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quarta-feira, agosto 31, 2011

Vergonhosa entrevista dada por Luís Miguel Cintra ao jornal Público em 19.11.2010



O Teatro da Cornucópia recebe o maior apoio da Direcção-Geral das Artes (DGA): 689 mil euros previstos para 2011. Mesmo assim o seu director está preocupado com os efeitos dos cortes de 23 por cento (menos 158 mil euros). Luís Miguel Cintra, que não costuma falar sobre a política do sector, acusa o MC de agressão às companhias.
Estes cortes preocupam-no?

Preocupam-me muitíssimo. Para nós é um rombo gigantesco. Manter esta casa sai muito caro e resta muito pouco dinheiro para a produção. Só há duas soluções: ou somos ajudados pelos processos de co-produção, com entidades que possam pagar grande parte dos espectáculos, ou entramos no mercado e fabricamos produtos que se possam vender. E isso é muito difícil. O que é mais fácil de comprar, pelo menos na nossa terra, não são o género de coisas que fazemos, porque estas constituem um grande risco económico para as entidades. Ou, então, fazemos espectáculos de muito menor dimensão e que, de certa maneira, reduzem a expectativa em relação ao nosso trabalho. Isso é perverso, porque se pode chegar a uma situação onde nos perguntam: “porque vos estamos a subsidiar se o que produzem é só isto?”

É uma situação muito complicada da qual não sei como nos vamos conseguir safar.

Não é só grave para o Teatro da Cornucópia. É grave para muitas outras estruturas, porque é tudo proporcional. O problema será menor em grupos menores mas, quantitativamente, quando trabalham com orçamentos menores, acaba por ser tão pernicioso como o resto. A Ministra da Cultura pediu, no dia em que anunciou estas medidas, a cumplicidade dos agentes culturais, mas só podemos aceitar de bom grado estes cortes, se concordarmos com uma política que nos leve a aceitar sermos sacrificados em nome de qualquer coisa. Há uma agressão concreta à actividade das companhias subsidiadas, mas em nome de quê? Espero que a situação possa vir a ser revista, mas para já é uma agressão à actividade, e mais nada.

Uma agressão desatenta àquelas que são as responsabilidades de cada espaço?

Pois é, porque isso dá muito trabalho e exige um certo tempo e cuidado. Há pouco tempo veio uma notícia de um sector do Ministério onde se dizia que este queria ajudar a publicitar o trabalho subsidiado, fabricando um livro como fotografias e dados da companhia. Faziam um questionário e queriam que fizéssemos um currículo da companhia, tudo dados que existem nos relatórios do MC. Eu perguntei-me: mas então aqueles funcionários fazem o quê? Nada, só pedem que a gente faça mais um trabalho. Depois veio nova notícia, onde já não era um livro, porque não havia dinheiro, mas material para fazer um site. Mas o nosso site tem muito mais material sobre a Cornucópia do que aquele que vai ficar no site do Ministério. Portanto, o que é que vamos fazer, se nem sequer têm capacidade de ir buscar a informação ao nosso site? O que estamos é a justificar o salário que é dado aquelas pessoas que, talvez façam outras coisas para além disto, mas isto [que fazem] não é nada. É sintomático de como nos estão a exigir ainda mais trabalho a nós, para dar a aparência de que trabalham no Ministério.

Apesar de serem, desde há muito tempo, a companhia mais apoiada, disse sempre que queria a concurso para estar numa posição de igualdade com as outras companhias. Porquê?

Os concursos são muitos discutíveis, sobretudo, na altura em que vivemos. Não tenho a certeza de que seja a melhor forma de solucionar a questão, no momento e na situação em que o país está. Muitas vezes penso que seria preferível que o MC assumisse uma escolha, em vez de se estar a escudar atrás de júris que, no fundo, tem muita dificuldade me formar. Deve ser uma dificuldade imensa porque, as pessoas que estão envolvidas nas candidaturas não o podem ser, e as pessoas informadas e com capacidade de trabalho, análise e que conheçam os dossiers das companhias, são muito difíceis [de encontrar]. [Mesmo] os critérios são tão duvidosos quanto os do próprio ministro. Prefiro que seja o MC a dar a cara e a tomar decisões, sendo julgado pela sua acção cultural, [podendo] até ser muito apreciado ou recusado. E talvez aí as pessoas comecem a perceber como devem votar. [Se] eu estou a votar no Partido Socialista espero que ele corresponda à sua “marca”. Posso perceber que, afinal, o partido Socialista não era aquilo que eu pensava e, talvez da próxima vez, já não vote nele. Passados mais de 30 anos sobre a criação da companhia acha que as condições já deviam ser outras?

