Mostrar mensagens com a etiqueta Várias e Variadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Várias e Variadas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Notícia da morte da amiga Dulce Matos.


Morreu a filóloga Dulce Matos
Pela nossa vida passam sempre professores que nos marcam. É o caso de Dulce Matos, minha professora de Português, no curso de Administração e Línguas, no ISLA.
A sua capacidade para motivar alunos e interessá-los pelo estudo da nossa língua era invulgar. Para além de professora era amiga e continuei a encontrá-la em muitos dos trabalhos jornalísticos que fiz. Fica a mágoa por nunca ter ido a uma das várias tertúlias para as quais me convidou. Mea culpa, professora!
Um beijo enorme e obrigada por ter sido minha amiga!

Manuela Silva Reis


DULCE MATOS (1938-2009)
Faleceu, de morte súbita, na sua casa na Rua de Campolide, em Lisboa, a filóloga Dulce Matos (Maria Dulce Coelho de Matos) na madrugada de Domingo.
Presidente da Associação Cais de Culturas, com sede no bairro de Campolide, era uma figura muito conhecido das letras e das tertúlias literárias de Lisboa, estando ligada a um grupo muito expressivo de associações culturais.
Nascida em Lisboa em 17 de Novembro de 1938, frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e possuía Mestrado em Literaturas Brasileira e Africana pela mesma faculdade. Era diplomada em Língua e Literatura Francesas pelas Universidades de Toulouse Le Mirail, de Tours e de Estrasburgo e pela Alliance Française.
Exerceu com grande dedicação a actividade de palestrante / divulgadora da Literatura e Cultura Portuguesas junto de Universidades do Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Itália e, sobretudo, das comunidades portuguesas dos referidos países.
Foi colaboradora do Presidente do ICALP - Instituto de Cultura e Língua Portuguesa - para as áreas do Brasil, América Latina, África de expressão portuguesa e Senegal (1984-1985) e assistente do Professor Agostinho da Silva, Director do Centro de Estudos Latino-Americanos do Instituto de Relações Internacionais, entre 1986 a 1994.
Entre 1984 e 2006 realizou 32 viagens de divulgação cultural ao Brasil, Argentina e Uruguai, proferindo 260 palestras e realizando 20 seminários
A sua incansável actividade teve também expressão na apresentação e no prefácio de vários livros sendo amiga pessoal de grandes nomes da literatura nacional e internacional.
Foi funcionária da TAP durante muitos anos, trabalho que exerceu em paralelo com o ensino no ISLA (1978-2001) e em vários grupos culturais, onde foi uma mestra muito apreciada e querida dos seus muitos alunos, sobretudo da área do curso de Administraçção e Línguas
O funeral de Dulce Matos sairá da Basílica de Estrela na QUARTA-FEIRA, pelas 15h00 e será precedido por uma missa de corpo presente às 14h30.


Site rtp

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Amigo fiel

Tinha nele a maior das esperanças e como o amigo mais fiel. Estava sempre que era preciso e, mesmo que não se encontrasse, era fazer apenas uma ronda pelos cafés, lojas extras, bombas de gasolina, e ele lá estava.
Não era preciso muito para pô-lo a falar. Dava conselhos, avisava-o, ria quando ele ria e chorava quando ele chorava.
Por vezes, tinha de o dar. Todo ou apenas uma parte. Mas, passados alguns minutos, ele lá aparecia de novo. Fino, vestido de branco e cabelo ardente.
Acompanhou-o nas esperas mais prolongadas, foi companheiro nas viagens solitárias, ia com ele até à janela espreitar a vista ou, o que é verdade, espreitar os vizinhos da frente na sua rotina diária (normalmente, nocturna).
Se ficava sem o ver muito tempo, descontrolava-se. Ficava ansioso, sem tino, desesperado para o ter.
Quando alguém o avisava que não era bom amigo, não ligava. Bufava mesmo de raiva. Odiava então todos aqueles que, tendo sido amigos dele, o já não eram e tinham um discurso radical quando ele aparecia, desprevenido, com alguém.
Para o ter era necessário mantê-lo a todo o custo… e o custo ia sempre subindo. Chegou a ser banido de alguns locais públicos pelo incómodo que provocava.
Mas ele resistiu em manter a amizade até ao fim. Era o seu mais fiel amigo… mas, no final, matou-o… de cancro de pulmão.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Nadal vence Open da Austrália e Federer não consegue igualar Sampras


