segunda-feira, janeiro 23, 2006


ANIBAL CAVACO SILVA
Aníbal António Cavaco Silva nasceu a 15 de Julho de 1939, em Boliqueime. Primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995, o seu governo de dez anos ficaria para a história politica portuguesa como o mais longo dos governos eleitos democraticamente em Portugal.

Licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, doutorou-se em Economia pela Universidade de York, Inglaterra. No regresso a Portugal, foi investigador no Instituto Gulbenkian de Ciências, docente na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, dirigiu o gabinete de estudos do Banco de Portugal. Actualmente é Professor Catedrático na Universidade Católica.

Enquanto ministro das Finanças de Francisco Sá Carneiro, entre 1980 e 1981, Cavaco Silva ganhou a reputação de liberal económico. Depois da morte do primeiro-ministro, num acidente de aviação, recusou continuar no governo de coligação formado pela AD, chefiado por Francisco Balsemão (1981).

A chegada à liderança do PSD acontece a 2 de Junho de 1985 no congresso da Figueira da Foz, um lugar onde permanece até Fevereiro de 1995. Este congresso que põe também fim ao Bloco Central.

A 6 de Novembro, e depois de umas eleições legislativas marcadas pela presença do Partido Renovador Democrático (PRD), organizado pelo então Presidente da República Ramalho Eanes, Cavaco Silva é empossado como primeiro-ministro.

Aumentos substanciais da Função Pública, cortes nos impostos e a liberalização económica, incluindo a privatização de empresas públicas, deram origem a diversos anos de crescimento económico ininterrupto que contribuíram para aumentar a popularidade de Cavaco Silva.

A sua actuação estava, no entanto, limitada por um parlamento controlado pela oposição. O PSD apenas podia contar com o apoio do CDS mas os 110 votos que totalizavam os dois partidos não eram suficientes para a maioria absoluta.

Em 1987, um voto parlamentar a uma moção de censura ao Governo levou Mário Soares, então eleito Presidente da República, a convocar eleições antecipadas.

Nas eleições de 1987, o PSD, e Cavaco Silva, faz história ao alcançar a primeira maioria parlamentar na história da política portuguesa.

A reeleição, em 1991, trouxe novo triunfo para Cavaco Silva e para o PSD. Impulsionados por uma popularidade inquestionável na altura, Cavaco Silva e o PSD conseguiram mais quatro anos de governo quase sem oposição.

Em 1992, a crise económica que se instalou no país reflectiu-se numa onda crescente de desemprego e numa forte contestação social. Foi também nesta altura que surgiu a célebre frase dirigida à oposição - «Deixem-me trabalhar» - que acabou por conferir um tom de arrogância ao Governo e que viria a minar a sua popularidade.

Em 1995, Cavaco Silva decidiu não se recandidatar. O seu sucessor, Fernando Nogueira, até então ministro da Defesa, falhou em conseguir manter o PSD na liderança do Governo.

Em 1996, Cavaco Silva candidatou-se à Presidência da República mas viria a perder a eleição para Jorge Sampaio que sucedeu a Mário Soares.

Nos últimos anos, o antigo primeiro-ministro manteve-se afastado da vida política e retomou a sua actividade académica. Este interregno foi interrompido esporadicamente por intervenções pontuais sobre questões nacionais ou internacionais.
Do extraordinário blog http://blogcasmurro.blogspot.com/ - Gustavo Rubim escreveu:

