terça-feira, maio 24, 2005

Aldina Duarte - CulturGest dia 3 de Junho de 2005


Aldina Duarte
Aldina Duarte vai, finalmente, dar um grande concerto numa sala da capital. É dia 3 de Junho de 2005 no Grande Auditório da Culturgest.
Aldina é, a meu ver e juntamente com Kátia Guerreiro, a grande voz do fado. Tem o povo português na Voz e no Olhar, em toda a sua ingenuidade e transparência.
Jamais poderei esquecer a fantástica entrevista que Aldina Duarte deu a Ana Sousa Dias, na RTP2, que muito deu que falar, especialmente na escrita de Eduardo Prado Coelho.
Aldina Duarte não precisa de artifícios ou "efeitos por fora" para se impôr. Não há penteados do Eduardo Beauté ou fatos pirosos do João Rôlo. Não precisou de aparecer como uma das carpideiras na morte de Amália Rodrigues para voltar a ser falado (tipo João Braga, entendem?!?).
Bastam-lhe apenas os xailes feitos por Argentina Santos e a sua voz.
Aqui ficam os links para ouvirem, por completo, a entrevista dada por esta fadista à TSF, no programa Pessoal e... Transmissível, Carlos Vaz Marques. E ainda se ouvem 3 ou 4 fados cantados no estúdio.
(ATENÇÃO: Para ouvirem a entrevista e continuarem a navegar no blog abram os seguintes links carregando no botão do lado direito do rato e, de seguida, em "Abrir numa nova janela".)
Querem um conselho? Corram para arranjar bilhete. Custa apenas 5 euros para os menores de 30 anos e 15 euros os restantes.

domingo, maio 22, 2005

A Fronteira - Texto de Alexandre O'Neill - Jornal "A Capital"


Alexandre O'Neill - Clique na Imagem
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"Numa situação-fronteira, como esta, vale mais ter graça do que andar armado. Prazenteira como parece, esperará a mulher que a reboquem por mau estacionamento? O Largo das Duas Igrejas é um dos postos mais apropriados para quem vive de esmolas. Passa por aqui muita gente, muito boa e muito má consciência. A mulher está no seu posto. Como os painéis publicitários, os sinais de trânsito, etc. Que quer dela o agente da autoridade? Desalojá-la para que outro pobre, com mais direitos, venha ocupar o seu lugar? Afastá-la momentaneamente para que passe um nutrido grupo turístico? Nunca se saberá. A não ser indo lá e experimentando..."
Texto de Alexandre O'Neill com fotografia de Alberto Peixoto, in: "Fotos de "A Capital" - Texto de Alexandre ='Neill - Cota Biblioteca Nacional - L 54669 V

Planta o teu velho num jardim - Alexandre O'Neill - Jornal "A Capital"


Alexandre O'Neill - Clique na Imagem
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"Velhos, reformados, desempregados, simples, desocupados, dão, lá como podem, à dobradiça e vêm ajudar a fazer de Lisboa um jardim, como pede, tão oportunamente, a Câmara, a quem gira só ou acompanhado. A ajuda que pessoalmente dou a esse iniciativa, enquanto não entro, também eu, a "fazer jardim", é levar o meu pai, todas as tardes, ao que fica mais perto de casa. A minha mulher, a Hortência, vai, depois, buscá-lo. O que acontece é que, às vezes, se esquece dele. Trazido por alguém, o velho chega, já frio, ao nosso lar e tristemente desabafa:
- No tempo em que a Câmara pedia que puséssemos sardinheiras à janela era melhor. Não tínhamos de sair de casa... É um ingrato, para não dizer é um munícipe dos reles!"
Texto de Alexandre O'Neill com fotografia de Alberto Peixoto, in: "Fotos de "A Capital" - Texto de Alexandre ='Neill - Cota Biblioteca Nacional - L 54669 V

