Poesia, musica, celebridades, teatro, cinema, selecção de textos, poetas e escritores, banalidades, fotografias, arte, literatura, pintura e muita conversa.
quinta-feira, agosto 18, 2005
quarta-feira, agosto 17, 2005
O país do «meio mé» - Diário Digital
Luís de Carvalho
O Verão e as férias são momentos ideais para constatar as peculiaridades do país que temos.
Estava eu na praia, eram 6 da tarde, e verifico que o nadador-salvador começava a recolher o material de salvação. Olhei em redor e vi a praia a abarrotar de gente, o dia estava esplendoroso, quente, mais pareciam 4 horas. É verdade que neste barlavento sem levante o mar está chão e os perigos, estando lá, parecem não existir. Também é verdade que se alguma emergência houvesse mais valia apostar na hipótese, razoável, de lá estar algum médico ou enfermeiro, do que ficar à espera que aquele jovem magnificamente bronzeado percebesse alguma coisa de primeiros-socorros.
Mas nada disso está em causa, o que me importunou foi ver naquela atitude, de adiantar o arrumar da casa para que às 19 horas, em ponto, o dito pudesse dar o salto rumo à folia, a atitude dos portugueses. E naquele caso nem se pode dizer que o dia tenha sido trabalhoso, mas enfim, trabalho é sempre trabalho. Mas vi na atitude daquele miúdo muitas coisas que estão mal e que, na sua diminuta dimensão, me relembraram outras, que estando igualmente mal, mas tendo uma outra dimensão, mostram de forma demasiado evidente como isto está tudo tão decrépito.
Desde logo diga-se que a atitude daquele jovem se confunde com o paradigma que temos do “funcionário público”. Mas a verdade é que aquele jovem não é um funcionário público. Assim, fica a pergunta: afinal quantos “funcionários públicos” tem este país? A verdade verdadinha é que tem muitos, muitos mais do que aqueles 700.000 de que se fala sempre que se quer encontrar uns quantos bodes expiatórios para as crises e para os défices. E, no entanto, uns melhores que outros, a verdade é que são muitos desses 700.000, de quem se contam anedotas e se ridiculariza, que todos os dias fazem trabalhar os hospitais, as escolas, os tribunais, que abrem e cuidam dos museus, que protegem o ambiente, que enviam os magros cheques da segurança social para milhões de idosos deste país, que patrulham as ruas à noite correndo risco de vida. Do outro lado estão as empresas e os empresários que buscam o lucro e que não olham a meios para o conseguirem. Uns quantos querem fazer-nos acreditar que se o país for entregue a estes torna-se melhor. Tanga! A verdade é que nestas “empresas” muitas coisas e muitas pessoas funcionam mal, e aquelas que aparentemente funcionam bem, porque dão lucro e sobem de cotação na bolsa, podem afinal estar a consegui-lo pelas piores razões.
Em suma, não é só o Estado que está mal, nem é só o Estado o culpado pelo estado a que isto chegou. E aqueles que nos querem convencer do contrário são os primeiros a saber o “porquê” e os primeiros a beneficiar do estado de tudo isto.
Olhando em redor a verdade é que chegamos à triste conclusão que este é o país do “meio mé”. A expressão, que me ocorre, vem da do ditado popular:”Nem mé, nem meio mé…”.
É que as ovelhas deste país nem se dão sequer ao trabalho de balir o “mé” todo.
O Verão e as férias são momentos ideais para constatar as peculiaridades do país que temos.
Estava eu na praia, eram 6 da tarde, e verifico que o nadador-salvador começava a recolher o material de salvação. Olhei em redor e vi a praia a abarrotar de gente, o dia estava esplendoroso, quente, mais pareciam 4 horas. É verdade que neste barlavento sem levante o mar está chão e os perigos, estando lá, parecem não existir. Também é verdade que se alguma emergência houvesse mais valia apostar na hipótese, razoável, de lá estar algum médico ou enfermeiro, do que ficar à espera que aquele jovem magnificamente bronzeado percebesse alguma coisa de primeiros-socorros.
Mas nada disso está em causa, o que me importunou foi ver naquela atitude, de adiantar o arrumar da casa para que às 19 horas, em ponto, o dito pudesse dar o salto rumo à folia, a atitude dos portugueses. E naquele caso nem se pode dizer que o dia tenha sido trabalhoso, mas enfim, trabalho é sempre trabalho. Mas vi na atitude daquele miúdo muitas coisas que estão mal e que, na sua diminuta dimensão, me relembraram outras, que estando igualmente mal, mas tendo uma outra dimensão, mostram de forma demasiado evidente como isto está tudo tão decrépito.
