quarta-feira, março 21, 2007

Projecto Guttenberg


Acede ao blog www.pagina-a-pagina.blospot.com e fica a saber do que se trata o Projecto Guttenberg.
Podes inscrever-te como revisor de obras ou fazer download de milhares de livros - EBOOK - em várias línguas e sobre variadíssimos assuntos, em formato txt.
Pode-se ainda descarregar IMAGENS, PARTITURAS DE MÚSICAS, AUDIOFILES, AUDIOBOOKS, e tudo de uma forma legal e autorizada, pois este trata-se de um projecto institucional a nivel mundial.
Vale a pena passar por lá.
Para saber mais podes também visitar http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal.
Lista completa

Esta é a lista completa de obras em língua portuguesa concluídas e disponíveis no Projecto Gutenberg. A grande maioria passou pelo Distributed Proofreaders.
Por ordem alfabética (autor):
Ameno, Francisco Luís
Anchieta, St. Joseph
Anes, Bandarra Gonçalo
Azevedo, Guilherme d’
Barbosa, Vicente
Bocage, Manoel Maria de Barbosa du
Braga, Teófilo
Brandão, Raúl
Camões, Luis Vaz de
Castelo Branco, Camilo
Castilho, António Feliciano de
Castro, Urbano de
Coelho, Trindade
Daniel, João
Dinis, Júlio
Espanca, Florbela
Feijó, António
Figueiredo, António Cândido de
Fonseca, Sebastião da
Freitas, Joaquim de Melo
Galvão, Duarte
Garrett, Almeida
Gil, Augusto
Gonzaga, Tomás António
Herculano, Alexandre
Lendas e Narrativas
Volume I;
Volume II;
Opúsculos por Alexandre Herculano
Volume I;
Volume II;
Volume IV;
Volume V;
Volume VII;
Volume IX;
Junqueiro, Guerra
Leal, José da Silva Mendes
Lopes, Fernão
Matos, Júlio de
Neto, J. Simões Lopes
Nobre, António
Nunes, Cláudio José
Ortigão, Ramalho e Queirós, Eça
As Farpas:
Pato, Raymundo Antonio de Bulhão
Pina, Rui de
Queirós, Eça de
Quental, Antero de
Sepúlveda, Cristóvão
Serpa Pinto, Alexandre Alberto da Rocha de
Silva, Possidonio da
Tolentino, Nicolau
Vasconcellos, António Augusto Teixeira de
Verde, Cesário
Viana, A. R. Gonçalves
Villeneuve, João

Dia Mundial da Poesia - Poema para Galileo









Poema para Galileo - António Gedeão

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.


Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!


Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.


Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.


Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.


Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.


Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.


Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

segunda-feira, março 19, 2007

Diz-me quem és, dir-te-ei em quem votas.

(clique na foto para aumentar e ler)

Divirta-se com este fantástico quadro de Rui Ramos, sobre a temática do Concurso da RTP - "Os Grandes Portugueses"... genial.
In: Revista Atlântico, Março de 2007


O Melhor de "Bandeira"





GRANDE FESTA DE ANIVERSÁRIO VAMPIRICA - ROCK IN CHIADO


GRANDE FESTA VAMPÍRICA
No próximo dia 6 de Abril, o espectáculo As Vampiras Lésbicas de Sodoma completará um ano de representações. Para assinalar o aniversário, o Clube de Fãs As Vampiras Lésbicas de Sodoma está a organizar uma festa no Rock In Chiado, mesmo ao lado do Teatro-Estúdio Mário Viegas, a que a Companhia Teatral do Chiado se associará, comparecendo em peso: elenco, encenador e restante equipa.
Como a festa é para todos, os espectadores da sessão desse dia estão automaticamente e compulsivamente convidados a aparecerem no referido espaço nocturno a partir das 00h30, para co-celebrar a Grande FestaVampírica! Caso não consiga bilhete para a representação dessa noite memorável não desespere, porque, ainda assim, a sua presença não só será permitida como desejada. Promete-se muita música, muita festança e folguedo e, claro (ou será melhor dizer escuro?! Afinal é de"vampirices" que se trata!),… muita, muita dentada!
Deixamos o melhor para o fim: o consumo mínimo é de €5,00; uma bagatela para conviver de perto com as estrelas, como aliás se pode comprovar com a recém nomeação do espectáculo para a edição de 2007 dos Globos de Ouro da SIC/Caras.
NÃO FALTEM E DIVULGUEM A GRANDE FESTA VAMPÍRICA