Durante 11 anos, Roger Federer sempre passou uma imagem de sobriedade. Por norma, é pouco expansivo nas vitórias e, quando perde, sempre escondeu com elegância a desilusão. Nos jogos, era com o seu ténis que respondia a maus momentos. As emoções eram para ser controladas. Porém, ontem, caiu a máscara do controlo emocional. Tudo porque estava a um jogo de igualar o seu ídolo Pete Sampras, com 14 Grand Slam, e falhou. As lágrimas, muitas lágrimas, que deixou cair pela face, deixaram a arena do Open da Austrália num silêncio perturbador, só rompido por uns merecidos aplausos, para o que Rafael Nadal contribuiu, ao dirigir-se ao rival que acabava de derrotar por 7-5, 3-6, 7-6 (7-3), 3-6 e 6-2: "Não te esqueças que és um dos melhores tenistas da história." E mais lágrimas caíram pelo rosto de Federer.

Na Austrália, esperava-se que fosse feita história: consagrar definitivamente o suíço. No entanto, foi Nadal quem a escreveu, ao tornar-se no primeiro espanhol a vencer um Grand Slam em piso duro. Porém, o morder do troféu, como sempre faz, perdeu impacto, quando, perto de si, Federer continuava a chorar.

Como derrotado, o suíço foi o primeiro a falar, ou, pelo menos, a tentar. "Deus, isto está a matar-me", disse. No court e nas bancadas a surpresa era grande. Ninguém esperava tal demonstração de emoção em público. "Este rapaz merece", salientou ainda Federer, dirigindo-se ao espanhol. Até Nadal, cabisbaixo, pareceu sem saber o que fazer. Incitado a falar, começou por um tímido "olá" e deixou um pedido: "Roger, sinto muito [pela derrota]. Espero jogar muitas mais vezes contra ti."

Aos 27 anos, Federer parou de esconder a frustração de estar a ser ultrapassado pela nova vaga de tenistas. Nadal é o seu grande rival. É ele quem lhe tem tirado a oportunidade de vencer Roland-Garros - que o suíço nunca ganhou -, foi o espanhol quem acabou com o domínio de Federer em Wimbledon e agora também já conquista Grand Slam no piso duro. A Nadal só falta o US Open e tem 22 anos. E não esquecer, foi Nadal quem acabou com um reinado de quatro anos de Federer no topo do ranking. O suíço começou 2009 com o objectivo de comprovar que 2008 não marcou o princípio do fim da carreira, mas na Austrália acabou em desespero.
Diário de Notícias, 02 de Fevereiro de 2009

Calendário Romano - Mês de Fevereiro

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Documentário

Um rapaz que, como eu, passa férias em Santa Cruz da Trapa, fez esta pequena pérola documental. É sobre as recordações da sua casa... a mim emocionou-me muito.
É santa Cruz da Trapa e está tudo dito.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Discurso Integral de Obama

Barack Obama has been sworn in as the 44th US president. Here is his inauguration speech in full.

My fellow citizens:

I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and co-operation he has shown throughout this transition.

Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because we, the people, have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.

So it has been. So it must be with this generation of Americans.

Serious challenges

That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.

Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.

On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.

On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.

Nation of 'risk-takers'

We remain a young nation, but in the words of scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.

In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labour, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.

For us, they packed up their few worldly possessions and travelled across oceans in search of a new life.

For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and ploughed the hard earth.

For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.

'Remaking America'

Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.

This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.

For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. All this we will do.

Restoring trust

Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.

What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - that a nation cannot prosper long when it favours only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our gross domestic product, but on the reach of our prosperity; on the ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.

'Ready to lead'

As for our common defence, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our founding fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and we are ready to lead once more.

Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with the sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.

We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the spectre of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defence, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.

'Era of peace'

For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.

To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.

To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

'Duties'

As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honour them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.

For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.

Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - honesty and hard work, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.

'Gift of freedom'

This is the price and the promise of citizenship.

This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.

This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than 60 years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have travelled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:

"Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it]."

America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.

Thank you. God bless you. And God bless the United States of America.

Primeiro discurso de Obama como Presidente.

As multidões e eu...