Desde logo diga-se que a atitude daquele jovem se confunde com o paradigma que temos do “funcionário público”. Mas a verdade é que aquele jovem não é um funcionário público. Assim, fica a pergunta: afinal quantos “funcionários públicos” tem este país? A verdade verdadinha é que tem muitos, muitos mais do que aqueles 700.000 de que se fala sempre que se quer encontrar uns quantos bodes expiatórios para as crises e para os défices. E, no entanto, uns melhores que outros, a verdade é que são muitos desses 700.000, de quem se contam anedotas e se ridiculariza, que todos os dias fazem trabalhar os hospitais, as escolas, os tribunais, que abrem e cuidam dos museus, que protegem o ambiente, que enviam os magros cheques da segurança social para milhões de idosos deste país, que patrulham as ruas à noite correndo risco de vida. Do outro lado estão as empresas e os empresários que buscam o lucro e que não olham a meios para o conseguirem. Uns quantos querem fazer-nos acreditar que se o país for entregue a estes torna-se melhor. Tanga! A verdade é que nestas “empresas” muitas coisas e muitas pessoas funcionam mal, e aquelas que aparentemente funcionam bem, porque dão lucro e sobem de cotação na bolsa, podem afinal estar a consegui-lo pelas piores razões.
Em suma, não é só o Estado que está mal, nem é só o Estado o culpado pelo estado a que isto chegou. E aqueles que nos querem convencer do contrário são os primeiros a saber o “porquê” e os primeiros a beneficiar do estado de tudo isto.
Olhando em redor a verdade é que chegamos à triste conclusão que este é o país do “meio mé”. A expressão, que me ocorre, vem da do ditado popular:”Nem mé, nem meio mé…”.
É que as ovelhas deste país nem se dão sequer ao trabalho de balir o “mé” todo.
sábado, agosto 13, 2005
Fernando Dacosta - "Dar nas vistas"
Dar nas vistas
O afã de as pessoas em querer dar nas vistas torna-se, por vezes, patético. À «invisibilidade» reinante no passado (a discrição era um timbre das suas elites) sucedeu-se o exibicionismo da desbragação actual.
O impudor dos recém promovidos - novos ricos da política, das artes, da cultura, da ciência, da finança, da administração - fez-se, com efeito, insaciável. A comunicação social, sobretudo as televisões e as revistas róseas ensandeceram-nos irremediavelmente.
O conceito de que só existe quem aparece (nelas) tornou-se dogma - e objectivo de existência. Vende-se a alma ao diabo por um destaque nos média, seduzem-se (ou perseguem-se) jornalistas, provocam-se (ou ficcionam-se) acontecimentos para o conseguir. A vida privada é exposta, a família hipotecada, o corpo negociado, as convicções despidas.
As cenas mais desconcertantes que tenho presenciado são feitas por pessoas para ganhar evidência: políticos famosos entregam nos jornais entrevistas a si - fabricadas por si; autores de nomeada apresentam recensões de críticos estrangeiros - inexistentes; jovens cançonetistas e actores horizontalizam-se por uma notícia, uma foto, uma referência, um destaque.
O estarem do lado de dentro das redacções fez com que os jornalistas se tornassem, de uma maneira geral, irónicos ante estes vedetismos obsessivos. É que eles conhecem demasiado bem as costuras do sucesso, da popularidade, da moda, das ascensões e quedas para os levar a sério; sabem que as pessoas de valor não se encontram nas ribaltas, que os inovadores se situam fora dos marktings, dos tops, dos palcos.
Antes do 25 de Abril, os grandes criadores portugueses não tinham acesso à comunicação social pública, RTP, Emissora Nacional, etc. (e, como consequência, à privada), porque eram opositores políticos do regime; agora não o têm, ou quando o têm é irrelevante, porque não oferecem mais valias (audiências) ao sistema comercial (nela) vigente.
Os que dizem que «quem não aparece desaparece», deviam lembrar-se que «quem não aparece não aborrece». Torna-se, na verdade, um aborrecimento mortal ver quotidianamente (pateticamente) os propagandistas da moda, do oportunismo, da mistificação, da manipulação a abarrotar-nos de éticas públicas, de solidariedades insufláveis, de democracias instantâneas, de visibilidades coloridas - com as suas contas bancárias em engorda secreta.
O século em que entramos não passa de um reality show transmitido em directo, em vertigem, entre alegrias, ritmos, aplausos, entusiasmos fingidos por figurantes (mal) pagos à emissão.
Fernando Dacosta é Editor de Cultura da VISÃO
O afã de as pessoas em querer dar nas vistas torna-se, por vezes, patético. À «invisibilidade» reinante no passado (a discrição era um timbre das suas elites) sucedeu-se o exibicionismo da desbragação actual.
O impudor dos recém promovidos - novos ricos da política, das artes, da cultura, da ciência, da finança, da administração - fez-se, com efeito, insaciável. A comunicação social, sobretudo as televisões e as revistas róseas ensandeceram-nos irremediavelmente.