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Óscares 2007



Óscares 2007: Os vencedores

Filme
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Realização
Martin Scorsese, em The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Actor
Forest Whitaker, em The Last King of Scotland (O Último Rei da Escócia)
Actriz
Helen Mirren, em The Queen (A Rainha)
Actor Secundário
Alan Arkin, em Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos)
Actriz Secundária
Jennifer Hudson, em Dreamgirls (Dreamgirls)
Filme Estrangeiro
Das Leben der Anderen (As Vidas dos Outros), Alemanha
Argumento Original
Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos)
Argumento Adaptado
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Fotografia
El Laberinto del Fauno (O Labirinto de Fauno)
Montagem
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Direcção Artística
El Laberinto del Fauno (O Labirinto do Fauno)
Guarda-Roupa
Marie Antoinette (Marie Antoinette)
Orquestração
Babel (Babel)
Canção
"I Need To Wake Up", Melissa Etheridge, de An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente)
Caracterização
El Laberinto del Fauno (O Labirinto do Fauno)
Som
Dreamgirls (Dreamgirls)
Montagem de Som
Letters from Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima)
Efeitos Especiais
Pirates Of The Caribbean: Dead Man’s Chest (Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto)
Filme de Animação
Happy Feet (Happy Feet)
Documentário
An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente)
Curta-Metragem de Animação
The Danish Poet
Curta-Metragem
West Bank Story
Curta-Metragem Documental
The Blood Of Yingzhou District
Óscar Honorário
Ennio Morricone

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Poesia de W.C.


Deficientes ficam à porta de monumentos nacionais


"Os deficientes não entram." José Angelo, 49 anos, 20 dos quais tetraplégico, nem queria acreditar quando um funcionário lhe quis negar o acesso ao Palácio da Pena, em Sintra. Motivo: "O edifício não está preparado para cadeiras de rodas." Ali perto, no Palácio nacional da Vila, disseram-lhe, a seguir, a mesma coisa, tal como no Palácio nacional de Mafra, onde estivera antes.

José Angelo, residente em Coimbra, casado, pai de uma filha de nove anos, depressa concluiu que ficará sempre à porta da maior parte dos monumentos nacionais geridos pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar). Elísio Summavielle, em declarações ao DN, admite que esta foi a situação encontrada há um ano quando assumiu a presidência desta entidade. Mas, garante, "a realidade vai mudar".

Foi um fim de semana "triste" para José Angelo e para a esposa, Maria João, de 39 anos, que com um grupo de amigos de Coimbra quiseram "sair para fora cá dentro" no período de carnaval. Aquele Palácio da Pena, expressão máxima do romantismo aplicado ao património no século XIX, ficará em má memória. Os serviços de turismo de Sintra haviam dito a Maria João que, em vez de levar o carro para o centro da vila, poderia usar o comboio turístico que os transportaria até ao monumento.

Até aqui tudo correu conforme o planeado. O problema surgiu ao chegarem ao palácio. Os funcionários disseram que José não podia entrar. Justificaram que havia muitas escadas, e que o edifício não se encontrava preparado para pessoas com deficiência em cadeira de rodas. "A sua entrada empataria os restantes visitantes", ouviu. Os amigos juntaram-se e garantiram que pegariam na cadeira com José, à força de braços, sempre que fosse necessário subir e descer escadas. A permissão, "em jeito de favor", surgiu com a justificação de que "há pouco movimento".

A indignação impediu José e Maria João de apreciarem aquele repositório de épocas, estilos e gostos, deixando lavrado um protesto numa folha A4, porque nem livro de re- clamações ali havia. O mesmo protesto deixaram escrito, depois, no Palácio Nacional de Sintra, onde funcionários "bem mais simpáticos" lamentaram a falta de rampas para cadeiras de rodas.

Visitas impossíveis

O DN, sem se identificar, contactou os serviços deste palácio dizendo que pretendia agendar uma visita para pessoas em cadeiras de rodas. Um funcionário respondeu que "seria impossível", atendendo às condições do edifício, e aconselhou uma visita ao Palácio de Queluz. Usando o mesmo argumento, foi contactado o Convento de Cristo, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, a Estação Arqueológica de Miróbriga, o Panteão Nacional, e outros, constituindo a maioria dos pertencentes do Ippar. Todos lamentaram não ter condições para cidadãos em cadeiras de rodas.

Guedes da Fonte, de 65 anos, da Associação de Deficientes das Forças Armadas, lamenta não poder assistir aos "belos" concertos no Convento de Mafra, onde José e Maria João também lavraram um protesto. As 48 escadas do edifício são catastróficas.

Maria de Lurdes Afonso, da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), na secção da Amadora, já só queria uma rampa no Centro de Saúde da Venda Nova. Para esta tesoureira da APD, o acesso à cultura é importante, mas gostaria mais de ter acessível, por exemplo, o Notário do Centro Comercial Babilónia, na Amadora. Espero que o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (que hoje se assinala) não seja uma mentira como foi o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência", disse Maria de Lurdes. O DN tentou falar com a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, mas nenhum responsável esteve contactável.


in, Diário de Notícias, 23 Fevereiro 2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Lisboa - Eugénio de Andrade



Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade