sexta-feira, novembro 24, 2006

Onde está a Amália Rodrigues?

Gala MIDEM - Cannes


Da esquerda para a direita: Margareta Paslaru, Ginette Reno, James Last, Tunes Dizzeie, Muslim Magomaev, Patty Bravo, Jaffa Jarkoni, Juan Manuel Serrat, Amália Rodrigues, Dalida, Mireille Mathieu, Udo Jurgens, Adriano Celentano.

quinta-feira, novembro 23, 2006

O Melhor de "Bandeira"


Novo Site

Para os amantes - e menos amantes, porque não? - do FADO existe agora um novo site onde também dou uma "perninha". Façam favor de visitar.

segunda-feira, novembro 20, 2006

A Propósito dos Dez Anos das "Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos"


"Dez Anos a Parodiar o Mestre

Quando Juvenal Garcês e Simão Rubim decidiram, numa visita a Londres em 1996, transportar para a cena lisboeta o espectáculo concebido por Adam Long, Daniel Singer e Jess Borgeson - As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos - estavam longe de imaginar que uma década mais tarde ainda a Companhia Teatral do Chiado (CTC) continuaria a esgotar plateias com esse êxito fenomenal.
Quais as razões do sucesso?
A primeira é óbvia: Shakespeare já não respeita fronteiras há séculos e parodiar o Hamlet ou o Romeu e Julieta é brincar com mitos que entraram fundo no imaginário dos europeus modernos. Directa ou indirectamente, melhor ou pior, toda a gente conhece Shakespeare. A prova? O êxito das Obras Completas da CTC, em Lisboa e por todo o país, em múltiplas digressões efectuadas.
A segunda razão do sucesso está no que esta paródia realmente é. Condensar toda a monumental obra do dramaturgo numa série de sketches com hora e meia de duração é um achado brilhante. Uma ideia só possivel para quem tem perfeita noção da ligação de Shakespeare à sensibilidade e ao gosto cómico popular. Trazer uma anónima espectadora ao palco para fazer de "Ofélia" é lembrar que o teatro nunca deixou de ser uma festa para todos e uma arte dirigida a cada um de nós, sem diferença de classe, de credo, de origem ou de cultura literária. O humor radical das Obras Completas é uma profunda recuperação da natureza subversiva e, no limite, anarquista, da festa teatral. Shakespeare seria o úlitmo a escandalizar-se com o seu Othelo convertido em rap ou o seu Titus Andronicus reciclado em programa de culinária.
Mas a terceira é a mais importante explicação para o inesperado êxito das Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos. A CTC assume que este é um espectáculo onde, fora Shakespeare e o público, só há um centro: os actores. Os três actores - Simão Rubim, Manuel Mendes e João Carracedo, exactamente o elenco original desta saga - que se desdobram em dezenas de personagens, a velocidade vertiginosa, submetendo-se aos exigentes ritmos da comédia e da farsa, engolem tudo à sua volta: cenário (mínimo), adereços (deliberadamente pobres), figurinos (menos que simbólicos) e encenação, sobretudo encenação! Transformar três actores praticamente desconhecidos há 10 anos atrás em três actores rapidamente populares (com fãs e tudo!) foi uma ruptura. Uma ruptura com o império do encenador que ainda hoje infecta o nosso teatro.
Nisso, as Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos já são imagem de marca do teatro da CTC. Um teatro onde o trabalho dos actores está em primeiro plano, onde o público é cúmplice dos actores, onde o êxito popular é compatível com altos padrões de qualidade artística. Para quem tem olhos na cara, esta década de Obras Completas foi mais do que uma gargalhada contínua, foi e ainda é uma profunda lição de teatro."
Gustavo Rubim - Professor Universitário, Tradutor e Co-Director da Companhia Teatral do Chiado.

