terça-feira, janeiro 30, 2007

Comédia! Comédia! Comédia!

(Juvenal Garcês - Fundador, Director e Encenador da Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas)


Dez anos a fazer rir! 1.021 representações! 155.237 espectadores e 118 digressões!
Quando, em 1996, decidi dirigir este espectáculo tinha desaparecido um dos maiores actores portugueses e uma das personalidades mais marcantes do teatro português do pós 25 de Abril – Mário Viegas! Um mestre na arte da comédia.
O Mário Viegas foi, não tenhamos medo das palavras, um “Grande Cómico” e não só…! Era justo mostrar o que tinha aprendido com ele e dar-lhe continuidade! Por isso resolvi dirigir este espectáculo: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos.
A comédia sempre foi o género de teatro mais amado pelo grande público.
A comédia é o retrato mais fiel da sensibilidade popular!

Muitas vezes sou abordado na rua e perguntam-me:
- o que é que estão a fazer agora?
- Estamos a ensaiar um novo espectáculo!
- E é para rir?

O povo (esta palavra tão fora de moda) sempre gostou de censurar os erros e os vícios do seu tempo com críticas mordazes, jocosas. Por isso, o Mário Viegas, seguindo esta grande tradição teatral, fundou a CTC e escolheu para padroeiros desta companhia o Bucha e o Estica, os dois cómicos mais populares de sempre.
E como rir é o melhor remédio Shakespeare escreveu 16 comédias. E nada melhor que o riso para provocar o escárnio, a simpatia, a alegria, o júbilo e a cumplicidade do público…! Mesmo nas suas grandes tragédias, dez, Shakespeare não resistiu a colocar cenas ou personagens de comédia nos primeiros planos para provocar o riso… era preciso rir com um olho para depois chorar com o outro! Uma vez, assistindo a uma representação da famosa tragédia Ricardo III, o público, com a morte do rei, não se coibiu de rir e bater palmas. Era uma maneira de castigar o famoso vilão de Shakespeare!
Muitos “bem pensantes” em Portugal tentaram fazer-nos crer que a comédia é um género menor, que é “ir atrás do público”… chegando mesmo a afirmar que ter público não é importante. Para eles vai a minha grande gargalhada!
Muitos dirão que estou a falar de “lugares-comuns”, mas o que não é comum é que hoje, em plena época natalícia, por excelência festiva, a cidade de Lisboa, que se diz europeia, tenha apenas 3 comédias em cartaz (duas delas aqui no Teatro Mário Viegas). Meus senhores, isto não é normal!
Com esta paródia ao génio de Shakespeare a CTC pôde levar à cena dramaturgos como Henrik Ibsen, August Strindberg, Samuel Beckett, John Osborne, Israel Horowitz, Peter Shaffer, Bill Manhoff, John Godber, Charles Busch, José Jorge Letria e Almada Negreiros.
As Obras Completas de William Sakespeare em 97 Minutos têm sido o retrato fiel do meu país: Muito riso e pouco dinheiro! Dez anos a rir muito para não chorar.
Nos últimos anos o Teatro Mário Viegas, em pleno coração da cidade, tem tido o apoio do MC de 80 euros por dia enquanto outros espaços teatrais chegam a ter 1700 euros diários! Muitos dirão que a arte não é justa mas cruel! A esses respondo-lhes com a mesma crueldade: os pobres não têm tempo para meter lá os pés! Ou, se quiserem: os pobres não entram na casa dos ricos! Melhor ainda: não fazem parte do grande Teatro, o Teatro que é eleito por aqueles que estão mais próximos do céu! Alguns pensarão que estou a ser demagogo e vaidoso, não! Só quero um país mais justo!


[Discurso de Juvenal Garcês, director artístico da Companhia Teatral do Chiado e encenador do espectáculo As Obras Completas de William Shakeaperea em 97 minutos leu no dia do 10º aniversário desde estectáculo - 28 de Novembro de 2006]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O Melhor de "Bandeira"


Diário de Noticias - 25 Janeiro 2007



Medievalista e erudito da maçonaria que deixa uma vasta obra histórica

Maçon convicto

Grande medievalista, maçon convicto e historiador que deixa marcas na comunidade científica com dezenas de obras, António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques não resistiu terça-feira a problemas do coração, acabando por falecer num hospital de Lisboa, aos 73 anos. O funeral realiza-se hoje no Cemitério dos Prazeres, às 14.00.