quarta-feira, maio 18, 2005

Maria Rattazzi - Portugal de Relance - Carta Décima Quinta

Nos próximos dias irei transcrever-vos a carta 15ª do livro "Portugal de Relance", de Maria Rattazzi, na edição recente da editora Antigona.
Chamo a atenção para o humor extraordinário destes textos que não devem deixar de serem lidos.
"Lisboa por dentro - As casas - Os quartos - As pias - Os parasitas - A alimentação - A cozinha - A questão da água - Sistema de esgoto - Primeiro os vivos, depois os mortos - Os enterros
Como quase todas as grandes capitais da Europa, Lisboa divide-se em duas cidades: Lisboa antiga e Lisboa moderna. Em toda a parte diferem; em Lisboa, porém, assemelham-se como a irmã mais velha à irmã mais nova de uma família em que todos os congéneres se confundem. A parte moderna de Lisboa só tem de moderno a colocação das pedras, muito juntas umas das outras. O resto pertence ao passado: o sistema de construção, a disposição interna, portas, janelas, escadas, sem falar da mobília e na colecção de parasitas: insectos, ratos, gatos, que são como que parte integrante da casa e do seu pessoal.
A feição comum mais característica das construções, tanto modernas como antigas, é a falta de um pátio interior, o que dá em resultado não receberem as casas luz senão pela frente e pela retaguarda, de forma que os compartimentos do centro ficam transformados em câmaras escuras sem ar nem claridade. As divisões da frente que dão para a rua utilizam-se para salas; as que recebem luz pela parte posterior servem para cozinha e casa de jantar; os compartimentos escuros do centro reservam-se para quartos de dormir.
Os portugueses desprezam quase totalmente a mobília. Na sala, um canapé, dois fauteuils e cadeiras de palhinha. É notável a indiferença que mantêm com respeito a comodidades. Na maioria dos palácios reais, ou clubes, nas assembleias, no elegante Club Portuense e mesmo no casino das Caldas da Rainha, frequentado aliás por príncipes, não se vê senão a tradicional cadeira de palhinha! Por vezes, em casa de alguns portugueses pertencentes à burguesia, amantes das belas-artes, deparam-se-nos vários animais de vidro, porcelanas modernas, abat-jours de papel recortado, relógios da Floresta Negra, conhecidos vulgarmente pelo nome de cucos, etc.
Nos quartos de dormir, um leito de ferro com dois colchões de palha batida, pisada e tão dura que quem nela se deita pela primeira vez fica durante muitos dias inteiriçado como uma tábua e privado de servir-se das articulações.
Do uso desses leitos conservo ainda dolorosas reminiscências. Uma cadeira e uma mesa de cabeceira completam a mobília."
Continua

