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sexta-feira, novembro 24, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
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segunda-feira, novembro 20, 2006
A Propósito dos Dez Anos das "Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos"

"Dez Anos a Parodiar o Mestre
sábado, novembro 18, 2006
UM FADO DE MAGIA NA CULTURGEST

Depois de um belo jantar no restaurante Namur, acompanhado por três pessoas que me são muito queridas - Ligia (que já viciei em Aldina), o Pedro (viciámo-nos ao mesmo tempo em Aldina) e a Cristina (que ficou viciada hoje em Aldina), fomos até à Culturgest, em Lisboa, para assistir ao concerto Crua de Aldina Duarte.
sexta-feira, novembro 17, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006

Sexta-Feira, dia 10 de Novembro, a convite do meu amigo Duarte, fui assistir à estreia de Conversas de Camarim - com Simone de Oliveira, Vitor de Sousa e Nuno Feist, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz.
Foi um espectáculo muito bom, onde mais uma vez pude confirmar a excelência de Simone em palco, quer em postura quer em voz. A sensualidade e a profunda sensibilidade passada por Simone ao cantar são extraordinárias, sendo impossivel não nos comover.
O espectáculo inicia-se com "Visita de Camarim" e termina com "Palavras Gastas". O expoente máximo, para mim, foi quando Simone cantou "Rosa e a Noite", uma extraordinária música com poema de Vasco de Lima Couto.
No entanto, e apesar de achar que este é um espectáculo imprescindivel, não deixa de ter os seus "senãos"... tem Vitor de Sousa a mais. O equilibrio entre aquilo que foi a participação de Simone e aquilo que é a participação de Vitor não é o mais correcto.
Todos sabemos que Simone de Oliveira é uma contadora de histórias interessantíssima e com imensa piada. Pois da boca dela não se ouviu uma única... E o Vitor fala, fala, declama, declama, e fala, fala, declama, Simone canta, e Vitor fala, fala, declama, declama, declama, fala, fala, declama, fala, Simone canta, canta, e Vitor fala, fala, fala... é mais ou menos assim a coisa.
Acho que talvez deveriam ter chamado de Monólogos de Camarim com Vitor de Sousa e a participação generosa de Simone de Oliveira.
E atenção: eu não tenho rigosamente nada contra o Vitor de Sousa. Reconheço que tem o seu relativo valor. Mas temos de ser honesto e dizer que quem vai ver aquele espectáculo - 99,8% das pessoas - vão para ver e ouvir Simone de Oliveira, e não o Vitor de Sousa. E a sensação com que eu sai de lá foi: soube a muito pouco. Ela muito apagada - excepção feita quando canta, que aí dá tudo de uma forma espantosa - e o Vitor muito saliente.
Espero não estar a cometer nenhuma injustiça ao dizer estas coisas, que não é esse o propósito. É apenas uma opinião de alguém que esperava uma Simone mais interventiva na fala e durante o espectáculo.
Mas eu também acho que mesmo que Simone estivesse 4 horas em palco a falar e a cantar eu iria sempre dizer que sabe a pouco... porque Simone sabe sempre a pouco.
Eu ainda estou pasmo com a capacidade vocal, de graves limpos e claros, com que Simone está a cantar. Há muito tempo que não a ouvia cantar de uma forma tão certa, rigorosamente adequada à sua capacidade vocal neste momento. Simone tem, de facto, ainda muito para dar à música portuguesa e à historia do espectáculo em Portugal.
Já sabem que é só este mês de Novembro. É melhor irem já no próximo fim-de-semana. É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz - aquele que fica nas traseiras do Teatro-Estúdio Mário Viegas - às 23.30 m. O preço dos bilhetes é de 15 € mas com alguns descontos que não vos sei dizer. Corram...
sexta-feira, novembro 10, 2006
terça-feira, novembro 07, 2006
A Illustração – Revista Quinzenal para Portugal e Brazil, 20 de Maio de 1884, director Mariano Pina, Paris – cota Biblioteca Nacional J. 1505 M.
“Chronica
Ha dois seculos pelo menos que o mundo inteiro admitte sem discussões uma lenda que deseja passar ao estado de verdade e ao estado de axioma, e que diz assim – Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso.
Em todo o seculo XVIII os francezes passaram a sua vida a conversar com Mlle. de Nesle e com a Pompadour, a fazer phrases pelos salões dourados e vastos das Tulherias e pelos velludos de relva dos jardins de Versailles, onde ha satyros que nos espreitam e que riem com o sorriso branco dos marmores por detraz das ramas dos castanheiros – para provarem ás gentes que só eles tinham graça, e que para além da França as sociedades matavam o seu tempo aborrecendo-se e abrindo a bocca. E appareceu Beaumarchais para confirmar a coisa, e hoje a graça parece ser feita exclusivamente de barro francez. Os inglezes, de quando em quando, pela boca de Punch ainda protestam contra semelhante lenda. Mas o Punch não tem razão – porque não tem bom barro! A Grã-Bretanha não precisa de mais gloria porque foi ella quem inventou o beef. Mas a graça, ainda não ha melhor no mercado do que a franceza, a que se encontra á venda por toda a parte, em S. Francisco e em Pekim, e que só se fabrica entre o Café de la Paix e o restaurante do Brébant, quasi sempre ás horas em que toda a Europa honesta dorme.
Mas se Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso, é necessário tambem que todo o mundo saiba e que todo o mundo comprehenda que – Lisboa é a terra onde melhor se fabricam as cousas que fazem rir!
Uma das grandes causas que levaram Lisboa até á fabricação verdadeiramente indigena de coisas ridiculas, tendo mais originalidade e mais aspecto primitivo que a própria louça das Caldas e a louça preta d’Aveiro, é a preponderância da imbecilidade insolente nos negocios da terra, obrigando os espiritos sensatos a affastarem-se – deixando o campo livre a todos os banaes, a todos os idiotas, a todos os insignificantes, que se mettem em tudo e que tudo conquistam.
Presentemente em Lisboa raros são os indivíduos que se acham nos lugares que de direito lhes competem;
e são principalmente os governos que se encarregam de collocar os sapateiros nos lugares de alfayates e vice-versa.
De modo que um sensato e pacifico morador da Baixa que assista, sem alterar o seu sangue-frio, a tanta irregularidade e a tanto desconchavo, no dia em que precisar d’um par de botas não sabe ao certo a quem se ha de dirigir – se ao sr. Nunes Algibebe, se ao tribunal da Bôa-Hora, se á secção geodesica, se á Padaria Militar!...
(…)
Os governos lembraram-se um dia de soccorrer a arte portugueza, de ouvir todas as noutes a Somnambula, e de possuir gratis um camarote em S. Carlos. Sobretudo de possuir gratis um camarote! E como em Portugal se não sabe que destino dar a tanto dinheiro que atulha as arcas do thesouro, dão-se todos os annos 25 contos de reis para que venham italianos a Lisboa deliciar os ouvidos de Suas Excellencias os Ministros, - emquanto os pintores portuguezes que illustram em França e Italia o nosso paiz produzindo trabalhos de primeira ordem, teem que viver em Paris com pensões miseraveis;”
segunda-feira, novembro 06, 2006