É um nome mais do que conhecido no mundo académico, nacional e internacional (também pela sua erudição sobre a maçonaria). Mas pessoalmente mostrava-se muito reservado. O jornalista António Valdemar, que o conheceu durante 40 anos, declarou ao DN que Oliveira Marques "era uma pessoa de convívio altamente rigoroso", em que primava a discrição. "Só em circunstâncias muito especiais vinha a público. Era muito discreto, de grande afabilidade e correcção, mas que exigia contrapartida", acentua o jornalista. E dele recorda "o bom gosto pelo ambiente e pela comida, como pessoa que sempre viveu muito bem, financeiramente confortável, mas sem o gosto do novo rico".
Aos 40 anos entra na maçonaria, em que chegou a ser grão-mestre adjunto e grau 33 do Supremo Conselho, que manteve de 1991 a 1994.

"A partir daí Oliveira Marques entra para o Grande Conselho Maçónico, o órgão mais importante do Grande Oriente Lusitano. Ele teve sempre cargos muito importantes aqui dentro e manteve-se activo até ao fim", especificou ao DN o grão-mestre António Reis. Oliveira Marques estava a trabalhar no seu último volume da História da Maçonaria em Portugal, que incidia sobre o período de 1926 até 1974. "Não teve tempo de o acabar, mas espero que outras pessoas levem essa tarefa a cabo", observou António Reis.

Licenciado em 1956 em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Oliveira Marques segue no ano seguinte para a Alemanha, onde estagia em Würzburg. É em 1964 que inicia a sua carreira como docente universitário, mas parte para os EUA pouco depois, para leccionar em várias universidades, assim como dar conferências por todo o país - após ter apoiado a greve académica e de a ditadura lhe ter fechado as portas da universidade em Portugal, onde voltou em 1970.

A. H. de Oliveira Marques foi director da Biblioteca Nacional (1974/ 76). Em 1976, tomou posse do cargo de professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa. Foi condecorado em 1998 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo então presidente Jorge Sampaio, que ontem relembrou à agência Lusa as suas "vivas recordações" do assistente na Faculdade de Letras em 1961/62.
Ao longo da sua vida, Oliveira Marques escreveu mais de 60 livros e contam-se em mais de um milhar os artigos em revistas, enciclopédias e dicionários. Deu conferências em várias universidades europeias, norte-americanas e brasileiras. Após o 25 de Abril assumiu posições no movimento iberista, e pediu a extinção da Academia das Ciências.

A História de Portugal foi o seu livro mais conhecido, com 13 edições e tradução em nove línguas. Ultimamente dirigia em parceria com Joel Serrão duas colecções de história portuguesa, respectivamente Nova História de Portugal e Nova História da Expansão Portuguesa, além da História dos Portugueses no Extremo Oriente. Escreveu também sobre a I República e o Estado Novo.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

A. H. de Oliveira Marques - 1933 - 2007

Autor: A. H. De Oliveira Marques

Nacionalidade: Portugal
Nascimento: 1933/08/23

Curriculum: Historiador e professor catedrático, de nome completo António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques, nasceu em São Pedro do Estoril, concelho de Cascais, em 1933. Frequentou os liceus Camões e Gil Vicente, de Lisboa.
Em 1956 licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresentando uma dissertação intitulada "A Sociedade em Portugal nos séculos XII a XIV". Depois de ter estagiado na Universidade de Wüzburg, na Alemanha, iniciou funções docentes em 1957, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se douturou em História em Junho de 1960, com a dissertação "Hansa e Portugal na Idade Média". Em 1962 participou na greve académica ao lado dos estudantes, o que esteve na base do seu afastamento da universidade portuguesa.
Em 1965 partiu para os Estados Unidos da América, leccionando como professor associado e catedrático nas universidades de Auburn, Florida, Columbia, Minnesota e Chicago, e percorrendo grande parte daquele país como conferencista. No ano de 1970 regressou definitivamente a Portugal, embora só depois do 25 de Abril de 1974 se lhe voltassem a abrir as portas da universidade portuguesa.
De Outubro de 1974 a Abril de 1976 foi director da Biblioteca Nacional de Lisboa.
Em Julho de 1976 tomou posse do lugar de professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, tendo sido presidente da Comissão Instaladora da recém-criada Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da mesma Universidade (1977 a 1980) e presidente do Conselho Científico da mesma Faculdade, de 1981 a 1983 e de 1983 e 1984 a 1986. Foi também presidente do Ano Propedêutico no ano lectivo de 1987-88.
Em 1997 recebeu o doutoramento 'Honoris Causa' pela Universidade de La Trobe, Melbourne, Austrália, e em 1988 foi condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
O número total das suas obras de tomo ultrapassa os 60 volumes. A colaboração com artigos, em revistas, dicionários e enciclopédias, ultrapassa o milhar. Proferiu numerosas conferências em universidades da Europa, Estados Unidos, Brasil e Argentina, sendo hoje considerado um dos grandes especialistas em História da Idade Média Portuguesa, como mostra a sua notável produção na área, onde se salientam, entre outras, as seguintes obras: «Hansa e Portugal na Idade Média», «Introdução Histórica da Agricultura em Portugal», «A Sociedade Medieval Portuguesa» (traduzida para Inglês), «Ensaios de História Medieval Portuguesa», «Novos Ensaios de História Medieval Portuguesa», «Portugal na Crise dos séculos XIV e XV», «O Portugal Islâmico» e colaboração abundante no «Dicionário de História de Portugal», dirigido por Joel Serrão. Também com Joel Serrão, dirige duas colecções de História Poruguesa, intituladas «Nova História de Portugal» e «Nova História da Expansão Portuguesa».

