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quinta-feira, setembro 13, 2007

Teatro: A Bíblia - Toda a Palavra de Deus (Sintetizada) - Teatro Estúdio Mário Viegas

A nova encenação de Juvenal Garcês a ver no Teatro Estúdio Mário Viegas, a partir de 20 de Setembro - Quinta, Sexta e Sábado às 21 h.

sábado, agosto 11, 2007

Promoção às três Comédias da Companhia Teatral do Chiado em cena no Teatro-Estúdio Mário Viegas - CTT - CHIADO

A Próxima Grande Produção da Companhia Teatral do Chiado


A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)

(The Bible: The Complete Word of God (abridged))
de Reed Martin, Austin Tichenor, Adam Long (os mesmos do ENORME êxito As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, em cena há 12 anos na Companhia Teatral do Chiado)

A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (sintetizada) - eis o título da nova produção da Companhia Teatral do Chiado, um espectáculo de comédia hilariante, dirigido e encenado por Juvenal Garcês, que promete pôr todos os portugueses a rir a bandeiras despregadas. Da autoria de Adam Long, Reed Martin e Austin Tichenor, este espectáculo resulta duma leitura muito particular dos textos da Bíblia e apresenta uma versão condensada dos principais episódios narrados nos livros bíblicos, do Génesis ao Apocalipse. Sem nunca perderem o humor, João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiro encarnam, numa velocidade de cortar a respiração, as cenas mais emblemáticas da Bíblia, da criação do Homem ao sacrifício de Isaac por Abraão, do dilúvio e da Arca de Noé aos milagres de Jesus Cristo, passando pelo duelo entre David e Golias, Moisés e as Tábuas dos Mandamentos e a viagem dos Reis Magos, entre muitos outros.

De uma irreverência e comicidade inigualáveis, num estilo a que Juvenal Garcês e a Companhia Teatral do Chiado vêm habituando desde há muito o seu público, este espectáculo oferece uma reflexão condimentada de muito humor sobre algumas das questões suscitadas pelos textos sagrados e pelo Cristianismo, desmistificando sem desrespeitar, parodiando sem satirizar. Este espectáculo pede do público o que o teórico da comédia Neil Schaeffer descreve como uma suspensão das regras segundo as quais vivemos: as leis da natureza, as restrições da moralidade, o pensamento lógico, as exigências da racionalidade. O que A Bíblia (sintetizada) pede, à semelhança aliás do êxito As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, da mesma equipa de autores, é, pois, uma suspensão da seriedade e uma entrega sem pudores ao discurso humorístico da obra, à genialidade da encenação e à irrepreensível qualidade das interpretações.

Interpretação: João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro, Tobias Monteiro
Encenação: Juvenal Garcês
Tradução: Célia Mendes, Patrícia Marques
Dramaturgia: João Craveiro, Juvenal Garcês, Paulo Duarte Ribeiro, Tobias Monteiro
Cenografia: Ana Brum
Figurinos: Ana Brum
Música: João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro
Desenho de Luz: Vasco Letria
Desenho de Som: Sérgio Silva
Adereços: Ana Brum
Contra-Regra: Ana Brum, Bruno Monteiro
Produção: Companhia Teatral do Chiado
Direcção de Produção: Luís Macedo
Marketing e Comunicação: Nuno Santos
Frente de Casa: Bruno Monteiro
Responsável de Bilheteira: Bruno Monteiro
Bilheteira: Cátia João, Mafalda Melo
Página na Internet da CTC: Bruno Monteiro

Local: Teatro-Estúdio Mário Viegas
Em cena a partir de 2007-09-20
Horário: Quintas, Sextas e Sábados, às 21h

Classificação: M/12

Uma comédia de bradar aos céus!!! Bilhetes já à venda!!!

BLOG: http://www.abibliasintetizada.blogspot.com/

terça-feira, julho 10, 2007

Retrato de Amélia Rey Colaço na revista Arte Peninsular, Ano 1, nº 1, Janeiro de 1929

domingo, abril 22, 2007

As Vampiras Lésbicas de Sodoma no "Aplauso Brasil"

Imagens do Primeiro Aniversário da Estreia da Peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma

No APLAUSO BRASIL - uma das mais importantes edições culturais da América do Sul - saiu uma critica ao espectáculo AS VAMPIRAS LÉSBICAS DE SODOMA, escrita por Michel Fernandes (mailto:michelfernandes@superig.com.br), um dos críticos de teatro mais respeitados do Brasil.

De seguida transcreve-se, no original, o texto da crítica editado em Aplauso Brasil


"Michel Fernandes, "Vedetismo é satirizado pela Cia Teatral do Chiado"

LISBOA – Quais os limites entre o ego e a imortalidade? Para os ególatras a imortalidade é o objetivo, para o autor e ator Charles Buch, a imortalidade é um dos itens de que se serviu para escrever “As Vampiras Lésbicas de Sodoma”, que a Companhia Teatral do Chiado apresenta, há quase um ano, sempre com casa lotada, no Teatro-Estúdio Mário Viegas.

As “Vampiras Lésbicas”, protagonistas da trama, são duas vedetes que se alimentam do sangue de virgens e da glória dos palcos e são alimento cômico a esta sátira.

Rita Lello vive uma virgem que é deixada na cripta do terrível monstro Sucubo, uma vampira lésbica interpretada pelo divertido ator Simão Rubim, que se alimenta, apenas, sugando o sangue de donzelas que ainda desconhecem os prazeres da carne. Este prólogo se passa na bíblica Sodoma. Os Guardas Hujar (João Carracedo) e Ali (Tobias Monteiro) são os carrascos que trouxeram e prendem a virgem até o despertar do Terrível Monstro Sucubo (substantivo que nomeia a vampira e que acaba por servir de elemento cômico, já que a Virgem não consegue falar o nome, sequer uma vez, corretamente). A Virgem tenta seduzir os soldados para perder o que lhe faz presa do Monstro Sucubo, a virgindade, mas não consegue.