Completamente. Já devia ser mais do que reconhecido que prestamos mais do que um serviço, e que é útil ao público que existamos. Mesmo na própria classe este ponto de vista tem sido muito esquecido. As pessoas dentro do próprio teatro não ajudam a colocar a questão nos termos certos, fazendo crer na opinião pública que os subsídios são formas de garantir a subsistência das pessoas que estão metidas no teatro. Os apoios do MC não têm que ter esse critério, mas critérios de natureza cultural e de utilidade pública.

O que devia acontecer, do ponto de vista do MC, era a definição do que é que este considera útil para o usufruto do próprio cidadão. E aí, julgo que será consensual, mas teria de haver alguém que o assumisse, que o trabalho que temos feito, e a existência do Teatro da Cornucópia, é útil para a vida cultural do país.

Se estão a medir, como já têm aparecido algumas pessoas com responsabilidade política, o número de cidadãos tocado pela cultura, vão chegar à conclusão que a melhor coisa de utilidade cultural é, provavelmente, a música rock, os jogos de futebol e outras coisas do género, porque são as que têm mais público. Ora, não pode ser.

Tem que haver a noção de que a actividade cultural é uma coisa que demora muito tempo a ter efeito e que, de certa maneira é útil tal como a educação é útil.

Eu tenho noção de que a continuidade da Cornucópia influenciou o teatro português e a maneira de pensar de muitas pessoas, mesmo que não tenham visto os espectáculos. A influência funciona indirectamente. Mas para isso acontecer é preciso haver uma visão, e um desejo político verdadeiro, de que os cidadãos sejam pessoas de maior cultura, com maior capacidade de decisão, com maior sentido crítico, maior criatividade, etc. Isto são tudo critérios, este é um bem que muito poucos cidadãos reconhecem. O sistema está todo perverso. O que as pessoas pensam é em ter comida para comer, um automóvel bom, não terem que viver à custa de dívidas e outras coisas do género. Quando se vive numa sociedade em que muitas das coisas imediatas e essenciais escasseiam, é muito difícil fazer crer que as pessoas têm que ser mais inteligentes, têm que ter mais imaginação, mais prazer na vida, mais alegria, e por aí adiante.

Daí o perigo do argumento dos direitos adquiridos?

É por ser contra essa lógica que, justamente, gostaria de ser posto em situação de igualdade com os outros. Sou contra os direitos adquiridos porque esses conduzem à inércia. É a capacidade da actividade que mostra o que as pessoas se propõem fazer. Há pessoas que já deram tantas provas, e continuam a fazê-lo, que de certa maneira, podia-se incentivar isso.

Tenho tentado dizer isto a tantos ministros e eles não entendem: quem é que existe em actividade que possa ser útil ao fomento da criatividade púbica ou da cultura de toda a sociedade de que somos responsáveis? Deviam escolher e dar o máximo de condições a essas estruturas, para que o público usufruísse o máximo possível disso. A situação é sempre posta ao contrário. São sempre as pessoas [os agentes culturais] a ir pedir. Nós não devíamos pedir. Eles [o MC] é que nos deviam pedir a nós. Com certeza que [eles] se dão conta disso quando, de repente, têm que mudar os directores dos teatros nacionais e começam a ter que escolher quem é lá querem. Nessa altura eles usam o critério da escolha, já têm esse ponto de vista. Porque é que não o têm em relação a toda a actividade teatral? Há qualquer coisa aqui que não faz sentido.

No vosso caso o que é que estes cortes representam?

Não tive tempo para ver exactamente o que vai acontecer, porque estamos em estreia, as também porque não quero dar como dado assente que vai ser mesmo assim porque nem quero acreditar nisso. Imediatamente a seguir há uma co-produção com o TNDMII [“A Catatua Verde”, de Arthur Schnitzler, estreia a 17 de Fevereiro 2011] que, em princípio, se confirma. A programação daí para a frente, confirmando-se os cortes, terá que ser revista, porque sobra muito pouco dinheiro para produção. Este espectáculo [“Fim de Citação”, estreado ontem] funcionava como prólogo dessa programação. E, o que estava previsto era, de seguida, fazermos “A Varanda”, do Genet [estreia a 9 de Junho 2011], mas esta está ameaçada porque tem muita gente. Pensámos que estávamos amparados com “A Catatua Verde”, porque [eram, em parte] os gastos de produção do Nacional. Isso permitia fazermos a “Varanda”, sozinhos. Mas agora vai ser mais complicado porque o resto do dinheiro [que sobra] não existe. Já para não falar [no arranque da temporada] do Outono. No fundo temos que repensar tudo e medir até que ponto encontramos outras fontes de financiamento que possam completar e nos permitam fazer uma programação mais ambiciosa ou então reduzir completamente os objectivos.

Pondo em causa a razão pela qual tiveram o apoio que tiveram, que é o reconhecimento dessa qualidade.

