segunda-feira, outubro 31, 2005


"O novo single de Madonna, Hung Up, já roda em algumas rádios, e soma entusiasmos. A canção está construída sob a força luminosa e convidativa de um sample do clássico Gimmie Gimmie Gimmie (A Man After Midnight) dos Abba, que assim sustenta um irresistível monumento de pura pop bem ritmada que não deixa o corpo indiferente. E é seguro cartão de visita para Confessions On A Dance Floor, álbum anunciado como essencialmente dançável, a editar a 15 de Novembro. O sample dos Abba não foi tarefa fácil de conseguir, até porque os quatro suecos tinham apenas, até aqui, autorizado uma única cedência de um sample seu, mais concretamente um fragmento de The Name Of The Game para o tema Rumble In The Jungle dos Fugees (1996). E, no passado, chegaram mesmo a mandar retirar do mercado o álbum de estreia dos KLF (mais concretamente em 1987), por recorrer a samples não autorizados da sua música.
Madonna declarou ao The Sun que enviou um emissário seu a Estocolmo com uma cópia da gravação de Hung Up e uma carta na qual implorava pela cedência do sample desejado. Nessa carta confessava venerar a música dos Abba, afirmando ser este single uma simples homenagem ao grupo. Benny Anderson e Björn Ulvaeus não deram imediatamente o sim desejado... E explicaram que recebem regularmente inúmeros pedidos do género e que sistematicamente respondem um não. Mas ambos admiram Madonna, desde há muito, confessaram. Admiram-lhe a coragem e a forma como tem mantido uma carreira firme ao longo de mais de 20 anos. Se a canção não fosse boa, teriam rejeitado o pedido, mas já descreveram Hung Up como 100 por cento de sólida pop. Benção dada. Sample cedido. Et volià...
O Sound + Vision já escutou o single e...
N.G.: Viciante! Absolutamente viciante! Madonna não tinha um single tão ostensivamente pop, tão luminoso, cativante e irremediavelmente festivo desde... Ray Of Light. É certo que houve Music pelo meio, American Life... Mas há muito que não víamos em disco uma Madonna 100 por cento pop (os Abba têm razão), como a que fez escola nos dias de 80, de Like A Virgin a Express Youself, de Open Your Heart a Material Girl... Hung Up é uma brilhante construção de uma canção com alma própria, que mesmo remetendo-nos para a memória evidente do sample de Gimmie Gimmie Gimmie que lhe é estrutural, não impede o reconhecimento do que é novo como protagonista. O filet mignon de pop sueca é magnificamente enquadrado numa composição que sabe, depois, projectar a vitalidade pop samplada num todo que segue o mesmo caminho, suportando o edifício pelo recurso a uma aqruitectura electro (pop). Hung Up é daquelas canções que se ouvem "em repeat" até mais não. E é, como muitas das canções clássicas dos Abba, um belo exemplo de pop bem estruturada e incapaz de deixar alguém indiferente. Até os sisudos vão gostar...
J.L.: Pop mais pop não há! Ou dito de outro modo: e se fizéssemos uma maldade à vaga planetária do hip hop, tirássemos os «hh» e outras redundâncias, os temperos e as modernices, e servíssemos apenas o champanhe? Que sobra? A mais pura cozinha pop, abençoada pelos Abba e com cheirinho a coisas remotas como «Holiday» ou «Burning Up» — foi há tanto tempo que já nem nos lembramos quem inventou tais coisas... Em todo o caso, aqui fica a denúncia: esta senhora anda a copiá-las!
P.S. Post servido com mais uma foto de Steve Klein tirada na sessão da qual nasceu a capa de Confessions On A Dance Floor."
Este texto foi retirado do FABULOSO blog de Nuno Galopim e João Lopes, ambos jornalistas do Diário de Notícias e excelentes comentadores de música e cinema. Vale a pena uma visita diária, pois está em constante actualização.
http://sound--vision.blogspot.com/ - VISITEM CLICANDO AQUI

Greve? Qual Greve?

