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quinta-feira, agosto 28, 2008

Aljubarrota dá nova dignidade e importância à decisiva batalha


Aljubarrota dá nova dignidade e importância à decisiva batalha
Jornal Público 28.08.2008, Ana Nunes

Acontecimento central da História do país será contado com recurso às mais modernas tecnologias

No ano em que se assinalam 623 anos sobre a Batalha de Aljubarrota, ocorrida a 14 de Agosto de 1385, no palco daquele que foi um dos acontecimentos mais decisivos na História de Portugal, com o triunfo do exército de D. João I que impediu a sua anexação pelo trono de Castela, irá nascer um novo Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA) com inauguração prevista para 11 de Outubro de 2008. O projecto da já existente Fundação Batalha de Aljubarrota (FBA), em Porto de Mós, inserido "no processo de salvaguarda e valorização do património associado ao campo de batalha de São Jorge", espera contar com cerca de cem mil visitantes por ano, a partir do terceiro ano de existência.
Segundo Isabel Cordeiro, assessora de imprensa da fundação, o objectivo é que "o Campo de Aljubarrota permita a nacionais e estrangeiros um melhor conhecimento daquele acontecimento central da História" e que o local se assuma como "um dos principais pontos de turismo cultural em Portugal".
O investimento total ronda os dez milhões de euros, dos quais cinco milhões se destinaram a conteúdos e os restantes à construção do edifício e arranjo paisagístico", adiantou Isabel Cordeiro. O projecto é co-financiado por vários mecenas, entre os quais António Champalimaud, o Banco Espírito Santo e a Fundação Calouste Gulbenkian, a par de financiamentos comunitários do Programa Operacional da Cultura.
Viagem multimédia
O centro de interpretação, instalado nos terrenos do antigo museu militar, ocupa uma área de 1900 metros quadrados e pretende "descrever a razão pela qual sucedeu a Batalha de Aljubarrota e a forma como foi travada". Para tal, irá utilizar como principal recurso um dispositivo multimédia, adiantou Isabel Cordeiro. A divisão será feita em três núcleos museológicos, através dos quais o visitante irá deslocar-se.
O primeiro núcleo irá fazer o enquadramento histórico da batalha através de uma vala arqueológica - vestígio da batalha -, e de um friso cronológico que assume a forma de um jornal electrónico do século XIV, onde o visitante irá recuar no tempo e ambientar-se. O núcleo dois é considerado "o ponto mais alto da visita", explica a assessora, explicando que irá desenrolar-se um "espectáculo inédito, onde se conjugam um filme, diapositivos, som, luzes e efeitos especiais, produzidos numa escala monumental" e que descreve, durante 30 minutos, a noite da batalha. O cenário é feito à escala real e são mostrados "cavalos, armas, corpos dos combatentes, os abatises, as covas do lobo e o próprio relevo do terreno".
O último núcleo "apresenta e descreve factos associados à batalha e à sua época". O material em exposição "ajuda o público a interpretar os factos históricos mais relevantes, como as armas utilizadas e a actuação dos protagonistas", explica Isabel Cordeiro. No espaço estão ainda presentes réplicas de armamento utilizado e ossadas humanas encontradas no terreno da batalha. "Inclui ainda iconografia histórica e imagens das escavações realizadas desde Afonso do Paço", acrescentou a assessora.
Este cenário conjuga-se com serviços educativos, um restaurante e uma loja. No exterior do centro, existe um amplo espaço onde decorreu a batalha real que o visitante poderá explorar. Também no Vimeiro, no concelho da Lourinhã, nasceu na passada semana um centro de interpretação para melhor conhecimento daquele acontecimento militar que opôs as tropas luso-britânicas às francesas. A iniciativa visou a comemoração dos 200 anos da batalha contra os invasores franceses e explica como tudo se passou. O Centro de Interpretação dispõe também de uma vista privilegiada sobre o campo de batalha.
O confronto bélico de 21 de Agosto de 1808 foi travado durante a Guerra Peninsular entre as tropas de Junot (formadas por 13 mil homens) e as luso-britânicas de Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington (apoiado num exército de 18 mil homens), na sequência da primeira das duas invasões das tropas francesas e também marca o início da expulsão dos franceses do território.
Segundo o historiador Saul António Gomes, conselheiro deste novo centro, este será "uma referência significativa a nível nacional" através da "divulgação para grandes públicos de um acontecimento essencial na História". O historiador acentua ainda que a importância do centro assenta na forma de "levar a História a públicos actuais, tendo sempre em vista esse mesmo público", "reintroduzindo-se a investigação da História Medieval e da Batalha de Aljubarrota".
"O projecto está concebido para públicos nacionais e estrangeiros e pretende informar e esclarecer sobre o assunto sem heroísmos", explicou ao PÚBLICO Saul António Gomes, acrescentando que "nenhum espanhol terá motivo de tensão ao visitar o museu". O historiador conclui que este centro será "um exemplo museológico a nível europeu e até mundial".
Em 2001, o local onde decorreu a Batalha de Aljubarrota foi classificado pelo Ippar como monumento nacional. Um ano depois, surgia a FBA com o objectivo de recuperar, requalificar e valorizar o Campo de São Jorge. Em 2004, o Ministério da Defesa Nacional e a FBA estabeleciam um protocolo onde ficou decidida a transformação do antigo museu militar num centro de interpretação da batalha. Os trabalhos tiveram início em Junho de 2005 e duraram até este ano.
No próximo ano, estará concluído outro centro de interpretação relacionado com a Batalha de Aljubarrota junto ao Mosteiro da Batalha e a Fundação pretende "continuar a recuperar a paisagem do campo de Batalha de Aljubarrota", explica a assessora, que acrescenta que "a FBA poderá vir a participar na construção dos centros de interpretação das batalhas de Atoleiros e de Trancoso".