A própria Direcção-Geral das Artes reconhece o problema. Na carta que nos mandam avisam: “atenção não baixem a fasquia”. Mas como é que podem querer que o façamos se existe menos dinheiro? É muito difícil. Mesmo a estrutura na qual funcionamos é muito precária, com poucas pessoas. Não tem comparação o nível de trabalho de secretaria que é exigido com o número de funcionários que existem para o fazer. Cada vez que vem mais um inquérito eu fico a pensar quem é que vai responder. Sobretudo se queremos fazer com um determinado critério, que é pessoal e pensado, mesmo nas mais ínfimas tarefas. Numa companhia como a nossa não há distinção entre o que é uma tarefa de um inteligente e de um burro. Todas são inteligentes. Se trata de se escolher fotografias, é uma tarefa de grande responsabilidade, não são umas fotografias quaisquer. Se se trata de redigir um press release a sua redacção é uma coisa muito importante. Não pode ser uma pessoa com formação pré-formatada para servir de relações públicas em qualquer sítio que pode fazer um press release da Cornucópia, porque se trata da relação com o público. Temos que fazer muitas coisas e com muito poucos funcionários que, para fazerem o que é necessário, teriam que ter uma formação muito especial. E isto ninguém entende.

Leu o comunicado da Plataforma das Artes?

Li. Basicamente estou de acordo com tudo aquilo que lá está. Mas é preciso ir mais longe. É demasiado reactivo e muito pouco afirmativo do que é que se quer verdadeiramente. O que deveria haver – mas é muito difícil quando é tanta gente haver pontos de vista comuns –, era uma espécie de projecto, de desejo, de nova relação do Estado com o teatro e as artes do espectáculo. Quem conseguiu isso foram os cineastas. No nosso caso ainda não o conseguimos e era muito importante consegui-lo, porque senão a atitude será sempre a de protestar contra umas coisas que “eles” fazem. Creio que devia ser: “nós queremos isto”. Mas isso é muito difícil fazer, até porque as condições nas quais as pessoas trabalham as obrigam a uma vida muito difícil. Eu tenho muito pouco tempo para ir a reuniões e estar a discutir uma tarde inteira. Não posso. É tudo muito complicado.Vão fazer greve?

Eu sou patrão, é muito esquisito eu fazer greve. O que nós vamos fazer, com certeza, é, por causa da greve não fazer espectáculo. Estamos [a direcção da companhia] a dar a possibilidade às outras pessoas [com contrato com a Cornucópia] que façam.

Atribuição dos subsídios ao teatro para os anos 2009-2012




Estes são os subsídios atribuidos pela Direcção Geral das Artes, no quadriénio de 2009-2012. Um escândalo.
Continua o compadrio, a atribuição constante de enormes somas de dinheiro a companhias que trabalham e fazem teatro para o seu úmbigo, para a meia dúzia de iluminados que lá vão e que, caso da Cornúcopia, fazem duas peças por ano, estando em cartaz, no máximo dos máximos, mês, mês e meio. Estas companhias não dão qualquer retorno à sociedade.
Não têm público (e agradecem... que horror, casa cheia é sinal de "comercial", palavra que abominam).
A minha consolação é saber que, como bolseiro de investigação, não pago impostos. E, por isso, o conforto de saber que nem um cêntimo do que lá está é meu.

A POLÍTICA DE ATRIBUIÇÃO DE SUBSÍDIOS ÀS ARTES, E AO TEATRO EM PARTICULAR, TEM DE MUDAR. CHEGA DE ALIMENTAR ABUTRES.

quinta-feira, maio 05, 2011

Memória Online - A SAPATEIRA PRODIGIOSA - RTP Memória - RTP

Memória Online - A SAPATEIRA PRODIGIOSA - RTP Memória - RTP

"A Sapateira Prodigiosa", é uma peça de teatro de autoria de Frederico Garcia Lorca, protagonizada por Amália Rodrigues, Varela Silva e Fernanda Borsatti.

Uma produção nacional de referência do ano de 1968, realizada por Fernando Frazão, e que conta também com a participação dos seguintes actores: Barreto Poeira, Costinha, Paulo Renato, Varela Silva, entre outros.

sábado, abril 16, 2011

Maria, Cavakov e Tudo o Mais - Companhia Teatral do Chiado

Maria, Cavakov e Tudo o Mais é a nova peça que a Companhia Teatral do Chiado de Juvenal Garcês estreou ontem, com grande êxito.

Esta peça, aprovada pelo PEC4 (Plano Entretenimento e Comédia), conta com o Pedido de Casamento de Anton Tchekhov, um poema de Alexandre O'Neill e muitas referências ao cinema mundo, aos inicios do cinema sonoro, a Buster Keaton, gestos e situações de Laurel & Hardy e houve até quem visse uma referência ao teatro de Lourdes Castro.

Seja como fôr, esta é uma aposta ganha por Juvenal Garcês que, paulatinamente, tem vindo a criar nos últimos anos uma "revolução estética" do seu modo de fazer teatro, onde "less is more" (veja-se, a exemplo, as peças Antes de Começar e Amor com Amor se Paga - Um acto teatral para Mário Viegas).