"Os saudosos de Carrilho
Eu poderia, claro, subscrever esta posição do Eduardo Pitta no Da Literatura (como, de facto, subscrevo) e não me chatear mais. Infelizmente, abri a caixa de correio electrónico e estava lá uma mensagem a sugerir, pasme-se, que eu assinasse a petição contra o Ministério da Cultura a que o Eduardo Pitta se refere. Ora, isso já pede que uma pessoa se chateie. E como o Groucho meteu férias há que tempos, aproveito para me chatear aqui.
Começo pela evidência: se há um projecto para privilegiar, no Teatro Nacional, o teatro nacional e se a nação calha a ser a portuguesa, só resta discordar. Para ser claro: discordar com veemência. Talvez só restasse também discordar se a nação fosse outra qualquer, mas já não seria, digo eu, com a mesma evidência (e muito menos com a mesma veemência) se a nação calhasse a ser, por exemplo, a inglesa. Há diferenças. Estamos a falar de teatro.
Agora, se continuarmos por aí, a propósito do Teatro D. Maria II e da tal petição, vamos de certeza desconversar. A petição não tem nada a ver com isto. A petição apareceu porque o director até aqui do Teatro D. Maria II ― António Lagarto ― foi trocado por outro director. O agora ex-director António Lagarto não é um qualquer: é uma pessoa com ligações conhecidas, mais amigo de umas pessoas «da cultura» do que de outras pessoas «da cultura», e essas ligações e esses amigos é que foram aos arames com a substituição e é que tiveram a ideia da petição. O ex-director António Lagarto não estava no Teatro Nacional só pela sua pessoa: representava com muita competência os amigos e as ligações, como só não vê quem anda cá a ver passar os eléctricos.
Portanto, não vale a pena sequer discutir a programação que o ex-director inventou para o Teatro D. Maria II, porque salta aos olhos que não era nada que se parecesse com o que deve ser a programação de um Teatro Nacional. Há muitos anos que em Portugal (não é só em Lisboa) deixou de haver qualquer coisa de parecido com um Teatro Nacional, com a programação artística de um Teatro Nacional e o público de um Teatro Nacional. Com o ex-director António Lagarto apenas continuou a deixar de haver.
Os autores da famigerada petição não têm saudades de haver um verdadeiro Teatro Nacional em Portugal, têm só saudades de outro ministro e por isso é que a petição deles é contra a ministra actual e não tem nada a ver com teatro. Os autores da petição têm (e por excelentes razões) saudades do ministro Manuel Maria Carrilho e querem-no de volta, a ele ou a alguém do género dele ou com as, vamos lá, ideias dele.
Isto é que chateia: as pessoas não dizerem mesmo ao que vêm!"

terça-feira, janeiro 17, 2006

A"coisa cultural" tem estado na berlinda, nos últimos tempos. Foi o Centro Cultural de Belém, foi o Teatro Nacional de D. Maria II. A "coisa cultural" é sempre polémica, uma espécie de futebolês. Há os de um clube e os de outro, os dos subsídios e os que ficam de fora - não sei bem se há os de uma política cultural e os de outra ou, apenas, os que raparam do tacho e os que não raparam. O que noto, ao longo dos anos e seja qual for o responsável governamental pela tutela do sector, é haver sempre um monte de contentes e outro de descontentes (uma espécie de reedição do "Senhor Contente e Senhor Feliz"). E, nos media, os que protegem os rapadores de um lado e os que protegem os que não raparam nada. A este debate de bolsos se tem chamado "debate cultural".

Eu que, nestas coisas e noutras, funciono com a cabeça do eleitor útil, iniciei a semana que findou como "eleitor contente". Porquê? Porque a nomeação do António Mega Ferreira para a direcção do CCB me pareceu uma excelente escolha. A seu favor, o António Mega tem a inteligência, a imaginação, a criatividade, um currículo inexpugnável. É um homem de modernidade e de paixão. Tudo o que o CCB precisa, sobretudo em tempo de vacas magras. Tenho a certeza de que o novo director vai fazer, por lá, de Luís de Matos. Vai conseguir tirar coelhos de qualidade da estreita cartola do CCB.

Não pretendo, com isto, menorizar o trabalho e a seriedade de quem lá esteve antes - e, muito menos, a figura do prof. Fraústo da Silva. Mas o CCB precisa de um vendaval de criatividade, de aliar elitismo (no bom e profundo sentido) com popular. De utilizar com inteligência, por exemplo, a colecção Berardo. Precisa de agitação. De inquietação. De sentido de marketing. De boa gestão dos meios de que dispõe. E são muitos. Excelentes instalações para espectáculos, exposições, happenings culturais - pode dar passagem à festa da cultura. O trabalho que o António Mega fez na Expo e noutros locais, o seu jeito de ser, o entendimento que tem da "coisa cultural" é um sinal de esperança. O seu discurso será isso mesmo uma boa agitação contraposta (que me desculpe o prof. Fraústo) à resignação académica do anterior titular. O País não vai para a frente só com dinheiro, também vai com criatividade e inteligência na optimização dos meios.

Quer isto dizer que a tarefa vai ser fácil? Nada disso. Mas estou certo de que também foi por isso que o António Mega, homem de desafios, aceitou o cargo.

