sexta-feira, abril 21, 2006

ASSIM VAMOS NÓS

BE salva PS de humilhação na Lei da Paridade
A Lei da Paridade foi ontem aprovada na Assembleia da República, com o PS e o BE a totalizarem 122 votos favoráveis, contra os 96 do PSD, CDS, PCP e Verdes. Mas com o Parlamento a viver de novo momentos caricatos, porque para chegar a estes números o presidente da Assembleia da República teve de fazer uma verificação alternativa com a assinatura dos deputados já que o voto electrónico registado revelava que a lei não tinha sido aprovada. O CDS apela agora ao Presidente da República, Cavaco Silva, para que envie o diploma para fiscalização no Tribunal Constitucional e o PS vai pedir a suspensão das votações electrónicas já na próxima conferência de líderes.
Num primeiro momento, por volta das 17.00, o quórum de votação era mais que suficiente (204 deputados), mas pelo meio meteu-se a discussão de um voto de protesto do CDS pelo encerramento de maternidades e, na altura das votações, a Lei da Paridade recolheu apenas o voto favorável de 111 deputados (103 do PS mais oito do BE). Menos que os necessários 116. Os votos contra eram 90. Jaime Gama chega a dar a lei como rejeitada e estala a polémica. Alberto Martins acaba por dizer que está em causa a "verdade parlamentar" e durante mais de duas horas os deputados discutem a forma de contornar a situação, perante indícios de um erro electrónico que terá contado deputados a menos.
Jaime Gama pede para que os serviços da AR verifiquem os deputados que não conseguiram votar por anomalia do cartão electrónico ou por outros motivos e para que se cruzem os dados, seguindo aliás a sugestão de Marques Guedes, líder parlamentar do PSD, e de Bernardino Soares, do PCP. Gama considerara a sugestão "interessante". Nessa altura, Alberto Martins pede a palavra e dirige-se em termos muito duros para o presidente da AR: "Queremos a verdade. Voto electrónico, voto levantado, voto sentado, o que Vossa Excelência quiser".
O CDS, pela voz do líder parlamentar Nuno Melo, lembra a falta de quórum de quarta-feira passada e garante que está em causa "a credibilidade do Parlamento". Alberto Martins, em desespero, chega a pedir a votação nominal, que o regimento indica que tem de ser pedida e aprovada antes da votação e não depois. O PSD opõe-se "a qualquer repetição da votação", tal como o PCP, e esta não chega a dar-se. A partir daí, foi um regabofe, com PSD e CDS a garantirem que entraram deputados na sala depois da verificação do quórum inicial e durante as votações. Mas Gama considera a votação "tecnicamente insuficiente" e avança para o cruzamento dos dados electrónicos com as presenças na sala. Paulo Portas, bastante activo na bancada, solta: "Quando se perde, perde-se. Quando se ganha, ganha-se. Estivessem cá a horas". Marques Guedes considera a votação como "fraudulenta".
Gama garante finalmente que "foram expurgados" os deputados que já tinham votado electronicamente e dá os novos números, que garantem a aprovação. Verifica-se então que o PS conseguiu mais 11 votos e que o BE foi fundamental. A Lei da Paridade estabelece que os partidos têm de ter pelo menos um terço de mulheres nas listas para eleições, legislativas, autárquicas e europeias.