O bom gosto "grotesco" (parece contrasenso, mas não é), a enorme sensibilidade e humanidade que imprime nas personagens e um non-sense desconcertante mas comovente, são os trunfos de mestre das encenações de Juvenal.

Duarte Grilo é exímio na expressão corporal e utilização vocal, interpretando um "Noivo" hipocondriamente apaixonado até ao momento em que lhe metem a mão nas propriedades.

Fábio Sousa, a figura feminina da peça, constrói uma fogosa "Noiva", bipolar da doçura ao histerismo, com grandes momentos em cena, em que julguei estar perante uma marioneta.

João Carracedo, o "Pai e Sogro" e tudo o mais, interpreta com muito humor e à-vontade as situações em cenas e cabe-lhe o extraordinário momento dizer o discurso fúnebre a Cavakov, com palavras de Alexandre O'Neill.

Uma palavra para a brilhante execução do cenário, salientando um extraordinário coração-baloiço que nos remete a uma mistura de Moulin Rouge com um postal de amor dos anos 30.

No fim, rebuscando a velha tradição da Revista à Portuguesa, distribuí-se pelo público o refrão da letra de Chaplin - Smile - e assim, em perfeita comunhão, somos levados a cantar, a sorrir e amar, cada vez mais, o Teatro da Companhia Teatral do Chiado.

Em cena Sextas e Sábados, no Teatro Estúdio Mário Viegas (Chiado, Lisboa), às 21 horas.

quinta-feira, abril 14, 2011

Juvenal Garcês desafia a crise com a arma do riso



Porque rir é o melhor remédio – até para a crise que atravessamos – a Companhia Teatral do Chiado estreia dia 14 de Abril, às 21h00, no Teatro Estúdio Mário Viegas, em Lisboa, ‘Maria, Cavakov e tudo o mais!’, um espectáculo de humor burlesco que mistura textos de Anton Tchekov com músicas de Charlie Chaplin e a poesia de Alexandre O’Neill.

Assim que o pano sobe há um cómico, vestido de Charlot, que executa um número cómico sem palavras. Pouco depois, começa a falar: é ‘O Pedido de Casamento’, um dos dois pequenos textos que Tchekov escreveu em início de carreira e que Juvenal Garcês decidiu usar num espectáculo onde se conta uma história de amor e que terá, para contentamento geral, um final feliz.

“São textos muito bonitos, de que gosto muito, e que decidi juntar neste espectáculo que é uma espécie de manta de retalhos bem cosida, onde o humor e a poesia se juntam”, explica o encenador, que volta a usar a colagem para a construção de um trabalho de entretenimento a lembrar os espectáculos de cabaret.

Quanto ao sugestivo título, saiba-se que ‘Maria’ e ‘Cavakov’ são os nomes dos simpáticos cães que entram neste espectáculo para roubar a cena aos actores e que, no contexto da acção, são pretexto para discussões entre os heróis Natalya e Ivan.

Para o encenador Juvenal Garcês este é “o espectáculo certo para o momento”, antídoto à depressão que assola o País. “Já que a política não parece salvar-nos, talvez o teatro o faça: é preciso rir e é preciso reagir”, diz.

Em palco, o espectador encontrará os actores Duarte Grilo, Fábio Sousa e João Carracedo. Ver às sextas e sábados, sempre às 21h00.

Fonte: Correio da Manhã

segunda-feira, agosto 30, 2010

"A Súplica", de Fernando Dacosta, na voz de Carmen Dolores

(fotografia de Manuel Luís Cochofel)


Da rádio Antena 2 - Retransmissão do programa Tempo de Teatro realizado por Eduardo Street, em 1985. Texto "A Súplica" de Fernando Dacosta, adaptado por Filipe la Féria. Interpretação da actriz Carmen Dolores.

domingo, junho 27, 2010

"Entre Nós e as Palavras", o dever de ver esta peça

(clique na imagem para aumentar)
Crítica da revista Visão à peça de homenagem a Mário Viegas, patente no Teatro Estúdio Mário Viegas, no Chiado.

segunda-feira, maio 24, 2010

Amor com Amor se Paga (Um Acto Teatral Para Mário Viegas)



Na passada sexta-feira estreou na Companhia Teatral do Chiado mais uma produção teatral levada a cena no Teatro Estúdio Mário Viegas. Mas esta não é uma estreia como as outras. É, acima de tudo, a homenagem de um amigo a outro amigo através da palavra, do corpo, da voz e do vinho: audição, tacto, visão, paladar e olfacto. Tudo está presente… mais o Amor.

Amor com Amor se Paga (Um acto teatral para Mário Viegas) é, antes de mais, a forma como Juvenal Garçês (co-fundador com Mário Viegas da Companhia Teatral do Chiado e encenador deste espectáculo) se lembra de Mário Viegas e do modo como este via e queria o Teatro. E só um grande amigo (o melhor amigo) nos poderia mostrar a sensibilidade, o humanismo, a loucura sã da comédia e da tragédia do outro.