terça-feira, janeiro 23, 2007

Uma noite no Sr. Vinho

Capa do disco de Filipa Cardoso. Um nome a fixar e uma voz a adorar


Ontem - 2ª feira - tive uma noite inesperada. Depois de um jantar com dois amigos num restaurante chinês nas Avenidas Novas, fui levado - sem nenhum sacrificio, diga-se - até ao Restaurante Sr. Vinho, a Casa de Fados de Maria da Fé.

Foi a minha estreia.

Depois de uma recepção calorosa por parte dos responsáveis do Restaurante, sentámo-nos a uma mesa de canto, protegidos por duas belas estatuetas em madeira de Santa Anna e de Santo António. Pediram-se cafés e uma belissima sangria.

Estavamos em amena cavaqueira quando as luzes da sala quase se apagaram, e os primeiros acordes das guitarras começaram a soar. Aparece a primeira fadista da noite - Filipa Cardoso ( Vencedora da " Grande Noite do Fado" de 2004 ).

Um assombro. Uma autêntica alma de fadista espelhada na postura do corpo, na voz forte e no sentimento colocado na dureza das palavras cantadas. Quatro belissimos fados foram o arranque de uma noite de emoções fortes.

Terminada a actuação de Filipa Cardoso - que se pode também ver na Revista, no Parque Mayer - a conversa retomou o seu caminho, a sangria foi desaparecendo, os cigarros ardendo nos cinzeiros.

Pouco depois, começa a cantar António Zambujo, guitarrista da casa. Uma voz delico-doce, um pouco a puxar "para baixo", com bonitas letras de fado, embora intermináveis. Encanta mas não emociona.

Vem depois a dôr de alma maior. A senhora detentora da Voz, do Fado e da Força que não entendo de onde vem - Maria da Fé.

Três fados, entre eles o célebre "Cantarei até que a voz me doa". Nessa altura estava a nossa mesa aterrada, comovida, esmagada pelos sentimentos que daquela voz maior transparecem, pelo belo que o seu perfil à meia-luz nos afigura, pelo facto de a idade ser, sem dúvida, uma mais valia imensissima para as emoções do fado.

Quando as luzes se acenderam e as ovações terminaram, reinou o silêncio por uns momentos à mesa; todos a recuperar o folgo, mais um trago na sangria e mais um cigarro que ajudasse a colocar no seu andamento correcto o bater do coração, que estava descontrolado. A noite estava mais que ganha.

No fim da noite, já com apenas a minha mesa e outra, canta Vanessa Alves. Fadista nova, de voz mediana e uma postura algo sui-generis.

Uma experiência a repetir e a recomendar. No Sr. Vinho enche-se o espirito de som, de poesia, de emoções... enche-se a alma de um optimismo estranho, porque tudo nos parece mais belo, mais perfeito.

A Lista Oficial dos Nomeados para os Oscars 2007

Performance by an actor in a leading role
Leonardo DiCaprio in “Blood Diamond” (Warner Bros.)
Ryan Gosling in “Half Nelson” (THINKFilm)
Peter O’Toole in “Venus” (Miramax, Filmfour and UK Council)
Will Smith in “The Pursuit of Happyness” (Sony Pictures Releasing)
Forest Whitaker in “The Last King of Scotland” (Fox Searchlight)

Performance by an actor in a supporting role
Alan Arkin in “Little Miss Sunshine” (Fox Searchlight)
Jackie Earle Haley in “Little Children” (New Line)
Djimon Hounsou in “Blood Diamond” (Warner Bros.)
Eddie Murphy in “Dreamgirls” (DreamWorks and Paramount)
Mark Wahlberg in “The Departed” (Warner Bros.)