Professores em greve transtorna. Camionistas em greve chateia. Médicos em greve incomoda. Juízes em greve? Aborrece, com esforço, um ministro, e recebe a mais olímpica indiferença por parte do resto da população.
A justiça fazer greve em Portugal é uma redundância e, por isso, uma decisão pouco inteligente. OK, fica tudo parado durante dois dias - e então? Se fossem dois anos, talvez algum cidadão mais arguto, que tivesse um processo a correr nos tribunais, pudesse concluir após longa reflexão "isto está a atrasar um bocadinho". Agora, dois dias, ou até dois meses, são uma pinga de água no imenso oceano de atrasos, incompetências e má organização da nossa máquina judicial.
Há um mês escrevi aqui um texto crítico sobre os efeitos desta anunciada greve na justiça, que deu origem a uma longa resposta, muito simpática mas indignada, de uma magistrada. Ela dizia recusar-se a ser "bode expiatório de um sistema que está inquinado", acusava-me de "ideias preconcebidas e desrespeito pelas instituições" - duas grandes verdades - e aconselhava-me a investigar mais antes de emitir opiniões públicas.
Eu segui o conselho e fui investigar. Cheio de empenho, lancei-me às 137 páginas do relatório sobre o sistema judicial europeu elaborado pela Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (encontra-se em www.coe.int/cepej), que traça comparações entre dezenas de países. Aí descobri, por exemplo, estes dois factos deliciosos 1) Portugal tem 14,9 juízes por 100 mil habitantes, mais do triplo da Inglaterra (esse país subdesenvolvido). 2) Entre 33 países europeus analisados, Portugal é, de longe, aquele que, tendo em conta o salário médio, melhor paga aos seus juízes. Isto são números oficiais. Lidos, digeridos, investigados. A justiça portuguesa é efectivamente privilegiada. O que nós lhe pagamos é muito, mas muito mais do que aquilo que ela nos está a oferecer.
João Miguel Tavares - Diário de Notícias - 28 de Outubro de 2005

