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quarta-feira, dezembro 27, 2006
Mãe Galinha

domingo, dezembro 24, 2006
Mário Viegas
Da peça Tiradentes (Mário Viegas,José Manuel Osório e Marcelino) tirado no Teatro da Barraca, por Humberto Osório.
Natal à Beira-Rio

NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Lisboa, Editorial Presença, 1988
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Recordar "Quino"




Nascido em 17 de Julho de 1932 na cidade argentina de Mendoza, Joaquin Salvador Lavado é, sob o nome artístico de Quino, o criador de Mafalda. Faz o seus estudos artísticos na Universidade Nacional de Cuyo e instala-se em Buenos Aires a partir de 1954. Envereda pela carreira de ilustrador e desenhador humorístico, colaborando profusamente na imprensa do seu país ('Esto Es', 'Avivato', 'Qué', 'Leoplàn', 'Vea y Lea', 'Cuatro Patas', 'Rico Tipo', 'Siete Dias', etc.).
Em 1964 faz uma incursão única na banda desenhada e cria Mafalda, publicada inicialmente em 'Primera Plana' e, depois, em 'El Mundo' e 'Siete Dias'.
Apesar do sucesso retumbante desta criação — que é objecto de divulgação em muitos países do mundo —, Quino abandona definitivamente a sua personagem em 1973, não mais voltando ao mundo dos quadradinhos. Consagra-se desde então por inteiro ao desenho de humor, onde continua a dar até hoje a dar expressão ao seu finíssimo sentido de observação do mundo envolvente. A sua vasta obra está disponível em língua portuguesa (Edições Dom Quixote e Bertrand Editora). Ao contrário de outras bandas desenhadas que põem crianças em cena (caso dos Peanuts, por exemplo), Mafalda não é o retrato traumatizado e neurótico de uma geração inadaptada, mas um microcosmos onde se confrontam sonhos e angústias pessoais, mas também aspirações e inquietações colectivas.
Através do traço simples e eficaz de Quino, Mafalda é uma banda desenhada politica e socialmente comprometida com o seu tempo. Numa época em que o mundo dos adultos era incessantemente posto em causa pelas gerações mais novas, que aspiravam a um futuro diferente, as histórias de Mafalda eram uma outra forma de mostrar a manipulação e a moldagem das consciências individuais através de instrumentos tão temíveis como os meios de comunicação de massa (e, à cabeça de todos, a televisão), a escola ou a autoridade do Estado.
Texto: Luis Euripo (Revista do Consumidor)
Juízes rejeitam violência doméstica entre 'gays'
"A Associação Sindical de Juízes considera que não pode haver crime de violência doméstica quando o casal é composto por duas pessoas do mesmo sexo. Por duas razões: por não existir "um caldo sociológico" de "relação de superioridade física do agente em relação à vítima" nesses casos e porque assim se antecipa a "tutela penal à tutela civil" deste tipo de relacionamento. E conclui: "A protecção da família enquanto composta por cônjuges do mesmo sexo tem um notório - e apenas esse - valor de bandeira ideológica, uma função, por assim dizer, promocional."
Trata-se de "fazer entrar pela janela aquilo que não entrou pela porta". É assim que Pedro Albergaria, um dos dois autores do parecer, sintetiza o que pensa da inclusão dos casais do mesmo sexo nas situações em que se pode verificar o crime de violência doméstica. Para este juiz, não estando previsto no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não se pode estabelecer no Código Penal que a violência entre um casal homossexual constitui um crime específico dos relacionamentos conjugais ou para-conjugais. Além disso, Albergaria considera que "não está minimamente demonstrado que essas situações existem - o legislador deve legislar sobre o que geralmente acontece, não sobre o que pode acontecer ".
"São lutas de todos nós"
Parece haver, pois, duas ordens de razões no parecer assinado por Pedro Albergaria e Mouraz Lopes: as ideológicas e as empíricas. Em relação às duas Rui Pereira, coordenador da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal, apresenta a sua total discordância. "Há pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto, situação que a lei já prevê, portanto o argumento da 'antecipação' apresentado não está tecnicamente correcto. Se há violência nessa relação, a tutela jurídica não pode fechar os olhos. Além disso, o crime em causa envolve violência física e psíquica, e não é necessariamente o mais forte fisicamente que maltrata o outro. Aliás, por esse ponto de vista nenhum homem poderia apresentar queixa por levar pancada de outro homem em qualquer circunstância, ou uma mulher por ser agredida por outra mulher."
Certificando que "foram preocupações da revisão do Código Penal a consagração da igualdade na prática, no que respeita à orientação sexual, de acordo com a norma constitucional" Rui Pereira refuta a imputação de intuitos "promocionais": "As lutas contra discriminações são lutas de todos nós. Não é conversa retórica nem bandeira ideológica nenhuma. A igualdade é um valor jurídico em que todos nos reconhecemos como seres humanos."
Parecer "pode ser redutor"
Pedro Albergaria admite não ter pensado, quando redigiu o parecer, "na situação dos heterossexuais em uniões de facto", já que ao instituir o casamento civil como referência nesta matéria e ao excluir os casais do mesmo sexo em união de facto da tipificação do crime de violência doméstica teria então, de fazer uma de duas coisas: ou excluir também os de sexo diferente nas mesmas condições ou fundamentar a discriminação dos homossexuais, proibida pela Constituição e não prevista na lei da união de facto.
Por outro lado, o juiz reconhece que assentar a sua posição no argumento da necessidade de existência de uma relação de superioridade física "pode ser redutor". Mas, insiste, "numa situação de confronto físico é importante e quase todos os casos que chegam aos tribunais têm a ver com essa desigualdade".
Certo é que o crime previsto no artigo 152º da novo Código Penal inclui entre as potenciais vítimas do crime, para além de cônjuge e ex-cônjuge e "pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação", também "progenitor ou descendente" e menores ou pessoas particularmente indefesas que coabitem com o agressor. Sem referência a diferença de sexos e incluindo o ascendente económico." - Fernanda Câncio - Diário de Notícias - 20.12.2006
Enfim...
terça-feira, dezembro 19, 2006
Natália Correia