sábado, março 15, 2008

Pensamento para a Quaresma


"Desde que entramos neste corpo mortal, a morte nunca mais deixou de estar a vir (...) O tempo que se vive, é vida que se corta e cada dia que passa, é menos vida que nos fica. O tempo da nossa vida é caminho para a morte onde não está previsto um segundo de atraso (...). Se começarmos a morrer logo que, em nós, começa a actuação da morte, deve dizer-se que começamos a morrer logo que começamos a viver (...). Consumida a vida, fica terminada a morte que se vinha realizando pouco a pouco. Por isso, o homem nunca está em vida: é mais um morto que um vivo- já que não pode estar simultaneamente morto e vivo".
(In: De Civitate Dei - Santo Agostinho)

quarta-feira, maio 02, 2007

A Uma Ausência - Soror Violantes do Céus

São Sebastião



A uma ausência

Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

D. Manuel Clemente é o novo bispo do Porto

D. Manuel Clemente é o novo bispo do Porto

D. Manuel Clemente, actual bispo auxiliar de Lisboa, é o novo bispo do Porto, substituindo D. Armindo Coelho, anunciou hoje o Vaticano.
Em comunicado, a Nunciatura Apostólica em Lisboa refere que o Papa Bento XVI aceitou a resignação de D. Armindo Coelho, uma vez que atingiu o limite de idade canónico, 75 anos, para o exercício daquelas funções.

D. Manuel Clemente, 58 anos, era bispo auxiliar de Lisboa desde 22 de Janeiro de 2000, tendo a sua nomeação episcopal sido anunciada em Novembro de 1999.

Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, D. Manuel Clemente é professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e presidente da Comissão da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Armindo Coelho, que a 16 de Fevereiro celebrou 76 anos, encontra-se afastado do governo da diocese do Porto desde Outubro de 2006 devido a um acidente vascular cerebral.

O até agora bispo titular, que continua internado no Hospital da Prelada, no Porto, tinha sido provisoriamente substituído por D. João Miranda Teixeira, bispo auxiliar, que fora nomeado Administrador Apostólico por Bento XVI.

Diário Digital / Lusa

D. MANUEL JOSÉ MACÁRIO DO NASCIMENTO CLEMENTE

- Nasceu em S. Pedro e S. Tiago, concelho de Torres Vedras, no dia 16 de Julho de 1948.


FORMAÇÃO E FUNÇÕES ACADÉMICAS

- Após concluir o curso secundário, frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa onde se formou em História.

- Licenciado em História, ingressou no Seminário Maior dos Olivais em 1973.

- Em 1979 licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, doutorando-se em Teologia Histórica em 1992, com uma tese intitulada Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A "Sociedade Católica" (1843-1853).