terça-feira, maio 17, 2005

Maria Barroso em "Mudar de Vida", de Paulo Rocha


Maria Barroso
Esta é uma reportagem de Óscar Alves, para a Revista "Plateia", de 7 de Junho de 1966.
A entrevistada é, nada mais nada menos que, Maria de Jesus Barroso. Actualmente ex-actriz, ex-primeira dama, ex-directora do Colégio Moderno, ex-Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, uma das caras da revista "Cais" (da direcção, entenda-se; não estão a ver a Maria Barroso à porta de um Pingo Doce, vestida de amarelo, a vender a "Cais"), católica fervorosa (mas há pouco tempo), e muitas outras coisas que já nem me lembro.
Esta entrevista foi dada à revista "Plateia" devido à estreia nacional do filme "Mudar de Vida", de Paulo Rocha.
Eis alguns excertos da entrevista:
"Por grande amabilidade para com a "Plateia", Maria Barroso, que detesta publicidade e vive num mundo completamente extra-artistico, o seu mundo de familia e de mãe, acedeu a conceder-nos esta entrevista."
"- Porque não representou durante os dezassete anos em que esteve ausente do palco?
- Porque não se me deparou qualquer oportunidade de interesse. Dediquei-me por isso apenas a recitais poéticos, sobretudo em meios estudantis e operários".
"- Sendo algarvia, foi-lhe dificil adaptar-se ao tipo de mulher piscatória nortenha?
- Sai do Algarve há muitos anos. E não se esqueça que o nivel do actor se revela, sobretudo, na capacidade de adaptação a cada nova situação que se lhe apresente."
"- Em Portugal os actores têm ou não um nivel de cultura suficiente?
- Temos actores muitos cultos e temos outros que porventura o serão menos. O grave, é que não possuimos, infelizmente, os meios necessários para podermos progredir e para melhorar a nossa condição de profissionais. É no entanto, com agrado, que verifico haver imensa gente nova que se interessa pelo teatro e que tem preocupações culturais muito sérias.
- Parece-lhe certo o teatro que actualmente se apresenta em Portugal?
- Acho que, de uma maneira geral, está errado. Mas, a maior parte das vezes, as empresas não têm outras possibilidades...
Ao terminar esta entrevista, Maria Barroso falou acerca da sua situação de actriz num pais onde ela não o pôde nem pode ser, a não ser por espaços, muito longe da medida das suas excepcionais faculdades.
- O futuro é sempre uma incógnita. Acima de tudo estou interessada em ter uma vida calma, dedicada ao meu lar e à minha familia. Se as condições de trabalho, em Portugal, não se modificarem, não creio muito provável que volte a representar."
Agora pergunto eu: Se naquela altura achava errado o teatro que se fazia, que diria Maria Barroso hoje? Em vez de um Teatro Nacional temos um jazigo plantado na Praça do Rossio. Em vez de Actores em palco, temos manequins. Seria uma Ivone Silva pior que uma Teresa Guilherme? Seria uma Fernanda Serrano superior a uma Mariana Rey Monteiro? Será que um Diogo Amaral é superior a um Rui de Carvalho (naquela época)?
Assim como assim, Maria Barroso teve o maior palco que se podia imaginar: Portugal. E se não continuou actriz foi pedagoga, sendo directora de um Colégio que muito me orgulho ter frequentado (tal como meu pai e meus muitos irmãos).

segunda-feira, maio 16, 2005

Assembleia - Poema de Vasco de Lima Couto - Lisboa, 11 de Junho de 1979

ASSEMBLEIA

A esquerda gritou:
é um vendido.

O centro disse:
não nos interessa.

E a direita exclamou:
é um comprado.

E no entanto,
não sou mais
que um homem sentado
a ver a festa
que resta.

Textos de Maria Rattazzi - 1879

Conclusão da Carta Oitava do livro "Portugal de Relance" de Maria Rattazzi, da Editora Antígona.

