quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia - Poema para Galileo









Poema para Galileo - António Gedeão

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.


Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!


Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.


Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.


Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.


Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.


Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.


Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

segunda-feira, março 19, 2007

Diz-me quem és, dir-te-ei em quem votas.

(clique na foto para aumentar e ler)

Divirta-se com este fantástico quadro de Rui Ramos, sobre a temática do Concurso da RTP - "Os Grandes Portugueses"... genial.
In: Revista Atlântico, Março de 2007


O Melhor de "Bandeira"





GRANDE FESTA DE ANIVERSÁRIO VAMPIRICA - ROCK IN CHIADO


GRANDE FESTA VAMPÍRICA
No próximo dia 6 de Abril, o espectáculo As Vampiras Lésbicas de Sodoma completará um ano de representações. Para assinalar o aniversário, o Clube de Fãs As Vampiras Lésbicas de Sodoma está a organizar uma festa no Rock In Chiado, mesmo ao lado do Teatro-Estúdio Mário Viegas, a que a Companhia Teatral do Chiado se associará, comparecendo em peso: elenco, encenador e restante equipa.
Como a festa é para todos, os espectadores da sessão desse dia estão automaticamente e compulsivamente convidados a aparecerem no referido espaço nocturno a partir das 00h30, para co-celebrar a Grande FestaVampírica! Caso não consiga bilhete para a representação dessa noite memorável não desespere, porque, ainda assim, a sua presença não só será permitida como desejada. Promete-se muita música, muita festança e folguedo e, claro (ou será melhor dizer escuro?! Afinal é de"vampirices" que se trata!),… muita, muita dentada!
Deixamos o melhor para o fim: o consumo mínimo é de €5,00; uma bagatela para conviver de perto com as estrelas, como aliás se pode comprovar com a recém nomeação do espectáculo para a edição de 2007 dos Globos de Ouro da SIC/Caras.
NÃO FALTEM E DIVULGUEM A GRANDE FESTA VAMPÍRICA

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Óscares 2007



Óscares 2007: Os vencedores

Filme
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Realização
Martin Scorsese, em The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Actor
Forest Whitaker, em The Last King of Scotland (O Último Rei da Escócia)
Actriz
Helen Mirren, em The Queen (A Rainha)
Actor Secundário
Alan Arkin, em Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos)
Actriz Secundária
Jennifer Hudson, em Dreamgirls (Dreamgirls)
Filme Estrangeiro
Das Leben der Anderen (As Vidas dos Outros), Alemanha
Argumento Original
Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos)
Argumento Adaptado
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Fotografia
El Laberinto del Fauno (O Labirinto de Fauno)
Montagem
The Departed (The Departed: Entre Inimigos)
Direcção Artística
El Laberinto del Fauno (O Labirinto do Fauno)
Guarda-Roupa
Marie Antoinette (Marie Antoinette)
Orquestração
Babel (Babel)
Canção
"I Need To Wake Up", Melissa Etheridge, de An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente)
Caracterização
El Laberinto del Fauno (O Labirinto do Fauno)
Som
Dreamgirls (Dreamgirls)
Montagem de Som
Letters from Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima)
Efeitos Especiais
Pirates Of The Caribbean: Dead Man’s Chest (Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto)
Filme de Animação
Happy Feet (Happy Feet)
Documentário
An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente)
Curta-Metragem de Animação
The Danish Poet
Curta-Metragem
West Bank Story
Curta-Metragem Documental
The Blood Of Yingzhou District
Óscar Honorário
Ennio Morricone

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Poesia de W.C.


Deficientes ficam à porta de monumentos nacionais


"Os deficientes não entram." José Angelo, 49 anos, 20 dos quais tetraplégico, nem queria acreditar quando um funcionário lhe quis negar o acesso ao Palácio da Pena, em Sintra. Motivo: "O edifício não está preparado para cadeiras de rodas." Ali perto, no Palácio nacional da Vila, disseram-lhe, a seguir, a mesma coisa, tal como no Palácio nacional de Mafra, onde estivera antes.

José Angelo, residente em Coimbra, casado, pai de uma filha de nove anos, depressa concluiu que ficará sempre à porta da maior parte dos monumentos nacionais geridos pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar). Elísio Summavielle, em declarações ao DN, admite que esta foi a situação encontrada há um ano quando assumiu a presidência desta entidade. Mas, garante, "a realidade vai mudar".