segunda-feira, abril 17, 2006


Lançamento DVD: Camané ao vivo no S. Luiz

O primeiro DVD de Camané regista a actuação do fadista no ano passado no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, e também inclui algumas faixas extras, nas quais apresenta um documentário sobre um dos nomes mais marcantes do fado.
O DVD, intitulado "Camané ao vivo no São Luiz", inclui como faixas extras filmagens nos bastidores do espectáculo, onde é possível ouvi-lo a dedilhar uma guitarra, o documentário "Como sempre... Como dantes" com uma entrevista ao fadista e os depoimentos do técnico de som Hugo Ribeiro e das cantoras Mariza e Teresa Salgueiro.
Camané actuou dias 30 e 31 de Março e a 01 de Abril do ano passado, no teatro São Luiz, acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Carlos Manuel Proença e por Carlos Bica no contrabaixo.
Nestes espectáculos, de que o DVD regista os melhores momentos, Camané passa em revista vários temas da sua carreira para além do instrumental "Será/variações em ré menor" (Carlos Bica/José Fontes Rocha) que mereceu fortes aplausos da sala.Camané interpreta 21 fados, entre eles, "Mais um fado no fado", "Fado Sagitário", "Noite apressada", "Complicadíssima teia", "Senhora do Livramento", "A cantar é que te deixas levar" ou "A minha rua".
Nos depoimentos, tanto Mariza como Teresa Salgueiro referem "o arrepio" que sentem quando ouvem Camané, que "é um narrador de histórias que nos faz sentir dentro delas", como afirma a fadista.
Teresa Salgueiro, por seu turno, salienta "a forma natural" como encara um grande palco e o torna "intimista".
Hugo Ribeiro técnico de som de vários fadistas, entre eles Amália, faz questão de enfatizar "a intenção que Camané coloca em cada palavra que canta", no que o compara à falecida fadista.
Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que "há agora uma atitude totalmente diferente em relação ao fado".
Para Camané, o fado "vive muito da comunicação, da palavra e de uma empatia entre a pessoa que ouve e quem canta".
Este DVD de espectáculos de Camané surge depois da edição, há dois anos, do seu primeiro disco assumidamente ao vivo onde reúne actuações em diferentes espaços, desde o Centro Cultural de Belém à Taverna do Embuçado, em Lisboa.
Refira-se que o CD "Uma noite de fados", editado em 1995 também pela EMI Music, foi gravado ao vivo durante quatro noites consecutivas no Palácio das Alcáçovas, em Lisboa, onde foi recriada uma casa de fados, mas sem que esse ambiente transparece-se no resultado final.
Apontado pela crítica como "o melhor fadista da actualidade" Camané começou a cantar fado aos 11 anos, venceu a Grande Noite do Fado em 1979.
A sua carreira tem procurado conjugar o tradicional com o moderno, apoiando-se numa instrumentação claramente fadista onde o contrabaixo, "se a princípio se estranhava, tornou-se natural", explicou à Lusa.
Relativamente à sua postura em palco afirmou: "Esqueço tudo o resto, só assim posso ser honesto comigo próprio, procuro não ser importante para poder oferecer totalmente o que sou".

terça-feira, abril 11, 2006

Descobrir Mário Viegas como autor


Obras originais de Mário Viegas, algumas manuscritas ou dactilografadas, vão ser pela primeira vez apresentadas ao público numa mostra que procura homenagear o actor, encenador e declamador que morreu há dez anos. A exposição, que estará patente na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), em Lisboa, é constituída por fotografias do actor, de cena, em ensaios ou de promoção, e foi já apresentada no Museu Nacional do Teatro em 2001, além dos textos de sua autoria. Segundo fonte da SPA, "esta mostra reflecte a diversidade e a criatividade de um percurso artístico único no nosso país e que foi prematuramente interrompido".

Mário Viegas, que morreu a 1 de Abril de 1996, foi um dos fundadores da Companhia Teatral do Chiado, Lisboa, tendo-se popularizado, em meados da década de 80, através da televisão em programas de divulgação de poesia. Além de actor e declamador, a exposição procura aprofundar a sua faceta como autor de diversas textos dramatúrgicos.

Mário Viegas foi também um dos fundadores do Novo Grupo e do Grupo 4, tendo-se distinguido pela divulgação da poesia e das principais dramaturgias contemporâneas.

Apesar da curta existência - morreu com 48 anos -, Mário Viegas foi celebrado em vida com uma série de prémios relevantes. A Casa da Imprensa distinguiu-o com dois galardões e a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro premiou-o quatro vezes. Recebeu ainda o Prémio Garrett, o Prémio de Honra do Festival de Teatro de Sitges e o Prémio de Melhor Actor no Festival Europeu de Cinema da Corunha (ambos em Espanha). Em 1993, a Câmara Municipal de Santarém atribuiu-lhe a Medalha de Mérito e, em 1994, tornou-se comendador da Ordem do Infante D.Henrique, um das mais altas distinções do Estado português.

