
Poesia, musica, celebridades, teatro, cinema, selecção de textos, poetas e escritores, banalidades, fotografias, arte, literatura, pintura e muita conversa.
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quarta-feira, abril 11, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
Diz-me quem és, dir-te-ei em quem votas.
Divirta-se com este fantástico quadro de Rui Ramos, sobre a temática do Concurso da RTP - "Os Grandes Portugueses"... genial.
In: Revista Atlântico, Março de 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
quinta-feira, janeiro 25, 2007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Mãe Galinha

"Quinta Dimensão
Inês Teotónio Pereira
Dei por mim a fixar os dias das greves dos professores, a ouvir debates sobre a indisciplina nas escolas e a participar em discussões sobre os manuais escolares. Deprimente. O meu filho mais velho entrou para a escola e eu voltei à escola. E só cheiro da mochila já me causa arrepios. Mas entrei na escola de cabeça erguida e preparada para estreitar os laços escola/família.
No fim da minha primeira reunião como membro da Associação de Pais perguntei quando é que era a próxima. Depois de alguns segundos de silêncio responderam-me que só há uma nova reunião quando houver razões para isso: só existem reuniões de pais extraordinárias. Pensei cá para mim que, afinal, esta coisa de ser uma mãe participativa não custa muito.
Uma semana depois resolvi marcar uma reunião com a professora do meu filho, já que a associação não queria saber de mim para nada. "Porquê? Passa-se alguma coisa?", perguntou-me admirada a professora. "Não, mas apetece-me falar sobre ele consigo, já que vai passar mais horas por dia com ele do que eu. Já agora: não quer ser minha amiga?"
Uma semana depois a criança ficou de castigo porque não ouviu não sei o quê.
- Mas o quê?
- Não sei, mãe. Não ouvi.
O certo é que teve uma "bolinha cor-de-laranja". Fiquei então a saber que as crianças são todos os dias classificadas pelo comportamento através de bolinhas que vão preenchendo uma tabela semanal. Estilo jogo de futebol: verde, está tudo bem; cor-de-laranja, está mal; encarnado, vai para a rua.
Na semana a seguir descobri que o professor de música tem como objectivo que as crianças "aprendam a ouvir os sons que as rodeiam", como o estômago, os carros, as árvores - e até se lhes pede que batam palmas com os pés - "porque tudo tem um som...". Não tive coragem de pedir a marcação de uma nova reunião: as aulas só tinham começado há um mês.
O resultado de tudo isto é que o meu filhote de seis aninhos, que ainda há dois meses tinha como objectivo primordial de vida fazer os trabalhos de casa, demora meia hora a levantar-se da cama para ir para a escola. Aprendi que a escola não é para ser levada muito a sério. Ninguém leva. Nem ele."
Revista Atlântico, nº 21 - Dezembro de 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Recordar "Quino"




Nascido em 17 de Julho de 1932 na cidade argentina de Mendoza, Joaquin Salvador Lavado é, sob o nome artístico de Quino, o criador de Mafalda. Faz o seus estudos artísticos na Universidade Nacional de Cuyo e instala-se em Buenos Aires a partir de 1954. Envereda pela carreira de ilustrador e desenhador humorístico, colaborando profusamente na imprensa do seu país ('Esto Es', 'Avivato', 'Qué', 'Leoplàn', 'Vea y Lea', 'Cuatro Patas', 'Rico Tipo', 'Siete Dias', etc.).
Em 1964 faz uma incursão única na banda desenhada e cria Mafalda, publicada inicialmente em 'Primera Plana' e, depois, em 'El Mundo' e 'Siete Dias'.
Apesar do sucesso retumbante desta criação — que é objecto de divulgação em muitos países do mundo —, Quino abandona definitivamente a sua personagem em 1973, não mais voltando ao mundo dos quadradinhos. Consagra-se desde então por inteiro ao desenho de humor, onde continua a dar até hoje a dar expressão ao seu finíssimo sentido de observação do mundo envolvente. A sua vasta obra está disponível em língua portuguesa (Edições Dom Quixote e Bertrand Editora). Ao contrário de outras bandas desenhadas que põem crianças em cena (caso dos Peanuts, por exemplo), Mafalda não é o retrato traumatizado e neurótico de uma geração inadaptada, mas um microcosmos onde se confrontam sonhos e angústias pessoais, mas também aspirações e inquietações colectivas.