Ver este espectáculo é abrir um Diário pessoal de emoções e recordações… ver este espectáculo é participar num acto de generosidade e de partilha.

Amor com Amor se Paga (Um acto teatral para Mário Viegas) compõe-se de um conjunto de actos teatrais de Anton Tchékhov (O Pedido de Casamento, A gaivota e A Corista), August Strindberg (O Sonho), Henrik Ibsen (uma frase) e Karl Valentin (O Chapeleiro, O Aquário e Vende-se Casa) e de um poema de Mário Cesariny (You are welcome to Elsinor). Os contos são traduzidos e adaptados pelo próprio Mário Viegas e Manuela de Freitas.

Do elenco fazem parte Alexandra Sargento (belissimas representações no Pedido de Casamento, Corista e Chapeleiro, detentora de uma mimica facial poderosa), Emanuel Arada (“transformista” na Corista, cómico no Chapeleiro e emocionante na cena final), João Carracedo (um noivo inesperado em Pedido de Casamento, um extraordinário explicado em Aquário e um imobiliário notável em Vende-se a Casa) e Manuela Cassola (a quem cabe a mais surpreendente cena de todo o espectáculo, de uma inspiradora - ou inspirada? - beleza estética visual e auditiva e de uma sensiblidade comovente, apanágio, aliás, de Juvenal Garcês).

Amor com Amor se Paga (Um acto teatral para Mário Viegas) é irresistível. Obrigatório. Absurdo. Riso. Absoluto. Canto. Choro. Completo. Aplauso. Respiração. Cortante. Emocionante. Juvial. Juvenal. Maior. Mário.

Interpretação: Alexandra Sargento, Emanuel Arada, João Carracedo, Manuela Cassola
Encenação: Juvenal Garcês
Escolha de Figurinos: Luciano Cavaco
Assistência de Encenação: Aritz Bengoa
Contra-Regra: Aritz Bengoa
Produção: Companhia Teatral do Chiado
Direcção de Produção: Luís Macedo
Marketing e Comunicação: Nuno Santos
Responsável de Bilheteira: Duarte Nuno Vasconcellos
Bilheteira: Ana Filipa Neves, Joana Barreto
Gestão de conteúdos da página na internet: Duarte Nuno Vasconcellos

Local: Teatro-Estúdio Mário Viegas
Em cena de 2010-05-20 a 2010-06-25
Horário: Sextas às 22h

segunda-feira, abril 26, 2010

Amor com Amor se Paga (Um acto teatral para Mário Viegas)



Amor com Amor se Paga (Um acto teatral para Mário Viegas) é uma peça, ou melhor, é um conjunto de actos teatrais, que se assumem no seu todo como uma sentida homenagem ao co-fundador da Companhia Teatral do Chiado no ano em que esta comemora 20 anos de actividade artística.
Juvenal Garcês assume-se como o Mestre de Cerimónias deste espectáculo, acumulando a função de encenador e "aparador" de textos da autoria de Anton Tchékhov, August Strindberg, Henrik Ibsen e Karl Valentin.
Sempre de uma forma cómica, o espectáculo aborda temas como o amor, a desilusão e a perda. É a transposição cénica da máxima de Mário Viegas: "A vida é uma anedota muito séria". É o espectáculo que teria posto Mário Viegas a chorar a rir e a rir de tanto chorar. Mas sempre a rir.

Interpretação: Alexandra Sargento, Emanuel Arada, João Carracedo, Manuela Cassola
Encenação: Juvenal Garcês
Escolha de Figurinos: Luciano Cavaco
Assistência de Encenação: Aritz Bengoa
Contra-Regra: Aritz Bengoa
Produção: Companhia Teatral do Chiado
Direcção de Produção: Luís Macedo
Marketing e Comunicação: Nuno Santos
Responsável de Bilheteira: Duarte Nuno Vasconcellos
Bilheteira: Ana Filipa Neves, Joana Barreto
Gestão de conteúdos da página na internet: Duarte Nuno Vasconcellos

Local: Teatro-Estúdio Mário Viegas
Em cena de 2010-05 a 2010-07
Horário: Sextas às 22h

Classificação: M/12

Estreia em Maio

Amor com amor se paga (um acto teatral para Mário Viegas) é o novo espectáculo da Companhia Teatral do Chiado (CTC), que estreia a 14 de Maio. No ano em que comemora 20 anos, a CTC leva agora à cena uma verdadeira homenagem ao actor e co-fundador da companhia, Mário Viegas.

A CTC sempre se apresentou, nas palavras de Mário Viegas, como uma companhia de teatro "a pensar nas pessoas normais e não naquelas que já sabem tudo".