Sobre Viegas, escreveu José Saramago "Pouca gente em Portugal tem valido tanto". Descobrir Mário Viegas como autor

Sublinho a talhe de foice, que se encontra já à venda o segundo volume da poesia dita por Mário Viegas, da fantástica colecção que acompanha, às terças-feiras, o jornal "Publico".
Considero, sem sombra de dúvidas, que o lançamento desta colecção é um dos eventos culturais mais importantes deste ano e, quiça, da década.
Através dela ficará a conhecer a espantosa genialidade de Mário Viegas na dificil arte de dizer poesia, percorrendo os melhores poetas da lingua portuguesa... e a um preço menor que um bilhete para o futebol.
Delicie-se.

sexta-feira, abril 07, 2006










A COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO, ao Chiado, estreou ontem a sua mais recente peça: As Vampiras Lésbicas de Sodoma.
Trata-se de uma comédia brilhante, actual, altamente satirica e inteligente que mostra, mais uma vez, a genialidade que passa por aquela companhia fundada por Mário Viegas e Juvenal Garcês.
Simão Rubim, Rita Lello e Tobias Monteiro, encenados e dirigidos por Juvenal Garcês, dão uma interpretação extraordinária às suas personagens, sendo acompanhados por João Carracedo, Manuel Mendes e João Craveiro em palco.
São três cenas passadas em três momentos diferentes da história da humanidade; Antiguidade Clássica, Portugal na década dourada do Parque Mayer e Portugal na actualidade. O resto... o resto é melhor mesmo ir ver.
Mais uma vez a "banda sonora" escolhida por Juvenal Garcês é irrepreensivel e de uma enorme sensibilidade e inteligência.
A casa apresentou-se a abarrotar de gente terminando a actuação em enorme extâse, enchendo-se a sala de palmas.
Mais um grande sucesso garantido por esta companhia que, desde há dez anos para cá, mantem em cartaz as Obras Completas de William de Shakespeare em 97 minutos (mais coisa menos coisa).
Saia de casa e vá ao teatro.

'As Vampiras Lésbicas de Sodoma' à solta no Chiado - Diário de Noticias
Esta é a história do demónio Subaru, ou melhor, do demónio Sandokan. Ou será Sudoku? Na verdade, é a história do demónio Sucubu e de uma das suas "angelicais" vítimas. Uma comédia "sobrenatural", que data dos tempos da Bíblia e se prolonga até aos nossos dias, baseada na obra do dramaturgo e romancista Charles Busch, produzida e adaptada pela Companhia Teatral do Chiado. Com encenação de Juvenal Garcês e interpretações de Rita Lello, Simão Rubim, Manuel Mendes, João Carracedo, João Craveiro e Tobias Monteiro, a peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma estreou-se ontem no Teatro-Estúdio Mário Viegas, em Lisboa.
No centro do enredo estão duas actrizes vampiras que se amam e odeiam, ao mesmo tempo, e que há dois mil anos disputam o estrelato. Em busca do sangue de jovens virgens, que lhes garanta a vida eterna, deixam a bíblica cidade de Sodoma e correm mundo, terminando a viagem por terras lusas. Sempre em ambientes onde reinam a inveja e a luxúria, passam pela Lisboa da Revista, e acabam, nos dias de hoje, na sala de ensaios de um "musical", em plena cidade do Porto. O espectáculo, que, nas palavras de Simão Rubim, um dos protagonistas, "ultrapassa a imaginação das pessoas", recorre a um extravagante guarda-roupa e a um humor que, apesar de "libertino" em muitos momentos, brinca com a actualidade portuguesa. Esta aproximação à realidade do país é, para o actor, uma forma de "chegar mais depressa ao público". A 33.ª produção da Companhia Teatral do Chiado é uma combinação do "pequeno delírio do teatro popular, o glamour decadente do mito de Hollywood e histórias de travestis", diz o encenador da peça.
À semelhança da obra original, apresentada por Charles Busch, em 1984, e que esteve em cena durante cinco anos, Simão Rubim considera que a adaptação de As Vampiras Lésbicas de Sodoma, traduzida por Gustavo Rubim, Patrícia Marques e Vítor d'Andrade, "poderá ser um grande êxito". Apesar das sucessivas alterações na data de estreia, justificadas pela procura de financiamentos ao espectáculo, através de digressões, a peça subiu finalmente ao palco e o intérprete espera que atinja o mesmo sucesso que As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, há dez anos em cena.As vampiras andarão à solta no Teatro-Estúdio Mário Viegas, de terça-feira a domingo, até ao próximo dia 29, pelas 22.00. Neste espectáculo, não aconselhável a menores de 18 anos, os preços variam entre os 13,50 e os 18,50 euros. Proteja bem o pescoço.

