domingo, fevereiro 11, 2007

A NOITE E A ROSA - Vasco de Lima Couto

A NOITE E A ROSA
Vasco de Lima Couto

Fiz da noite a rosa
As mãos do pecado
No tempo da rosa
Sorrindo a teu lado
Falei-te por mim
Ouviste por ti
E os ramos surgiram
Depois que te vi
As mulheres da noite
Rasgaram as luas
E eu e tu fugimos
Por todas as ruas
Olhaste o meu rosto
Marcado pela fama
E abriste o teu peito
No fogo e na chama
Pedaços de rosa
Beijaram a cama
Que dói por que dói
Quando o amor nos chama
Pedaços de rosa
Beijaram a cama
Fiz do nosso dia
Depois da partida
Um lago desfeito
Onde deixei a vida
Que a vida eras tu
Os campos da história
Abrindo esta rosa
Chamada memória
Falei com amigos
De ontem como hoje
Chamando o teu corpo
Que em meu corpo foge
E a mãe que eu já tive
Abriu-se no mar
Para que o meu amor
Se fosse deitar
E a rosa era a noite
E a noite era a o dia
Rasgando as palavras
Que ninguém sabia
E a rosa era a noite
E a noite era o dia

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Artigo de Opinião de Mário Viegas no Diário Económico, 30-06-1995


TEATRO
Por Mário Viegas

Crónica muito violenta, indignada, contra três bestas humanas inimigas de Portugal

Está na moda arrasar uns «pobres diabos» que aparecem nos 4 canais de televisão que temos e chamar-lhes: javardos, vendidos, produto da incultura e estupidez, atrazados menstais, ordinários, oportunistas, prostitutas, gandulos, boçais… uns montes de Merda, enfim!...
E lá se citam os nomes dos ex-actores de Teatro ou políticos como: o Baião, o Samora, o Zé Jorge Duarte, a Lídia Franco, o Monchique, a amiga Olga, o Luís Pereira de Sousa, o Pacheco Pereira, o Marco Paulo, a Rita Blanco, o Goucha… uns montes de figuras, enfim!...
Mas ninguém tem a coragem de chamar os mesmos nomes a uns «intelectuais», «pensadores», «analistas», «comentadores», que escrevem e dizem os jornais e Televisão, as maiores enormidades. Mais grave ou pior que as desses «pindéricos» que (coitados) andam a ganhar a vida, sem se arrumar automóveis…
Como são artigos ditos por malandrins e malandronas, que se infiltram num certo meio jornalístico, pela cama, pelos bares de opinião alcoólica, ninguém lhes toca.
Vejam lá se não são tão ordinários (ou mais!) do que os outros?!
Passo a citar:
CLARA FERREIRA ALVES – (uma pirosa, de cabelo mal-pintado, que fala pretenciosamente de tudo e todos, antes de atender um senhor que se segue… na SIC)
«(…) em Portugal não acontece nada (…) Portugal só é falado a reboque da Espanha (…) o nosso ritmo é o dos povos infelizes, com muito passado, pouco presente e nenhum futuro.»
Basta!!! Esta «amiga Olga dos intelectuais» deve andar na pré-menopausa dela e a confundi-la com o Povo Português. Pirosa!!!!! Volta amiga Olga, que estás perdoada!!!!
VASCO PULIDO VALENTE – (um homenzinho balofo, a destilar cubos de gelo para Whisky, por todos os lados e que já nos sacou dinheiro como Secretário de Estado da Cultura!!!)
«(…) Portugal, culturalmente não tem grande interesse, à excepção de 2 ou 3 coisas: a nave Alcobaça, o Convento de Cristo e uma e uma ou outra curiosidade. (…) os portugueses não lêem ou lêem lixo! Mas leio eu vários amigos meus e não vejo porque motivo o Estado nos sacrifica à estupidez da Raça!»
Basta!! Vamos Ordinário Cobardola!!! Volta Marco Paulo, que estás perdoado, perante tais vómitos de ódio a si mesmo e à Pátria que lhe tem dado tantos «tachos»!!!...
ALBERTO PIMENTA – (é um tipo que parece um gorila de rabo pelado. Julga-se humorista, escreveu um livro chamado «Discurso sobre o filho da puta», meteu-se numa jaula do Zoo, para ver as reacções dos outros. Mas os «outros» não reagiram, pois confundiram-no com um «macacóide» que estava ao lado dele a meter-lhe uma banana na boca.)
«A Arte em Portugal não tem nada a ver com a vida (…) Há um egoísmo parfeitamente catastrófico que caracteriza os Portugueses (…) Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo da civilização urbana.»
Basta!!! E ninguém lhe põe Pimenta no rabo, a ver se nos salta da nossa vida para fora? Volta Baião que estás perdoado!!!
Estas citações são tiradas de artigos que escreveram em jornais. Quem lhes paga para escrever estas opiniões demolidoras, racistas, fascistas, pretensiosas e inacreditáveis?! Faltam tantos Almada Negreiros por aí, para demolirem nuns bons «Manifestos Anti-Cagões Intelectuais». Estes «seres pensantes» são daquela raça de portugueses que afirma:
«- Este país é pequeno de mais para mim!»
Então não chateiem e vão ser professores, analistas, cronistas para a Amazónia ou para o deserto do Saara!!! E como são feios, porcos e maus já estou a vê-los vomitar cólera contra mim e a dizerem:
- Mas quem é que este medíocre do Actor Mário Viegas se julga, para nos atacar assim?!
Estou-me a ralar para eles! Eles até não me vão ver ao Teatro há anos… Nem a mim nem a ninguém!!
Voltarei, em próximas crónicas, a outros mitos de pé-de-barro! Se estes não andarem já a pensar como me hão-de calar a boca. É gente para isso e para muito pior! Até para lançar o gaz da «Verdade Suprema» na redacção do «Diário Económico». Cuidado!!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

