y su coraje. En inglés hace todo el repertorio clásico de Broadway. Clásicos de Bernstein y Sondheim (Somewhere), Henri Mancini (Moon River), Ray Noble (The touch of your lips), Neil Hannon (Perfect lovesong), y se atreve incluso con My funny Valentine, de Rodgers, Kurt Weil (September song), los Beatles (For no one).

En francés rescata a Charles Trenet (Que reste-t-il de nos amours), Aznavour (Lei), Gainsbourg (la estupenda Black trombone) y el final espléndido Que c'est triste Venise de Françoise Dorin y Eddie Barclay.

Cantar todo eso y no morir en el intento no está al alcance de muchos. Y cantar como canta el Ne me quitte pas de Jacques Brel, con ese respeto religioso, emocionando, reinventándolo y llevándolo a su terreno pero siendo absolutamente fiel al espíritu y la letra, eso habla de que ahí hay una estrella.

A Camané se le nota más cómodo en el francés que en el inglés. "Fue su segunda lengua en el colegio", explica su hermano mayor, Helder Moutinho. Aunque ahí se le ve más suelto (la mano en el bolsillo), su manera de pronunciar las cinco lenguas (incluido el español del Vete de mí de Virgilio y Homero Expósito y el italiano de Estate) es espectacular.

El asunto tiene además una dificultad añadida: los arreglos de Mário Laginha, Pedro Moreira (que dirige la orquesta), Filipe Melo y Bernardo Sassetti abundan en la insistencia en los violines y los remates instrumentales cuando la voz ha terminado; eso hace que muchas canciones se parezcan entre sí, lo que acaba resultando monótono. Siempre que el peso recae en la frescura del magnífico combo de jazz, el espectáculo remonta. Aunque él sigue siendo escéptico: "Espero que por lo menos el último día salga bien de verdad".

Como dice el musicólogo Rui Vieira Nery en el texto del programa, "un fadista no es sólo aquel que canta fado. Es antes que nada alguien que tiene una relación expresiva especial con los textos, una manera particularmente intensa de colocar la voz, un cierto diseño inconfundible en el lanzamiento de las frases musicales...".

La pregunta es: ¿tendrá Camané que dejar de lado el fado para ser una figura internacional? No parece... En septiembre saldrá su nuevo disco de fados castizos. La espera será larga para sus seguidores, pero, como siempre, merecerá la pena.

quarta-feira, maio 02, 2007

O Melhor de "Bandeira"







A Uma Ausência - Soror Violantes do Céus

São Sebastião



A uma ausência

Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

quinta-feira, abril 26, 2007

Camané no São Luíz... A NÃO PERDER


OUTRAS CANÇÕES II

CAMANÉ E A ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA

27 ABR ~ 6 MAIO

Quinta a Domingo às 21h00


Um concerto único e memorável em que o Fadista canta

Tó Jobim Beatles Frank Sinatra Elis Regina Charles Aznavour Jacques Brel

e canções dos nossos musicais favoritos, acompanhado pela

Orquestra Sinfónica Portuguesa

e por um combo de músicos notáveis: João Moreira (trompete), Filipe Melo (piano), Mário Delgado (guitarra), Bernardo Moreira (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).

Arranjos de Pedro Moreira, Filipe Melo, Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Um concerto a não perder!

terça-feira, abril 24, 2007

Alexandre O'Neill



O amor é o amor

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!



Alexandre O´Neill
Poesias Completas
1951/1981
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda

O Melhor de "Bandeira"