Através do traço simples e eficaz de Quino, Mafalda é uma banda desenhada politica e socialmente comprometida com o seu tempo. Numa época em que o mundo dos adultos era incessantemente posto em causa pelas gerações mais novas, que aspiravam a um futuro diferente, as histórias de Mafalda eram uma outra forma de mostrar a manipulação e a moldagem das consciências individuais através de instrumentos tão temíveis como os meios de comunicação de massa (e, à cabeça de todos, a televisão), a escola ou a autoridade do Estado.
Texto: Luis Euripo (Revista do Consumidor)
sábado, dezembro 09, 2006
A minha árvore é maior que a tua
"Todos os departamentos de sociologia do país deveriam interromper a sua actividade corrente para se debruçarem sobre esse estranho fenómeno chamado "a maior árvore de Natal da Europa". Lamentavelmente, e por mais voltas que dê à cabeça, não consigo imaginar por que razão milhares de pessoas esgotam a sua paciência em intermináveis filas de trânsito para ver um cone metálico gigante a brilhar. Que um bosquímano do Kalahari mude a sua vida por causa de uma garrafa de Coca-Cola, como no velho filme, eu ainda consigo compreender, mas que tão grande turba se arraste por causa de 75 metros de lâmpadas é algo que ultrapassa o meu pobre entendimento. Mistérios da condição humana. A sociologia, a antropologia ou a zoologia que me expliquem o prodígio, se faz favor.
É que, para tornar a história ainda mais bizarra, o manifesto sucesso da iniciativa patrocinada pelo Millenium bcp provocou uma onda de ciumeira nos outros bancos, que agora procuram pôr de pé o seu megaevento natalício, se possível ainda mais mega do que a mega-árvore do bcp. No ano passado, o BES prometeu fazer nevar em Lisboa, mas não conseguiu mais que sujar com uns flocos pífios os passeios do Marquês de Pombal. Este ano é o "Natal Monumental Santander Totta" (belo nome), que conduziu à instalação de uma tenda gigante na Praça da Figueira, onde até se pode largar os filhos enquanto se vai às compras.
Resumindo, temos duas das três mais importantes praças de Lisboa ocupadas com publicidade à banca, na forma de supostas homenagens ao espírito natalício. Não sei do que é que os outros bancos estão à espera. O BPI poderia perfeitamente construir o maior trenó do mundo, com renas à proporção, e colocá-lo no meio do Rossio, que está um bocado despido; e a Caixa Geral de Depósitos deveria investir num presépio em tamanho XXL para a Praça do Município, quem sabe aproveitando parte do edifício da câmara para estábulo. Porque não? A dívida que Santana deixou é grande. Talvez se conseguisse um abatimento nos juros."
É que, para tornar a história ainda mais bizarra, o manifesto sucesso da iniciativa patrocinada pelo Millenium bcp provocou uma onda de ciumeira nos outros bancos, que agora procuram pôr de pé o seu megaevento natalício, se possível ainda mais mega do que a mega-árvore do bcp. No ano passado, o BES prometeu fazer nevar em Lisboa, mas não conseguiu mais que sujar com uns flocos pífios os passeios do Marquês de Pombal. Este ano é o "Natal Monumental Santander Totta" (belo nome), que conduziu à instalação de uma tenda gigante na Praça da Figueira, onde até se pode largar os filhos enquanto se vai às compras.
Resumindo, temos duas das três mais importantes praças de Lisboa ocupadas com publicidade à banca, na forma de supostas homenagens ao espírito natalício. Não sei do que é que os outros bancos estão à espera. O BPI poderia perfeitamente construir o maior trenó do mundo, com renas à proporção, e colocá-lo no meio do Rossio, que está um bocado despido; e a Caixa Geral de Depósitos deveria investir num presépio em tamanho XXL para a Praça do Município, quem sabe aproveitando parte do edifício da câmara para estábulo. Porque não? A dívida que Santana deixou é grande. Talvez se conseguisse um abatimento nos juros."
João Miguel Tavares, Diário de Noticias - 09 de Dezembro de 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
domingo, dezembro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 01, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Novo Site
Para os amantes - e menos amantes, porque não? - do FADO existe agora um novo site onde também dou uma "perninha". Façam favor de visitar.
sexta-feira, novembro 10, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
quinta-feira, outubro 26, 2006
UM ACTO DE BARBÁRIE:
SOBRE O ENCERRAMENTO DO MUSEU DE ARTE POPULAR
Em Abril de 2007 tinha já o Ministério da Cultura, através dos órgãos de comunicação social, levantado a hipótese de encerramento do Museu de Arte Popular (MAP), sem qualquer tipo de justificação, e designando que viesse ocupar o seu lugar um “Centro de Interpretação dos Descobrimentos”; meses depois vimos confirmado (?) esse desejo, indicando que, afinal, aí será instalado um “Museu da Língua Portuguesa”.