"Antes de pôr de parte os teatros e os espectáculos, mencionarei algumas circunstâncias características.
Em primeiro lugar, as pateadas. Em Portugal há três meios de mostrar aprovação aos artistas. Primeiro, aplaudir com as mãos, como em toda a parte; segundo, que traduz vivíssimo contentamento, gritar: bravo! bravo! muito bem! Como em Itália; terceiro, que representa a quinta-essência do entusiasmo, levantar-se e agitar com o lenço.
Para manifestar desaprovação ou descontentamento, o assobio é desconhecido. Bate-se no soalho da sala com os pés ou com a bengala, com moderação, com força ou ruidosamente, segundo o grau de desprazer que se experimenta. A acção chama-se patear, o efeito pateadas. Em França, quando não se quer rasgar as luvas - refiro-me aos que as usam -, bate-se com a bengala, o que equivale ao aplauso. Em Portugal, essa manifestação corresponde ao fim inteiramente oposto; portanto, quando a plateia pateia, é um barulho, uma confusão com que ninguém se entende e, um momento depois, uma poeirada cega.
Aproveito esta ocasião para emitir a minha opinião pessoal com referência às pessoas que assobiam no teatro. Acho-as estúpidas e injustas. Estúpidas, porque não remedeiam coisa alguma: imjustas, porque às vezes despedaça, a carreira de um pobre diabo que ganha o pão quotidiano à custa de um trabalho duro e doloroso. Quando ides a um estabelecimento e vos vendem gato por lebre, não tornais lá outra vez, não é assim? Fazei o mesmo com relação ao teatro onde sois mal servido, mas não assobieis!
Os usos e costumes teatrais em Portugal estão ainda em estado primitivo. São mais burgueses do que desregrados, Há nos pequenos teatros mulheres que se determinam a aparecer no palco com o fim único de produzir às luzes da ribalta o efeito que decerto não fariam na rua, mas é por excepção, pela boa e excelente razão de que há poucos amadores ricos. Na maior parte das cenas, as actrizes são casadas ou vivem maridadas com pessoas da sua eleição, dando tanto que falar do seu comportamento como da sua inteligência nos domínios da arte, com algumas excepções. Se quisesse citar uma que se distinguisse das demais, pelo seu luxo ou galantearias, ficaria deveras embaraçada, embora tivesse interrogado a este respeito todo o mundo. Sob este ponto de vista, Lisboa não tem afinidade alguma com Paris.
No teatro de S. Carlos, que é mais italiano que português, pois que não se representam senão obras italianas interpretadas por artistas italianos, as cantoras são na máxima parte mulheres honestíssimas, escoltadas pelos pais quando estão em estado de núpcias, vigiadas pelos maridos e muitas vezes pela prole quando são mães de família.
Não há, no meu conceito, situação mais grotesca no mundo do que a de marido de mulher de teatro, principalmente quando o sobredito não tem outra ocupação senão acompanhar a esposa e meter na algibeira o dinheiro que ela ganha. Parece, porém, que o ofício é bom, porque nunca falta gente para o exercer; essas damas casam quase sempre.
As dançarinas do teatro de S. Carlos não dão ensejo a que o mundo fale delas. E duas razões há para isso: a primeira é que, salvo duas ou três escepções, são feias de meter medo ao mais animoso; a segunda é que na maior parte, ao que parece, atingiram essa idade feliz em que há todos os direitos ao respeito da multidão."
A próxima Carta que será retirada deste livro "Portugal de Relance" será a Décima Quinta. Para mim a mais cómica e hilariante das descrições de Rattazzi. Nesta serão focados os seguintes temas: Lisboa por dentro - As casas - Os quartos - As pias - Os parasitas - A alimentação - A cozinha - A questão da água - Sistema do esgoto - Primeiro os vivos, depois os mortos - Os enterros.
Mas isto ficará para depois.

sexta-feira, maio 13, 2005

Marlene Dietrich no Queen's Theatre, em Londres - 1964

E a proposito da peça Marlene, com Simone de Oliveira no principal papel, aqui fica uma reportagem da revista "O Século Ilustrado" de 5 de Dezembro de 1964 da saída de Marlene Dietrich do Queen's Theatre, em Londres.
Com 62 anos, a revista refere que "Marlene deu uma autêntica lição de "sex-appel" a jovens de 20 anos" e que "o delírio foi tal que ao longo da Shapterbury Avenue, o tráfico ficou interrompido".
É exactamente nesta altura da vida de Marlene que se desenrola o enredo da peça presente no Cinema Mundial e que conta com encenação de Carlos Quintas. Para saber mais leia o artigo que se segue.