O conceito de que só existe quem aparece (nelas) tornou-se dogma - e objectivo de existência. Vende-se a alma ao diabo por um destaque nos média, seduzem-se (ou perseguem-se) jornalistas, provocam-se (ou ficcionam-se) acontecimentos para o conseguir. A vida privada é exposta, a família hipotecada, o corpo negociado, as convicções despidas.
As cenas mais desconcertantes que tenho presenciado são feitas por pessoas para ganhar evidência: políticos famosos entregam nos jornais entrevistas a si - fabricadas por si; autores de nomeada apresentam recensões de críticos estrangeiros - inexistentes; jovens cançonetistas e actores horizontalizam-se por uma notícia, uma foto, uma referência, um destaque.
O estarem do lado de dentro das redacções fez com que os jornalistas se tornassem, de uma maneira geral, irónicos ante estes vedetismos obsessivos. É que eles conhecem demasiado bem as costuras do sucesso, da popularidade, da moda, das ascensões e quedas para os levar a sério; sabem que as pessoas de valor não se encontram nas ribaltas, que os inovadores se situam fora dos marktings, dos tops, dos palcos.
Antes do 25 de Abril, os grandes criadores portugueses não tinham acesso à comunicação social pública, RTP, Emissora Nacional, etc. (e, como consequência, à privada), porque eram opositores políticos do regime; agora não o têm, ou quando o têm é irrelevante, porque não oferecem mais valias (audiências) ao sistema comercial (nela) vigente.
Os que dizem que «quem não aparece desaparece», deviam lembrar-se que «quem não aparece não aborrece». Torna-se, na verdade, um aborrecimento mortal ver quotidianamente (pateticamente) os propagandistas da moda, do oportunismo, da mistificação, da manipulação a abarrotar-nos de éticas públicas, de solidariedades insufláveis, de democracias instantâneas, de visibilidades coloridas - com as suas contas bancárias em engorda secreta.
O século em que entramos não passa de um reality show transmitido em directo, em vertigem, entre alegrias, ritmos, aplausos, entusiasmos fingidos por figurantes (mal) pagos à emissão.
Fernando Dacosta é Editor de Cultura da VISÃO
quarta-feira, agosto 10, 2005
Lucília Simões e Luz Veloso
Artigo da revista "Plateia", nº 118, Ano XII, de 1 de Julho de 1962, pág. 28.
Escrito pela ocasião da morte de duas actrizes de teatro de grande prestigio, a "Plateia" dá-nos um pouco das suas biografias, que a seguir transcrevo.
"Lucília Simões contracenou com os irmãos Rosa, Brazão, Ângela, Rosa Damasceno, irmã gémea, no talento, de Adelina Abranches. Fez a sua estreia oficial em 1895 em Maria de "Frei Luiz de Sousa", de Almeida Garrett. Durante Quinze anos esteve ausente do teatro, voltando a reaparecer no Politeama na peça de Wilde, "Uma mulher sem importância", um dos seus grandes trabalhos. É numerosa a lista de obras a que Lucília ligou o seu nome, mas recordamos mais recentemente "Baton", de Alfredo Cortês, escrita para ela e para João Villaret, "Perdoai-nos, Senhor", de Mendonça Alves, "Fogueiras de S. João", onde o seu trabalho mereceu justamente os louveres da Crítica. Nessa altura, formou a companhia Lucília Simões-Erico Braga, com quem se casara. Foi magnífica interprete da "Raça", de Linhares Rivas e da "Garçonne", depois de uma temporada brilhante em que levou à cena todo o género de teatro, apresentou também "Mar Alto", de António Ferro, com o autor como intérprete, uma noite ruidosa mas que mesmo assim serviu para mostrar que a empresa desejava lançar rajadas de ar novo no seu teatro.
Dissolvida a companhia, trabalhou no Nacional onde substituiu sua mãe na "Conspiradora", também de Mendonça Alves. Últimamente, integrada nos Comediantes de Lisboa, deu a esse óptimo agrupamento o melhor do seu valor e, após ter sido ensaiadora no Brasil da companhia Eva Todor, durante dois anos, voltou para deixar finalmente o teatro. (...)
No mesmo dia e quase à mesma hora que Lucília, faleceu Luz Veloso, com 83 anos.
Desde criança que Luz Veloso se dedicou ao teatro, fez a sua estreia no Porto, em 1892 na mágica "Lâmpada Maravilhosa". Fez parte da companhia do D. Maria de 1903 a 1904, seguindo depois sempre a sua carreira em várias empresas particulares. Trabalhou ao lado de Rosas e Brasões, fez algumas das figuras eternas das grandes peças, entre elas, Ofélia, do "Hamlet". Nós recordamo-la mais recentemente no Teatro Nacional, nas suas magníficas interpretações em "Casa de Bernarda Alba", de Garcia Lorca, "As meninas da fonte da bica", de Ramada Curto, e em algumas curiosas figuras vicentinas. Ao lado de Ilda Stichini, trabalhou anos seguidos acompanhando-a nas suas digressões às nossas ilhas e províncias ultramarinas, obtendo sempre o melhor agrado.