Foi um fim de semana "triste" para José Angelo e para a esposa, Maria João, de 39 anos, que com um grupo de amigos de Coimbra quiseram "sair para fora cá dentro" no período de carnaval. Aquele Palácio da Pena, expressão máxima do romantismo aplicado ao património no século XIX, ficará em má memória. Os serviços de turismo de Sintra haviam dito a Maria João que, em vez de levar o carro para o centro da vila, poderia usar o comboio turístico que os transportaria até ao monumento.

Até aqui tudo correu conforme o planeado. O problema surgiu ao chegarem ao palácio. Os funcionários disseram que José não podia entrar. Justificaram que havia muitas escadas, e que o edifício não se encontrava preparado para pessoas com deficiência em cadeira de rodas. "A sua entrada empataria os restantes visitantes", ouviu. Os amigos juntaram-se e garantiram que pegariam na cadeira com José, à força de braços, sempre que fosse necessário subir e descer escadas. A permissão, "em jeito de favor", surgiu com a justificação de que "há pouco movimento".

A indignação impediu José e Maria João de apreciarem aquele repositório de épocas, estilos e gostos, deixando lavrado um protesto numa folha A4, porque nem livro de re- clamações ali havia. O mesmo protesto deixaram escrito, depois, no Palácio Nacional de Sintra, onde funcionários "bem mais simpáticos" lamentaram a falta de rampas para cadeiras de rodas.

Visitas impossíveis

O DN, sem se identificar, contactou os serviços deste palácio dizendo que pretendia agendar uma visita para pessoas em cadeiras de rodas. Um funcionário respondeu que "seria impossível", atendendo às condições do edifício, e aconselhou uma visita ao Palácio de Queluz. Usando o mesmo argumento, foi contactado o Convento de Cristo, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, a Estação Arqueológica de Miróbriga, o Panteão Nacional, e outros, constituindo a maioria dos pertencentes do Ippar. Todos lamentaram não ter condições para cidadãos em cadeiras de rodas.

Guedes da Fonte, de 65 anos, da Associação de Deficientes das Forças Armadas, lamenta não poder assistir aos "belos" concertos no Convento de Mafra, onde José e Maria João também lavraram um protesto. As 48 escadas do edifício são catastróficas.

Maria de Lurdes Afonso, da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), na secção da Amadora, já só queria uma rampa no Centro de Saúde da Venda Nova. Para esta tesoureira da APD, o acesso à cultura é importante, mas gostaria mais de ter acessível, por exemplo, o Notário do Centro Comercial Babilónia, na Amadora. Espero que o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (que hoje se assinala) não seja uma mentira como foi o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência", disse Maria de Lurdes. O DN tentou falar com a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, mas nenhum responsável esteve contactável.


in, Diário de Notícias, 23 Fevereiro 2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Lisboa - Eugénio de Andrade



Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade

D. Manuel Clemente é o novo bispo do Porto

D. Manuel Clemente é o novo bispo do Porto

D. Manuel Clemente, actual bispo auxiliar de Lisboa, é o novo bispo do Porto, substituindo D. Armindo Coelho, anunciou hoje o Vaticano.
Em comunicado, a Nunciatura Apostólica em Lisboa refere que o Papa Bento XVI aceitou a resignação de D. Armindo Coelho, uma vez que atingiu o limite de idade canónico, 75 anos, para o exercício daquelas funções.

D. Manuel Clemente, 58 anos, era bispo auxiliar de Lisboa desde 22 de Janeiro de 2000, tendo a sua nomeação episcopal sido anunciada em Novembro de 1999.

Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, D. Manuel Clemente é professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e presidente da Comissão da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Armindo Coelho, que a 16 de Fevereiro celebrou 76 anos, encontra-se afastado do governo da diocese do Porto desde Outubro de 2006 devido a um acidente vascular cerebral.

O até agora bispo titular, que continua internado no Hospital da Prelada, no Porto, tinha sido provisoriamente substituído por D. João Miranda Teixeira, bispo auxiliar, que fora nomeado Administrador Apostólico por Bento XVI.

Diário Digital / Lusa

D. MANUEL JOSÉ MACÁRIO DO NASCIMENTO CLEMENTE

- Nasceu em S. Pedro e S. Tiago, concelho de Torres Vedras, no dia 16 de Julho de 1948.


FORMAÇÃO E FUNÇÕES ACADÉMICAS

- Após concluir o curso secundário, frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa onde se formou em História.

- Licenciado em História, ingressou no Seminário Maior dos Olivais em 1973.