A decisão é – para além de errática -, absolutamente preocupante: não é dada qualquer indicação sobre o destino da valiosíssima colecção que o Museu alberga; não é comunicada nenhuma informação sobre o futuro do edifício, como obra de arte arquitectónica única do final do Modernismo português; e sequer, em período de contenção séria das finanças públicas e em que o cidadão é obrigado a cortes cegos no orçamento para a cultura, indicação do projecto ou montantes que envolve a criação do “Centro de Interpretação dos Descobrimentos” ou do “Museu da Língua Portuguesa”.
Tudo isto quando o Museu, obrigado a um encerramento forçado para obras durante seis anos – para obras de requalificação que o Estado Português não fazia desde… 1940 – não teve nem tem condições para provar, requalificado e capaz, a sua exequibilidade cultural e a sua utilidade.
O MAP – comecemos precisamente por aqui – é, ao momento, o único pavilhão sobrevivente da Exposição do Mundo Português, de 1940. Guarda no seu interior uma colecção única de arte popular das várias regiões onde se fez sentir a cultura portuguesa, e uma das mais inestimáveis: aquando da enorme exposição realizada no final dos anos 90 pela Fundação Calouste Gulbenkian em Jacarta, boa parte das obras aí presentes vieram da colecção do MAP.
Encerrado para obras há mais de seis anos, o Museu sofre de uma lateralização inacreditável e constante da parte da tutela: não tendo recebido obras de vulto desde 1940 – repetimos desde 1940 – para a preservação do edifício, que se ia desfazendo ao longo dos anos, foi necessário o seu encerramento para obras. O Estado nem zelou pela boa preservação da colecção, mantida dentro do edifício em obras sem que o Ministério facultasse qualquer tipo de material específico de conservação (cenário inacreditável num país europeu!). Com o desfavor da tutela ao longo dos anos, que por qualquer tipo de prejuízo mental ou cultural em relação ao edifício não acelerou os processos relacionados com a requalificação, o Museu não só esteve fechado ao público, como saiu das atenções do palco mediático.
Parecia configurar-se, para aqueles que conhecem a colecção e o edifício, aquilo que agora se veio a anunciar: a proposta autocrática do poder central de encerrar um marco inestimável da cultura portuguesa no centro de Lisboa.
Outro aspecto de suma gravidade é a desatenção à própria Arte Popular. O Museu é o único, a nível nacional, a recolher uma exposição exclusivamente dedicada a um tipo de Arte que representa tanto o país como o Cinema, a Fotografia, a Arquitectura; mas que parece ser considerada pelo Ministério da Cultura como um parente pobre, já que nenhuma justificação para o fecho do Museu é dada. Estaremos – não queremos crer – perante um Ministério que não considera como parte da sua tutela a Arte Popular, com uma visão da cultura imediatista? Se não são dados motivos para o encerramento do Museu de Arte Popular, nem sobre o destino da sua colecção, o sinal que o Ministério da Cultura dará para todo o país e para o resto do mundo é de uma visão cultural limitada e não inclusiva – facto de que as instituições europeias, que financiaram a requalificação do Museu, e por toda a Europa co-financiam Museus de Arte Popular – deverão ser cabalmente informadas.
Uma outra questão levanta-se em relação ao edifício do Museu: que sentido faz encerrar um museu que, segundo José Augusto-França, marca “com a proposta ideográfica da sua arquitectura, mais do que da sua decoração acessória, o fim do processo modernista em Portugal”? Instalado num dos pavilhões da Exposição do Mundo Português, o MAP foi projectado pelo Arquitecto Jorge Segurado e nele trabalharam artistas como Tomás de Melo (Tom), Estrela Faria, Manuel Lapa, Eduardo Anahory, Carlos Botelho e Paulo Ferreira. Do acervo do Museu de Arte Popular (MAP) fazem parte peças de artesanato que há muito deixaram de se executar, constituindo por isso exemplares únicos que importa preservar.
Que destino terá a colecção museológica, bem como o arquivo e a biblioteca do MAP se o encerramento do museu se concretizar?
E que sentido faz deslocar este importante acervo para qualquer outro local, sabendo que o MAP foi projectado em função da colecção que alberga, constituindo por isso um exemplar arquitectónico-museológico sem igual (desde as peças de mobiliário expositivo aos vidros, passando pelos espaços – concebidos por arquitectos que passaram pela escola da Bauhaus, tudo no MAP está em relação com a colecção museológica)?