Injustamente, um pouco também mercê da crise do teatro que se vem sofrendo há tempo, Luz Veloso esteve sem trabalho perto de dez anos, com leves interrupções em que intervinha numa sociedade de artistas sem futuro, e voltava à inactividade forçada que a levou quase ao desespero, chegando a tentar empregar-se, o que lhe seria difícil pois apenas o teatro era o seu mundo. Aí podia triunfar porque para ser actriz, acima de tudo, é preciso instinto e talento natural, o que não faltava a Luz Veloso.
Um dia, quando já desanimava da sorte, escreveu a Robles Monteiro e pouco depois era contratada para o Nacional onde ficou até morrer. Felizmente acabou como tinha começado: no teatro e ocupando o lugar que merecia.
Ultimamente a Televisão utilizou Luz Veloso, mas já a memória atraiçoava. Quem melhor a não conhecesse, não poderia por aí ajuizar o seu valor de artista, sempre disciplinada e cumpridora, tão diferente destes que já nascem "fenómenos" e crêem que em trabalho, a disciplina é uma inferioridade."
Quem assina o texto é Alice Ogando.
sábado, agosto 06, 2005
Noticia da Inauguração da Primeira Cabine Telefónica de Coruche - 1931
Fruto da minha ocupação profissional, sou obrigado a ler e a reler antigos artigos de jornais nacionais. E, como não poderia deixar de ser, por vezes aparecem autênticas perolas, que contadas ninguém acredita.
A transcrição que seguidamente faço, reporta-se ao jornal "Diário de Noticias", de 16 de Agosto de 1931, e dá-nos conta da inauguração da primeira cabine telefónica de Coruche. E agora reparem na excitação... (principalmente o segundo corpo da noticia).
"Foi ontem inaugurada a cabine telefonica de Coruche
(do nosso enviado especial)
Coruche, 15 - Aproveitando o ensejo das tradicionais festas em honra de Nossa Senhora do Castelo, inaugurou-se hoje, com toda a solenidade, a cabine telefonica, melhoramento importante e de há muito desejado nesta vila.
A fim de assistirem ao acto, estiveram em Coruche os srs. major Miguel Bacelar, capitão Carlos Melo e José de Araujo, respectivamente, administrador, secretário e engenheiro da Administração Geral dos Correios e Telegrafos; major Verdades de Miranda, governador civil do distrito de Santarém, proprietarios, lavradores e outras personalidades a quem os progressos desta vila interessam.
A festa de inauguração da cabine, que estava anunciada para as 12 horas, só se pôde realizar ás 17, em virtude do comboio em que viajavam o sr. administrador geral dos Correios e os jornalistas ter chegado uma hora depois da tabela á estação de Vendas Novas e a ligação para Coruche não ter esperado, ao contrario do que era natural que acontecesse.
Felizmente o telefone resolveu o precalço, que foi sabido nesta vila por seu intermedio, começando assim a mostrar a grande utilidade da sua existência.
Um automovel com o sr. dr. Macario de Sousa, presidente da comissão administrativa, foi a Vendas Novas buscar os visitantes, que tiveram de fazer o resto da viagem através dum primitivo caminho de charneca, unico que liga Vendas Novas com Coruche.
Só a Junta Autonoma das Estradas nos pode salvar, dizia-nos um ilustre coruchense. No Inverno é impossivel alcançarmos, em carro, a estrada que liga Vendas Novas com o resto do país.
Antes do acto da inauguração, realizou-se no salão nobre dos Paços do Concelho uma sessão solene, tendo tomado lugar na mesa de honra os srs. majores Verdades de Miranda, Miguel Bacelar e capitão Luis Alberto de Oliveira, comandante de caçadores nº 5. Em nome do povo de Coruche, usou da palavra, em primeiro lugar, o sr. dr. Macario de Sousa, que apresentou as boas-vindas aos visitantes e recordou a visita do Chefe de Estado, ha um ano, quando da inauguração da ponte "General Teófilo Trindade". Disse que o sr. general Carmona, nessa altura prometeu interessar-se pela ligação telefonica em Coruche, verificando-se agora que a promessa não foi esquecida, pelo que os coruchenses lhe estão muito gratos.
O orador reudeu, depois, um largo elogio ao sr. administrador geral dos Correios.
Em seguida, o sr. capitão Luis Alberto de Oliveira, depois de ter aludido, lamentando-o ao atraso do comboio do Barreiro, facto que acima citámos, referiu-se á promessa agora efectivada, do Chefe de Estado, e disse que Coruche muito deve á actual situação. Por ultimo, interpretando os desejos de Coruche, solicitou que a estação telegrafo postal seja elevada á categoria de 2ª classe, atendendo ao seu movimento.