Há qualquer coisa no fenómeno de massas que me emociona. Muita gente por um mesmo propósito, seja ele qual for.
Um jogo de futebol apinhado de gente, o rio de luzes trémulas da Procissão das Velas de Fátima, um concerto com público em delírio ou uma nação presente para receber um novo presidente ou homenagear alguém querido (lembremo-nos, por exemplo, do funeral de Amália Rodrigues), são imagens mais do que suficientes para me emocionarem.
Até o desfile do 1º Maio último – o único a que fui – serviu para que a voz me faltasse em soluços e me tivesse de controlar para que as lágrimas não me escorressem pela cara.
Estranho fenómeno este em mim. Eu que odeio, temo e não me meto em multidões.

Morreu João Aguardela


Morreu artífice da música popular

João Aguardela, que em 1992 com os Sitiados pôs Portugal a cantar "esta vida de marinheiro está a dar cabo de mim/rapara para parapa raparaparê’’, morreu no domingo à noite, em Lisboa, vítima de cancro. Tinha 39 anos (faria 40 em Fevereiro) e a sua morte deixa mais pobre a música portuguesa.


Orgulhoso da tradição musical portuguesa, João Aguardela foi um visionário, um artífice da música popular portuguesa. Como matéria-prima elegeu as raízes profundas, que depois casava com sonoridades contemporâneas. Em 1994, tal ousadia valeu-lhe o Prémio Revelação atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Além dos Sitiados, com quem lançou cinco discos desde a fundação em 1987 até 2000, a Aguardela se devem ainda vários outros projectos que tiveram a virtude de rejuvenescer a música portuguesa. Foram os casos de Megafone (recolhas etnográficas de Giacometti e José Alberto Sardinha com electrónica), Linha da Frente (cantando autores como Manuel Alegre, Ary dos Santos, Fernando Pessoa e Natália Correia, entre outros) e, mais recentemente, A Naifa, que conjuga o fado clássico com linguagens pop. Com este projecto lançou três discos, o último dos quais, ‘Uma Inocente Inclinação para o Mal’, data do ano passado. Exemplo da sua versatilidade (e disponibilidade), Aguardela fez ainda a banda sonora do documentário ‘Labirinto do Atum’.

O músico não quis velório e a cerimónia fúnebre realiza-se hoje (16h00) no cemitério do Alto de S. João, Lisboa.

TESTEMUNHOS

SABIA O QUE QUERIA E ERA UM ACTIVISTA: Zé Pedro, Músico, Xutos & Pontapés

Chegámos a tocar juntos no Estádio de Alvalade... Foi uma figura singular no nosso meio musical. Sabia o que queria e era um activista. Nunca baixava os braços.

PERDA IMPORTANTE E DEMASIADO CEDO: José Jorge Letria, Vice-presidente da SPA

Recebemos a notícia com surpresa e choque. Era um cooperador cordial e amigo. Com ele, perdeu-se um nome importante da nova geração de músicos. E demasiado cedo!

FAZIA COISAS COM SENTIDO: Adolfo Luxúria Canibal, Músico, Mão Morta

Fomos colegas de Direito e não estávamos juntos há muitos anos, mas, apesar de não trabalharmos no mesmo registo, eu percebia o que ele fazia. Fazia coisas com sentido.

Luís Figueiredo Silva - in: Correio da Manhã


Sitiados - Outro Parvo No Meu Lugar

domingo, janeiro 18, 2009

A noite de Cristiano Ronaldo pelo Sociólogo Alberto Gonçalves


segunda-feira, 12 de Janeiro

UMA NOITE COM RONALDO

AA RTP1, "serviço público", realiza longo "directo" desde a Ópera de Zurique, mas para transmitir a gala da FIFA e a entrega do prémio de jogador do ano. A emissão prolonga-se até depois das 20h. O "telejornal" não irrompe à hora certa, a fim de não perturbar a consagração de Cristiano Ronaldo. A consagração acontece. Discurso de agradecimento e imagens de um punhado de golos do futebolista.

O Telejornal começa às 20.15 com a notícia da vitória de Ronaldo e ligação à casa da família no Funchal. De seguida, prossegue entre ligações a Zurique e ao Funchal, testemunhos de especialistas em Ronaldo e golos de Ronaldo. A terminar, uns minutos de actualidade nacional (a "vaga de frio"), internacional (o cão português de Obama) e cultural (golos de Ronaldo). Após o noticiário, entram os comentários semanais de António Vitorino, que acabam com Judite de Sousa a interrogá-lo acerca de Ronaldo e Vitorino a responder que não liga a futebol e que está muito contente com o sucesso de Ronaldo.