LOST IN SPACE - Perdidos no Espaço

(Re-)Estreou na passada quarta-feira, o espectáculo “LOST IN SPACE – Perdidos no Espaço”, inspirado no texto Alto Mar de Slawomir Mrozekcom João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiroàs quintas-feiras pelas 22h, no Teatro-Estúdio Mário Viegas, em Lisboa.

Lost In Space é uma pequena (cerca de 50 minutos) grande comédia. Uma loucura com método – ou seja, com guião – onde, devido a um problema de escassez de alimentos a bordo da nave espacial, os 3 astronautas – elegantemente vestidos por Dino Alves – entram num delírio absolutamente non-sense - mas com muito sentido – sobre política, religião, o sentido dos referendos, entre outras questões pertinentemente levantadas e comicamente discutidas.

Com pouquíssimos recursos, foi possível criar em palco todo um ambiente espacial... capsulas que são secadores de cabelos, portas automáticas invisíveis, com códigos invisíveis, fumos galácticos, contactos com a terra... tudo está presente.

Cada um dos três actores interpreta uma personagem com uma personalidade bem vincada e hilariante.
Tobias Monteiro o “enfezado” - mártir, Paulo Duarte Ribeiro o “astuto” – cozinheiro e João Craveiro o “causador” – sindicalista.

Não é possível contar-vos mais... e acho que já contei muito. Interessa sim é que corram ao Teatro-Estúdio Mário Viegas para verem esta comédia de um humor inteligente e [muito] imprevisível, com um brilhante momento musical e de recita de poesia... mais ou menos...

Para saberem mais visitem:
http://spacelost.blogspot.com/
http://kindofblackbox.blogspot.com/
http://pancadademoliere.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 30, 2007

Comédia! Comédia! Comédia!

(Juvenal Garcês - Fundador, Director e Encenador da Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas)


Dez anos a fazer rir! 1.021 representações! 155.237 espectadores e 118 digressões!
Quando, em 1996, decidi dirigir este espectáculo tinha desaparecido um dos maiores actores portugueses e uma das personalidades mais marcantes do teatro português do pós 25 de Abril – Mário Viegas! Um mestre na arte da comédia.
O Mário Viegas foi, não tenhamos medo das palavras, um “Grande Cómico” e não só…! Era justo mostrar o que tinha aprendido com ele e dar-lhe continuidade! Por isso resolvi dirigir este espectáculo: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos.
A comédia sempre foi o género de teatro mais amado pelo grande público.
A comédia é o retrato mais fiel da sensibilidade popular!

Muitas vezes sou abordado na rua e perguntam-me:
- o que é que estão a fazer agora?
- Estamos a ensaiar um novo espectáculo!
- E é para rir?