UMA HISTÓRIA VERDADEIRA DE NATAL
Orquestra de anjos o Natal
tem um som de cristal e prata
mas é uma valsa de cacos que toca
nos bidões do bairro de lata.
Versáteis músicos os anjos
com caracóis de fios de ovo
também um tango de metralha
tocam É a música dos novos
magos que esmagam cidades
num cinzeiro de bombardeamentos
mas é Natal porque no mundo
estar presente é dar presentes.
Que dar ao filho a mãe que a vida
remenda com sucata pública?
Daria a lua se ela não fora
do presidente da república.
No magro corpo rebuscando
de mãe a dádiva precisa
levanta as saias e mostra ao filho
uma flor de pêlo Natal da vida.
Natália Correia
Sebastião da Gama

O Sol já se escondeu
O Sol já se escondeu...
Precisamente quando,
feliz,
eu desatei a cantar.
(Só por feliz eu cantei.)
Agora quero acabar,
que já me dói a garganta,
mas vou ainda cantando,
temendo
dar por mim de novo triste
assim que esteja calado.
(...Como se a minha Alegria
nascesse de eu ter cantado.)
Sebastião da Gama - Serra-mãe, 2ªEd. (1957)
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Uma grande cantora... um poema deslumbrante... delicie-se.
sábado, dezembro 09, 2006
A minha árvore é maior que a tua
É que, para tornar a história ainda mais bizarra, o manifesto sucesso da iniciativa patrocinada pelo Millenium bcp provocou uma onda de ciumeira nos outros bancos, que agora procuram pôr de pé o seu megaevento natalício, se possível ainda mais mega do que a mega-árvore do bcp. No ano passado, o BES prometeu fazer nevar em Lisboa, mas não conseguiu mais que sujar com uns flocos pífios os passeios do Marquês de Pombal. Este ano é o "Natal Monumental Santander Totta" (belo nome), que conduziu à instalação de uma tenda gigante na Praça da Figueira, onde até se pode largar os filhos enquanto se vai às compras.
Resumindo, temos duas das três mais importantes praças de Lisboa ocupadas com publicidade à banca, na forma de supostas homenagens ao espírito natalício. Não sei do que é que os outros bancos estão à espera. O BPI poderia perfeitamente construir o maior trenó do mundo, com renas à proporção, e colocá-lo no meio do Rossio, que está um bocado despido; e a Caixa Geral de Depósitos deveria investir num presépio em tamanho XXL para a Praça do Município, quem sabe aproveitando parte do edifício da câmara para estábulo. Porque não? A dívida que Santana deixou é grande. Talvez se conseguisse um abatimento nos juros."
João Miguel Tavares, Diário de Noticias - 09 de Dezembro de 2006