Das 11 estações existentes no concelho - afirmou - tem esta o maior movimento, pois expede e recebe cêrca de dois mil telegramas diários.
O sr. major Miguel Bacelar agradeceu as referencias que lhe foram dirigidas, afirmando que no seu cargo estabeleceu o principio de dar ás populações apenas aquilo a que elas têm direito, motivo porque não há razão para agradecimentos.
Prometeu estudar o pedido de elevação a 2ª classe da estação postal e fez um caloroso elogio ás altas virtudes de caracter e de inteligencia do sr. general Carmona.
Disse, por ultimo, que para a rêde urbana forneceria aparelhos novos, já encomendados á América.
Finalmente, o sr. Verdades de Miranda, como governador civil, agradeceu ao administrador geral dos correios as facilidades concedidas ao seu distrito, fazendo, ao terminar, o elogio da Ditadura.
Á inauguração da "Cabine" assistiram milhares de pessoas
Finda a sessão solene, formou-se um cortejo que se dirigiu, com a banda da Sociedade Instrução Coruchense, á estação telegrafo postal, onde foi inaugurada a "cabine" telefonica, acto este que foi saudado por milhares de pessoas.
A primeira ligação foi feita para o sr. ministro de Interior, a quem o sr. presidente do Municipio pedia que apresentasse saudações, em nome do povo de Coruche, ao sr. Presidente da Republica e ao Governo.
Foram ainda feitas ligações para o sr. general Carmona e ministro do Comércio, tendo comunicado com aquelas entidades os srs. capitão Alberto de Oliveira, major Verdades de Miranda e administrador geral dos Correios.
Após a inauguração foi o telefone posta á disposição do publico, que foi autorizado a comunicar, gratuitamente com todo o País, até ás 20 horas.
Pela Câmara Municipal foi, depois, oferecido um banquete aos convidados e autoridades locais, presidido pelo sr. governador civil do distrito.
Durante o dia foram queimadas muitas girandolas de foguetes.
A vila apresentava um aspecto festivo, vendo-se muitas colgaduras nas janelas.
Á noite, houve arraial com iluminações feéricas e na praça de touros realizou-se uma corrida com o concurso do caveleiro António Luis Lopes e do seu discipulo José da Silva."
In, Diário de Notícias, 16 de Agosto de 1931.
Tudo isto por uma "Cabine Telefónica"...
quinta-feira, agosto 04, 2005
Eunice Muñoz
A paixão pelo público e pelas artes do espectáculo era já característica da família de Eunice, tendo os seus avós, mãe – Júlia Muñoz (MIMI) – e tios formado uma companhia teatral que representava na província e era conhecida como a "Troupe Carmo".
Mimi, viria a conhecer, em Alter do Chão, Hernâni Muñoz que, era uma das atracções do Circo Muñoz, executando, na perfeição, um tango com a sua irmã Alzira.
Casaram em 1927, tendo, no ano seguinte, nascido a primogénita Eunice Muñoz, seguida do irmão Hernâni em 1929.
Mais tarde, esta família forma a sua própria companhia onde, desde os 5 anos, Eunice se exibia com grande intuição musical em canções em voga como "Uma Porta e Uma Janela".
Quando as variedades nos cinemas se tornaram inviáveis, surgiu o Teatro Desmontável Mimi Muñoz, daí que os estudos de Eunice tivessem decorrido ao sabor das tournées familiares, tendo feito a admissão ao liceu em Fornos de Algodres, onde, após se retirarem da actividade até então exercida, os pais se dedicaram à formação de pequenos grupos de variedades como empresários.
Eunice Muñoz, subiu pela primeira vez ao palco para interpretar o papel de Isabel na peça "Vendaval", no Teatro Nacional D. Maria II, pela companhia Rey Colaço Robles Monteiro, no dia 28 de Novembro de 1941, na sequência do conselho dado por Sales Ribeiro a Amélia Rey Colaço, aquando da necessidade de quatro raparigas para rodear Maria Lalande nesta peça, que seria a última de Virgínia Vitorino. Nesta peça, Eunice chama a atenção de João Villaret e desperta interesse e admiração por parte de Amélia Rey Colaço.
Após uma paragem, Eunice voltou ao palco do Nacional em 1942, integrando a companhia Rey Colaço Robles Monteiro e representando ao lado dos actores mais importantes da época em Portugal.
Durante as férias da companhia nos meses de verão, foi chamada para representar ao lado de Estevão Amarante na opereta "João Ratão", no Teatro Avenida. No mesmo verão subiu à cena no Teatro Variedades para a comédia "Raparigas Modernas". A interpretação que faz da personagem "Maria" em "Frei Luís de Sousa" pela companhia Rey Colaço Robles Monteiro, engrandeceu o seu prestigio.