Dividido em dois atos e um prólogo, sem, no entanto, haver intervalos, a mudança de atos – e períodos em que transcorre a trama, já que a imortalidade lhes é consagrada pelo vampirismo – ocorre pelo fechar e abrir cortinas e uma música que se ouve enquanto as cortinas não são abertas e há uma mudança de cenários nos bastidores.

Como se nota pela descrição, o encenador Juvenal Garcês foge de efeitos mirabolantes, focalizando seu interesse no desempenho do elenco. E alcança êxito cumprindo seus objetivos. Não tardam a ouvirem-se constantes gargalhadas e, até, aplausos em cena aberta.

O primeiro ato transcorre aproximadamente entre as glamourosas décadas de 1950 e 1970 (início) – segundo informações, é uma referência à época de ouro do Parque Mayer, espécie de mini-Broadway lisboeta – e traz em cena a glamourosa La Condessa (o ótimo ator Simão Rubim, O Monstro Sucubo, tornado vedete).

É um dia agitado em que La Condessa receberá a importante jornalista Gabriela Viperina (Manuel Mendes) e, enquanto se prepara, recebe a visita de Idalina de Jesus de Oliveira (Tobias Monteiro, agora na pele duma grã-fina sem medo de fazer o necessário para atingir seus objetivos), admiradora e afilhada pela Condessa para o mundo da fama, que traz a tira-a-colo seu noivo, Gastão (João Carracedo), com quem não cansa de brigar e chamar de “parvalhão”.

Pra apimentar o dia, La Condessa recebe a inesperada visita da ex-virgenzinha, agora, Madalena Astarté (Rita Lello), uma famosa atriz francesa contratada por Vasco Morgado (referência a um antigo e importante produtor de teatro e cinema), que deseja roubar o pedestal da glória de La Condessa para si, e revela que, ao ser mordida, em Sodoma, pelo Monstro Sucubo, também mordeu suas veias e sugou sua imortalidade e desejo frenético pela fama e sucesso no showbiz.

Chega enfim a enigmática Gabriela Viperina, mas deixo ao sabor do público desvendar. Nesta primeira parte cabe, entretanto, destacar o ator João Craveiro e suas sutis transformações de sóbrio mordomo a uma desvairada transformista.

Aliás, o transformismo é a fórmula utilizada por Buch, o autor, para tratar de maneira divertida os assuntos de suas peças. E não é só o transformismo, é a afetação com que as personagens são interpretadas, uma afetação própria das divas, ou melhor, das aspirantes a divas, mas que, na verdade, não conseguem a imortalidade do estrelato. A Não ser sanguessugas como as personagens vividas por Simão Rubim e Rita Lello.

Numa espécie de metalinguagem, Dorival, assistente de palco brasileiro, afeminadíssimo, numa composição inesquecível e muito engraçada do ator João Craveiro, a cena ocorre na cidade do Porto, nos dias atuais, nos bastidores de um teatro que tenta montar um musical – aqui vale a nota de que o Porto tenta, sem êxito, montar e emplacar um musical.

Garcês não tem pudores nem melindres, o encenador – que traz um colorido que recorda Pedro Almodóvar – faz piada com os musicais – que não estão em evidencia só no Brasil – e com a afetação disparatada das “damas do showbiz”.

E, nesta parte da trama, a tal virgenzinha inocente de Sodoma é a poderosa Madalane Andrade, estrela dos musicais. Ela contrata Mariza, uma atriz muito burra, com sotaque estridente e com um currículo lastimável.

Tobias Monteiro dá vida à Mariza com tamanha verdade e simpatia que arranca muitas gargalhadas e cria grande empatia com o público.

Apesar das tentativas de Madalane, Mariza não consegue acertar e a mulher da limpeza, na verdade o estado em que se encontra o Monstro Sucubo (Simão Rubim), ajuda, com sua hábil e imperceptível a Mariza, fazer com que a crônica burrice da moça se torne insustentável para Madalane.

O jeito é as duas unirem sua gana pelo sucesso. Elas, Lello e Rubim, decidem fazer um show à la Velma Kelly e Roxie Heart, do musical “Chicago”. Mas, ao invés de um show protagonizado por duas pistoleiras, esse será protagonizado pel’ “As Vampiras Lésbicas de Sodoma”.

P.S. “As Vampiras Lésbicas de Sodoma” acaba de ser indicada ao Globo de Ouro, prêmio de significativa importância em Portugal, na categoria de Melhor Espetáculo, o que dá ao espetáculo merecido reconhecimento e comprova que o corpo de jurados do prêmio não é preconceituoso em relação à comédias.

[Nota: Respeitou-se na íntegra a redacção da crítica escrita nas normas ortográficas do Brasil]"

sexta-feira, abril 20, 2007

Vampiras Lésbicas de Sodoma mordem há um ano

Depois do sucesso das "Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos", a Companhia Teatral do Chiado voltou a encantar o público português. Entre terror, glamour, travestis e muitas gargalhadas, "As Vampiras Lésbicas de Sodoma" já estão em cena há um ano. - in: jornal "Expresso" on-line.