Quinta-feira, dia 27 de Outubro, fui visitar o mais belo jazigo cultural de Portugal, que se encontrava de portas abertas para receber o primeiro de dois concertos da fadista Mísia. Falo pois do Teatro Nacional D. Maria II, que tem como coveiro principal António Lagarto.
Confesso que desconhecia, de todo, o trabalho de Mísia. Fui ver o espectáculo porque, primeiro, sou um grande apaixonado por fado e por poesia. Depois, porque sabia que ia estar presente a bela e sofisticada actriz francesa Fanny Ardant. E, por último, porque ninguém fica indeferente a Mísia, mais não seja pela sua figura "exótica" e fora do comum.
Cheguei a horas e, primeira das surpresas, fiquei surpreendido pela quantidade de caras famosas e famosinhas que lá se encontravam. Carrilho e Bárbara, Francisco Louça, caras do PS, Eduardo Prado Coelho, Fernanda Lapa e Fernanda Montemor, Ana de Sousa Dias, Maria João Seixas, Lurdes Norberto, Lia Gama, o grande poeta (ah, ah, ah) Tito Livio, Celeste Rodrigues e muitas outras caras que de momento não me recordo.
Pensei cá para comigo - "Bolas, que a Mísia deve ser mesmo muito boa... tanta gente, não é costume."
Entrei na sala. Lá estava a Sala Garrett com a sua mediana opulência e o seu cheirinho a mofo. Acenos para ali, beijinhos para acolá, todos se foram acomodando na plateia e nos camarotes. A sala estava composta.
Com um atraso algo longo, os músicos entram no palco onde uma tela projectava uma imagem fixa de uma cama com um telefone vermelho por cima da colcha. Estavamos num quarto de hotel.
Da afinação, um a um, dos instrumentos, começa a sair a primeira melodia da noite. E eis que entra Mísia, bonita, vestindo uma saia-casaco negro.
Quando estava prestes a bater palmas pela sua entrada, eis que não se ouve nada... nem uma palminha, nem um cochicho.... nada. Ter entrado ou não em palco era a mesmíssima coisa. Foi a segunda surpresa da noite.
Confesso que acho que nem ouvi bem a primeira música. Fiquei a matutar naquilo. Então mas que raio. Entra uma artista em palco e nem um espirro se ouve. Fiquei incomodado e gelado.
Mas as músicas e as conversas foram-se desenrolando e passando e eu abismado com a capacidade vocal de Mísia, o seu sentido de humor, a sua beleza em palco. Fados, boleros, tangos, foi tudo quanto se ouviu no concerto.
Como prelúdio de cada música, Mísia contava uma pequena história sobre o hóspede do "Drama Box Hotel", e como era o seu quarto. Um mimo.
Após duas músicas, Mísia anuncia Fanny Ardant. Eu nem coloquei as mãos a jeito para a saudar, como havia feito quando a fadista entrou em palco. Surpresa número três.... eis que a sala em peso começa toda numa histeria de palmas e de bravos. Pensei, novamente, para mim - "Mas que raio, esta gente tá parva? Quer dizer, entra-me a artista principal em palco e ninguém mexe uma palha; entra uma artista convidada (que podia ser a Ardant como outra qualquer) e desata tudo aos bravos". Só depois entendi. A sala estava inundada de cagões e projectos a cagões. Que estupidez a minha. Então não haviam de bater palmas a uma actriz francesa, de França, que vem declamar um poema de Vasco Graça Moura e ainda por cima no Teatro Nacional D. Maria II. Até parecia mal.
Enfim... ainda sou muito ingénuo nestas coisas.
A pequena declamou, lá se foi embora e instalou-se no camarote em frente ao do Carrilho. O que a Mísia faz para obrigar a Ardant a não tirar os olhos do palco... se olhasse em frente via o Carrilho, para baixo via o Eduardo Prado Coelho e a Maria João Seixas, ao lado o Tito Livio... perante tal horror, só restava mesmo à Fanny olhar para o palco.
E o concerto lá continou. Espantoso, cheio de surpresas. Eu cada vez mais boquiaberto pelo "vozeirão" de Mísia e a excelência dos músicos.
O mesmo termina com o "Lágrima", de Amália Rodrigues, que Mísia diz ser o seu "fado fetish". Como eu a entendo.
As pessoas lá se levantaram, soltaram-se e bateram muitas palmas com alguns timidos bravos.
Conclusão do espectáculo: - Fados no Teatro Nacional, nunca mais. Ou é pelo "peso" da casa e de tudo o que ela representa ou é pelo público que lá vai, gelado, armados em parvos intelectuais e elitistas. Acho que por tudo isto o concerto não resultou como deveria ter resultado.
Em relação a Mísia, foi uma surpresa agradável. Adorei a postura e a voz. Adorei os seus boleros e os seus tangos. Se estivessemos 50 anos atrás no tempo e em Espanha, não teria existido Sarita Montiel mas sim a Mísia Montiel ou Sarita Mísia. Agora, em relação ao Fado, confesso que não fiquei fã. Não me emocionaram nem me tocaram de qualquer forma. O porquê, não sei. A Mísia tem voz e postura. Os poemas, na sua maioria, são excelentes. Terei que ir vê-la de novo, com outro público e noutra casa. Só aí direi, realmente, se gosto ou não dela como fadista... para já, fica o benificio da dúvida.