Deixou o Teatro Nacional no verão de 44 e, devido ao seu talento e grandes capacidades, passou da comédia sentimental à farsa e à opereta, percurso que a levou a figurar em lugares de destaque nos cartazes.
Dia 24 de Julho de 1945, Eunice prestou as provas finais no Conservatório com cenas do 2o acto da "Vivette", obtendo a classificação de 18 valores e para grande espanto na noite desse mesmo dia, o nome da actriz figurava com o mesmo tamanho e com a mesma força que Mirita Casimiro e Vasco Santana no cartaz de estreia da comédia musicada "Chuva de Filhos".
Este ciclo da vida de Eunice, foi encerrado dia 23 de Abril de 1946 na farsa "Cuidado com a Bernarda!", tendo-se estreado no cinema a 23 de Setembro do mesmo ano, no papel de "Má Fortuna", uma mulher da mais alta nobreza com uma paixão não correspondida por Camões, interpretação que lhe valeu o prémio de melhor actriz do SNI, com apenas 17 anos de idade.
Eunice casou em 1947 com o arquitecto Rui Couto e declarou, em várias revistas, querer trocar o teatro pelo cinema.
Participou ainda em mais uma filme mas reapareceu em palco em Novembro do mesmo ano como primeira figura na peça "A Noite de 16 de Janeiro".
Em 1949 voltou à companhia Rey Colaço Robles Monteiro para protagonizar a peça " Outono em Flor", a última de Júlio Dantas.
Ainda no mesmo ano, a actriz quase atingiu o ponto de ruptura com a profissão, tendo feito mais três filmes antes de 15 anos de paragem na sua carreira cinematográfica.
Nesta altura, Eunice foi desaproveitada na revista.
Viria, porém a fazer enorme furor na companhia formada em 1951 no Teatro do Ginásio sob a direcção de António Pedro, interpretando papeis e peças nacionais e internacionais.
Passando ainda pelo Trindade na peça "João da Lua" Eunice retirou-se da sua profissão que lhe teria sido quase imposta.
Foi então caixeira numa loja de cortiça.
O regresso ao palco teve lugar na noite de 9 de Novembro de 1955 no Teatro Avenida.
O nascimento de um filho levou a outro afastamento que terminou em 1957, desta vez no Teatro da Trindade, integrando a companhia Teatro Nacional Popular, formada por Francisco Ribeiro e interpretando um papel na "Noite de Reis" de Shakespeare.
Em 1965, aceitou o desafio de integrar a Companhia Portuguesa de Comediantes com duas sessões diárias e matinée ao Domingo.
No ano de 1969 a desilusão de Eunice perante o panorama teatral da época levou a que formasse uma companhia com José de Castro, a companhia "Somos Dois" que se destinava a levar a efeito uma longa tournée por Angola e Moçambique.
Passou ainda uma última vez pela companhia Rey Colaço Robles Monteiro em 1971.
O Teatro Experimental de Cascais envolveu mais uma vez Eunice Muñoz num grande sucesso em "As Criadas" de Jean Genet, ao qual se sucedeu uma longa tounée em África.
Voltando a Lisboa em Maio de 74, apenas voltou ao palco em 76.
Seguiram-se ainda mais ausências e regressos entre vários géneros dramáticos na vida de uma actriz " que é sem dúvida a actriz mais jovem e mais ousada de quantas actuam em palcos portugueses".
In, Site do Museu Nacional do Teatro
terça-feira, agosto 02, 2005
Jorge de Sena
NO PAÍS DOS SACANAS
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternamente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternamente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é foram disso?
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
10/10/73
Maria Rattazzi - Portugal de Relance - Carta Décima Quinta - Continuação
"Além dos inconvenientes que resultam deste estado de coisas para a higiene particular, outros existem atentatórios da salubridade pública. As nascentes exaustas não dão aos chafarizes água bastante para refrescar a atmosfera e expurgá-la dos miasmas perigosos; as sarjetas, não recebendo gota de água, deixam acumular nos canos toda a imundície da cidade, o que torna alguns bairros inabitáveis. Outra ocorrência gravíssima: sempre que no estio se manifesta um incêndio, os bombeiros (corporação admiravelmente organizada, diga-se a verdade) não encontram um metro cúbico de água nos canos da companhia para extinguir o fogo; sendo necessário abater e demolir para cortar comunicações.
De todas estas anomalias resultam consequências deploráveis e que se poderiam evitar empregando medidas energéticas. Mas os que deviam falar calam-se, e o povo português deixa-se esfolar sem protesto. A companhia não se apressa na execução dos trabalhos e a população, as ruas, os canos e as bombas continuam a morrer à mingua de água. Parece, à primeira vista, que o governo e a câmara municipal deviam patrocinar a causa dos contribuintes. Mas nada disto sucede. Corre em Lisboa, a tal respeito, um boato que não referirei para não me tomarem por maldizente...