Performance by an actress in a leading role
Penélope Cruz in “Volver” (Sony Pictures Classics)
Judi Dench in “Notes on a Scandal” (Fox Searchlight)
Helen Mirren in “The Queen” (Miramax, Pathé and Granada)
Meryl Streep in “The Devil Wears Prada” (20th Century Fox)
Kate Winslet in “Little Children” (New Line)

Performance by an actress in a supporting role
Adriana Barraza in “Babel” (Paramount and Paramount Vantage)
Cate Blanchett in “Notes on a Scandal” (Fox Searchlight)
Abigail Breslin in “Little Miss Sunshine” (Fox Searchlight)
Jennifer Hudson in “Dreamgirls” (DreamWorks and Paramount)
Rinko Kikuchi in “Babel” (Paramount and Paramount Vantage)

Best animated feature film of the year
“Cars” (Buena Vista) John Lasseter
“Happy Feet” (Warner Bros.) George Miller
“Monster House” (Sony Pictures Releasing) Gil Kenan

Achievement in art direction
“Dreamgirls” (DreamWorks and Paramount)
Art Direction: John Myhre
Set Decoration: Nancy Haigh
“The Good Shepherd” (Universal)
Art Direction: Jeannine Oppewall
Set Decoration: Gretchen Rau and Leslie E. Rollins
“Pan’s Labyrinth” (Picturehouse)
Art Direction: Eugenio Caballero
Set Decoration: Pilar Revuelta
“Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” (Buena Vista)
Art Direction: Rick Heinrichs
Set Decoration: Cheryl A. Carasik
“The Prestige” (Buena Vista)
Art Direction: Nathan Crowley
Set Decoration: Julie Ochipinti

Achievement in cinematography
“The Black Dahlia” (Universal) Vilmos Zsigmond
“Children of Men” (Universal) Emmanuel Lubezki
“The Illusionist” (Yari Film Group) Dick Pope
“Pan’s Labyrinth” (Picturehouse) Guillermo Navarro
“The Prestige” (Buena Vista) Wally Pfister

Achievement in costume design
“Curse of the Golden Flower” (Sony Pictures Classics) Yee Chung Man
“The Devil Wears Prada” (20th Century Fox) Patricia Field
“Dreamgirls” (DreamWorks and Paramount) Sharen Davis
“Marie Antoinette” (Sony Pictures Releasing) Milena Canonero
“The Queen” (Miramax, Pathé and Granada) Consolata Boyle

Achievement in directing
“Babel” (Paramount and Paramount Vantage) Alejandro González Iñárritu
“The Departed” (Warner Bros.) Martin Scorsese
“Letters from Iwo Jima” (Warner Bros.) Clint Eastwood
“The Queen” (Miramax, Pathé and Granada) Stephen Frears
“United 93” (Universal and StudioCanal) Paul Greengrass

Best documentary feature
“Deliver Us from Evil” (Lionsgate)
A Disarming Films Production
Amy Berg and Frank Donner
“An Inconvenient Truth” (Paramount Classics and Participant Productions)
A Lawrence Bender/Laurie David Production
Davis Guggenheim
“Iraq in Fragments” (Typecast Releasing)
A Typecast Pictures/Daylight Factory Production
James Longley and John Sinno
“Jesus Camp” (Magnolia Pictures)
A Loki Films Production
Heidi Ewing and Rachel Grady
“My Country, My Country” (Zeitgeist Films)
A Praxis Films Production
Laura Poitras and Jocelyn Glatzer

Best documentary short subject
“The Blood of Yingzhou District”
A Thomas Lennon Films Production
Ruby Yang and Thomas Lennon
“Recycled Life”
An Iwerks/Glad Production
Leslie Iwerks and Mike Glad
“Rehearsing a Dream”
A Simon & Goodman Picture Company Production
Karen Goodman and Kirk Simon
“Two Hands”
A Crazy Boat Pictures Production
Nathaniel Kahn and Susan Rose Behr

Achievement in film editing
“Babel” (Paramount and Paramount Vantage)
Stephen Mirrione and Douglas Crise
“Blood Diamond” (Warner Bros.)
Steven Rosenblum
“Children of Men” (Universal)
Alex Rodríguez and Alfonso Cuarón
“The Departed” (Warner Bros.)
Thelma Schoonmaker
“United 93” (Universal and StudioCanal)
Clare Douglas, Christopher Rouse and Richard Pearson

Best foreign language film of the year
“After the Wedding” A Zentropa Entertainments 16 Production
Denmark
“Days of Glory (Indigènes)” A Tessalit Production
Algeria
“The Lives of Others” A Wiedemann & Berg Production
Germany
“Pan’s Labyrinth” A Tequila Gang/Esperanto Filmoj/Estudios Picasso Production
Mexico
“Water” A Hamilton-Mehta Production
Canada

Achievement in makeup
“Apocalypto” (Buena Vista) Aldo Signoretti and Vittorio Sodano
“Click” (Sony Pictures Releasing) Kazuhiro Tsuji and Bill Corso
“Pan’s Labyrinth” (Picturehouse) David Marti and Montse Ribe