Para fazer jus a essa afirmação, o espectáculo que agora sobe ao palco apresenta três contos de Anton Tchékov, um dos maiores escritores do século XIX, três contos de Karl Valentin, um excerto do texto O Sonho de August Strindberg, uma frase de Henrik Ibsen e um poema de Mário Cesariny. Alguns dos maiores nomes do teatro do séc. XX todos adaptados com grande sentido de humor e acessível a todos.

O Pedido de Casamento, A gaivota e A Corista (de Anton Tchékov), O Chapeleiro, O Aquário e Vende-se Casa (de Karl Valentin) são os contos adaptados e traduzidos por Mário Viegas e Manuela Freitas, que vêm agora à cena pelas mãos do encenador Juvenal Garcês.

Dois jovens namorados incapazes de planear um futuro feliz, uma senhora casada com um velho general que se confessa a um jornalista mundano, são algumas das personagens interpretadas por Alexandra Sargento, Emanuel Arada e João Carracedo, caricaturando o nosso quotidiano de forma divertida e irónica.

Este conjunto de contos e textos de autores de referência adaptados de forma irreverente por Juvenal Garcês revelam um grande sentido de humor perante a vida, tão característico do Mário Viegas.

Os bilhetes vão estar disponíveis para venda a partir de dia 3 de Maio no site da Companhia, em toda a rede Ticketline e Blue Ticket. Inclui um copo de vinho, para brindar ao actor Mário Viegas.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Amélia Rey Colaço - 1927



"Amelia Rey Colaço, uma individualidade com ideias proprias, com exigências de estética, tem querido atirar-se para o campo largo da realisação livre. Recordo neste momento a forma verdadeira e expontanea como ela ergueu e viveu os quadros de "É preciso viver!..." Mas a porta ferrea, de grossas e pesadas cadeias, que dá para o campo livre, intimida-a. Teme pelo publico, teme pelos seus companheiros.

Mas dia virá em que Rey Colaço sentirá a atracção irresistivel, levantará a aldraba e não se arrependerá."
Texto de Carlos Abreu - in: Magazine Bertrand - 1ª ano, Nº 1, 2ª Série, Janeiro de 1927.

sábado, novembro 14, 2009

Teatro - A Dama de Copas e o Rei de Cuba - Companhia Teatral do Chiado



A Companhia Teatral do Chiado, residente no Teatro Estúdio Mário Viegas - Lisboa, estreou na passada Quinta-Feira, 12 de Novembro, a sua mais recente produção: A Dama de Copas e o Rei de Cuba, do sociólogo brasileiro Timochenco Whebi.

Juvenal Garcês - Director da CTC e encenador deste espectáculo - no seu breve discurso de estreia desta peça, referiu que a mesma é o pontapé de saída para a comemoração dos 20 anos da Companhia Teatral do Chiado e que a escolha deste texto não foi inocente. Timochenco Whebi, falecido há uns anos, foi grande amigo de Mário Viegas que nunca teve a oportunidade de encenar uma peça do amigo do "país irmão". Esta era a altura ideal. E a oportunidade de levar à cena um texto em lingua portuguesa.

Juvenal Garcês teve ainda a oportunidade de referir que esta peça foi levada à cena em Portugal, pela mão de Raul Solnado, no dia 22 de Abril de 1974. Três dias depois deu-se a Revolução dos Cravos e a oportunidade do êxito esfumou-se.

E o que dizer desta peça? Tiro certeiro, escolha acertada. Trata-se de um grande texto, escrito para uma realidade das favelas brasileiras mas aqui com uma excelente adaptação à realidade popular portuguesa, realidade popular citadina.

Três personagens muito bem construidas e conseguidas, quer na consistência quer na interpretação - Alexandra Sargento (Zinha), Cristina Basílio (Tita) e Pedro Saavedra (Avelino).
A acção desenrola-se num qualquer quarto de uma qualquer pensão da cidade de Lisboa, onde habitam duas personagens muito diversas mas com um ponto em comum - a solidão e a tentativa de fuga da mesma. Carlos Porto, critico de teatro, quando da estreia em 1974, referiu que esta peça era uma "comédia amarga". Nada mais certo. O segundo acto é, em certas cenas, altamente triste e comovedor.

São duas personagens femininas antagónicas, onde o cordeiro em pele de lobo (e vice-versa) assenta que nem uma luva.

O cenário é irrepreensível, onde as diferenças entre as personagens se notam até no mobiliário.

A escolha musical, apanágio aliás de qualquer encenação de Juvenal Garcês é comovedora e acertada. Amália Rodrigues, com "Formiguinha Bossa Nova" dá o arranque.

A encenação de Juvenal Garcês não apresenta uma única falha e, aqui, a sua imaginação e "sexto sentido" revela-se ao mais alto grau do bom-gosto e da inteligência, nunca caindo no óbvio e no brejeiro, caminho que seria de todo errado mas o mais fácil para o texto em questão.