- Desde 1975, lecciona História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa.



FUNÇÕES E CARGOS ECLESIAIS

- Ordenação Sacerdotal - 29/06/1979.

- Coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa - 1980.

- Membro da Equipa Formadora do Seminário Maior dos Olivais - 1980 a 1989.

- Vice-Reitor do Seminário Maior dos Olivais - 1989 a 1997.

- Reitor do mesmo Seminário desde 1997.

- Membro do Cabido da Sé Patriarcal desde 1997.

- Coordenador do Conselho Presbiteral do Patriarcado desde 1996.

- Director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.

- Coordenador da Comissão Preparatória da Assembleia Jubilar do Presbitério para o Ano 2000.

- Nomeado Bispo Titular de Pinhel e Auxiliar do Patriarcado de Lisboa – 6 de Novembro de 1999

- Ordenação Episcopal - 22/01/2000

- Bispo Auxiliar de Lisboa.

- Promotor da Pastoral da Cultura na Conferência Episcopal Portuguesa, desde 11 de Abril de 2002.

- Membro da Comissão Episcopal de Comunicações Sociais desde 20 de Junho de 2002.

- Colabora habitualmente nos programas "Ecclesia" (RTP2)

- Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais eleito em 5 de Abril de 2005


PUBLICAÇÕES

Livros e estudos sobre temas das áreas de História, Teologia e Pastoral, publicados em edições e revistas da especialidade, de que se destacam:

- Igreja e Sociedade Portuguesa do Liberalismo à República. Lisboa, Grifo, 2002.
- A Igreja no tempo. Lisboa, Grifo, 2000.
- ESPÍRITO e espírito na história ocidental - os despistes da esperança. In As razões da nossa esperança. A caminho do terceiro milénio. Lisboa, Rei dos livros,1998.
- Das prelaturas políticas às prelaturas pastorais: o caso de Pinhel. In Lusitania Sacra. Segunda série. Lisboa, 8-9, 1996-1997.
- Milenarismos. In Creio na vida eterna. Lisboa: Rei dos livros, 1996.
- Sínodos em Portugal: um esboço histórico. In Estudos Teológicos. Coímbra. 1, 1996.
- As paróquias de Lisboa em tempo de liberalismo. In Didaskalia. Lisboa, 25, 1995.
- Os Seminários de Lisboa. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 8, 1994.
- Universidade Católica Portuguesa: uma realização de longas expectativas. In Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 6, 1994.
- A sociedade portuguesa à data da publicação da Rerum Novarum: o sentimento católico. In Lusitanis Sacra. Segunda série. Lisboa, 6, 1994.
- Igreja e sociedade portuguesa do Liberalismo à República. In Didaskalia. Lisboa, 24, 1994.
- Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal, A "Sociedade Católica" (1843-1853). Braga, 1993.
- Cristandade e secularidade. In A salvação em Jesus Cristo. Lisboa, Rei dos Livros, 1993.
- Fé, razão e conhecimento de Deus no Vaticano I e no Vaticano II. In Communio. Lisboa, 10:6, 1993.
- A Igreja e o Liberalismo. Um desafio e uma primeira resposta. Communio. Lisboa, 9:6, 1992.
- Laicização da sociedade e afirmação do laicado em Portugal (1820-1840) . In Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 3, 1991.
- O Congresso católico do Porto (1871-1872) e a emergência do laicado em Portugal. Lusitania Sacra, Segunda série. Lisboa, 1, 1989.
- Cardeal Cerejeira: Pensamento, coração e relação com o poder. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 15, 1989.
- Clericalismo e anticlericalismo na cultura portuguesa. In Reflexão Cristã. Lisboa, 53, 1987.
- Reflexões sobre os 50 anos da Acção Católica Portuguesa. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 8, 1984.
- Católicos, Estado e Sociedade no Portugal oitocentista (congressos católicos de 1891 e 1895). Communio. Lisboa, 1:3, 1984.
- Notas de cultura portuguesa. Do teatro sagrado ao teatro profano. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 6-7, 1983.
- Notas de cultura portuguesa. Os papas e Portugal. In Novellae Olivarum. Nova série. Lisboa, 2-3, 1983.
- Monsenhor Pereira dos Reis. (Em colaboração). Lisboa, 1979.
- A Igreja no tempo. História breve da Igreja Católica. Lisboa, 1978.