Achievement in music written for motion pictures (Original score)
“Babel” (Paramount and Paramount Vantage) Gustavo Santaolalla
“The Good German” (Warner Bros.) Thomas Newman
“Notes on a Scandal” (Fox Searchlight) Philip Glass
“Pan’s Labyrinth” (Picturehouse) Javier Navarrete
“The Queen” (Miramax, Pathé and Granada) Alexandre Desplat

Achievement in music written for motion pictures (Original song)
“I Need to Wake Up” from “An Inconvenient Truth”
(Paramount Classics and Participant Productions)
Music and Lyric by Melissa Etheridge
“Listen” from “Dreamgirls”
(DreamWorks and Paramount)
Music by Henry Krieger and Scott Cutler
Lyric by Anne Preven
“Love You I Do” from “Dreamgirls”
(DreamWorks and Paramount)
Music by Henry Krieger
Lyric by Siedah Garrett
“Our Town” from “Cars”
(Buena Vista)
Music and Lyric by Randy Newman
“Patience” from “Dreamgirls”
(DreamWorks and Paramount)
Music by Henry Krieger
Lyric by Willie Reale

Best motion picture of the year
“Babel” (Paramount and Paramount Vantage)
An Anonymous Content/Zeta Film/Central Films Production
Alejandro González Iñárritu, Jon Kilik and Steve Golin, Producers
“The Departed” (Warner Bros.)
A Warner Bros. Pictures Production
Nominees to be determined
“Letters from Iwo Jima” (Warner Bros.)
A DreamWorks Pictures/Warner Bros. Pictures Production
Clint Eastwood, Steven Spielberg and Robert Lorenz, Producers
“Little Miss Sunshine” (Fox Searchlight)
A Big Beach/Bona Fide Production
Nominees to be determined
“The Queen” (Miramax, Pathé and Granada)
A Granada Production
Andy Harries, Christine Langan and Tracey Seaward, Producers

Best animated short film
“The Danish Poet” (National Film Board of Canada)
A Mikrofilm and National Film Board of Canada Production
Torill Kove
“Lifted” (Buena Vista)
A Pixar Animation Studios Production
Gary Rydstrom
“The Little Matchgirl” (Buena Vista)
A Walt Disney Pictures Production
Roger Allers and Don Hahn
“Maestro” (Szimplafilm)
A Kedd Production
Geza M. Toth
“No Time for Nuts” (20th Century Fox)
A Blue Sky Studios Production
Chris Renaud and Michael Thurmeier

Best live action short film
“Binta and the Great Idea (Binta Y La Gran Idea)”
A Peliculas Pendelton and Tus Ojos Production
Javier Fesser and Luis Manso
“Éramos Pocos (One Too Many)” (Kimuak)
An Altube Filmeak Production
Borja Cobeaga
“Helmer & Son”
A Nordisk Film Production
Soren Pilmark and Kim Magnusson
“The Saviour” (Australian Film Television and Radio School)
An Australian Film Television and Radio School Production
Peter Templeman and Stuart Parkyn
“West Bank Story”
An Ari Sandel, Pascal Vaguelsy, Amy Kim, Ravi Malhotra and Ashley Jordan Production
Ari Sandel

Achievement in sound editing
“Apocalypto” (Buena Vista)
Sean McCormack and Kami Asgar
“Blood Diamond” (Warner Bros.)
Lon Bender
“Flags of Our Fathers” (DreamWorks and Warner Bros., Distributed by Paramount)
Alan Robert Murray and Bub Asman
“Letters from Iwo Jima” (Warner Bros.)
Alan Robert Murray
“Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” (Buena Vista)
Christopher Boyes and George Watters II

Achievement in sound mixing
“Apocalypto” (Buena Vista)
Kevin O’Connell, Greg P. Russell and Fernando Camara
“Blood Diamond” (Warner Bros.)
Andy Nelson, Anna Behlmer and Ivan Sharrock
“Dreamgirls” (DreamWorks and Paramount)
Michael Minkler, Bob Beemer and Willie Burton
“Flags of Our Fathers” (DreamWorks and Warner Bros., Distributed by Paramount)
John Reitz, Dave Campbell, Gregg Rudloff and Walt Martin
“Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” (Buena Vista)
Paul Massey, Christopher Boyes and Lee Orloff

Achievement in visual effects
“Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” (Buena Vista)
John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson and Allen Hall
“Poseidon” (Warner Bros.)
Boyd Shermis, Kim Libreri, Chaz Jarrett and John Frazier
“Superman Returns” (Warner Bros.)
Mark Stetson, Neil Corbould, Richard R. Hoover and Jon Thum