Por volta das 21.00, documentário sobre Ronaldo, que inclui, além de golos de Ronaldo, entrevistas a Ronaldo e a especialistas em Ronaldo, incluindo o sujeito descobriu Ronaldo em 1999 e o sujeito que descobriu Ronaldo em 1998. Tenta-se apurar o valor desportivo, comercial e sexual de Ronaldo. Fica razoavelmente apurado que Ronaldo é o maior.

Após pausa mal empregada em anúncios e num concurso, surge o Prós e Contras dedicado a debater Ronaldo, ou melhor, a debater qual dos convidados possui maior capacidade em exaltar Ronaldo. Participam treinadores de futebol, publicitários, um ex-secretário de Estado do Desporto, um secretário de Estado do Desporto, o sujeito que descobriu Ronaldo em 1997, o sujeito que o treinou dez minutos depois e o sujeito que lhe deu boleia da descoberta ao treino. Após trinta minutos em que o contributo de Ronaldo para o país ameaça ultrapassar o de Buda para o budismo, e sobretudo em que as referências ao corpo de Ronaldo se abeiram da excitação erótica, desligo o televisor.

Imagino que, perto das duas da madrugada, o primeiro-ministro tenha comunicado à nação os sentimentos que o talento de Ronaldo lhe inspira, e que às duas e quarenta o presidente da República tenha subscrito tais sentimentos (com excepção de um ponto, que vetou, e de outro, que enviou à apreciação do Tribunal Constitucional).

Diário de Notícias - Domingo, 18 de Janeiro de 2009

sexta-feira, janeiro 16, 2009

E andamos nós a mandar-lhe sapatos à cara... rosas... rosas é que deviam ser... mas com muitos espinhos...

«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo». - último discurso do Presidente Norte-Americano, George Bush "júnior"

terça-feira, janeiro 13, 2009

Será este o inicio do fim da crise????

EUA
Cão de água português pode ser escolhido para companheiro das filhas de Barack Obama
Um cão de água português poderá ser o futuro companheiro de brincadeiras das filhas do presidente eleito dos EUA, conforme revelou hoje Barack Obama - in: jornal "Sol"
Futebol
Cavaco elogia jogador
O Presidente da República felicitou hoje o futebolista português Cristiano Ronaldo pelo título de Melhor Jogador do Mundo de 2008 atribuído pela FIFA, elogiando o seu «elevado nível desportivo». - in: jornal "Sol"
Vida
Quanto vale Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães é a prova de que a discrição compensa: afastada do pequeno ecrã em 2008, a estrela da SIC assinou de uma assentada dois contratos com marcas: o Millennium e a L´Oréal. Os cachets são elevados, mas Bárbara vale o que ganha. «É inteligente, bonita, próxima e simpática», diz o BCP. - in: jornal "Sol"
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições», diz Jardim
Em entrevista à SIC, Alberto João Jardim afirmou que basta que a líder do PSD lhe dê a garantia de derrotar o PS, para ele «vestir a camisola» da actual direcção social-democrata.
«O que eu peço ao meu partido é que ganhe as eleições. Eu luto ao lado de qualquer um que estiver em condições de ganhar as eleições», disse.
«Se a dra. Ferreira Leite está em condições de correr com Sócrates e dar um novo caminho ao país, no dia seguinte, eu tirarei a camisa e estarei ali ao lado dela», acrescentou. - in: TSF

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Queer Night no Cabaret Maxime

O Maxime ontem encheu-se de muita cor, música e alegria para uma Queer Nigeht onde as vedetas foram Deborah Krytal e sus muchuchas (Cindy Scrash, Betty Brown, Samantha Rox e Victor Hugo).
Uma noite divertidissima num extra-long show em palco condigno.
Aqui ficam duas gravações feitas por telemóvel de dois dos momentos musicais da noite: Deborah Kristal a solo e depois um dueto com Samantha Rox e Betty Brown. (nota: o som e a imagem não são os melhores mas foi o possível.)