Marlene

Simone de Oliveira em Marlene

Ontem fui assistir a mais uma prova superada de Simone de Oliveira como actriz na peça Marlene, no papel de Marlene Dietrich, no antigo cinema Mundial, agora transformado em teatro.
Simone, mais uma vez, surpreende. Consegue momentos de grande intensidade dramática, absolutamente convincentes, ajudada por um texto bom, que toca em vários aspectos da vida "privada" da grande diva do cinema e da música alemã.
É um papel que lhe assenta que nem uma luva. Simone tem um porte majestoso em palco, um rosto bonito e uns olhos falantes hipnotizantes.
A caracterização está muito bem realizada e os figurinos bem escolhidos. Tenho apenas pena que não se tivesse utilizado na última o fato que Simone envergou quando da primeira estreia de Marlene, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
A Marlene que nos é apresentada é contraditoria, obcecada, frágil. À medida que o enredo se desenrola vamos sentindo a carga da existência de Dietrich. As suas manias, fobias, o físico debilitado, a dúvida de mais um espectáculo.
As comparações entre a icon alemã e a portuguesa não se podem deixar de fazer. Estou certo que partes do texto respeitantes a Marlene caberiam perfeitamente numa peça de teatro que fosse escrita sobre a Simone.
A encenação de Carlos Quintas, que tanto quanto sei é a primeira, é eficaz e convincente. Mais uma agradável surpresa.
A personagem de Amélia Videira, embora quase discreta e submissa, é muitissimo bem representada, com uma mimica facial deslumbrantes.
Já Mafalda Drummond, na minha opinião, está menos bem, especialmente ao nivel das inflexões de voz, tornado-se por vezes irritante.
O espectáculo termina com Simone a cantar 5 ou 6 músicas de Marlene Dietrich e uma de Edith Piaf. As músicas estão muito bonitas e a sua adaptação para portugues parece-me também muito bem conseguida (embora não perceba rigorosamente nada de alemão). Soam muito bem.
Uma especial nota para a música Ma Vie en Rose, de Edith Piaf, deliciosamente interpretada em francês. Simone canta com os jeitos de voz de Marlene e num registo que fica arrebatador para o timbre ainda fantástico que Simone ainda possui. Estranho estranho é que aquela forma de cantar tipica de Simone - "desatarracha lâmpadas e afasta cortinados" (como a própria o diz) - está de todo ausente, devendo ter sido o Cabo das Tormentas para o ensaio das mesmas.
Durante este mini-concerto de Marlene/Simone veio-me à cabeça as semelhanças incriveis entre Simone e Marisa Paredes, a "diva" de Pedro Almodovar, e pensei o que seria da voz da "Desfolhada" nas mãos deste brilhante realizador. Uma incógnita.
Como última referência apenas a extraordinária sensualidade e capacidade de atracção que Simone transmite.
Se em "Alma Mahler" (podem ver duas fotos desta peça neste blog) Simone de Oliveira estava enquadrada de forma perfeita no perfil da personagem, em "Marlene" superou-se.

Marlene

domingo, maio 08, 2005

Revista GENTE - Última antes do 25 de Abril de 1974

Esta é a capa da revista "Gente" (mãe da actual "Nova Gente") da semana de 23 - 29 de Abril de 1974. Assim sendo, foi a última "Gente" antes do 25 de Abril de 1974, dia da Liberdade, dos Cravos e de ilusões para a Esquerda.
Muitos são os artigos no interior da revista mas um me parece interessante salientar: a homenagem à poetisa Natércia Freire pelo número mil da sua famosa página literária no jornal "Diário de Noticias".
Estas páginas literárias, que então tinham o nome de "Artes e Letras", foram iniciadas por Natércia Freire em 1955. "Pode dizer-se que a maioria dos grandes vultos artísticos e literários do país aí estiveram representados", refere-nos o artigo.
Na homenagem estiveram vários vultos da cultura de então em Portugal: David Mourão-Ferreira, Fernanda Botelho, Vitorino Nemésio, Ferreira de Castro, Maria Lamas, Fernando Namora, Amélia Rey Colaço, escultor Martins Correia, Hernâni Cidade, entre outros.
Ironia do destino é que pouco depois deste artigo dá-se o 25 de Abril. A revolução que esqueceu Natércia Freire... injustamente. Não havia mulher mais livre de pensamento e de acção que Natércia Freire, pois a escrita é a forma mais leve de libertação.
É maltratada pelos "filhos", alguns bem "nobéis", que ajudou a criar no Diário de Noticias. Foi esquecida. Pouco depois deste artigo deixou de haver "Artes e Letras" com Natércia Freire.
Natércia Freire morreu com 85 anos no dia 17 de Dezembro de 2004. Aqui fica a homenagem, a recordação e um poema.
Um dia
Um dia partirei muito cansada
Com as lembranças cingidas ao meu peito
E uma voz de saudade e de nortada.
(Levarei voz para gemer de espanto.
Levarei mãos para dizer adeus...
Olhos de espelho, e não olhos de pranto,
Eu levarei. Os olhos, serão meus?)
Um dia partirei, talvez manhã.
Uma canção de amor virá das dunas.
De finas pernas, seguirei a margem
Límpida, boa, enorme, no ribeiro
De água discreta a reflectir miragem,
Braços de ramos, gestos de salgueiro.
Um dia partirei, muito diferente.
Enfim, aquela que jamais eu fora!
E os de Cá hão-de achar que vou contente.