Adapted screenplay
“Borat Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan” (20th Century Fox)
Screenplay by Sacha Baron Cohen & Anthony Hines & Peter Baynham & Dan Mazer
Story by Sacha Baron Cohen & Peter Baynham & Anthony Hines & Todd Phillips
“Children of Men” (Universal)
Screenplay by Alfonso Cuarón & Timothy J. Sexton and David Arata and Mark Fergus & Hawk Ostby
“The Departed” (Warner Bros.)
Screenplay by William Monahan
“Little Children” (New Line)
Screenplay by Todd Field & Tom Perrotta
“Notes on a Scandal” (Fox Searchlight)
Screenplay by Patrick Marber

Original screenplay
“Babel” (Paramount and Paramount Vantage)
Written by Guillermo Arriaga
“Letters from Iwo Jima” (Warner Bros.)
Screenplay by Iris Yamashita
Story by Iris Yamashita & Paul Haggis
“Little Miss Sunshine” (Fox Searchlight)
Written by Michael Arndt
“Pan’s Labyrinth” (Picturehouse)
Written by Guillermo del Toro
“The Queen” (Miramax, Pathé and Granada)
Written by Peter Morgan

terça-feira, janeiro 09, 2007

Os Músicos Portugueses e o 25 de Abril...

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"Somos a Canção que Somos" ...E os artistas vieram para a rua num encontro com o seu público
"Com o objectivo de angariar fundos para o seu sindicato, um grupo de artistas de variedades e fado organizou um espectáculo que se realizou no Coliseu dos Recreios, com lotação esgotada. Para que o povo de Lisboa, que não conseguiu vê-los nesse espectáculo, pudesse ouvi-los, os intérpretes estiveram no Largo de Camões, onde cantaram perante um público numeroso que os aplaudiu.
Com Amália, Mourão, Maria Dulce e Rui Mascarenhas à frente, os artistas desfilaram pelas ruas da cidade, desde o Coliseu ao Camões, empunhando cartazes com "slogans" como Somos a canção que Somos e A canção está na rua.
Em conjunto cantaram Grândola Vila Morena e, antes do "show", houve uma cerimónia simbólica: o lançamento de algumas dezenas de pombos.
Maria Dulce foi muito aplaudida quando declamou o soneto Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e Simone de Oliveira teve de bisar A Desfolhada, canção com que representou Portugal numa edição de um Eurofestival.
A iniciativa, para além da angariação de fundos referida, pretendeu pôr em contacto com o público diversos artistas que não têm tido oportunidade de ser ouvidos depois do 25 de Abril, considerando-se lesados por atitudes que apelidam de discriminatórias pela parte das emissoras de rádio e televisão.
O lisboeta desprevenido mostrou surpresa com a oferta deste espectáculo gratuito e aderiu com contentamento. Os artistas não esperavam, à partida, a presença de tanto publico com o qual confraternizaram durante muitas horas.
Os participantes pretenderam demonstrar que têm o seu público e que necessitam de contactar com ele. E o público esteve lá. E aplaudiu.
No Coliseu, Amália abriu o encontro musical cantando diversos fados. Entre os artistas, contavam-se os nomes de Carlos do Carmo, Paulo de Carvalho, Hugo Maia Loureiro, Duarte Mendes, Manuel de Almeida e as fadistas Maria da Fé e Maria Valejo."
in: Revista GENTE - semana de 16 a 22 de Julho de 1974

Jorge de Sena

CARTA AO JOVEM POETA

Meu caro jovem poeta

Pedem-me que lhe escreva, como se o amigo tivesse começado por enviar-me poemas seus, solicitando a minha opinião. Pedem-me também que o considere o jovem poeta ideal, aquele que imaginamos o certo para escutar-nos. Pedem-me enfim — embora isso não seja dito — que eu me suponha o Rilke escrevendo a um jovem que não seja o medíocre a quem ele dizia tão belas coisas. Creio que é pedir demasiado.

De um modo geral, os poetas de reputação firmada, ou que se julgam ou são julgados tais (ninguém tem a sua reputação firmada em literatura, nem depois de séculos de ninguém nos ler e de todos repetirem que somos génios, a não ser que isso importe aos interesses ou desinteresses de alguns professores e críticos), costumam receber poemas ou poetas jovens que solicitam opinião. O poeta "velho" toma tal facto como uma vénia, um reconhecimento, que ele teme perder, por parte da juventude. Mas o que o poeta jovem na verdade procura não é bem uma opinião de alguém mais experiente (qual o poeta jovem que, no fundo, se não sente superior a qualquer mesmo admirado poeta "velho"?), mas sim uma oportunidade de entrar, pela mão de alguém, naquele mundo maravilhoso dos poetas vivos, da poesia pessoalmente, etc., que ele descobrirá ser um sórdido e torpe mundo, inteiramente igual, se não pior (porque se sustenta de uma importância que realmente não tem), àquele, tão comum e familiar, que, nas suas frustrações juvenis, o poeta jovem julga que detesta. Instintivamente, ele sabe que, se não pedir a bênção de alguém, dificilmente fará sem amarguras o seu caminho. Porque a vida literária é uma maçonaria como qualquer outra, onde é escusado imaginar-se que alguém entra forçando as portas. Tudo, na vida, funciona por camarilhas que oferecem a seus membros a tranquilidade de se imaginarem importantes ou, mais ainda, a ilusão de que estão vivos.