D. MARIA II. O Teatro Nacional teve, a meu ver, nos tempos do salazarismo, uma boa tradição. Uma companhia residente - a de Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro - que ganhou essa qualidade por concurso e desempenhou um papel de vanguarda, apesar da ditadura. Nenhum dos grandes nomes do teatro português dos últimos 50 anos nega isso. Pela programação, apesar da censura e de alguma "auto-regulação" por via do peso do regime, passou o melhor da dramaturgia clássica portuguesa, muito da melhor estrangeira, autores modernos, teatro mais popular e menos popular, teatro infantil, teatro para todos os públicos. Que é para tal, parece-me, que o Teatro Nacional deveria servir. Ele também, deveria ser um centro de agitação cultural.

Não entendi, ainda, porque essa via não foi seguida, após o 25 de Abril. Abrir concurso, com premissas de programação obrigatória e regras de financiamento público definidas, exigência de consistência cultural e empresarial aos concorrentes, controlo de resultados. A rota do D. Maria II, nestas últimas décadas, foi por demais errática. E, como tal, de resultados medíocres. O Teatro Nacional tem sido um pássaro de asas cortadas. O Estado que enquadre a sua actividade e deixe quem tem unhas tocar aquela guitarra.


O HINO. Tem havido muita polémica em torno do uso, pela PT, do Hino Nacional num anúncio institucional. Discordo dos críticos. A PT, como a TAP, por exemplo, é uma empresa de bandeira. Um pouco da imagem interna e externa de Portugal resulta da sua actividade. E temos de desencalhar o Hino, sem o desrespeitar. Não vejo porque ele há-de ficar reservado para o futebol e as aparições do Presidente da República. O Hino é uma afirmação nacional, em tempo de globalização. Das poucas que nos restam. Nas escolas pouco é aprendido e cantado já. E, não fora a selecção portuguesa de futebol, talvez prosseguisse o seu caminho de esquecimento - da música, da letra e do sentimento nacional. Deixem os acordes dos "heróis do mar, nobre povo" ser arautos do que de bom Portugal tem.

"De Mega Ferreira ao D. Maria II", in Diário de Noticias de 17 de Janeiro de 2006

José Manuel Barroso
Jornalista

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Mais uma vez reafirmo que o propósito deste blog mais não é do que "publicar" artigos que a mim chamaram a atenção, na minha óptica pessoal e por isso muito discutivel, e que quero "imortalizá-los" ou tê-los sempre a mão, sempre que os quiser ler ou reler. É uma espécie de arquivo privado, album de fotos ou diário. Os textos que escrevo são, por assim dizer, acrescentos que saem da norma, do que este blog deveria ser.
Espero que fique então claro, de uma vez por todas, o propósito a que se destina. Recolha de textos que a mim me dizem algo, e pouco mais.
Em relação à actuação da Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, pouco de positivo existe a dizer. Mas como ela, todos os outros anteriores a ela, de todos os governos que existiram. Falta-lhes planificação, uma ideia claro do que pretendem ou não pretendem em termos culturais para o país, falta-lhes Cultura. Bem ou mal, durante o Estado-Novo, havia uma ideia de Cultura para o país, e esta deveria servir o Estado e os seus propositos. A Cultura era um meio de propaganda dos ideias politicos. Sempre foi e sempre o será, desde a antiguidade clássica até aos nossos dias. Mas como a politica anda também um pouco às avessas, assim anda a Cultura.
Falta inteligência, conhecimento da Mentalidade do povo português e, por conseguinte, da sua "Cultura".
Mas uma coisa é certa, as politicas culturais realizadas neste país nos ultimos anos nunca se destinaram para o "povo" (palavra que abomino pela carga demasiadamente perjurativa que contém). Foram sempre realizadas tendo em conta um grupo de pessoas muito restrito, que anseiam há muito serem o espelho da cultura, do bom-gosto e da inteligência em Portugal. Falo, claro, das Cornucópias todas deste país, que não sendo pessoas boas para a cultura, ganham Prémios Pessoa, entregues pelos meia duzia que os seguem, como um comboio "Expresso", da Lisboa ao Porto, que, infelizmente, não descarrila.
Mas a nomeação de Carlos Fragateiro para o Nacional foi o primeiro boicote na linha, o primeiro prego que ajudará a descarrilar esta máquina há muito imposta.
Claro que Carlos Fragateiro não será a resposta para os problemas nem a melhor solução. Mas é um começo. Depois dele virão outros, que espero, esses sim, com o programa da revolução cultural há muito esperada e que tarda.
DANIES