terça-feira, outubro 18, 2005

TUDO OU NADA - KÁTIA GUERREIRO


"Tudo ou Nada" é o novíssimo álbum de Kátia Guerreiro. E é um álbum que me faz dar graças a Deus por ser deste cantinho do mundo, por falar esta língua e ter quem cante assim, como ela. É um álbum que faz esquecer os problemas do mundo, a incompetência dos nossos políticos, o povinho que vota e elege criminosos, os 142 euros de segurança social que tenho de pagar todos os meses, entre outras desgraças maiores... ou menores.
Neste álbum, Kátia Guerreiro confirma tudo o que vinha demonstrando ao longo dos dois álbuns anteriores... uma superioridade invulgar, quer vocal quer sentimental, para cantar o fado... genuinamente. Sem artifícios, efeitos ou manobras de distração.
Sendo este um disco que se aproxima da perfeição é, na minha opinião, nos espectáculos ao vivo que podemos ver, ouvir e sentir esta fadista "em tom maior" em todo o seu esplendor e deslumbramento. Quem assistiu ao concerto no CCB, junto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no passado dia 1 de Outubro, concordará que a interprete mostra-se mais tímida e contida em álbum que no palco. Pelo que, vê-la ao vivo a cantar é ataque cardíaco na certa... graças a Deus para nós que ela é médica de profissão e fadista de coração.
Em "Tudo ou Nada", as melodias tiradas da Guitarra Portuguesa de Paulo Valentim, Viola de João Veiga e do Contrabaixo de Rodrigo Serrão envolvem a voz de Kátia como se de abraços de ternura se tratassem. Além destes músicos obrigatórios ao lado de Kátia, surge-nos neste álbum o dedilhar do piano por Bernardo Sassetti, numa das belas canções do alinhamento - "Minha Senhora das Dores".
Vários são os poetas que emprestam as palavras à voz de Kátia: António Lobo Antunes, António Calém, Mª Luísa Baptista, Dulce Pontes, Sophia de Mello Breyner, José Carlos Ary dos Santos (com a "Menina do Alto da Serra", tema interpretado por Tonicha no Festival da Canção), Vinícius de Morais, Joaquim Pessoa, entre outros.
Sinto que me faltam as palavras para descrever este álbum e as emoções que fui sentindo ao ouvi-lo. Sei, convictamente, que o que senti foi Fado.... e do bom.
Espero agora, impacientemente, pelos dois espectáculos de Kátia Guerreiro, agendados para Dezembro, no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa.
Alinhamento:
1. Disse-te Adeus À Partida/O Mar Acaba Ao Teu Lado - António Lobo Antunes
2. Despedida - António Calém
3. Ser Tudo Ou Nada - João Veiga
4. Muda Tudo. Até O Mundo - Mª Luísa Baptista
5. Minha Senhora Das Dores - Jorge Rosa
6. Canto Da Fantasia - Paulo Valentim
7. Vaga - Rodrigo Serrão
8. Dulce Caravela - Dulce Pontes
9. Quando - Sophia de Mello Breyner
10. Menina Do Alto Da Serra - José Carlos Ary dos Santos
11. Saudades Do Brasil Em Portugal - Vinícius de Morais
12. O Meu Navio - Rodrigo Serrão
13. Talvez Não Saibas - Joaquim Pessoa
14. Tenho Uma Saia Rodada
Produção Executiva: Kátia Guerreiro

quinta-feira, outubro 06, 2005

Recordando Amália Rodrigues


Amália Rodrigues com o actor José de Castro num baile de Carnaval (finais da década de 50).
Dacosta, Fernando, "José de Castro - Fotobiografia", Editora Mensagem, Queluz, 2005.

Cartoon Bandeira

terça-feira, outubro 04, 2005

Ora vejam o que se dizia em 1961, sobre o luto que as pessoas deveriam fazer... e isto para que não fosse mal falado pela vizinhança ou passar por viúva/o alegre.
Divirtam-se

Correio das leitoras

“Uma indecisa” – O luto por cunhados, ou por irmãos, tem a duração de seis meses. Os últimos dois meses permitem já os tons cinzentos com pintas brancas, os lilases, os tecidos com riscas brancas e pretas. A importância dada ao luto depende, em muitos casos, quase só do grau de parentesco. O luto com menor duração é o que se veste pelos primos. Apenas quinze dias de luto. Pelos tios, ou sobrinhos, dois meses. Lutos pesados somente por marido ou esposa.” – 12 de Agosto de 1961, Diário de Notícias.