domingo, abril 02, 2006

Mário Viegas - 01/04/1996 - 01/04/2006

MARGARIDA REBELO PINTO - João Miguel Tavares - Diário de Noticias
Até há dois dias, o nome de João Pedro George era apenas conhecido num pequeno círculo de happy few, que gostam de livros e se interessam por quem gosta de escrever sobre eles. Graças a uma providência cautelar e a uma obra que ainda nem sequer foi lançada, João Pedro George transformou-se subitamente em protagonista de telejornais e numa das caras mais feias que já foram primeira página do 24 Horas. Nada disto seria possível sem o patrocínio de Margarida Rebelo Pinto (marca registada).
Margarida Rebelo Pinto (marca registada) é uma escritora medíocre mas uma mulher inteligente. Ela e o seu editor acusam João Pedro George, tristemente um homem sem marca registada, de ser o "caso evidente de uma pessoa que quer usar o nome da Margarida Rebelo Pinto para ganhar dinheiro", ao preparar-se para editar o livro Couves & Alforrecas, os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto, onde desanca no talento literário da romancista light. Eu não conheço pessoalmente João Pedro George, mas basta ter lido dois ou três textos seus e olhar para a cara que Deus lhe deu para se perceber que não estamos propriamente diante de um capitalista desvairado. Já de Margarida Rebelo Pinto (marca registada) não se pode dizer o mesmo. Ora, na verdade, ela está com um problema bem maior do que ele: as vendas dos seus romances caíram a pique e da sua pena não saem nem Códigos nem Codexes. Para Abril está previsto o lançamento do seu novo livro, Diário da Tua Ausência, e como acontece com todos os light que começam a escorregar pela ladeira, provavelmente ninguém iria dar por isso.
Margarida Rebelo Pinto (marca registada) arranjou forma de contornar o problema imolando o crítico mais provocador - e um dos mais instruídos - da nossa praça. Na verdade, não vale a pena chatearmo-nos muito, porque é um confronto onde todos vão ganhar: João Pedro George vai esgotar as Couves e Margarida Rebelo Pinto vai fazer render a sua mais recente alforreca. Claro que, no campo dos princípios, a acção contra George é uma pouca-vergonha. Mas as marcas registadas não têm vergonha.
Mulheres À Força - Pedro Lomba, Diário de Noticias