segunda-feira, janeiro 09, 2006

VIVA A MINISTRA PIRES DE LIMA
A ministra da Cultura Isabel Pires de Lima parece que pretende chutar do Nacional o António Lagarto para colocar à frente daquele Teatro, Carlos Fragateiro. Amén.
É já altura do Teatro em Portugal sair da tutela dos pseudo-intelectuais, dos pseudo-encenadores, dos pseudo-tudo. Chega de Luis Miguel Cintra; Chega de Jorge Silva Melo; Chega de Ricardo Pais; Chega de Lucia Sigalho. Chega! Chega! Chega! Abaixo essa corja que corrompe e manipula o Teatro em Portugal.
É tempo de o Teatro virar-se para o público, para os portugueses. Fora com todos aqueles que fazem Teatro para o seu umbigo e para o umbigo dos seus amigos.
É tempo de o Teatro ser Teatro. É tempo de o Teatro ser feito pelos amantes de Teatro, pelos Actores de Teatro, pelos do Teatro.
Não sei se o Fragateiro é a solução. Mas, pelo menos, não pertence ao grupo dos retardados supracitados atrás. E quer fazer Teatro de portugueses, e quer que todos os portugueses vejam Teatro no país inteiro. Quer prestar serviço público, de norte a sul, do litoral ao interior.
A ministra, só por se ter virado para o outro Teatro - o verdadeiro, o Teatro a valer (Experimental de Cascais, Estúdio Mário Viegas, entre outros) - merece aplausos. VIVA A MINISTRA! VIVA O TEATRO!

quarta-feira, janeiro 04, 2006


Estampa alusiva aos "maleficios" do Jogo - c. Séc. XV

terça-feira, janeiro 03, 2006



SÉ DE LISBOA
Estampa de 1840


Uma antiga tradição fala-nos de Veríssimo, Máxima e Júlia, como mártires lisbonenses na perseguição de Diocleciano (viragem do século III para o IV). O certo é que, meio século depois, encontramos a diocese presidida por Potâmio, seu primeiro bispo conhecido, que interveio nas polémicas doutrinais do Cristianismo de então (arianismo).
No século V chegaram os bárbaros. Sob a monarquia visigótica, os bispos de Lisboa participaram em vários concílios, de Toledo, de Viarico no de 633 a Landerico no de 693. Como sucedeu por toda a parte, datará desta época a descentralização do culto, da cidade para os campos em redor, constituindo-se as primeiras paróquias rurais.
Dos princípios do século VIII a meados do XII, Lisboa esteve sob domínio muçulmano. Não conhecemos o nome de nenhum dos seus bispos deste período, mas continuaram a existir cristãos na cidade e seu território. Aquando da tomada de Lisboa aos mouros, em 1147, existia um bispo moçárabe ( = cristão sob domínio muçulmano) em Lisboa.
Depois da conquista, a diocese foi refeita, ficando por seu bispo o inglês D. Gilberto, vindo com os cruzados: Lisboa ficaria oficialmente ligada (sufragânea) à arquidiocese de Compostela até ao fim do século XIV. Construiu-se a Sé, no local onde fora a mesquita e talvez antes a Sé visigoda, sendo o único monumento românico que resta na capital.
A Sé tinha o seu Cabido de cónegos que apoiavam o bispo e mantinham uma escola capitular. Nessa escola estudaria em menino Santo António de Lisboa, já na viragem para o século XIII. Além da Sé e das paróquias que rapidamente se estabeleceram, a partir talvez de antigas comunidades moçárabes, Lisboa viu levantar-se por iniciativa de D. Afonso Henriques o mosteiro de S. Vicente de Fora (por ficar fora das muralhas da altura). S. Vicente foi martirizado em Valência no século IV, e as suas relíquias foram depois muito veneradas pelos moçárabes no cabo algarvio que tem o seu nome. O nosso primeiro rei trouxe-as para Lisboa, ficando guardadas na Sé. O referido mosteiro foi um importante centro cultural e nele se formou também Santo António.
Em 1289 o bispo D. Domingos Jardo fundou o colégio dos Santos Paulo, Elói e Clemente, para o ensino de cânones e teologia. Pouco depois e, com intermitências, até ao século XVI, Lisboa dispôs duma Universidade fundada por D. Dinis com o apoio do clero. A Universidade só ensinou Teologia a partir do século XV, sendo até aí ministrada nos conventos dos dominicanos e franciscanos, levantados no século XIII. Na segunda década deste século nasceu em Lisboa Pedro Julião, mais tarde papa com o nome de João XXI (1276-1277).
Em 1393, Lisboa foi elevada a metrópole eclesiástica, sendo seu primeiro arcebispo D. João Anes. Ficaram-lhe sufragâneas várias dioceses portuguesas do centro e sul, a que se juntaram outras, ultramarinas, no século seguinte. No século XVI, o cardeal D. Henrique, arcebispo de Lisboa, aplicou na diocese os decretos reformadores do Concílio de Trento, devendo-se-lhe, nomeadamente a fundação do seminário diocesano de Santa Catarina em 1566. Era um estabelecimento modesto e os seus alunos frequentavam as aulas do grande colégio jesuita de Santo Antão.