Para além disso, o MAP é, em si mesmo, um documento histórico incontornável para o estudo da história do Estado Novo; sendo um museu criado por um determinado contexto ideológico, e tendo vários museus do mundo, resultantes de contextos semelhantes, sido destruídos com a queda das ideologias que os originaram, o MAP é uma obra rara e importantíssima para o conhecimento e a compreensão da nossa história contemporânea.
Por último, os custos de requalificação do edifício. Nestes anos em que esteve parcial ou totalmente encerrado, o processo teve os seguintes encargos: 1ª fase: custo total – 2.889.000,00 euros
(comparticipação comunitária: 1.444.500,00 euros); 2ª fase: custo total – 822.266,84 euros (comparticipação comunitária: 509.805, 44); 3ª fase: 405.556,70 (comparticipação comunitária: 251.445,15); ou seja, a União Europeia e os contribuintes portugueses financiaram uma obra de renovação que, para todos os efeitos, não terá servido para nada. Ou, mais grave, para uma obra de requalificação de um edifício – Museu de Arte Popular – que agora, enganando os contribuintes e as instituições comunitárias, será utilizado para outros fins.
Por este meio lhe solicitamos que assine esta petição contra o encerramento do Museu de Arte Popular - um acto de verdadeira barbárie cultural, cego, sem estratégia e absolutamente grave contra um marco da cultura portuguesa do século XX. Nesta petição os subscritores:
1 – Manifestam a sua absoluta preocupação, como cidadãos e contribuintes, contra o fecho do Museu de Arte Popular, de um equipamento cultural raríssimo, último pavilhão completo da Exposição de 1940;
2 – Solicitam ao Ministério da Cultura, como cidadãos de um Estado Democrático, o esclarecimento da medida de encerramento do Museu de Arte Popular, bem como o destino a dar à sua valiosíssima colecção e ao edifício.
3 – Vêm manifestar a sua preocupação com o fecho de um edifício cultural cujas obras de requalificação custaram aos contribuintes nacionais e europeus 4116823,54 euros.
Pedro Sena-Lino
Rui Santos
Assine em UM ACTO DE BARBÁRIE - ENCERRAMENTO DO MUSEU DE ARTE POPULAR
SOBRE O ENCERRAMENTO DO MUSEU DE ARTE POPULAR
Em Abril de 2007 tinha já o Ministério da Cultura, através dos órgãos de comunicação social, levantado a hipótese de encerramento do Museu de Arte Popular (MAP), sem qualquer tipo de justificação, e designando que viesse ocupar o seu lugar um “Centro de Interpretação dos Descobrimentos”; meses depois vimos confirmado (?) esse desejo, indicando que, afinal, aí será instalado um “Museu da Língua Portuguesa”.
A decisão é – para além de errática -, absolutamente preocupante: não é dada qualquer indicação sobre o destino da valiosíssima colecção que o Museu alberga; não é comunicada nenhuma informação sobre o futuro do edifício, como obra de arte arquitectónica única do final do Modernismo português; e sequer, em período de contenção séria das finanças públicas e em que o cidadão é obrigado a cortes cegos no orçamento para a cultura, indicação do projecto ou montantes que envolve a criação do “Centro de Interpretação dos Descobrimentos” ou do “Museu da Língua Portuguesa”.
Tudo isto quando o Museu, obrigado a um encerramento forçado para obras durante seis anos – para obras de requalificação que o Estado Português não fazia desde… 1940 – não teve nem tem condições para provar, requalificado e capaz, a sua exequibilidade cultural e a sua utilidade.
O MAP – comecemos precisamente por aqui – é, ao momento, o único pavilhão sobrevivente da Exposição do Mundo Português, de 1940. Guarda no seu interior uma colecção única de arte popular das várias regiões onde se fez sentir a cultura portuguesa, e uma das mais inestimáveis: aquando da enorme exposição realizada no final dos anos 90 pela Fundação Calouste Gulbenkian em Jacarta, boa parte das obras aí presentes vieram da colecção do MAP.
Encerrado para obras há mais de seis anos, o Museu sofre de uma lateralização inacreditável e constante da parte da tutela: não tendo recebido obras de vulto desde 1940 – repetimos desde 1940 – para a preservação do edifício, que se ia desfazendo ao longo dos anos, foi necessário o seu encerramento para obras. O Estado nem zelou pela boa preservação da colecção, mantida dentro do edifício em obras sem que o Ministério facultasse qualquer tipo de material específico de conservação (cenário inacreditável num país europeu!). Com o desfavor da tutela ao longo dos anos, que por qualquer tipo de prejuízo mental ou cultural em relação ao edifício não acelerou os processos relacionados com a requalificação, o Museu não só esteve fechado ao público, como saiu das atenções do palco mediático.