- Em 1979 licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, doutorando-se em Teologia Histórica em 1992, com uma tese intitulada Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A "Sociedade Católica" (1843-1853).

- Desde 1975, lecciona História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa.



FUNÇÕES E CARGOS ECLESIAIS

- Ordenação Sacerdotal - 29/06/1979.

- Coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa - 1980.

- Membro da Equipa Formadora do Seminário Maior dos Olivais - 1980 a 1989.

- Vice-Reitor do Seminário Maior dos Olivais - 1989 a 1997.

- Reitor do mesmo Seminário desde 1997.

- Membro do Cabido da Sé Patriarcal desde 1997.

- Coordenador do Conselho Presbiteral do Patriarcado desde 1996.

- Director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.

- Coordenador da Comissão Preparatória da Assembleia Jubilar do Presbitério para o Ano 2000.

- Nomeado Bispo Titular de Pinhel e Auxiliar do Patriarcado de Lisboa – 6 de Novembro de 1999

- Ordenação Episcopal - 22/01/2000

- Bispo Auxiliar de Lisboa.

- Promotor da Pastoral da Cultura na Conferência Episcopal Portuguesa, desde 11 de Abril de 2002.

- Membro da Comissão Episcopal de Comunicações Sociais desde 20 de Junho de 2002.

- Colabora habitualmente nos programas "Ecclesia" (RTP2)

- Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais eleito em 5 de Abril de 2005


PUBLICAÇÕES

Livros e estudos sobre temas das áreas de História, Teologia e Pastoral, publicados em edições e revistas da especialidade, de que se destacam:

- Igreja e Sociedade Portuguesa do Liberalismo à República. Lisboa, Grifo, 2002.
- A Igreja no tempo. Lisboa, Grifo, 2000.
- ESPÍRITO e espírito na história ocidental - os despistes da esperança. In As razões da nossa esperança. A caminho do terceiro milénio. Lisboa, Rei dos livros,1998.
- Das prelaturas políticas às prelaturas pastorais: o caso de Pinhel. In Lusitania Sacra. Segunda série. Lisboa, 8-9, 1996-1997.
- Milenarismos. In Creio na vida eterna. Lisboa: Rei dos livros, 1996.
- Sínodos em Portugal: um esboço histórico. In Estudos Teológicos. Coímbra. 1, 1996.
- As paróquias de Lisboa em tempo de liberalismo. In Didaskalia. Lisboa, 25, 1995.
- Os Seminários de Lisboa. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 8, 1994.
- Universidade Católica Portuguesa: uma realização de longas expectativas. In Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 6, 1994.
- A sociedade portuguesa à data da publicação da Rerum Novarum: o sentimento católico. In Lusitanis Sacra. Segunda série. Lisboa, 6, 1994.
- Igreja e sociedade portuguesa do Liberalismo à República. In Didaskalia. Lisboa, 24, 1994.
- Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal, A "Sociedade Católica" (1843-1853). Braga, 1993.
- Cristandade e secularidade. In A salvação em Jesus Cristo. Lisboa, Rei dos Livros, 1993.
- Fé, razão e conhecimento de Deus no Vaticano I e no Vaticano II. In Communio. Lisboa, 10:6, 1993.
- A Igreja e o Liberalismo. Um desafio e uma primeira resposta. Communio. Lisboa, 9:6, 1992.
- Laicização da sociedade e afirmação do laicado em Portugal (1820-1840) . In Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 3, 1991.
- O Congresso católico do Porto (1871-1872) e a emergência do laicado em Portugal. Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 1, 1989.
- Cardeal Cerejeira: Pensamento, coração e relação com o poder. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 15, 1989.
- Clericalismo e anticlericalismo na cultura portuguesa. In Reflexão Cristã. Lisboa, 53, 1987.
- Reflexões sobre os 50 anos da Acção Católica Portuguesa. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 8, 1984.
- Católicos, Estado e Sociedade no Portugal oitocentista (congressos católicos de 1891 e 1895). Communio. Lisboa, 1:3, 1984.
- Notas de cultura portuguesa. Do teatro sagrado ao teatro profano. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 6-7, 1983.
- Notas de cultura portuguesa. Os papas e Portugal. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 2-3, 1983.
- Monsenhor Pereira dos Reis. (Em colaboração). Lisboa, 1979.
- A Igreja no tempo. História breve da Igreja Católica. Lisboa, 1978.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ode à Paz - Natália Correia


ODE À PAZ

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!