O povo (esta palavra tão fora de moda) sempre gostou de censurar os erros e os vícios do seu tempo com críticas mordazes, jocosas. Por isso, o Mário Viegas, seguindo esta grande tradição teatral, fundou a CTC e escolheu para padroeiros desta companhia o Bucha e o Estica, os dois cómicos mais populares de sempre.
E como rir é o melhor remédio Shakespeare escreveu 16 comédias. E nada melhor que o riso para provocar o escárnio, a simpatia, a alegria, o júbilo e a cumplicidade do público…! Mesmo nas suas grandes tragédias, dez, Shakespeare não resistiu a colocar cenas ou personagens de comédia nos primeiros planos para provocar o riso… era preciso rir com um olho para depois chorar com o outro! Uma vez, assistindo a uma representação da famosa tragédia Ricardo III, o público, com a morte do rei, não se coibiu de rir e bater palmas. Era uma maneira de castigar o famoso vilão de Shakespeare!
Muitos “bem pensantes” em Portugal tentaram fazer-nos crer que a comédia é um género menor, que é “ir atrás do público”… chegando mesmo a afirmar que ter público não é importante. Para eles vai a minha grande gargalhada!
Muitos dirão que estou a falar de “lugares-comuns”, mas o que não é comum é que hoje, em plena época natalícia, por excelência festiva, a cidade de Lisboa, que se diz europeia, tenha apenas 3 comédias em cartaz (duas delas aqui no Teatro Mário Viegas). Meus senhores, isto não é normal!
Com esta paródia ao génio de Shakespeare a CTC pôde levar à cena dramaturgos como Henrik Ibsen, August Strindberg, Samuel Beckett, John Osborne, Israel Horowitz, Peter Shaffer, Bill Manhoff, John Godber, Charles Busch, José Jorge Letria e Almada Negreiros.
As Obras Completas de William Sakespeare em 97 Minutos têm sido o retrato fiel do meu país: Muito riso e pouco dinheiro! Dez anos a rir muito para não chorar.
Nos últimos anos o Teatro Mário Viegas, em pleno coração da cidade, tem tido o apoio do MC de 80 euros por dia enquanto outros espaços teatrais chegam a ter 1700 euros diários! Muitos dirão que a arte não é justa mas cruel! A esses respondo-lhes com a mesma crueldade: os pobres não têm tempo para meter lá os pés! Ou, se quiserem: os pobres não entram na casa dos ricos! Melhor ainda: não fazem parte do grande Teatro, o Teatro que é eleito por aqueles que estão mais próximos do céu! Alguns pensarão que estou a ser demagogo e vaidoso, não! Só quero um país mais justo!


[Discurso de Juvenal Garcês, director artístico da Companhia Teatral do Chiado e encenador do espectáculo As Obras Completas de William Shakeaperea em 97 minutos leu no dia do 10º aniversário desde estectáculo - 28 de Novembro de 2006]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O Melhor de "Bandeira"


Diário de Noticias - 25 Janeiro 2007



Medievalista e erudito da maçonaria que deixa uma vasta obra histórica

Maçon convicto

Grande medievalista, maçon convicto e historiador que deixa marcas na comunidade científica com dezenas de obras, António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques não resistiu terça-feira a problemas do coração, acabando por falecer num hospital de Lisboa, aos 73 anos. O funeral realiza-se hoje no Cemitério dos Prazeres, às 14.00.

É um nome mais do que conhecido no mundo académico, nacional e internacional (também pela sua erudição sobre a maçonaria). Mas pessoalmente mostrava-se muito reservado. O jornalista António Valdemar, que o conheceu durante 40 anos, declarou ao DN que Oliveira Marques "era uma pessoa de convívio altamente rigoroso", em que primava a discrição. "Só em circunstâncias muito especiais vinha a público. Era muito discreto, de grande afabilidade e correcção, mas que exigia contrapartida", acentua o jornalista. E dele recorda "o bom gosto pelo ambiente e pela comida, como pessoa que sempre viveu muito bem, financeiramente confortável, mas sem o gosto do novo rico".
Aos 40 anos entra na maçonaria, em que chegou a ser grão-mestre adjunto e grau 33 do Supremo Conselho, que manteve de 1991 a 1994.

"A partir daí Oliveira Marques entra para o Grande Conselho Maçónico, o órgão mais importante do Grande Oriente Lusitano. Ele teve sempre cargos muito importantes aqui dentro e manteve-se activo até ao fim", especificou ao DN o grão-mestre António Reis. Oliveira Marques estava a trabalhar no seu último volume da História da Maçonaria em Portugal, que incidia sobre o período de 1926 até 1974. "Não teve tempo de o acabar, mas espero que outras pessoas levem essa tarefa a cabo", observou António Reis.

Licenciado em 1956 em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Oliveira Marques segue no ano seguinte para a Alemanha, onde estagia em Würzburg. É em 1964 que inicia a sua carreira como docente universitário, mas parte para os EUA pouco depois, para leccionar em várias universidades, assim como dar conferências por todo o país - após ter apoiado a greve académica e de a ditadura lhe ter fechado as portas da universidade em Portugal, onde voltou em 1970.

A. H. de Oliveira Marques foi director da Biblioteca Nacional (1974/ 76). Em 1976, tomou posse do cargo de professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa. Foi condecorado em 1998 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo então presidente Jorge Sampaio, que ontem relembrou à agência Lusa as suas "vivas recordações" do assistente na Faculdade de Letras em 1961/62.
Ao longo da sua vida, Oliveira Marques escreveu mais de 60 livros e contam-se em mais de um milhar os artigos em revistas, enciclopédias e dicionários. Deu conferências em várias universidades europeias, norte-americanas e brasileiras. Após o 25 de Abril assumiu posições no movimento iberista, e pediu a extinção da Academia das Ciências.

A História de Portugal foi o seu livro mais conhecido, com 13 edições e tradução em nove línguas. Ultimamente dirigia em parceria com Joel Serrão duas colecções de história portuguesa, respectivamente Nova História de Portugal e Nova História da Expansão Portuguesa, além da História dos Portugueses no Extremo Oriente. Escreveu também sobre a I República e o Estado Novo.