Biografias:

Deborah Kristal

Personagem criado pelo actor Fernando Santos, hoje considerado o melhor e mais versátil na arte do transformismo. Fruto de muito trabalho desde o teatro de revista (Maria Vitória) aos incontáveis programas de televisão (Estúdio 4, Barba e Cabelo, Muita Louco, Big Show Sic, Herman Sic, Cabaret da Coxa, entre outros) passando também pelo cinema. Alguns casinos e as melhores salas de espectáculo da Península Ibérica e Ilhas Canárias, fazem parte do seu Curriculum (Teatro Sá da Bandeira, Teatro Maria Vitória, Teatro Tivoli, Teatro S.Luiz, Coliseu dos Recreios, Casino da Figueira da Foz, Casino de Monte Gordo, Cabaret Maxime, entre outros). Ao lado da actriz Fernanda Lapa fez parte do elenco da peça Desempacotando a minha Biblioteca que esteve em cena na Gulbenkian. Hoje é director artístico do Finalmente.

Samantha Rox

Dona dos olhos mais marcantes e encantadores do transformismo nacional, Samantha Rox marca pela diferença. Na década de 80 experimenta os palcos em Cascais, mais tarde descobre a noite de Lisboa e participa no então "Lugar aos Novos", segue-se o Alcazar e o Drop's, tendo optado depois por ficar no Finalmente onde se mantém até á actualidade. Entre nomes como Lydia Barloff e Belle Dominique, trabalhou praticamente 10 anos seguidos como Ruth Bryden.

Betty Brown

Corria o ano de 1998 quando no dia 22 de Setembro Betty Brown pisa pela primeira vez o palco do Finalmente. Criada com uma grande força interior e com os objectivos bem definidos de manter aos longo dos anos o seu nome entre as melhores do transformismo nacional. A partir daí seguiram-se espectáculos em Lisboa (Trump's, Memorial e Sátiros Bar) em Setúbal, Porto e Algarve. Em Janeiro de 2007 recebe o convite pelo qual sempre esperou, Deborah Kristal convida-a a integrar o elenco do Finalmente onde se encontra até à data.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Calendário Romano 2009


Um casal meu amigo esteve em Roma a passar o fim-de-semana e compraram-me este calendário absolutamente surpreendente e original. Trata-se do Calendário Romano para 2009 com fotografias, não dos Bombeiros de Roma ou de uma qualquer equipa de futebol Italiana mas de alguns padres ou seminaristas da colecção 2008/2009 do Vaticano. Fiquei sem palavras. Alegro-me com estes ventos de mudança da secular igreja católica.
Para saber mais ou ver outros calendários da Santa Madre Igreja, visite http://www.calendarioromano.org/. ENCOMENDE JÁ!!!!!!
Este calendário encontra-se também à venda nas sacristias das Igrejas aderentes da cidade de Roma.

Fica prometido, no início de cada mês do ano de 2009, a publicação do Sacerdote do respectivo mês.... tudo para saber a quantas anda!!!!

quinta-feira, novembro 27, 2008

Importam-se de me explicar????


A querida Filipa Freitas do Amaral - a pequena da fotografia - é filha de Diogo Freitas do Amaral.

E deu uma entrevista - vamos lá saber porquê - à revista "Vidas", do Correio da Manhã.

Trocou as Relações Internacionais pela Pintura (uma loucura!!!). E diz esta brilhante frase, que peço aos bloguistas mais entendidos que me expliquem:

"Sou pintora mas não sou excêntrica." - Filipa Freitas do Amaral dixit
E esta, hein!!!

segunda-feira, outubro 20, 2008

Ovos Moles


Para combater a neura e comemorar mais um dia sem fazer nenhum, resolvi afogar a "depre" com um belo crepe (congelado) coberto de ovos moles (feitos por mim) e canela (dos pacotinhos que sobraram dos últimos Pastéis de Belém que apareceram cá em casa).
Soube que nem gingas... uma bomba calórica enriquece logo qualquer dia e as dores de barriga que daí advém fazem-nos esquecer de todo e qualquer problema...

Receita dos Crepes:
Ir a um Hipermercado, comprá-los - aos crepes - congelados, continuar a congelá-los em casa, tirando-os do congelador apenas quando os quiser comer. Cinco segundos no micro-ondos é suficiente.

Ovos Moles:
4 gemas
3/4 colheres de sopa de açucar.

Numa tijela misturam-se as 4 gemas com um nadinha de nada de água.
Quando o "ponto de açucar" (com as ditas 3/4 colheres de açucar) estiver feito numa pequena frigideira ou tacho, deve vertê-lo para a tijela onde estão as gemas, mexendo sempre. Assim que tiver despejado todo o "ponto de açucar", verta tudo de novo para a frigideira ou tacho e coloque em lume brando, mexendo sempre.
Os ovinhos, a pouco e pouco, deverão engrossar até que passem de liquídos a moles... e daí o nome: Ovos Moles.
Barre tudo alarvemente em cima do crepe, pulverize com um pouco de canela e já está!!!! Uma dor de barriga em menos de 5 minutos mas com um doce sabor a compensação.