Se o país passa, às vezes, cinco, seis e mesmo sete meses sem absorver um pingo de chuva, em compensação chove torrencialmente duranto o Inverno, segundo me afirmaram. Não é a chuva como a conhecemos em França; mas sim jorros de água que se despenham em torrentes caudalosas, inundando a cidade e prolongando-se por espaço de muitos dias consecutivos. Não sabem então os habitantes onde hão-de ir abrigar-se, em consequência da humidade das casas onde nem sequer existe um fogão para combater as intempéries da temperatura; podendo considerar-se felizes quando o Inverno lhes deixa apenas uma grande constipação ou algumas dores reumáticas. A maior parte das casas em Lisboa não têm goteiras; a água que cai nos telhados escorre daí para a rua e sabe Deus de que maneira! Às vezes assemelham-se a catadupas enormes jorrando nos passeios, não bastando o guarda-chuva para nos abrigar. Quem tiver de sair em semelhante ocasião deverá resignar-se a caminhar pelo meio da rua.
Acabemos de vez com esta resenha, um pouco humorística talvez, mas que tem um grande fundo de verdade.
Montesquieu admirou os canos de Roma, construídos no tempo de Tarquínio, e foi a seu propósito que escreveu a magnífica antítese: "Já se começava a edificar a cidade eterna." Lisboa está muito longe daqueles tempos primitivos. Os canos da capital portuguesa só se podem comparar aos de Tarquínio... em não serem modernos. A sua construção pertence efectivamente a uma época bastante remota. Poder-se-ia julgar que foram construídos por um povo bárbaro, tão deficiente é a sua execução e o plano a que estão subordinados. Toda a cidade baixa, edificada sobre o Tejo, acha-se ao nível do rio; os alicerces das casas chegam a estar abaixo desse nível. Os canos da cidade alta ramificam-se com os da cidade baixa e estes últimos desaguam no Tejo, se acaso o Tejo se digna recebê-los. De facto, quando a maré sobre não só tapa a abertura dos canos como os enche, impelindo muito mais para dentro as imundíces e putrefacções; quando desce a maré o plano dos canos na cidade baixa não chega a ser tão inclinado como é necessário para arrastar o que já têm e o que lhes traz a cidade alta; o que podem conduzir deposita-se nas margens do rio, onde, facilmente se imagina, exalam emanações desagradabilíssimas." - Continua.
segunda-feira, agosto 01, 2005
PEDIDO DE DESCULPAS DIRIGIDO A PRIMEIRO-SARGENTO JOSÉ PEREIRA
Quem visita regularmente este blog, sabe que há poucos dias escrevi um texto um pouco violento e cheio de raiva, escrito num momento de desânimo pessoal, onde falava da questão dos incêndios e da saída do nosso ex-ministro das Finanças do governo.
Tenho perfeita consciência que os termos utilizados no texto não eram, de modo algum, nem apropriados nem elegantes para um blog com estas caracteristicas.
No próprio texto eu referi que o que escrevia era um desabafo, feito com a cabeça quente, e que o mais provavel é que o tirasse no dia imediatamente a seguir. A verdade é que, por esquecimento e estupidez, não o retirei e o mesmo ficou por tempo alongado.
Mas o pior é que ofendi, e muito, uma pessoa que representa toda uma classe.
Essa pessoa escreveu um comentário que me doeu como duas boas bofetadas na cara.
Fiquei envergonhadissimo, principalmente porque me considero uma pessoa correcta, com alguma sensibilidade e com dois dedos de testa. Enfim, o mal está feito e resta, humildemente, minimizar os "estragos".
Assim, ao Primeiro-sargento José Pereira e a todos os ramos das Forças Armadas, as minhas mais sinceras desculpas pela ofensa à(s) pessoa(s) e à instituição em causa. Não era minha intenção ofender nem menosprezar seja quem fosse. Muito menos ofender na honra.
Aceite, mais uma vez, as minhas desculpas e receba o meu obrigado pelo comentário que escreveu e que a seguir transcrevo.
Daniel
Transcrição do comentário feito pelo Primeiro-sargento José Pereira
Caro Daniel:
Não nos conhecemos e por isso passo a apresentar-me. Chamo-me José António Pereira e sou militar e tomei conhecimento, através do blog, sobre a sua impressão pouco abonatória para o grupo profissional a que pertenço, os militares, e não pude evitar deixar aqui também o meu comentário esclarecedor uma vez que no seu escrito demonstra um profundo desconhecimento sobre a realidade dos cidadãos em uniforme deste País e até mesmo um inusitado rancor, facto que me deixou perplexo e ofendido.
Como facilmente depreende tenho um orgulho muito grande em ser militar (mas não sou militarista), na farda que envergo, e no País que jurei, há mais de 20 anos atrás, defender mesmo com o uso da minha própria vida, situação sem paralelo em qualquer outro grupo profissional.