Se um conselho, ab initio, se pode e deve dar a um jovem poeta, é o de que perca a inocência juvenil, se venda, se prostitua (o próprio corpo, se necessário for, porque às vezes lho cobiçarão), se dedique à adulação da mediocridade triunfante, ouça respeitosamente as opiniões dos críticos mais influentes porque mais cretinos, e receba em troca a paz triunfal dos sucessos mundanos e literários. Se, depois disto, puder continuar a ser o poeta que havia nele ou que ele sonhava que seria, é um outro caso — mas, por esse segredo, poderá estar certo que ninguém perguntará. Forçar as portas, com um livro, dois livros, uma crítica, duas, muitas, dirigidas contra a infecta pesporrância dos estabelecidos; pedir justiça, em vez de amabilidade; exigir inteligência, em lugar de um comércio de retribuições; procurar a camaradagem limpa, e não aceitar os gestos dúbios; enfim, tudo o que diz respeito à dignidade humana e da poesia, em vez da complacência com tudo e todos — não rende. Nem em vida, nem na morte. Porque as histórias literárias, com raras excepções arquivo de tudo o que a mediocridade alguma vez disse sem ter lido, guardarão longamente, em benefício da posteridade, todo o veneno que os contemporâneos lançaram sobre aquele que, por pretender ser uma pessoa, e um poeta, lhes ameaçava, só por isso, a segurança. Ao jovem poeta, é preciso dizer-se que desconfie do grande poeta vivo que receba consagração geral. Se a recebe, é porque algo está podre naquele reino da Dinamarca.

Quanto aos seus poemas, meu caro poeta, como V. é um poeta inexistente, cujos poemas são imaginários, e como eu não acredito na Poesia, com maiúscula, preexistente aos poemas em que ela exista, que lhe direi? Eu não faço ideia alguma da espécie de poeta que o meu amigo é. Cultiva as imagens e as metáforas, no seu anseio juvenil de seguir uma das modas, e de parecer que diz coisas extremamente profundas, sem na verdade dizer nada? Ou prefere as palavras despedaçadas, uma letra para cada canto, ou os graciosos joguinhos do pata, peta, pita, pota, etc? Isso também se usa muito, e granjeia grande prestígio. Acaso faz ou não faz sonetos, pelo melhor modelo (que é o que funda a tradição parnasiana, um pouco erótica, para a masturbação em família, com os ornamentos do mais safado mas sempre brilhante gongorismo)? Ou está preocupado com os destinos do mundo ou os da pátria, e confunde-os com aquela inacabável tradição que manda os poetas imitar os Nerudas & C.a? Ou a sua poesia é extremamente vaga e diáfana, confortavelmente distante de qualquer afirmação excessiva, neste duvidoso mundo? Ou, pelo contrário, é amplamente discursiva, transbordante de riqueza (termo este muito usado pelos críticos em petição de matéria substantiva)? Como vê, meu amigo, não posso mais que aventar hipóteses, segundo as linhagens mais ilustres do momento. Oh, mas esquecia-me de outra: acaso será herdeiro do surrealismo, com alguma tintura de beatniks e de psiquedélicos da Califórnia e arredores, e compraz-se em insultar o mundo, insinuando perversões horríveis, e despejando sobre ele os palavrões sagrados, por extenso? Não? Não?! Então, meu caro amigo, das duas uma: ou a sua poesia é um regresso aos velhos padrões arcádico-românticos, e sem dúvida terá êxito ainda nos salões de uma profunda província, ou, na verdade, o senhor é um poeta. E, sendo poeta, é-o de tal modo, que a sua poesia não pode ser reconhecida, nem o senhor tem o direito de esperar que ela o seja. Daqui a vinte ou trinta anos, quando estiver alquebrado, exausto, esgotado, descrente da poesia a que sacrificou a sua vida e a de quantos tiveram a desgraça de depender de si, talvez então comecem a reconhecer que o senhor existe. Claro que muito a contragosto, muito de má vontade, com muita reticência... Eles, meu caro, serão sempre os génios; o senhor será também um génio, um génio imenso, um génio enorme, mas um génio mas, um génio adversativo. E pode ter a certeza de que assim ficará nas histórias literárias: sempre com um mas tanto maior, quanto pior seja o génio que não possam negar-lhe.