sábado, novembro 18, 2006

UM FADO DE MAGIA NA CULTURGEST


Depois de um belo jantar no restaurante Namur, acompanhado por três pessoas que me são muito queridas - Ligia (que já viciei em Aldina), o Pedro (viciámo-nos ao mesmo tempo em Aldina) e a Cristina (que ficou viciada hoje em Aldina), fomos até à Culturgest, em Lisboa, para assistir ao concerto Crua de Aldina Duarte.
Como já várias vezes referi, não morro de amores por aquela sala de espectáculos. Mas assim que entrei na Culturgest, deparei-me logo com Ana de Sousa Dias, Carlos Vaz Marques e Eduardo Prado Coelho. Adivinhei logo uma noite especial. Pelo menos uma noite entre "amigos". De lembrar que Aldina Duarte deu a Ana de Sousa Dias uma entrevista que me ficará na memória como um dos momentos mais especiais que alguma vez vi em televisão. Eduardo Prado Coelho penso que terá sentido o mesmo, pois acabou por escrever uma crónica exactamente sobre essa entrevista. Carlso Vaz Marques também já entrevistou a Aldina para a TSF numa belissima conversa que recomendo oiça através do site www.tsf.pt ou aqui mesmo no meu blog em http://conversamuitaconversa.blogspot.com/2005/05/aldina-duarte-culturgest-dia-3-de.html. Uma coisa em comum entre os três: renderam-se ao encanto timido e genuino de Aldina Duarte.
Entrámos na sala, dirigimo-nos para a segunda fila ao centro (que lugares tão bem escolhidos) e esperámos até ao inicio do concerto.
Tudo o resto foi magia. Qualquer tentativa de tentar exprimir o que se viveu e sentiu naquela sala ficará sempre muito áquem das emoções experimentadas.
Aldina conseguiu reduzir uma sala grande e fria a um recanto confortável, intimo, onde parecia que ela cantava apenas para cada um dos Eu que estavam a assistir ao concerto.
Com um figurino muito bonito, xaile preto aos ombros, Aldina cantou com a Alma, a força e a emoção que a caracterizam. Belíssima no rosto e na expressão... e no sorriso. Seduzia à dança discreta do Fado, batendo por vezes o pé, marcando o ritmo. As palavras dos poetas que cantou saiam ora doces, sussurradas, ora violentas, emocionadas.
A cumplicidade entre Aldina e os seus (excelentes) músicos foi, mais uma vez, uma das coisas que me comoveu. A troca de olhares, de sorrisos. A aproximidade corporal entre Aldina (não sei se por necessidade) e os seus músicos leva-os a fundirem-se, não sendo três mas apenas um, quem no palco nos encanta. Veio-me à cabeça durante o espectáculo a imagem de uma Pietá... assim me parece ser a união dos músicos com a fadista.
Imagem extraordinária de beleza foi aquela em que as franjas do xaile de Aldina se emaranharam (não sei se a fadista terá dado por isso) na lágrima da guitarra. Guitarrista e Fadista unidos pelos seus simbolos: a Guitarra e o Xaile.
Aldina cantou segura, sentida de Lisboa, do Fado, do Amor e do Sangue (fossem as franjas do xaile encarnadas e era sangue que escorria entre os seus dedos). Fados como a A Estação das Cerejas, Anjo Inutil, A Estação dos Lirios, Ai Meu Amor se Bastasse, Deste-me Tudo o Que Tnhas, entre outros, levaram a sala ao rubro.
Grande parte dos fados Aldina cantou-os sentada. Forma mais dificil de cantar mas que parece não ser um impedimento para a fadista, que demonstra assim toda a sua técnica, brilhantismo e voz. E muita sensualidade na postura.
A direcção cénica - desta vez - foi muito bem conseguida (excepção feita, talvez, ao compasso de espera que o sobe e desce dos cenários provocavam). O desenho de luzes irrepreensivel.
No final foi o que se imagina: muitas palmas, de pé, e uma sensação de "soube a pouco". Porque é que aquilo que realmente amamos e nos eleva dura sempre tão pouco... ou, pelo menos, assim parece?
Magia, palavra que resume a noite passada... embora tenha sido bem mais do que isso.
Parabéns Aldina Duarte. Bravo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Clique na foto e assista ao spot publicitário da peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma.
Simão Rubim pronto para a segunda entrada de Madame La Condessa como espanhola

AS VAMPIRAS LÉSBICAS DE SODOMA - TEATRO - ESTÚDIO MÁRIO VIEGAS, PELA COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO... 5ª a Sábado, às 22 h. Largo do Picadeiro (junto ao café CNC). Não perca.

segunda-feira, novembro 13, 2006



Sexta-Feira, dia 10 de Novembro, a convite do meu amigo Duarte, fui assistir à estreia de Conversas de Camarim - com Simone de Oliveira, Vitor de Sousa e Nuno Feist, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz.
Foi um espectáculo muito bom, onde mais uma vez pude confirmar a excelência de Simone em palco, quer em postura quer em voz. A sensualidade e a profunda sensibilidade passada por Simone ao cantar são extraordinárias, sendo impossivel não nos comover.
O espectáculo inicia-se com "Visita de Camarim" e termina com "Palavras Gastas". O expoente máximo, para mim, foi quando Simone cantou "Rosa e a Noite", uma extraordinária música com poema de Vasco de Lima Couto.
No entanto, e apesar de achar que este é um espectáculo imprescindivel, não deixa de ter os seus "senãos"... tem Vitor de Sousa a mais. O equilibrio entre aquilo que foi a participação de Simone e aquilo que é a participação de Vitor não é o mais correcto.
Todos sabemos que Simone de Oliveira é uma contadora de histórias interessantíssima e com imensa piada. Pois da boca dela não se ouviu uma única... E o Vitor fala, fala, declama, declama, e fala, fala, declama, Simone canta, e Vitor fala, fala, declama, declama, declama, fala, fala, declama, fala, Simone canta, canta, e Vitor fala, fala, fala... é mais ou menos assim a coisa.