As referências ao imaginário religioso português - como, não tenho dúvidas, no brasileiro - são uma constante na peça. Quer na referência à Procissão da Senhora da Saúde, quer no sonho de Zinha (onde uma Nossa Senhora aparece - cena de teatro brilhante), ou ainda, no final da peça, na Pieta de Zinha com Avelino (momento de celebração do Kitsch e de um certo imaginário Pierre Et Gilles).

O momento que elejo dos mais comoventes ao longo da peça, foi quando Tita abre uma caixinha de música e põe-se a danças ao som da música. Essa caixinha havia sido já usada por Lia Gama na peça que inaugurou a nova e bonita sala do Teatro Estúdio Mário Viegas - Oh Que Ricos Dias. Inocente ou não, esta caixinha de música marca uma nova etapa da Companhia Teatral do Chiado e do próprio Teatro em Portugal.

Só posso reforçar a escolha acertada de Juvenal Garcês, a sua encenação, os cenário e figurinos, a interpretação das actrizes. O extraordinário texto.

Parabéns Juvenal Garcês e a toda a Companhia Teatral do Chiado por este trabalho e pelos extraordinários 20 anos a encantar Portugal com o que de melhor se faz em Teatro.

Não percam esta peça: Quintas, Sextas e Sábados, às 21 horas, no Largo do Picadeiro, Chiado, Lisboa - Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas

Interpretação: Alexandra Sargento, Cristina Basílio, Pedro Saavedra
Encenação: Juvenal Garcês
Adaptação: Juvenal Garcês, Luciano Cavaco
Cenografia: Luciano Cavaco
Figurinos: Luciano Cavaco
Desenho de Luz: Vasco Letria
Sonoplastia: Sérgio Silva
Assistência de Encenação: Aritz Bengoa
Contra-Regra: Aritz Bengoa
Produção: Companhia Teatral do Chiado
Direcção de Produção: Luís Macedo
Marketing e Comunicação: Nuno Santos
Responsável de Bilheteira: Duarte Nuno Vasconcelos
Bilheteira: Ana Filipa Neves, Joana Barreto
Gestão de conteúdos da página na internet: Duarte Nuno Vasconcelos

terça-feira, agosto 04, 2009

As Obras Completas de William Shakespeare chegaram hoje aos 200 Mil Espectadores



Há fenómenos extraordinários que não se explicam... ou talvez se possam. Este de que vos irei falar talvez se consiga.

Falo-vos dos 12 anos em cartaz da peça de teatro As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos, em cena desde então no Teatro Estúdio Mário Viegas, em Lisboa. E do impressionante número de 200.000 (duzentos mil) espectadores, atingidos em 03 de Agosto de 2009. E do não menos incrível número de digressões: 154. Trata-se do maior sucesso teatral de sempre em Portugal, em longevidade, público e digressões.

Como é que uma peça de teatro consegue manter, durante tanto tempo, o interesse do público, mantendo a frescura, a surpresa e a saudável "loucura", criando este enorme êxito?

Em primeiro lugar, o nome da peça. William Shakespeare é um nome por todos reconhecido mesmo para aqueles que julgam que Gil Vicente é apenas um clube de futebol. E ainda por cima, em 97 minutos, vêem-se as peças todas. E é assaz sabido que o português gosta disso. Despachar tudo no menor tempo possível. Afinal de contas, quantos de nós leram realmente os Os Lusíadas de Camões ou os Maias do Eça de uma ponta a outra? Muito poucos eu diria. Quem teve de ler na escola estes dois "calhamaços" fê-lo com toda a certeza pelos livrinhos fininhos de capa amarela e preta da Europa-América que resume tudo e ainda nos dá umas dicas de resposta para qualquer pergunta saida num exame. Tudo no menor esforço.

Depois, claro está, o sucesso da peça deve-se a Juvenal Garcês. Homem de teatro no sangue, fundou com Mário Viegas a Companhia Teatral do Chiado sendo esta peça a melhor homenagem ao maior actor do Teatro português do século XX. Inteligente, cómica e conta com a ajuda do público. Público esse que Mário Viegas respeitava e para quem trabalhava.

Em terceiro lugar, o sucesso deve-se à sua estrutura simples. Duas entradas (e saídas) e três actores em palco que, num ritmo estonteante e figurinos diversos, transportam-nos para as diversas personagens criadas por William Shakespeare. Falas dos próprios textos de Shakespeare, improvisos e referências actuais, vão fazendo o "up-grade" na estrutura textual da peça e aproximam o novo público à mesma.

Mas como não há teatro sem actores, cabe talvez a estes a maior responsabilidade do sucesso dos 12 anos desta peça. Nestes 12 anos, as Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos contaram já com 4 elencos diferentes (neste momento tem o elenco original com que estrearam a peça em Portimão, no Algarve) mas um manteve-se estoicamente desde a primeira representação até à actual. Refiro-me a Simão Rubim, rosto mais visível e reconhecível deste enorme sucesso. O homem das mulheres desta peça.