sexta-feira, abril 06, 2007

A Extraordinária Arte de (Saber) Representar


Não se tem "Dúvida" alguma que este se trata de um enorme texto. Fala de tabús, da moralidade e do dever versus a realidade (normalmente dura, cruel, onde há subjugadores e subjugados, fortes e fracos, os que têm e podem e os que não têm e não podem.
Texto profundo, limpo do acessório, irónico e central.
A encenação de Ana Luísa Guimarães é muito bem conseguida, linear, contida, nada pretensiosa.
O cenário é muito bom, claustrófico q.b., fechado e em cunha, mas sempre iluminado com um feixe de luz... Deus?
Como referiu o Fernando D., para o Teatro só são necessárias duas coisas: as palavras do autor e o corpo do actor. Concordo.
Quanto às palavras não há a menor "Dúvida" de que se está perante um grande texto - vencedor do prémio Pulitzer 2005". E quanto aos actores?
A Eunice Muñoz dá uma grande lição da arte de representar naquele palco do Maria Matos. De uma força impressionante, irónia e com imenso sentido de humor, Eunice Muñoz é uma lição viva do que deve ser o ofício da representação e interpretação, de como se está num palco, a forma de dizer as palavras, de mexer corpo. Uma vivacidade comovente que nos convençe, a cada segundo, de que ainda muito tem para oferecer aos palcos portugueses. Chegou mesmo a ser presenteada com uma ovação no final de umas das cenas, tal foi o seu brilhantismo.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer relativamente ao Diogo Infante. A sua representação foi muito mediocre, sem a força e a subtileza que a personagem exigia. Sempre no mesmo tom, com uma voz colocada que não lembra a ninguém, não conseguiu transmitir qualquer tipo de sentimento ou reacção, chegando mesmo ao ponto de ser aborrecido nas "homilias" pregadas.
Isabel Abreu interpretou uma noviça altamente convincente e segura.
Lucília Raimundo, com um papel curto e extremamente interessante, protagoniza uma das cenas fulcrais e perturbantes da história. Contudo, o que tinha tudo para ser um dos momentos altos - devido ao tema em conversa e ao ponto de vista e de realidade da personagem por ela interpretada - não o foi. Lucília Raimundo aparece frouxa e desmaiada, sem dar a pujança que a defesa dos seus argumentos exigia.
Resumindo, estamos perante um excelente texto e duas representações - uma soberba, outra bem feita - que merecem a visita ao Teatro Maria Matos.
O último senão da noite veio com os agradecimentos. Por uma questão de respeito e consideração, quando se tem uma grande actriz - com uma longa e reconhecida carreira - o mínimo que se deve fazer é deixá-la chegar sozinha ao palco para agradecer. Tal não aconteceu com a Eunice Muñoz. Na primeira entrada para os agradecimentos a Eunice deveria, no início ou no fim da entrada do restanto elenco, comparecer no palco sozinha. Tive a perfeita consciência que a grande maioria das palmas destinavam-se, de facto, a homenagear a Eunice. Foram altamente merecidas, embora divididas pelos restantes três elementos.
Vá ao Teatro...
E uma última pergunta: Por que é que já não se usam as pancadas de Molière?

domingo, abril 01, 2007

As Vampiras Lésbicas de Sodoma vencem o festival HUMORFEST

João Carracedo, Manuel Mendes, Rita Lello,Simão Rubim, Tobias Monteiro e João Craveiro

O espectáculo As Vampiras Lésbicas de Sodoma foi premiado pelo público do festival de humor de Lagoa - Humorfest, como melhor espectáculo da edição de 2007. Esta foi a terceira digressão deste espectáculo que contou com 598 espectadores divididos por duas sessões.

quarta-feira, março 28, 2007

O Meu Colega William Shakespeare - António Pedro


The Reduced Shakespeare Company is one of the world's best-known touring comedy troupes. Now in its fifth year at London's Criterion Theatre, the company's The Complete Works of William Shakespeare (abridged), an irreverent, fast-paced romp through the Bard's plays, is London's longest-running comedy.

Aos vinte e quatro dias de Novembro do ano da graça de mil novecentos e noventa e seis, estreava no reino dos Algarves, mais propriamente na cidade foraleira de Portimão, aquele que viria a constituir-se como o maior êxito teatral de sempre em terras lusas: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, homenagem de três norte-americanos não alinhados: Adam Long, Jess Borgeson e Daniel Singer, ao Gil Vicente lá das Terras de Sua Majestade: William Shakespeare! Paródia que mereceu desde então adjectivações várias: «alucinante», «irreverente», «cardíaco», «hilariante», «desopilante», «burlesco», «divertido», «transversal», «louco», «irresistível», «fenómeno», «endiabrado», «interactivo», «mordaz», «histriónico», «genial», «excelente», «imperdível», «incontornável», «truculento», «indispensável», «obrigatório», etc., etc., etc. ...!

Fabricante de luvas é o que o pai queria que ele fosse - e não foi. Letrado apenas ou filósofo em disfarce, poeta, vá lá! - mas não aquele mesmo "good William" que dirigia a companhia dos "Homens do Rei", montava e representava as suas peças em que nem sequer reservava para si os principais papéis, é o que queriam dele os literatos - mas também não foi.

O que ele foi é quem foi: William Shakespeare, nascido em Stratford-upon-Avon, no condado de Warwickshire em Inglaterra, (gentleman, sim senhor, mas depois de celebrizado) no dia 23 de Abril de 1564, ao que se supõe e gostariam os ingleses que fosse, por ser dia de S. Jorge. Esse, o tal que tendo escrito, montado e representado uma quantidade fabulosa de comédias e de tragédias durante cerca duma vintena de anos, deixou um dia a Londres que o glorificara e enriquecera tão calada e misteriosamente como lá chegara, para voltar a casa, aconchegar-se e morrer, outra vez no dia 23 de Abril - e desta feita a data é certa - de 1616, na cidade ribeirinha em que tinha nascido 52 anos antes.

Pois. E o resto é congeminação de congeminadores que nunca viram por dentro como uma peça se põe em pé. Que não sabem como o afluir do espectador à bilheteira depende de como é doseado o efeito dum diálogo ou acertado o comprimento duma cena. Pois! Que quem souber como elas mordem e vir como da exploração duma personagem pitoresca (nascida em outra peça e feita a pedido) surge essa maravilha de construção teatral que são as "nerry Wifes", aparentemente uma comédia de costumes, mas que toca as notas todas do divertimento, da farça à "féerie", não tem dúvida um momento sobre a identidade do autor. A identidade da profissão do autor - homem de dentro do teatro, a quem o génio fez sair do seu palco para a eternidade por obra e graça do Espírito Santo, que parece que é quem intervém nestas coisas, escrevendo, ali, às pressas, para que se pudesse ensaiar outra peça enquanto uma estava em cena, encurtando, aumentando, suprimindo e acrescentando cenas, segundo a qualidade e o número de actores de que dispunha e segundo o público a que destinava a representação.