Acho que talvez deveriam ter chamado de Monólogos de Camarim com Vitor de Sousa e a participação generosa de Simone de Oliveira.
E atenção: eu não tenho rigosamente nada contra o Vitor de Sousa. Reconheço que tem o seu relativo valor. Mas temos de ser honesto e dizer que quem vai ver aquele espectáculo - 99,8% das pessoas - vão para ver e ouvir Simone de Oliveira, e não o Vitor de Sousa. E a sensação com que eu sai de lá foi: soube a muito pouco. Ela muito apagada - excepção feita quando canta, que aí dá tudo de uma forma espantosa - e o Vitor muito saliente.

Espero não estar a cometer nenhuma injustiça ao dizer estas coisas, que não é esse o propósito. É apenas uma opinião de alguém que esperava uma Simone mais interventiva na fala e durante o espectáculo.
Mas eu também acho que mesmo que Simone estivesse 4 horas em palco a falar e a cantar eu iria sempre dizer que sabe a pouco... porque Simone sabe sempre a pouco.
Eu ainda estou pasmo com a capacidade vocal, de graves limpos e claros, com que Simone está a cantar. Há muito tempo que não a ouvia cantar de uma forma tão certa, rigorosamente adequada à sua capacidade vocal neste momento. Simone tem, de facto, ainda muito para dar à música portuguesa e à historia do espectáculo em Portugal.

Já sabem que é só este mês de Novembro. É melhor irem já no próximo fim-de-semana. É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz - aquele que fica nas traseiras do Teatro-Estúdio Mário Viegas - às 23.30 m. O preço dos bilhetes é de 15 € mas com alguns descontos que não vos sei dizer. Corram...

terça-feira, novembro 07, 2006


Ora vejam como em mais de cem anos nada mudou... e porque haveria de mudar...?

A Illustração – Revista Quinzenal para Portugal e Brazil, 20 de Maio de 1884, director Mariano Pina, Paris – cota Biblioteca Nacional J. 1505 M.

“Chronica

Ha dois seculos pelo menos que o mundo inteiro admitte sem discussões uma lenda que deseja passar ao estado de verdade e ao estado de axioma, e que diz assim – Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso.
Em todo o seculo XVIII os francezes passaram a sua vida a conversar com Mlle. de Nesle e com a Pompadour, a fazer phrases pelos salões dourados e vastos das Tulherias e pelos velludos de relva dos jardins de Versailles, onde ha satyros que nos espreitam e que riem com o sorriso branco dos marmores por detraz das ramas dos castanheiros – para provarem ás gentes que só eles tinham graça, e que para além da França as sociedades matavam o seu tempo aborrecendo-se e abrindo a bocca. E appareceu Beaumarchais para confirmar a coisa, e hoje a graça parece ser feita exclusivamente de barro francez. Os inglezes, de quando em quando, pela boca de Punch ainda protestam contra semelhante lenda. Mas o Punch não tem razão – porque não tem bom barro! A Grã-Bretanha não precisa de mais gloria porque foi ella quem inventou o beef. Mas a graça, ainda não ha melhor no mercado do que a franceza, a que se encontra á venda por toda a parte, em S. Francisco e em Pekim, e que só se fabrica entre o Café de la Paix e o restaurante do Brébant, quasi sempre ás horas em que toda a Europa honesta dorme.
Mas se Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso, é necessário tambem que todo o mundo saiba e que todo o mundo comprehenda que – Lisboa é a terra onde melhor se fabricam as cousas que fazem rir!

Uma das grandes causas que levaram Lisboa até á fabricação verdadeiramente indigena de coisas ridiculas, tendo mais originalidade e mais aspecto primitivo que a própria louça das Caldas e a louça preta d’Aveiro, é a preponderância da imbecilidade insolente nos negocios da terra, obrigando os espiritos sensatos a affastarem-se – deixando o campo livre a todos os banaes, a todos os idiotas, a todos os insignificantes, que se mettem em tudo e que tudo conquistam.
Presentemente em Lisboa raros são os indivíduos que se acham nos lugares que de direito lhes competem;
e são principalmente os governos que se encarregam de collocar os sapateiros nos lugares de alfayates e vice-versa.
De modo que um sensato e pacifico morador da Baixa que assista, sem alterar o seu sangue-frio, a tanta irregularidade e a tanto desconchavo, no dia em que precisar d’um par de botas não sabe ao certo a quem se ha de dirigir – se ao sr. Nunes Algibebe, se ao tribunal da Bôa-Hora, se á secção geodesica, se á Padaria Militar!...

