sexta-feira, outubro 13, 2006


Hoje estou muito feliz. Fui comprar o meu bilhete para o segundo concerto de Aldina Duarte na Grande Sala da Culturgest. Embora seja uma sala de espectáculo que me assusta um pouco - pela sua imensidão e, digamos, pouco aconchegante - sei que Aldina vai vencer. Conseguiu da primeira vez que lá foi - o mesmo já não se pode dizer de Mafalda Arnauth ou mesmo da actriz Isabelle Hupert quando lá esteve com um peça de Sarah Kane - e espero ansiosamente pela regresso. É que o concerto no Castelo de São Jorge já parece ter sido há um eternidade.
Aconselho vivamente a todos os que visitarem o meu blog a não faltarem. E os bilhetes são muitissimo em conta: até 16 anos não se paga, dos 16 aos 30 são 5 euros, até aos 65 anos 18 euros e daí até aos 100 outros 5 euros (se a memória não me falha). O concerto é dia 17 de Novembro pelas 21 e 30. Não percam... mesmo.
Para atiçar ainda mais o apetite aqui fica o link que vai directo às minhas impressões do primeiro concerto que Aldina Duarte realizou na Culturgest (atenção: primeiro a que assisti... não sei se terá dado outros antes desse)... cliquem...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Vasco de Lima Couto


RETRATO

Fui só eu que estraguei as alvoradas
- presas suaves nos plúmbeos céus!,
e dei água aos ribeiros da minha alma
e fiz preces de amor e sangue, a Deus...

Fui só eu que, sabendo da tormenta
que o vento da nortada me dizia,
puz meus lábios no sonho incompleto
e rasguei o meu corpo na poesia.

Vieram dar-me abraços e contentes
viram que me afundava sem remédio
- nem um grito subia do horizonte
há mil anos deitado sobre o tédio!

Quando chamaram por mim do imenso rio
que a noite veste para se entreter
vi que os barcos andavam cheios de almas
buscando sonhos para não sofrer.

Cantavam doidas como a dor e a morte
parando, a espaços, para ver montanhas
e eram luzes mordidas pelas sombras,
corajosas, infelizes - mas tamanhas!

Eu fugi de as ouvir (que ardentes vozes...)
de navegar nas mesmas ansiedades
e fui sozinho semear as luas
e a natureza inculta das idades.

Parti, negando à vida o seu direito,
recalcando os meus sonhos e os meus medos...

sei agora que matei o meu destino
e quebrei o futuro nos meus dedos.

Vasco de Lima Couto, in Os Olhos e o Silêncio - 1952

ISABEL RUTH - FOTOPOESIA


Foi acabadinho de lançar um livro que constitui uma autêntica surpresa. Chama-se "ISABEL RUTH - FOTOPOESIA". Trata-se de um livro belíssimo onde cada fotografia (por vezes mais que uma até) da actriz Isabel Ruth é acompanhada por um poema escrito pela própria. É um livro surpreendente, bonito, onde podemos acompanhar a vida da actriz pela imagem e pela palavra. O livro é da editora "Guerra e Paz".
Para os Amalianos, refira-se que o livro contem uma série de três fotografias da actriz na praia acompanhada por Amália Rodrigues. Penso que serão fotografias nunca antes editadas.
De todos os poemas, deixo o primeiro porque é aquele que me é mais querido. O dedicado ao melhor Actor de Teatro do século XX português - Mário Viegas


"A Mário Viegas

Querias amigo
que eu escrevesse
palavras sobre mim
que tecesse um manto
de quimeras de verdade
falasse outro tempo, outra idade
memórias de era uma vez...
desencantasse do fundo
de mim mesma
outra realidade de que gostavas
querias graça "clairs de lunes"
graças que já em ti
eram costume
mas eu não sabia
que os dois
éramos da mesma raça
querias amigo
ler em mim
palavras que sabias de cor
e eu senti dor ao ver-te perdido
de copo na mão
bebendo de um trago
o teu sentido de tanto amor
eufórico, destemido
falavas pertinente
e mal te conhecendo
eu sabia que não falavas
de mim somente
julgo as palavras hoje
pelo ouvido
e fazem-me sentido
recordo-te agora
quando o tempo de ver-te
já passou
mas o tempo não muda
escuta
somos o Verbo
um só
quem anda por aí
quem nos habita?
quem senão nós
acredita na voz
que nos dita e descreve
desde que fizeste greve"

quarta-feira, outubro 04, 2006

D. Duarte, Isabel de Herédia e os Infantes a bordo da Fragata Real Portuguesa

Estão a ver aquele senhor... o do bigode?! Sim...? Óptimo. Todos sabemos que ele é nosso amigo assim como de Portugal, de Timor e do Nuno Álvares Pereira.