Olha os literatos a fazerem destas coisas!

A grande trapalhada dos quartos e dos fólios, das discrepâncias textuais nas primeiras e segundas edições das suas obras, vem daí. A eternidade aconteceu-lhe. O que escrevia destinava-se à vida efémera da palavra falada, do conflito vivido por gente em face de gente - ao teatro, isto é - à ocasião.

Essa ocasião tinha condições extraordinárias no tempo da rainha Isabel. Os cais de Londres, ao pé dos quais estava "O Globo", formigavam de gente com dinheiro fácil e desejosa de emoções fortes; o mundo cultural da Renascença abrira-se a um horizonte imenso que os "humanistas" tinham sabido, pelo menos, ensinar que se podia conceber à medida do homem; o palco chamado isabelino - um grande proscénio aberto por três lados, encostado a uma parede perfurada e sobremontado por uma varanda - deixava livre a imaginação do autor sem as restrições aristolélicas da unidade de tempo e de lugar; a indumentária teatral era elementar, convencional e barata: Troilo e Créssida andavam em cena mais ou menos vestidos como o Hamlet e Lady Macbeth.

Ao grande aparato cenográfico da Idade Média sucedera-se a elementaridade sucinta dum palco em que tudo era a imaginar.

"Nesta arena de galos poderão caber
Os vastos campos da França?
Poder-se-ão, entre estas tábuas, juntar os capacetes
Que semeavam de espanto os ares de Agincourt?
Deixai trabalhar as forças da imaginação
Supondo agora que estão fechadas
Entre estas duas paredes
Duas grandes monarquias.
Supri com o pensamento a nossa imperfeição.
Quando falarmos de cavalos
Pensai vê-los marcando na terra mole os cascos orgulhosos.
É com essa imaginação que tendes de ataviar os reis,
Mudando-os de lugar, saltando sobre o tempo
E fazendo caber numa hora de ampulheta
O que leva muitos anos a acontecer." - Do prólogo de Henrique V.

É claro que o génio é génio e nunca o génio humano subiu a craveira mais alta do que a deste homem meão de estatura, bigodinho fruste, olhos redondos sempre de pálpebra visível e a testa despovoada de cabelo até ao cocuruto da cabeça, boca bem talhada, cabelos como asas emoldurando o oval do rosto até ao baixo das orelhas e, que nos seus retratos, se nos apresenta todo bem posto: gibão de veludo agaloado por várias bandas e o cabeção de renda engomada esticado, grande e todo triques-à-beirinha. Nem eu quero negar isso nem cometer a estultícia (tão à moda) de explicar por motivos sociais alheios e circundantes a misteriosa aparição do génio num indivíduo. Abelhas não somos e, mesmo as abelhas, só fabricam nas mestras a possibilidade monstruosa de porem ovos à bruta. Não é disso que se trata mas da liberdade.
Coitado do génio a que tudo atravanca o caminho e, desde a censura à finança, tudo o impede de manifestar-se! Nascido como nasceu, dotado como nasceu, um século mais cedo ou um século mais tarde, ou noutro lugar que não fosse a Londres daquele tempo (que o digam os espanhóis de génio seus contemporâneos) o significado, a extensão, a profundidade e a liberdade da sua obra, se não a sua beleza literária também genial, não teriam atingido o que atingiram.
Não fosse ele homem do palco ou fosse outro o palco para que concebia o seu teatro e as restrições do lugar lhe atrapalhariam a fluência. Prisões, campos de batalha, salas reais de trono, os pátios das conjuras, antros de feiticeiras, florestas, cemitérios, ruas de cidades a distâncias enormes umas das outras, sucedem-se ao ritmo fácil desta imaginação para que se apela, dum adereço dum telão ou dum letreiro.
Não fosse ele inglês e homem do seu tempo e essa cavalgada monstruosa de crimes, de ambições de conjuras infames e monstruosidades com que ele teceu o estofo dos tronos em que se sentaram as personagens duma história que viu à luz de mil archotes de sangue, e não soaria talvez ao cantante bronze dos sinos maravilhosos a sua liberdade de falar:

"Pompa vã e glória vã do mundo - eu vos odeio!
E sinto o coração de novo aberto. Quão miserável
É o pobre homem que depende do favor dos príncipes!
Existem, entre o sorriso a que aspiramos
No seu semblante ameno e a sua ruína
Mais angústias mortais e medos, do que existem
Ou guerras ou mulheres." - Henrique VIII, fala do cardeal Wolsey

Ser quem escreveu isto o próprio amante da rainha, como agora anda um preopinante a querer provar? Deixemo-nos de asneiras! [Nota Autor: É de propósito que não cito o autor da "nova teoria". Era só o que faltava dar-lhe publicidade!]
10 tragédias históricas, mais outras 13 tragédias, mais 14 comédias, ao que me lembro e falta-me a pachorra para ir verificar a certeza destes números... Tanto faz, neste caso, mais uma ou menos uma! Uma montanha. E, nessa montanha, a cada passo um espanto, quase a cada verso ou a cada linha de prosa uma beleza. Bem-aventurada fluência!

Notícias dele como autor e actor só se têm ao certo desde 1592. Tudo isso é mais ou menos depois dessa data e antes de 1614. E além das suas peças, ainda representou algumas de Ben Jonson. E, a avaliar pela comezaina que fez com ele e com Michael Drayton, de que lhe resultou a morte, segundo mais tarde contou o vigário de Stratford, e a contar com a caçada furtiva na coutada de Sir Thomas Lucy, a que deve ter-se seguido lauta ceia e foi o motivo concreto da sua quase fuga inesperada de Stratford para Londres - bendita hora! - ainda lhe sobrava tempo para pândegas...
Santo William Shakespeare, meu irmão, herói e mártir, como eu disse num programa de televisão, bicho de teatro pelo génio, pelo vício, por ofício e pelo sangue, perdoa aos literatos que não sabem o que dizem... e ensina-lhes, pelo menos, a escrever bem.