Consideremos os argumentos de quem defende a lei da paridade e as quotas para as mulheres na política. São eles que têm o ónus de argumentar a seu favor, de nos convencer. Alguns argumentos não servem: a política no feminino ou a última tese de uma especialista americana em gender studies "provando" que, por causa da biologia, as mulheres são melhores decisoras do que os homens. Podemos esquecer coisas destas e tentar pensar sobre o assunto.
Logo a abrir, a ideia de que as mulheres não são um grupo minoritário, ao qual se atribuem direitos que se negam às outras minorias, mas uma maioria sub-representada na política. Mas não só o fundamento teórico para a criação das quotas é de facto a obrigação de reconhecer direitos a um grupo como a representação política não se coaduna com divisões de género. Não se elegem mulheres para representar mulheres. Presumo que o objectivo de quem quer a paridade não é chegar a um parlamento de grupos. Grupos, e grupos excluídos, há muitos.
A seguir vem a crença esperançosa na vocação das mulheres para certas áreas políticas, como as sociais. Não preciso lembrar o que dizia Thatcher do Estado-Providência. E, já agora, não digam que Thatcher era um homem ou que as mulheres são todas assistenciais e solidárias. De resto, também não convence o princípio de que as quotas são um mal transitório. Mas o que significa, neste contexto, transitório? A escassez de mulhe- res na política é um problema cultural e a cultura não muda transitoriamente. Dez anos? Vinte? Duas legislaturas? Quanto tempo?
Em quarto lugar, as quotas femininas simplificam o recrutamento de mulheres com mérito, desde logo porque impõem esse recrutamento. Mas alguém acredita na veracidade da ideia? O que vai acontecer é que a selecção das mulheres reproduzirá os mesmos vícios do recrutamento partidário que tem favorecido os homens. Resta a vontade de corrigir no topo (no acesso aos cargos políticos) os erros da base : a sujeição e indignidade de algumas mulheres em Portugal. Os defensores da paridade são uns optimistas.

sexta-feira, março 31, 2006

As diferentes datas do dia da Páscoa

O dia de Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 de Março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas - a igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicea em 325 d.C., definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária, conhecida como a "Lua Eclesiástica".
A Quarta-feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o periodo da Quaresma, que começa na quarta-feira de Cinzas.
Com esta definição, a a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo o minimo a 22 de Março e o máximo a 24 de Abril, transformando a Páscoa numa festa "móvel".

sexta-feira, março 24, 2006


As Vampiras Lésbicas de Sodoma

(Vampire Lesbians of Sodom)de Charles Busch

Com As Vampiras Lésbicas de Sodoma, a Companhia Teatral do Chiado orgulha-se de apresentar ao público português uma das mais originais figuras do showbizz da actualidade: o dramaturgo, actor, estrela de cinema, artista e romancista Charles Busch.
Foi com As Vampiras Lésbicas de Sodoma que Charles Busch se tornou famoso, corria o ano de 1984. O pequeno Limbo Lounge, em Nova Iorque, onde o espectáculo estreou, ficou minúsculo, havendo quem assistisse à farsa de Busch nas mais inconcebíveis situações, incluindo a de ficar no átrio a olhar para um ecrã de televisão. Depois as Vampiras passaram para um teatro mais a sério e... ficaram cinco (5) anos em cena!!
O sucesso explica-se. Numa época dominada pelo espírito da paródia pós-moderna, Busch inventa uma história vertiginosa que começa nos tempos bíblicos, em Sodoma, e acaba na sala de ensaios de um "musical", nos nossos dias. Inaugurando um processo que veio a durar vários anos, o próprio dramaturgo brilhou no espectáculo ao representar o papel de uma das deslumbrantes protagonistas!
Com As Vampiras Lésbicas de Sodoma, Busch traz ao palco um pequeno delírio de teatro popular onde o imaginário das histórias de terror se mistura com o glamour decadente do mito Hollywood e o universo exacerbadamente sexual dos shows de travesti. Mas no centro de tudo está o combate feroz entre as duas vedetas, sedentas do sangue que lhes garante a eternidade e envolvidas numa competição estranhamente parecida com a rivalidade ciumenta que é típica entre as grandes divas do cinema.
Por tudo isto, a Companhia Teatral do Chiado faz ao seu público uma sugestão bem simples: venham ao teatro, divirtam-se enquanto vêem uma magnífica comédia, mas... não se esqueçam de proteger o pescoço!
Encenação: Juvenal Garcês
Escolha de Figurinos: Miguel Sá Fernandes
Desenho de Luz: Vasco Letria
Desenho de Som: Sérgio Silva
Contra-Regra: Tiago Peralta
ESTREIA A 6 DE ABRIL DE 2006