A poesia, querido amigo, não é o que pensa, não. Ela não lhe pode trazer, se verdadeira for, essa satisfação que transparece da sua tão trémula confiança em si mesmo. Isso, se me permite que lhe diga, é uma ilusão da sua juventude. A poesia não é essa alegria de fazer alguma coisa que nem todos os outros fazem, e que eles aliás desprezam. Não é também esse prazer enganoso de que possui com palavras o amor que lhe escapa, as coisas que não consegue, as ideias que perpassam na sua cabeça, antes ou depois da solidão. A poesia, caríssimo, é a solidão mesma: não a que vivemos, não a que sofremos, não a que possamos imaginar, mas a solidão em si, vivendo-se à sua custa. Já pensou no que isso é? Por ela, o senhor será egoísta, sendo altruísta; será mesquinho, sendo nobre; trairá tudo, para ser fiel a si mesmo. Por ela, o senhor ficará completamente só. E, quando, de horror, penetrar lá onde supõe que o "si mesmo" está para lhe fazer companhia, verificará, em pânico, a que ponto ele não existe, ou já não existe, ou nunca existiu senão como uma miragem, ou existiu, sim, mas também ele o senhor vendeu à poesia, a isso que não tem qualquer realidade senão como abstracção do que o senhor pensa e escreve, e que, por sua vez, é já uma abstracção do que o senhor viveu ou não. Medite um pouco no significado terrível deste ou não, e nunca mais escreva versos ou prosa poética, ou lá que é que escreve para se julgar poeta.

Se for um poeta de verdade, meu caro, o melhor é com efeito não escrevê-los, e deixar de o ser. Porque a única alternativa é pavorosa: ou prostituta, dando à cauda, entre as madamas; ou monstro solitário, rangendo os dentes na treva, ainda quando só tenha visões de anjos tocando flauta, numa apoteose (ou epifania, que é mais elegante, e era o que o Joyce dizia). Guarde os versos, rasgue os versos, esmague os versos, arrase com eles. É isso o que pretende: ranger os dentes, mesmo postiços, pelo resto da vida? Se é, meu caro amigo, então não mande os seus versos a ninguém, não peça opiniões que ninguém pode dar-lhe, não espere conselhos de uma experiência que é pessoal e intransmissível, não solicite uma atenção que não haverá quem lha conceda. A menos que, para fim de festa, pretenda tirar, para seu uso, a contraprova de que a humanidade como humanidade, os povos como povos, as nações como nações, as classes como classes, os grupos como grupos são sempre colecções mais ou menos numerosas de infames bestas. Ou a contraprova de que, individualmente, ninguém vale para além do orgasmo, ou do olhar de simpatia, ou do gesto de ternura. Ainda quando sejam poetas, meu caro, ainda quando o sejam.

Não lhe estou dizendo que não publique os versos, uma vez que tenha ânimo e força para aguentar-se no equilíbrio instável entre a condição de prostituta e a condição de mons­tro. Na verdade, se a tentação que sente é irresistível de escrevê-los, se não procura a fama ou o proveito, se a dor de escrevê-los só se cura com a dor maior de escrever outros, se se sente vazio e triste quando eles estão escritos, e sofre de sentir-se vazio quando vai escrevê-los, e não sabe nunca o que vai escrever, e acha horrível tudo o que escreveu mas não é capaz de destruí-lo, então publique-os, publique-os sempre. E mande-os a toda a gente. Toda. Mas não peça opiniões ou conselhos a ninguém. Deixe que eles todos fiquem amarrados, para sempre, à culpa de o não terem lido, de o não terem sentido, de o não terem admirado. Dê-lhes, se a glória tiver de ser sua, o castigo da sua glória, implacavelmente. No fim das contas, lá onde nas trevas os dentes lhe rangem furiosamente, que isto lhe sirva de alguma consolação: todos eles passarão, como os ratos passam. Mas alguma coisa não passará, por mais que na morte, no silêncio, na paz dos túmulos ou das histórias literárias, se desfaçam em tranquila cinza: essa culpa que, dentro de alguns anos, será tudo o que se recordará deles todos tão poetas, tão aplaudidos, tão queridos das damas e/ou dos efebos, e tão estudados, tão bibliografados, tão comemorados, tão tudo o que lhe terão recusado entre dois abraços e dois sorrisos. Outros ratos virão — mas a culpa fica. Bem sei, meu caro, que não adianta muito, sobretudo se a gente não acredita na imortalidade, ou mesmo que acredite. Consola porém alguma coisa. E dá coragem à gente até ao poema seguinte. É quanto basta. Ou tem de bastar, porque não há mais nada.

Sempre seu (que o manda para o Inferno que é nossa província)

Jorge de Sena