Festeja-se-lhe agora o centenário. Se houver homens na Terra e se não tiverem perdido a graça de falar, festejar-se-á o seu milenário também, que os homens mudam pouco, mesmo em mil anos, no que têm de essencialmente mau e essencialmente bom, nas suas ambições, no seu amor, nos seus ridículos e nas suas fúrias.
Festejá-lo-ão os homens, porque não arrefece o sangue vivo das suas personagens nem as envelhece o tempo. Festejá-lo-ão os poetas, porque foi poeta, os dramaturgos porque foi dramaturgo. Festejá-lo-ão sempre e sobretudo os homens de teatro, fabricantes do efémero, porque foi ao serviço dessas duas horas de riso ou de angústia que sempre tentam erguer no ar como um perfume que se desfaz, que um seu colega de génio compôs uma obra que o transcendeu ou transpôs efémero para a eternidade.

António Pedro, Revista Colóquio, nº 29, Junho de 1964, Fundação Calouste Gulbenkian".

Transcrevi este texto para o Juvenal e para o Simão... embora o Cintra também o devesse ler... se entender.

terça-feira, março 27, 2007

DIA MUNDIAL DO TEATRO

(clique na foto)
E porque é hoje o Dia Mundial do Teatro, faço uma pequena homenagem a uma das maiores actrizes de sempre do Teatro em Portugal - Eunice Muñoz - que estreia hoje, no Teatro Municipal Maria Matos - a peça "Dúvida".
Desta vez foi buscar um artigo saído em 11 de Fevereiro de 1965, na revista Colecção Cinema. Assim, homenageia-se a actriz pelo seu trabalho nos palcos e nos ecrãns.
Espero que gostem.
"Galeria do Cinema Nacional - Eunice Muñoz
- Nome completo: Eunice do Carmo Muñoz Borges
- Nasceu em Lisboa, a 30 de Julho de 1930
A considerada pela crítica como a maior actriz da sua geração, Eunice Muñoz possui uma excepcional galeria de interpretações teatrais, das quais se destacam "Joana d'Arc", "O Milafre de Ana Sullivan" e "O Adorável Mentiroso". Não é só no drama que se distingue, pois no desempenho noutro género notabiliza-se da mesma forma. Recordemos a sua presença na farsa ("Os Direitos da Mulher" e "Três em Lua de Mel") e mais recentemente na comédia ("Mary Mary").
Ao longo dos seus 23 anos de actividade, intercalados com um período de desânimo no qual tentou ser uma empregada comercial, Eunice tem dado o seu concurso, sempre com nota de relevo, à Rádio e Televisão, interpretando folhetins e diversos apontamentos de tele-teatro, destacando-se neste último sector "As Cenas da Vida de uma Actriz".
FILMOGRAFIA
1946 - "Camões", de Leitão de Barros
- "Um Homem do Ribatejo", de Henrique Campos
1947 - "Os Vizinhos do Rés-do-chão", de Alexandre Perla
1948 - "Não há Rapazes Maus", de Eduardo Maroto, (Onde a sua voz se ouvia, narrando a biografia do Padre Américo)
1949 - "A Morgadinha dos Canaviais", de Caetano Bonucci
- "Ribatejo", de Henrique Campos
- "Cantiga da Rua", de Henrique Campos
1964 - "O Trigo e o Joio", de Manuel Guimarães."

segunda-feira, março 19, 2007

GRANDE FESTA DE ANIVERSÁRIO VAMPIRICA - ROCK IN CHIADO


GRANDE FESTA VAMPÍRICA
No próximo dia 6 de Abril, o espectáculo As Vampiras Lésbicas de Sodoma completará um ano de representações. Para assinalar o aniversário, o Clube de Fãs As Vampiras Lésbicas de Sodoma está a organizar uma festa no Rock In Chiado, mesmo ao lado do Teatro-Estúdio Mário Viegas, a que a Companhia Teatral do Chiado se associará, comparecendo em peso: elenco, encenador e restante equipa.
Como a festa é para todos, os espectadores da sessão desse dia estão automaticamente e compulsivamente convidados a aparecerem no referido espaço nocturno a partir das 00h30, para co-celebrar a Grande FestaVampírica! Caso não consiga bilhete para a representação dessa noite memorável não desespere, porque, ainda assim, a sua presença não só será permitida como desejada. Promete-se muita música, muita festança e folguedo e, claro (ou será melhor dizer escuro?! Afinal é de"vampirices" que se trata!),… muita, muita dentada!
Deixamos o melhor para o fim: o consumo mínimo é de €5,00; uma bagatela para conviver de perto com as estrelas, como aliás se pode comprovar com a recém nomeação do espectáculo para a edição de 2007 dos Globos de Ouro da SIC/Caras.
NÃO FALTEM E DIVULGUEM A GRANDE FESTA VAMPÍRICA

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

lost in space

Video Promocional da Peça - Lost In Space - Perdidos no Espaço

domingo, fevereiro 04, 2007

LOST IN SPACE - Perdidos no Espaço

(Re-)Estreou na passada quarta-feira, o espectáculo “LOST IN SPACE – Perdidos no Espaço”, inspirado no texto Alto Mar de Slawomir Mrozekcom João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiroàs quintas-feiras pelas 22h, no Teatro-Estúdio Mário Viegas, em Lisboa.