Ingressei na vida militar com 17 anos de idade, por opção própria, na Força Aérea Portuguesa e conheço bem a realidade das Forças Armadas na sua globalidade uma vez que, por vicissitudes do destino, sou, há mais de cinco anos, membro da direcção da Associação Nacional de Sargentos, uma associação sócio-profissional representativa dos Sargentos dos três Ramos das Forças Armadas e cujo cargo é exercido nos tempos livres e sem qualquer remuneração.
No seu entender os militares deveriam participar no combate aos incêndios.
Cabe-me esclarecer que durante a época de Verão existem em todo o País milhares de militares integrados no sistema de combate e vigilância aos incêndios coordenados pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, usando os mais variados meios aéreos, de comunicações, veículos tácticos e de combate a incêndios assim como patrulhas armadas que percorrem diversas matas nacionais a pé e que ainda recentemente na Tapada de Mafra, detiveram incendiários em flagrante delito.
Acresce ainda que a generalidade dos militares não têm formação para combater incêndios e, caso se recorde, há cerca de 15 anos atrás uma patrulha com mais de uma dezena de militares, por esse motivo, morreram carbonizados combatendo um incêndio na Serra de Sintra.
Um combate a um incêndio florestal requer um treino específico e recordo-lhe que qualquer cidadão o pode obter de forma voluntária inscrevendo-se numa qualquer corporação de bombeiros, desde que reúna as condições e aptidões necessárias. Até o próprio Daniel o poderá fazer, como facilmente entende. Qualquer português tem o direito e também o dever de ser bombeiro, desde que assim o entenda.
De qualquer forma, como sabe desde 1982 que os militares estão submetidos, e bem, ao poder político. Quer isto dizer que todas as missões atribuídas em Lei às Forças Armadas, são definidas por esse mesmo poder politico e não cabe aos militares alterá-lo e portanto é particularmente injusto ser alvo das críticas apontadas pelo Daniel por algo de que não se tem culpa.
Deveria apontar o dedo, isso sim, aos sucessivos governos que têm dirigido o nosso País e que com as suas politicas implementaram a desertificação do interior do País, acabaram com a Agricultura e deixaram as terras ao abandono à mercê dos incendiários. Assim poderemos reunir todos os Portugueses e por mais que sejam nunca conseguiremos combater esta terrível praga que vem devorando o nosso território.
De qualquer forma, no seu entender, deveriam combater os incêndios, também os prisioneiros, eventualmente com os guardas prisionais atrás não fosse algum querer se escapar ou até atear um novo incêndio… Acrescento ainda uma sugestão, dentro da sua linha de pensamento: E porque não os desempregados, essa turba de malandros que não quer trabalhar? Já imaginou o sucesso que seria os mais de 500 000 desempregados a combater os incêndios. Não haveria fogo que resistisse… (espero que compreenda a ironia).
Também na sua opinião andam, os militares, a roçar o cu pelas paredes… como se fossemos um bando de inúteis. Caro Daniel: Participei ao longo da minha vida militar em várias missões em teatros operacionais onde posso destacar o embargo à antiga Jugoslávia, durante mais de três anos e uma outra que me deu particular prazer que foi a evacuação de cidadãos portugueses quando da guerra civil na Guiné-Bissau em 1998. Nunca poderei esquecer a gratidão expressa no rosto daqueles portugueses, para com os militares do seu País. Essas pessoas não partilharão com toda a certeza da sua opinião. Participei também em dois destacamentos na República Democrática de São Tomé e Príncipe, onde diariamente fazemos, desde há mais de 16 anos evacuações sanitárias de doentes da Ilha do Príncipe para São Tomé e que sem o nosso apoio muitos deles morreriam por falta de assistência médica.
Terei todo o gosto em o conduzir numa visita à minha unidade, Base Aérea nº1, Sintra, para que possa ver o trabalho que desenvolvemos diariamente na área da vigilância marítima, protecção ambiental, evacuações sanitárias, transporte táctico, busca e salvamento no mar, etc., e assim conhecer melhor a realidade das Forças Armadas para as quais contribui com os impostos que paga ao Estado.
Peço-lhe que não leve a mal esta minha intervenção. A culpa não é sua, mas sim do poder político que desde há muitos anos vêm desenvolvendo, maliciosamente, uma campanha de desinformação junto do Povo português.
As Forças Armadas serão sempre aquilo que os portugueses quiserem! Cumprimentos
As Forças Armadas serão sempre aquilo que os portugueses quiserem! Cumprimentos
José Pereira
Primeiro-sargento da Força Aérea Portuguesa
Nota: O Primeiro-sargento José Pereira, no comentário original, colocou o número do seu telemóvel. Por uma questão de privacidade e segurança, o mesmo foi retirado na transcrição.
terça-feira, julho 26, 2005
Cartoon "Bandeira" - Diário de Noticias
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