quinta-feira, setembro 29, 2005


Simone de Oliveira deu uma grande entrevista à revista "Sénior Fórum Magazine", de Setembro. A revista, confesso, não a conhecia. Comprei-a porque tinha a Simone... e não me arrependi. Além da enorme e franca entrevista ao grande ícone musical português, a revista conta com artigos muito interessantes e diversos.
Mas a minha intenção é deixar-vos aqui um excerto da entrevista com Simone de Oliveira que, apesar de ser dito com o seu jeito caracteristico, não deixa de tocar em aspectos politicos muito pertinentes. Ora leiam e comentem:
"É preciso uma geração mais jovem na política."
Sénior Fórum Magazine - Cantora, actriz, entrevistadora em rádio ou televisão...
Simone de Oliveira - Faço tudo com a mesma paixão. Gosto muito de fazer programas em directo, detesto fazer gravado.
SFM - Porque acabou o seu programa na SIC Mulher?
SO - Foi um contrato de seis meses e acabou. Mas percebo que é por não ser muito cómoda. Não visto nenhuma camisola a não ser a minha.
SFM - Nem em política?
SO - Sempre votei PS, mas agora não o vou fazer para a Câmara de Lisboa.
SFM - Desiludida com o PS?
SO - Não, eu desiludo-me é com as pessoas. Não quer dizer que não vá votar. Vou votar e fui à apresentação da candidatura de Carmona Rodrigues. É apoiado pelo PSD, mas não é no PSD que eu vou votar, é em Carmona, que tem uma postura que me parece bem. Fui ao lançamento da candidatura: quando Marques Mendes falava do PSD, eu não batia palmas, quando falava do Carmona Rodrigues e eu concordava, então sim.
SFM - Aqui há uns tempos abandonou um jantar do PSD.
SO - Não cheguei a entrar. Não sabia que era um jantar político. Embora mantenha que o dr. Pedro Santana Lopes sempre tratou a Simone de Oliveira muitíssimo bem. Disseram-me que era um jantar sobre a cultura e eu fui, mas quando cheguei percebi que era campanha eleitoral. Ora, a pessoa que me convidou sabia que eu ia no dia seguinte fazer um vídeo de campanha para José Sócrates. Saí. Dou-lhe outro exemplo. Há poucas semanas, telefona para a minha assistente um dos candidatos à Câmara de Cascais pelo PS: 'Eu queria que a Simone fosse mandatária da minha candidatura'. 'Mas ela não vive em Cascais'. 'Não tem aqui uma casa de praia?' 'Não, nunca teve uma casa de praia em lado nenhum. Simone mora em Lisboa, já escolheu um candidato e deu-lhe o seu apoio'. 'Mas podia ser que ela quisesse vir aqui'. Acha isso normal?
Estão fartos de me telefonar por causa das presidenciais. Eu digo 'não' ao Mário Soares e não é pela idade. É uma figura incontornável da democracia portuguesa. Mas outra vez PR? Arranjem uma geração de políticos mais novos para isto andar para a frente!
SFM - Cavaco Silva?
SO - Não votarei. Não devo, não sou capaz. Por convicção. Que apareça um terceiro que dê credibilidade. Tem de aparecer uma geração mais nova que se interesse por política.
SFM - Sócrates desiludiu-a?
SO - Estas medidas todas estão a ser muito difíceis de engolir. Não sei de política o suficiente, nem os trâmites internacionais e da UE. Mas sou portuguesa e não foi para isto que o D. Afonso Henriques andou a bater na mãe. Ainda no outro dia o director de programas da RTP, Nuno Santos, falava sobre a Eurovisão e dizia que não há problema em os portugueses cantarem em inglês. Então não é um festival da canção, é um espectáculo musical da Europa. E ele responde que o inglês é como o esperanto... Uma das características de um país é a língua. A língua, a bandeira, o hino e o Presidente da República são símbolos, quer se goste ou não. Oh, senhores! Mandem o fado, mandem a Mariza com as guitarras e uma grande orquestra. É como a outra ministra da Cultura: 'detesto fado, mas gosto da Amália' escrito nos jornais todos. Percebe o meu inferno diário?
SFM - Carrilho, não?
SO - Carmona pode não ganhar, mas eu espero que não ganhe o Carrilho. Toda a vida votei PS, mas há cedências que não faço. Participei na campanha do general Eanes, do Soares e fui mandatária para a Emigração do Sampaio. Olho para Carrilho e não quero tê-lo como presidente da Câmara de Lisboa. O Ruben de Carvalho, do PCP, conheço-o da casa do Ary e é claro que o PCP tem de ter candidato. O outro senhor, que é independente, é uma canseira, com o túnel para cima e para baixo, já não se aguenta. Às três por quatro manda fechar o túnel e tirar o Marquês de Pombal mais para cima. Ou atapetar o Tejo porque incomoda um bocadinho. Não há pachorra! Não há trabalho de continuidade. De cada vez que muda um, muda tudo: o candeeiro estava ali, passa para acolá. Por isso, Lisboa está como está."