Lost In Space é uma pequena (cerca de 50 minutos) grande comédia. Uma loucura com método – ou seja, com guião – onde, devido a um problema de escassez de alimentos a bordo da nave espacial, os 3 astronautas – elegantemente vestidos por Dino Alves – entram num delírio absolutamente non-sense - mas com muito sentido – sobre política, religião, o sentido dos referendos, entre outras questões pertinentemente levantadas e comicamente discutidas.

Com pouquíssimos recursos, foi possível criar em palco todo um ambiente espacial... capsulas que são secadores de cabelos, portas automáticas invisíveis, com códigos invisíveis, fumos galácticos, contactos com a terra... tudo está presente.

Cada um dos três actores interpreta uma personagem com uma personalidade bem vincada e hilariante.
Tobias Monteiro o “enfezado” - mártir, Paulo Duarte Ribeiro o “astuto” – cozinheiro e João Craveiro o “causador” – sindicalista.

Não é possível contar-vos mais... e acho que já contei muito. Interessa sim é que corram ao Teatro-Estúdio Mário Viegas para verem esta comédia de um humor inteligente e [muito] imprevisível, com um brilhante momento musical e de recita de poesia... mais ou menos...

Para saberem mais visitem:
http://spacelost.blogspot.com/
http://kindofblackbox.blogspot.com/
http://pancadademoliere.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 30, 2007

Comédia! Comédia! Comédia!

(Juvenal Garcês - Fundador, Director e Encenador da Companhia Teatral do Chiado - Teatro Estúdio Mário Viegas)


Dez anos a fazer rir! 1.021 representações! 155.237 espectadores e 118 digressões!
Quando, em 1996, decidi dirigir este espectáculo tinha desaparecido um dos maiores actores portugueses e uma das personalidades mais marcantes do teatro português do pós 25 de Abril – Mário Viegas! Um mestre na arte da comédia.
O Mário Viegas foi, não tenhamos medo das palavras, um “Grande Cómico” e não só…! Era justo mostrar o que tinha aprendido com ele e dar-lhe continuidade! Por isso resolvi dirigir este espectáculo: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos.
A comédia sempre foi o género de teatro mais amado pelo grande público.
A comédia é o retrato mais fiel da sensibilidade popular!

Muitas vezes sou abordado na rua e perguntam-me:
- o que é que estão a fazer agora?
- Estamos a ensaiar um novo espectáculo!
- E é para rir?

O povo (esta palavra tão fora de moda) sempre gostou de censurar os erros e os vícios do seu tempo com críticas mordazes, jocosas. Por isso, o Mário Viegas, seguindo esta grande tradição teatral, fundou a CTC e escolheu para padroeiros desta companhia o Bucha e o Estica, os dois cómicos mais populares de sempre.
E como rir é o melhor remédio Shakespeare escreveu 16 comédias. E nada melhor que o riso para provocar o escárnio, a simpatia, a alegria, o júbilo e a cumplicidade do público…! Mesmo nas suas grandes tragédias, dez, Shakespeare não resistiu a colocar cenas ou personagens de comédia nos primeiros planos para provocar o riso… era preciso rir com um olho para depois chorar com o outro! Uma vez, assistindo a uma representação da famosa tragédia Ricardo III, o público, com a morte do rei, não se coibiu de rir e bater palmas. Era uma maneira de castigar o famoso vilão de Shakespeare!
Muitos “bem pensantes” em Portugal tentaram fazer-nos crer que a comédia é um género menor, que é “ir atrás do público”… chegando mesmo a afirmar que ter público não é importante. Para eles vai a minha grande gargalhada!
Muitos dirão que estou a falar de “lugares-comuns”, mas o que não é comum é que hoje, em plena época natalícia, por excelência festiva, a cidade de Lisboa, que se diz europeia, tenha apenas 3 comédias em cartaz (duas delas aqui no Teatro Mário Viegas). Meus senhores, isto não é normal!
Com esta paródia ao génio de Shakespeare a CTC pôde levar à cena dramaturgos como Henrik Ibsen, August Strindberg, Samuel Beckett, John Osborne, Israel Horowitz, Peter Shaffer, Bill Manhoff, John Godber, Charles Busch, José Jorge Letria e Almada Negreiros.
As Obras Completas de William Sakespeare em 97 Minutos têm sido o retrato fiel do meu país: Muito riso e pouco dinheiro! Dez anos a rir muito para não chorar.
Nos últimos anos o Teatro Mário Viegas, em pleno coração da cidade, tem tido o apoio do MC de 80 euros por dia enquanto outros espaços teatrais chegam a ter 1700 euros diários! Muitos dirão que a arte não é justa mas cruel! A esses respondo-lhes com a mesma crueldade: os pobres não têm tempo para meter lá os pés! Ou, se quiserem: os pobres não entram na casa dos ricos! Melhor ainda: não fazem parte do grande Teatro, o Teatro que é eleito por aqueles que estão mais próximos do céu! Alguns pensarão que estou a ser demagogo e vaidoso, não! Só quero um país mais justo!


[Discurso de Juvenal Garcês, director artístico da Companhia Teatral do Chiado e encenador do espectáculo As Obras Completas de William Shakeaperea em 97 minutos leu no dia do 10º aniversário desde estectáculo - 28 de Novembro de 2006]

terça-feira, novembro 28, 2006

Parabéns à Companhia Teatral do Chiado pelos Dez Anos em Cena das OBRAS COMPLETAS DE WILLIAM SHAKESPEARE EM 97 MINUTOS

Primeiro Elenco

Segundo Elenco

Terceiro Elenco

Quarto Elenco

Quinto Elenco
(que é igual ao primeiro, mas com mais anos em cima)

Aos vinte e quatro dias de Novembro do ano da graça de mil novecentos e noventa e seis, estreava no reino dos Algarves, mais propriamente na cidade foraleira de Portimão, aquele que viria a constituir-se como o maior êxito teatral de sempre em terras lusas: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos, homenagem de três norte-americanos não alinhados: Adam Long, Jess Borgeson e Daniel Singer, ao Gil Vicente lá das Terras de Sua Majestade: William Shakespeare! Paródia que mereceu desde então adjectivações várias: «alucinante», «irreverente», «cardíaco», «hilariante», «desopilante», «burlesco», «divertido», «transversal», «louco», «irresistível», «fenómeno», «endiabrado», «interactivo», «mordaz», «histriónico», «genial», «excelente», «imperdível», «incontornável», «truculento», «indispensável», «obrigatório», etc., etc., etc. ...!
É pois com muita alegria que a Companhia Teatral do Chiado vê as suAs Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos atigirem hoje o 10º ano consecutivo de representações.
Para os autos e para a história registam-se a 118ª digressões e a 1.019ª representações para um cômputo de 156.020 espectadores.