Eram tempos de intensa vida religiosa, alimentada por muitas congregações religiosas e associações de piedade e caridade, ligadas a mosteiros, conventos e paróquias: a primeira Misericórdia foi fundada em 1498 numa capela do claustro da Sé de Lisboa. Desde o final do século XV não se permitiam divergências religiosas no país; mas a missão ultramarina - tão magnificamente evocada no mosteiro dos Jerónimos - pedia constantemente obreiros: entre tantos outros, Lisboa deu S. João de Brito à Índia e o Padre António Vieira ao Brasil, ambos jesuítas do século XVII.
Em 1716, o papa Clemente XI elevou a capela real a basílica patriarcal, ficando a antiga diocese dividida em duas até 1740, ano em que foi reunificada. Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo: os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
Depois do grande terramoto de 1755, teve de se remodelar o tecido paroquial de Lisboa, com outros templos e outras delimitações. A reorganização das paróquias da cidade, feita pelo patriarca D. Fernando de Sousa e Silva em 1780, ficou como base dos complementos ulteriores. Nesse mesmo ano, a rainha D. Maria I cedeu-lhe o antigo colégio dos jesuítas em Santarém, para aí transitando o seminário diocesano. Foi também D. Maria I quem mandou construir a basílica da Estrela em honra do Sagrado Coração de Jesus.
Após grandes perturbações ligadas às invasões francesas e às lutas liberais com as respectivas sequelas, a reorganização diocesana deveu-se especialmente ao patriarca D. Guilherme Henriques de Carvalho, em meados do século XIX. Foi ele quem conseguiu reabrir o seminário diocesano de Santarém em 1853. Os seus sucessores até à terceira década do século XX tiveram de sustentar a vida católica contra grandes reptos ideológicos e institucionais, antes e depois da implantação da República.
A partir de 1929, o patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira consolidou a vida diocesana, fomentando as vocações sacerdotais, fundando novos seminários - Olivais (1931), Almada (1935) e Penafirme (1960) - , multiplicando paróquias e impulsionando o apostolado laical. Foi também no seu tempo que reabriu a Sé de Lisboa, depois de arquitectonicamente reintegrada. O seu sucessor, D. António Ribeiro, continuou-lhe a obra, nos termos novos exigidos pelo Concílio Vaticano II e o Portugal de antes e depois do 25 de Abril. Em 1975 criaram-se as dioceses de Setúbal e Santarém, destacadas do Patriarcado de Lisboa. Em 1984, D. António Ribeiro fundou o seminário de Caparide.
Em Outubro de 1998, o patriarca D. José Policarpo transferiu os serviços diocesanos para o antigo mosteiro de S. Vicente de Fora, que já os alojara de 1834 a 1910.


D. Manuel Clemente

segunda-feira, janeiro 02, 2006


O Panorama – Jornal Litterario e Instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis

26 de Setembro de 1839, Ano III, Nº 126, Cota BN J. 155 B

Primeiro luto preto em Portugal – O primeiro luto desta cor, que se tomou neste reino, foi por morte de D. Philippa, tia d’elrei D. Manuel: até este tempo o luto era de burel branco.”