Leiam este fantástico texto escrito em 1885 - por Mariano Pina - sobre o "Manneken-Pis" de Bruxelas. É uma pérola jornalistica do séc. XIX.
A Illustração – Revista Quinzenal para Portugal e Brazil, 05 de Julho de 1885, director Mariano Pina, Paris – cota Biblioteca Nacional J. 1505 M.“Uma grande curiosidade de Bruxellas é o Manneken-Pis. Não se admirem se eu tiver de abusar um pouco de redundancias e outros trucs rhetoricos, para lhes poder explicar o que é o Manneken-Pis, que todo o viajante pode ver, impavido, n’uma rua de Bruxellas, á luz do sol hollandez, protegido por uma grade de ferro.
O Manneken-Pis é um menino de bronze, bonito e rechonchudo como um anjo de Rubens, completamente nu, como um menino Jesus, que se vê de pé, n’uma posição arrogante, a mão esquerda apoiada sobre a cintura, em cima d’uma pedra esculpida que fecha em baixo n’um tanque. É uma fonte collocada no angulo d’uma rua, de encontro a um predio. O jacto d’agua corre dia e noute, incessantemente, do corpo do menino de bronze, sempre claro, sempre fresco, sempre apetecivel, e muita filha de Bruxellas tem alli enchido o copo em noute calmosa d’agosto. Ora este jacto d’agua crystallina, que não corre da pedra esculpida onde o menino pousa, mas sim do proprio menino – corre... (nem eu sei como hei de dizer isto ás gentes graves do Sul, o que é tão natural e tão gracioso entre as gentes do Norte!) corre... corre do sitio onde nas estatuas se costuma pôr uma parra! Mas como se trata d’um innocentinho, illiminou-se a folha de vinha, e vêmol-o impavido, arrogante, a mão esquerda na cintura, a mão direita dirigindo o jacto, com toda a graça e toda a ingenuidade d’um bébé de trez annos...
Um dia um Burgo-mestre de Bruxellas, homem circumspecto, que usava oculos azues e em muita conta tinha os bons costumes e a moral, teve a ideia disparatada e idiota de querer suprimir a fonte – por indecente! O que fariam os catholicos, se um papa ou um bispo decretasse que se collocasse uma parra em todos os meninos Jesus da diocese?!... O que fizeram os moradores de Bruxellas. – Revoltaram-se em massa contra a vontade do Burgo-mestre, e o homem teve de ceder, para não ver a fonte pela primeira vez manchada de sangue. O Manneken-Pis é considerado como um fetiche. Bruxellas sem o seu menino de bronze perdia a metade do seu caracter historico. O Manneken-Pis é um resto da tradição flamenga que fez dos Paizes-Baixos no seculo XVI o povo superior em artes, industrias e sciencias que occupa uma das mais bellas paginas da historia universal.
Este menino de bronze é tambem um ricasso, tendo predios em Bruxellas como qualquer burguez. Ainda ultimamente, uma velha dama sentimental, sem herdeiros forçados, lhe deixou em testamento perto d’um milhão de francos. O executor testamentário é o Burgo-mestre da cidade. E todos os dias de festa, os moradores de Bruxellas gosam do curioso espectaculo de ver o seu Manneken-Pis fardado de general, chepéo armado, casaca de velludo bordado a ouro e prata, calções de velludo, botas de polimento, luvas brancas... Um deslumbramento!
Houve por um momento a ideia, n’estes dias de festa, ao vêl-o assim tão janota e tão bello, de que seria conveniente... fechar-lhe a torneira! Mais outra ideia d’um outro Burgo-mestre... Sempre a embirrarem com o anjinho, os maldictos! Se o proprio monarcha embirra alguma vez com elle – a corôa corre-lhe o risco! Porque de novo o publico se oppôz, e oppôz-se inergicamente a que fosse supprimido o jacto, pelo facto do anjinho se vestir de general...
E teve de se fazer um furo no riquissimo velludo! E ou seja de dia ou de noute, ou dia ordinario ou dia de festa – Manneken-Pis, do alto da sua fonte, para regalo e orgulho da bella cidade de Bruxellas, continua dirigindo, imperturbavelmente, o seu jacto... que até parece um bombeiro!..."
MARIANO PINA