Lauro António Comércio do Porto
«Percebe-se porque razão muitos espectadores já viram vezes sem fim esta obra, porque ela nunca é a mesma, vive da improvisação do dia, da relação palco-plateia que se estabelece, e da inspiração de uns e outros. Este é o tipo de teatro que nenhum meio tecnológico consegue substituir. Perante o cinema, a televisão ou mesmo a interactividade do pc, este teatro não morre, sobrevive.»


Joel Neto Record
«A "soirée" é imperdível.»


José Jorge Letria Jornal da Costa do Sol
«Vale a pena ter presente o êxito desta companhia profissional que, erguendo alto a bandeira que Mário Viegas nunca deixou de empunhar, assume o teatro como um projecto profissional de qualidade que não se confina ao espartilho das modas (...) imposto pela crítica dominante.»


Ricardo Salomão Blitz
«... uma intensa interactividade com a audiência, conseguindo construir com segurança, alegria e inteligência uma enorme festa.»


Jaime Cravo Política Moderna
«A melhor homenagem (em originalidade e simplicidade) alguma vez feita ao criador de Romeu e Julieta. Eles, os três shakers preferidos de Shakespeare, com a capacidade para 37 shots de cair para o lado, merecem todas as palmas e mais algumas. Ela, a Companhia Teatral do Chiado, merece o sucesso que tem tido e o apoio que não tem do Ministério da Cultura. Juvenal Garcês foi quem dirigiu, Vasco Letria deu luz (...). Para todos eles, e mais alguns, muitos, Gustavo Rubim, Rita Lello, Jorge Pinto (...). Para todos, pensamos não ter esquecido ninguém, a POLÍTICA MODERNA tem algumas palavras que ainda ninguém lhes deu: gostámos muito do espectáculo.»


Manuel João Gomes Público
«Nunca tão poucos actores - um trio exímio na arte de comunicar - provocaram tantas gargalhadas (...)»


Eugénia Vasques Expresso
«A Revisitação hilariante da Obra Completa do velho Bardo.»


Rita Bertrand A Capital
«Toda a plateia ruboresce de riso com as piadas picantes»


Ana Maria Ribeiro Correio da Manhã
«Um espectáculo absolutamente hilariante, a um ritmo de cortar a respiração»


Carla Maia Notícias Magazine
«Um trio de actores insuperável»


Fernando Midões Diário de Notícias
«Shakespeare revisitado numa obra que consegue ser plena, conseguida, lucida, critico-humorística»


Marina Ramos Público
«Um espectáculo interactivo, capaz de eliminar qualquer depressão»


Sofia Reis Valor
«Se quer passar um bom serão, não perca esta peça. Vai ver que não se arrepende.»


Carlos Porto JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias
«Situações de grande comicidade que se deve ao texto, àa tradução, ao ritmo imposto pela encenação e ao trabalho interpretativo.»


José Mendes
«Esta (...) proposta da Companhia Teatral do Chiado é irresistível. Está bem de ver e rever.»


Mulher-Aranha Público (Computadores)
«Não parei de rir»


Alexandra Carita A Capital
«Um espectáculo que já deu provas da sua qualidade»


Carla Maia de Almeida Notícias Magazine
«Garante-se riso puro e visceral»


Tito Lívio Correio da Manhã
«Um espectáculo endiabrado e velocíssimo»


Rute Coelho Tal & Qual
«Se quer passar uma noite bem-disposta, não perca»


Manuel Agostinho Magalhães Expresso
«Um "digest" de rir à gargalhada»


Jorge Sampaio, Presidente da República
«Excelente peça. Irreverente, mas muito bem feita. Aqui, aprendi a olhar Shakespeare de uma maneira muito divertida»


Ana Sousa Dias Por Outro Lado - RTP2
«Nunca ri tanto e tanto tempo seguido na minha vida. Fartei-me de chorar de rir»


Eugénia Vasques Expresso
«Os professores de literatura inglesa têm aqui uma bela proposta para um teste de avaliação de conhecimentos ou, se quiserem distribuir felicidade, para uma introdução paródica à obra de Shakespeare. A brincadeira, em ritmo e adaptação muito portugueses, pode redundar em muita seriedade.»

segunda-feira, novembro 20, 2006

A Propósito dos Dez Anos das "Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos"