Podia ser rei... mas não é... temos o Cavaco Silva (Cavaco e Silva para muitos).

Mas ainda bem... D. Duarte vale muito mais do que isso... não há Cavaco nem Timor que lhe chegue.

Não sabem porquê? Eu respondo utilizando - textualmente - uma frase dita pelo próprio:

Quando o meu filho mais velho nasceu recordo-me que no ano seguinte houve um aumento da natalidade no País. Houve um entusiasmo e isso foi notório.

Qual Alqueva, quais Fundos da União Europeia, qual Euromilhões... É só Estado Português dar um chorudo abono familiar ao D. Duarte e à Isabelinha como incentivo à procriação e teremos, em menos de uma década, Portugal com a densidade populacional da China... no minimo.

TEATRO

Nenhuma arte tem de falar para todos a não ser o teatro.
Grandes e pequenos, instruídos e analfabetos, sábios e ignorantes, no teatro todos são Um, e por conseguinte só o que interessa o Único pode ser agradável a todos.
A origem da palavra teatro refere-se à disposição em hemiciclo dos lugares dos espectadores, de maneira que de qualquer lado cada um possa seguir a cerimónia pública.
Por isso o teatro não pode desculpar-se com nenhuma espécie de ignorância, seja a que moleste os sábios, seja a que não ensine os ignorantes.
Não é apenas a arte dramática que pode ser considerada como teatro. As primeiras cerimónias públicas de teatro eram ofícios religiosos e só depois começou a fazer-se a diferença entre o templo sagrado e a comédia profana.
Estimando a origem desta palavra, ficamos sabendo que toda a arte ou qualquer outra linguagem que passa do particular para o geral, faz imediatamente teatro.
Que cada um tenha uma arte que é a maneira de apurar o seu próprio gosto, a ninguém compete julgá-la; mas quando destine ao público a sua arte, desde esse momento é o publico a servir-se e o artista quem serve.

Almada Negreiros

terça-feira, outubro 03, 2006


Mais um "cheirinho" visual da peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma, em cena no Teatro Estúdio Mário Viegas, 5ªs, 6ªs e Sábados às 22 horas.
(Foto: "As Vampiras Lésbicas de Sodoma" - Teatro-Estúdio Mário Viegas)

Poema intitulado "VAMPIRO" de Jorge de Sena

Ouço os gatos brincar. Saltam, perseguem-se.
Da rua, cuja noite um automóvel corta,
Chegaram-me risos, vozear distante.
Mais longe some-se o rodar de um eléctrico.
Tremem-me as mãos só de lembrar que pude
abandonar-te ao teu desejo agudo,
quando tão junto ao meu o contiveste,
julgando que submisso eu te seguia.
Tremem-me as mãos, as coisas me são estranhas,
algo me agarra pela nuca e me arrebata
por sibilantes portas sucessivas
de que ouço os gonzos respirar-me a vida.
Os gatos brincam? Outro carro passa?
Outros regressam? Viram-te? Tiveram-te?
Sou eu quem está dentro de ti com eles?
Num vácuo de escamas luzidias,
o sono plumbeo me rodeia, ataca
por ondas silenciosas e concentricas.
Como na morte dormirei, e digerindo
o sangue puro que te não bebi.

9/12/1950

O Melhor de "Bandeira"


quinta-feira, setembro 21, 2006


Para os muitos admiradores de Simone de Oliveira que "habitam" neste blog, aqui vai o que está programado para o Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz - Sala anexa ao Teatro Estúdio Mário Viegas (isto é uma provocação) - para o mês de Novembro. Oportunidade unica de a ouvir cantar e contar histórias. Não percam.