Estou convencido que a ele se devem, pelo menos, 6 anos dos 12 em que a peça se mantém em representação. Actor versátil, dinâmico, inteligente e imprevisível, mostra durante toda a representação a alegria que é o Teatro, mantendo a critica social e política acessa, especialmente quando chega o momento do seu stand-up comedy - trinta minutos bónus de teatro em que toma conta do palco, agiganta-se e leva o público a uma viagem inesquecível ao Portugal "dos pequeninos" fazendo, com a maior inteligência, a crítica mordaz ao mundo político, económico, social, cultural e religioso do nosso país. À boa maneira, aliás, do seu primeiro Mestre - Mário Viegas.

Estes são, para mim, os 4 factores principais que justificam o êxito desta peça. Ou talvez não sejam sequer estes. Não importa. O que interessa é que esta foi mais uma aposta ganha para a Companhia Teatral do Chiado, os seus actuais directores, actores, técnicos de som e luz, cenografos, figurinistas, produtores e, acima de tudo, a prova de que o público português não dorme e ainda consegue, como noutros tempos, separar o "trigo do joio".

A todos os meus mais sinceros parabéns e o meu infinito obrigado.


E agora, palavras de Carlos Fragateiro (ex-director do Teatro da Trindade e do Teatro Nacional D. Maria II), retiradas da página pessoal do Facebook do actor Simão Rubim (a quem foi pedida licença de retirar este excerto):
"Um caso destes é exemplar num panorama teatral português que vive centrado no umbigo dos criadores, sem nenhuma preocupação com os públicos, ou com o sentido de serviço público, ainda que seja um teatro fortemente subsidiado. O vosso sucesso tem que ser gritado por todo o lado, o vosso exemplo tem que ser tratado como um caso de referência, para que as coisas comecem a mudar, e as migalhas da cultura não continuem a ser distribuidas por projectos e obras que só interessam ao ego de quem as faz."

sábado, março 07, 2009

O Inspector Geral - Teatro Cine-Arte A Barraca


Recomendo vivamente. Duas horas e meia de muita gargalhada, numa sátira política, social e familiar assustadoramente actual.
João d'Ávila é um Presidente de Câmara corrupto, despota e rídiculo, de uma qualquer província.
Sabe-se, por uma carta, que um Inspector-Geral - mandado pela capital - irá chegar a qualquer momento à vila.
Começa o drama. O Tribunal que não funciona há anos, o hospital imundo, as ruas uma lixeira, tudo virado do avesso. O Presidente manda limpar a cidade, Tribunal e hospital. E se o dinheiro não chegar... "usem o do saco-azul".
Dois labregos informam o Presidente que está na estalagem um hóspede há duas semanas, que não paga mas manda. ERA O INSPECTOR-GERAL... pensam...
E o melhor começa a partir daqui... equivocos, seduções, traições, festões...
O Inspector-geral mostra um João d'Ávila num registo altamente cómico, vencendo e segurando o papel muitissimo bem.
Maria do Céu Guerra é uma mulher ambiciosa, fogosa e muito, muito, provinciana... mas não muito mais que muitas das citadinas. Um registo cómico muito muito bom... de grande "mérito".
O restante elenco, melhor ou pior, aguenta bem a peça e levando-nos a bons momentos de comédia.
Um texto genial... cómico e muito sério, como tudo o que é caricatural.

Ficha Artística e Técnica

Texto de Nikolai Gogol
Espectáculo de Maria do Céu Guerra
Cenário de Maria do Céu Guerra realizado por Mário Dias
Música e Direcção Musical de António Victorino d’ Almeida
Com: Maria do Céu Guerra, João D'Ávila, Adérito Lopes, Carla Alves, Jorge Gomes, Pedro Borges,
Rita Fernandes, Sérgio Moras, Sérgio Moura Afonso, Susana Costa
participação especial: António Rodrigues e ao piano Madalena Garcia Reis
Poemas: Miguel Martins
Movimento: Catarina Santana
Vozes: Mariana Abrunheiro
Narizes: Inês de Carvalho

Montagem e Carpintaria: Mário Dias
Luminotecnia: Fernando Belo
Sonoplastia: Rui Mamede
Costureira: Inna Siryk
Apoio Técnico: Luis Thomar e José Carlos Pontes
Apoio Pintura e Cenário: Anna Trotinetkaia
Relações Públicas e Produção: Elsa Lourenço, Inês Aboim
Bilheteira: Inês Marques
Secretariado: Maria Navarro
Fotografias: Luís Rocha - MEF

Horário
5ª a Sábado às 21h45
Domingo às 17h00
na sala 1 do TeatroCinearte
de 6 de Março a 31 de Maio de 2009
M/12