(…)

Os governos lembraram-se um dia de soccorrer a arte portugueza, de ouvir todas as noutes a Somnambula, e de possuir gratis um camarote em S. Carlos. Sobretudo de possuir gratis um camarote! E como em Portugal se não sabe que destino dar a tanto dinheiro que atulha as arcas do thesouro, dão-se todos os annos 25 contos de reis para que venham italianos a Lisboa deliciar os ouvidos de Suas Excellencias os Ministros, - emquanto os pintores portuguezes que illustram em França e Italia o nosso paiz produzindo trabalhos de primeira ordem, teem que viver em Paris com pensões miseraveis;”

segunda-feira, novembro 06, 2006



Leiam este fantástico texto escrito em 1885 - por Mariano Pina - sobre o "Manneken-Pis" de Bruxelas. É uma pérola jornalistica do séc. XIX.

A Illustração – Revista Quinzenal para Portugal e Brazil, 05 de Julho de 1885, director Mariano Pina, Paris – cota Biblioteca Nacional J. 1505 M.

“Uma grande curiosidade de Bruxellas é o Manneken-Pis. Não se admirem se eu tiver de abusar um pouco de redundancias e outros trucs rhetoricos, para lhes poder explicar o que é o Manneken-Pis, que todo o viajante pode ver, impavido, n’uma rua de Bruxellas, á luz do sol hollandez, protegido por uma grade de ferro.
O Manneken-Pis é um menino de bronze, bonito e rechonchudo como um anjo de Rubens, completamente nu, como um menino Jesus, que se vê de pé, n’uma posição arrogante, a mão esquerda apoiada sobre a cintura, em cima d’uma pedra esculpida que fecha em baixo n’um tanque. É uma fonte collocada no angulo d’uma rua, de encontro a um predio. O jacto d’agua corre dia e noute, incessantemente, do corpo do menino de bronze, sempre claro, sempre fresco, sempre apetecivel, e muita filha de Bruxellas tem alli enchido o copo em noute calmosa d’agosto. Ora este jacto d’agua crystallina, que não corre da pedra esculpida onde o menino pousa, mas sim do proprio menino – corre... (nem eu sei como hei de dizer isto ás gentes graves do Sul, o que é tão natural e tão gracioso entre as gentes do Norte!) corre... corre do sitio onde nas estatuas se costuma pôr uma parra! Mas como se trata d’um innocentinho, illiminou-se a folha de vinha, e vêmol-o impavido, arrogante, a mão esquerda na cintura, a mão direita dirigindo o jacto, com toda a graça e toda a ingenuidade d’um bébé de trez annos...
Um dia um Burgo-mestre de Bruxellas, homem circumspecto, que usava oculos azues e em muita conta tinha os bons costumes e a moral, teve a ideia disparatada e idiota de querer suprimir a fonte – por indecente! O que fariam os catholicos, se um papa ou um bispo decretasse que se collocasse uma parra em todos os meninos Jesus da diocese?!... O que fizeram os moradores de Bruxellas. – Revoltaram-se em massa contra a vontade do Burgo-mestre, e o homem teve de ceder, para não ver a fonte pela primeira vez manchada de sangue. O Manneken-Pis é considerado como um fetiche. Bruxellas sem o seu menino de bronze perdia a metade do seu caracter historico. O Manneken-Pis é um resto da tradição flamenga que fez dos Paizes-Baixos no seculo XVI o povo superior em artes, industrias e sciencias que occupa uma das mais bellas paginas da historia universal.
Este menino de bronze é tambem um ricasso, tendo predios em Bruxellas como qualquer burguez. Ainda ultimamente, uma velha dama sentimental, sem herdeiros forçados, lhe deixou em testamento perto d’um milhão de francos. O executor testamentário é o Burgo-mestre da cidade. E todos os dias de festa, os moradores de Bruxellas gosam do curioso espectaculo de ver o seu Manneken-Pis fardado de general, chepéo armado, casaca de velludo bordado a ouro e prata, calções de velludo, botas de polimento, luvas brancas... Um deslumbramento!
Houve por um momento a ideia, n’estes dias de festa, ao vêl-o assim tão janota e tão bello, de que seria conveniente... fechar-lhe a torneira! Mais outra ideia d’um outro Burgo-mestre... Sempre a embirrarem com o anjinho, os maldictos! Se o proprio monarcha embirra alguma vez com elle – a corôa corre-lhe o risco! Porque de novo o publico se oppôz, e oppôz-se inergicamente a que fosse supprimido o jacto, pelo facto do anjinho se vestir de general...
E teve de se fazer um furo no riquissimo velludo! E ou seja de dia ou de noute, ou dia ordinario ou dia de festa – Manneken-Pis, do alto da sua fonte, para regalo e orgulho da bella cidade de Bruxellas, continua dirigindo, imperturbavelmente, o seu jacto... que até parece um bombeiro!..."

MARIANO PINA