"Dez Anos a Parodiar o Mestre

Quando Juvenal Garcês e Simão Rubim decidiram, numa visita a Londres em 1996, transportar para a cena lisboeta o espectáculo concebido por Adam Long, Daniel Singer e Jess Borgeson - As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos - estavam longe de imaginar que uma década mais tarde ainda a Companhia Teatral do Chiado (CTC) continuaria a esgotar plateias com esse êxito fenomenal.
Quais as razões do sucesso?
A primeira é óbvia: Shakespeare já não respeita fronteiras há séculos e parodiar o Hamlet ou o Romeu e Julieta é brincar com mitos que entraram fundo no imaginário dos europeus modernos. Directa ou indirectamente, melhor ou pior, toda a gente conhece Shakespeare. A prova? O êxito das Obras Completas da CTC, em Lisboa e por todo o país, em múltiplas digressões efectuadas.
A segunda razão do sucesso está no que esta paródia realmente é. Condensar toda a monumental obra do dramaturgo numa série de sketches com hora e meia de duração é um achado brilhante. Uma ideia só possivel para quem tem perfeita noção da ligação de Shakespeare à sensibilidade e ao gosto cómico popular. Trazer uma anónima espectadora ao palco para fazer de "Ofélia" é lembrar que o teatro nunca deixou de ser uma festa para todos e uma arte dirigida a cada um de nós, sem diferença de classe, de credo, de origem ou de cultura literária. O humor radical das Obras Completas é uma profunda recuperação da natureza subversiva e, no limite, anarquista, da festa teatral. Shakespeare seria o úlitmo a escandalizar-se com o seu Othelo convertido em rap ou o seu Titus Andronicus reciclado em programa de culinária.
Mas a terceira é a mais importante explicação para o inesperado êxito das Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos. A CTC assume que este é um espectáculo onde, fora Shakespeare e o público, só há um centro: os actores. Os três actores - Simão Rubim, Manuel Mendes e João Carracedo, exactamente o elenco original desta saga - que se desdobram em dezenas de personagens, a velocidade vertiginosa, submetendo-se aos exigentes ritmos da comédia e da farsa, engolem tudo à sua volta: cenário (mínimo), adereços (deliberadamente pobres), figurinos (menos que simbólicos) e encenação, sobretudo encenação! Transformar três actores praticamente desconhecidos há 10 anos atrás em três actores rapidamente populares (com fãs e tudo!) foi uma ruptura. Uma ruptura com o império do encenador que ainda hoje infecta o nosso teatro.
Nisso, as Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos já são imagem de marca do teatro da CTC. Um teatro onde o trabalho dos actores está em primeiro plano, onde o público é cúmplice dos actores, onde o êxito popular é compatível com altos padrões de qualidade artística. Para quem tem olhos na cara, esta década de Obras Completas foi mais do que uma gargalhada contínua, foi e ainda é uma profunda lição de teatro."
Gustavo Rubim - Professor Universitário, Tradutor e Co-Director da Companhia Teatral do Chiado.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Clique na foto e assista ao spot publicitário da peça As Vampiras Lésbicas de Sodoma.
Simão Rubim pronto para a segunda entrada de Madame La Condessa como espanhola

AS VAMPIRAS LÉSBICAS DE SODOMA - TEATRO - ESTÚDIO MÁRIO VIEGAS, PELA COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO... 5ª a Sábado, às 22 h. Largo do Picadeiro (junto ao café CNC). Não perca.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Importa-se de repetir...?

"A palavra Comédia, a mim, provoca-me arrepios."

Frase dita pelo Encenador João Lourenço, ontem, no Teatro Nacional D. Maria II, na conferência intitulada "Encontro em torno de Ibsen com os Encenadores", que contou também com a participação do Encenador Juvenal Garcês e do Especialista em Ibsen Gustavo Rubim.
Como é que um homem de Teatro pode dizer semelhante coisa??? Se alguém me souber dizer...

terça-feira, outubro 17, 2006


Acabo de chegar a casa vindo da festa dos 25 anos de carreira em Teatro do Actor Simão Rubim.
Confesso que é com imensa dificuldade que escrevo o que quer que seja sobre o Simão. Tudo o que possa escrever é pouco e não irá fazer jus ao que ele merece que seja escrito sobre ele.
Teve a festa que merecia. A representar no palco e na plateia uma sala cheia de amigos que não deixaram de estar presente para lhe dar os parabéns e desejar outros 25 anos cheios de sucessos e conquistas.
A melhor palavra para descrevê-lo será, entre muitas outras, Apaixonado. Apaixonado pelo Teatro, apaixonado pelas memórias, apaixonado pelos amigos, apaixonado pela vida.
Mas também Revoltado. Revoltado pelo modo como o Teatro é tratado pelo governo, revoltado contra aqueles que maltratam o Teatro (normalmente, vindo de pessoas ligadas ao próprio meio teatral), revoltado contra os lobbies instalados.
No discurso que proferiu no final da peça - enquanto tirava as unhas postiças e se desmaquilhava - Simão Rubim agradeceu, emocionado, ao Teatro Experimental de Cascais (que frequenta desde os 11 anos) na pessoa de Carlos Avillez e João Vasco e, claro está, a Mário Viegas e Juvenal Garcês. Emocionado, emocionando-me, Simão abandona o palco.
E é esta uma, das muitas, qualidades que admiro em Simão Rubim. Não se esquece, nunca, daqueles que o apoiaram hoje, como ontem.
Para mim, o Simão - e ele não ficará zangado se juntar também Juvenal Garcês - é uma escola onde tenho aprendido muito, sempre, todos os dias. Ouvi-lo falar de Teatro, da sua Vida, de Mário Viegas, é algo que me emociona sempre e que me enriquece interiormente.
Jamais poderei retribuir tudo aquilo que com ele aprendi, todos os medos que ele me ajudou a enfrentar (bem mais do que aqueles que ele julga), todos os momentos - alguns bem caricatos (Igreja na Passagem de Ano, lembraste?) - que passamos juntos.
Não quero dizer mais. Acho que ele sabe bem tudo aquilo que representa para mim, a amizade inesgotável e o carinho infindável que tenho para com ele... mas tinha de deixar aqui o meu tributo publico a si e ao seu trabalho.
Por todas as gargalhadas que já me fizeste dar, por todas as lágrimas que já me fizeste derramar (incluindo as de hoje), por todas as emoções que já vivi contigo, um imenso beijo de ternura, de profundo respeito e amizade.
Muitos parabéns pelos teus 25 anos de Palco, muitos parabéns por cada peça levada à cena.
Cá estarei para comemorar contigo os teus 50 anos de carreira (e, portanto, os 35 anos das Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos).
Obrigado pela Amizade profunda.
Um beijo e um grande abraço
Julie Andrews...