Parecia configurar-se, para aqueles que conhecem a colecção e o edifício, aquilo que agora se veio a anunciar: a proposta autocrática do poder central de encerrar um marco inestimável da cultura portuguesa no centro de Lisboa.
Outro aspecto de suma gravidade é a desatenção à própria Arte Popular. O Museu é o único, a nível nacional, a recolher uma exposição exclusivamente dedicada a um tipo de Arte que representa tanto o país como o Cinema, a Fotografia, a Arquitectura; mas que parece ser considerada pelo Ministério da Cultura como um parente pobre, já que nenhuma justificação para o fecho do Museu é dada. Estaremos – não queremos crer – perante um Ministério que não considera como parte da sua tutela a Arte Popular, com uma visão da cultura imediatista? Se não são dados motivos para o encerramento do Museu de Arte Popular, nem sobre o destino da sua colecção, o sinal que o Ministério da Cultura dará para todo o país e para o resto do mundo é de uma visão cultural limitada e não inclusiva – facto de que as instituições europeias, que financiaram a requalificação do Museu, e por toda a Europa co-financiam Museus de Arte Popular – deverão ser cabalmente informadas.
Uma outra questão levanta-se em relação ao edifício do Museu: que sentido faz encerrar um museu que, segundo José Augusto-França, marca “com a proposta ideográfica da sua arquitectura, mais do que da sua decoração acessória, o fim do processo modernista em Portugal”? Instalado num dos pavilhões da Exposição do Mundo Português, o MAP foi projectado pelo Arquitecto Jorge Segurado e nele trabalharam artistas como Tomás de Melo (Tom), Estrela Faria, Manuel Lapa, Eduardo Anahory, Carlos Botelho e Paulo Ferreira. Do acervo do Museu de Arte Popular (MAP) fazem parte peças de artesanato que há muito deixaram de se executar, constituindo por isso exemplares únicos que importa preservar.
Que destino terá a colecção museológica, bem como o arquivo e a biblioteca do MAP se o encerramento do museu se concretizar?
E que sentido faz deslocar este importante acervo para qualquer outro local, sabendo que o MAP foi projectado em função da colecção que alberga, constituindo por isso um exemplar arquitectónico-museológico sem igual (desde as peças de mobiliário expositivo aos vidros, passando pelos espaços – concebidos por arquitectos que passaram pela escola da Bauhaus, tudo no MAP está em relação com a colecção museológica)?
Para além disso, o MAP é, em si mesmo, um documento histórico incontornável para o estudo da história do Estado Novo; sendo um museu criado por um determinado contexto ideológico, e tendo vários museus do mundo, resultantes de contextos semelhantes, sido destruídos com a queda das ideologias que os originaram, o MAP é uma obra rara e importantíssima para o conhecimento e a compreensão da nossa história contemporânea.
Por último, os custos de requalificação do edifício. Nestes anos em que esteve parcial ou totalmente encerrado, o processo teve os seguintes encargos: 1ª fase: custo total – 2.889.000,00 euros
(comparticipação comunitária: 1.444.500,00 euros); 2ª fase: custo total – 822.266,84 euros (comparticipação comunitária: 509.805, 44); 3ª fase: 405.556,70 (comparticipação comunitária: 251.445,15); ou seja, a União Europeia e os contribuintes portugueses financiaram uma obra de renovação que, para todos os efeitos, não terá servido para nada. Ou, mais grave, para uma obra de requalificação de um edifício – Museu de Arte Popular – que agora, enganando os contribuintes e as instituições comunitárias, será utilizado para outros fins.
Por este meio lhe solicitamos que assine esta petição contra o encerramento do Museu de Arte Popular - um acto de verdadeira barbárie cultural, cego, sem estratégia e absolutamente grave contra um marco da cultura portuguesa do século XX. Nesta petição os subscritores:
1 – Manifestam a sua absoluta preocupação, como cidadãos e contribuintes, contra o fecho do Museu de Arte Popular, de um equipamento cultural raríssimo, último pavilhão completo da Exposição de 1940;
2 – Solicitam ao Ministério da Cultura, como cidadãos de um Estado Democrático, o esclarecimento da medida de encerramento do Museu de Arte Popular, bem como o destino a dar à sua valiosíssima colecção e ao edifício.
3 – Vêm manifestar a sua preocupação com o fecho de um edifício cultural cujas obras de requalificação custaram aos contribuintes nacionais e europeus 4116823,54 euros.
Pedro Sena-Lino
Rui Santos
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