Para acompanhar, um cálice de Vinho do Porto.

Bom apetite.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Hoje os Galheteiros... amanhã as Colheres de Pau...

Restaurantes. Ministro anuncia revogação da polémica portaria

Restaurantes vão ter de usar cartas de azeites para informar consumidor

Os restaurantes vão deixar de ser obrigados a usar galheteiros invioláveis, desde que passem a dispôr de cartas de azeite que permitam ao consumidor escolher e saber as características do produto que vai consumir. A promessa foi ontem deixada, em Santarém, pelo ministro da Agricultura, durante um encontro dos empresários do sector da restauração, que sempre se manifestaram inconformados por serem os únicos na União Europeia abrangidos por tal obrigação.

Jaime Silva, que afirmou concordar com as críticas à portaria que tornou obrigatório o uso de galheteiros, pediu a "parceria" da Associação da Restauração e Similares de Portugal (ARESP) para poder revogar esta legislação. Mas essa possibilidade está condicionada à disponibilização, por parte dos restaurantes, de cartas de azeites, deixando clara a sua composição e origem.

Em declarações ao DN, Ana Jacinto, responsável da ARESP, garantiu que o sector vai acatar a sugestão do ministro, esperando apenas que o Governo seja rápido a diligenciar a revogação da portaria. A proibição dos tradicionais galheteiros nos restaurantes e substituição pelas embalagens invioláveis resultou, segundo o sector, num agravamento dos custos económicos e ambientais da actividade de restauração.

O ministro da Agricultura manifestou ainda confiança na estabilização das relações entre a ASAE e os restaurantes. Passado o "sobressalto" inicial provocado pela actuação da ASAE, que teve a função de mostrar que Portugal está inserido num espaço em que os padrões de segurança alimentar são os "maiores do mundo", entrou-se numa fase de "equilíbrio", observou Jaime Silva.

Afirmando que a interpretação "mais rígida" da legislação, que visou pôr ordem à forma descurada como muitos produtores encaravam a legislação comunitária, gerou "incompreensões e mal-estar", o ministro disse que, depois da legislação que produziu, os pequenos produtores estão "salvaguardados".

Jaime Silva sublinhou que aqueles não precisam de licenciamento e apenas têm que comunicar aos serviços do Ministério o que produzem. "Não para mandarmos lá a ASAE, mas para que, se houver algum problema com algum produto, se conheça a sua origem", disse. O orçamento do Ministério vai manter-se igual em 2009. - C.A., com Lusa
In: Diário de Notícias, 17.10.08

terça-feira, outubro 07, 2008

SÓ EU SEI PORQUE NÃO FICO EM CASA

Está toda a gente muito preocupada por os homossexuais não se poderem casar - eu estou muito mais preocupado por os deputados não poderem pensar. Ao aprovar a disciplina de voto (com excepção de uma mascote da JS, que está autorizada a votar a favor da proposta e assim demonstrar a extraordinária "pluralidade" dos socialistas) numa matéria claríssima de costumes e de consciência individual como é o casamento dos homossexuais, o PS enfiou mais uma machadada na credibilidade do Parlamento e dos seus deputados. Obrigado, Alberto Martins.

A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.

Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade - a votação das propostas - eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento.

E tão grave quanto a disciplina de voto do PS é a sua justificação. Segundo Strecht Ribeiro, vice-presidente do grupo parlamentar, os socialistas não estão a votar contra o casamento dos homossexuais. Nada disso. O que eles estão é a votar contra "o oportunismo político" do Bloco de Esquerda. Ou seja, o PS acredita que a situação actual dos gays é manifestamente injusta. Mas entende que esta não é a altura certa para reparar a injustiça. Extraordinário. Nós vivemos num país onde o partido que nos governa entende que até a correcção de injustiças que não dependem de mais nada senão da aprovação de uma lei deve obedecer a um timing certo. E os oportunistas políticos são os outros, claro. Partidos destes não deviam sentar-se no Parlamento. Partidos destes deviam sentar-se nas bancadas do Estádio de Alvalade.

João Miguel Tavares, Diário de Notícias, 07 de Outubro de 2008