sábado, setembro 09, 2006

Um Recibo de Obras absolutamente genial - Capela do Bom Jesus, Braga, 1853


sábado, junho 17, 2006

ENCERRAMENTO DO PROCESSO DE CANONIZAÇÃO DE
FREI NUNO DE SANTA MARIA



DISCURSO DO CARDEAL PATRIARCA

Este momento de encerramento da fase diocesana do Processo de Canonização de Frei Nuno de Santa Maria, é carregado de significado e de esperança. Desde a sua morte que ele é, para os portugueses, o Santo Condestável. De facto, as manifestações públicas de culto e veneração por parte do Povo, e da própria Corte, seguiram-se logo à sua morte, o que mostra como este homem cristão, que exerceu altas e decisivas funções na consolidação da independência e definição da nacionalidade, e acabou a sua vida na simplicidade contemplativa de um mosteiro de carmelitas, se tornou símbolo e modelo da santidade cristã, o que o colocou espontaneamente na situação de intercessor e protector, junto de Deus que adorou e da Santíssima Virgem, de quem era filho querido e devotado.
Quando o Papa Urbano VIII decreta que a declaração de santidade fica dependente de processo formal, faz uma excepção para aqueles cristãos a quem, há cem anos ou mais, era prestado culto e reconhecida, pelo Povo, a santidade. Era o caso de Frei Nuno de Santa Maria, que desde o início foi alvo da devoção popular e teve memória litúrgica, pelo menos no calendário da Ordem Carmelita. Só hesitações históricas, agravadas por acontecimentos como a perda da independência, em 1580, e o terramoto que destruiu o Convento do Carmo, principal centro dessa devoção, porque aí se encontrava o seu túmulo, fizeram com que se sujeitasse, várias vezes, a declaração de Santidade de Frei Nuno de Santa Maria, às exigências formais de um processo de canonização, que, em rigor, não era exigido. Espero vivamente que estes dados históricos sejam tidos em conta na análise deste processo.
Neste momento, no início do século XXI, no contexto de uma sociedade secularizada que é preciso reevangelizar, a canonização de um cristão como o Condestável do Reino, que trocou as honras e as benesses da sua situação pela humildade da vida monástica, porque a isso o impeliu a Glória de Deus e o serviço humilde dos pobres, tem a força de um sinal: a importância e a missão dos justos na Cidade. O testemunho de vida crente dos cristãos na Cidade, imprimindo ao seu serviço da sociedade a marca da novidade cristã, é hoje um caminho importante para a evangelização da Cidade. A proclamação do Evangelho é um testemunho de vida, e é quando a fé marca a qualidade de uma forma de estar e de servir, que ela se torna testemunho que interpela os corações. Desde o Antigo Testamento está dito que um justo pode salvar a Cidade.
Em D. Nuno Álvares Pereira foi impressionante esta síntese harmónica da vivência da sua fé e o desempenho das altas funções que a Nação lhe atribuiu. Ele torna-se, assim, desafio para quantos, hoje, exercendo os seus cargos ao serviço da Nação, têm tendência em separar a sua fé das funções que exercem. A nossa Cidade precisa do testemunho dos justos.
D. Nuno deu-nos, também, o testemunho da primazia de Deus e da Sua Glória, acima de todas as coisas. O seu apagamento na vida monástica, em que só se tornaram notórias, a sua humildade e o seu amor aos pobres, são afirmação dessa primazia de Deus, a Quem se ama acima de todas as coisas.
Portugal não espera pelo resultado deste processo para o venerar como Santo e Intercessor. Mas a proclamação dessa santidade, pela Igreja, confirmará a universalidade da sua caridade e do seu culto. Porque desejamos a sua canonização, tudo fizemos para a viabilizar. Porque o veneramos como Santo, pedimos-lhe que, por intercessão de Maria, nos conceda essa graça e nos ajude a obtê-la de Deus, pela mediação da Virgem, através da qual obteve sempre todos os favores divinos.

Igreja do Santo Condestável, 3 de Abril de 2004


† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

sexta-feira, junho 16, 2006


Beato Nuno Álvares Pereira
Cura milagrosa de olho abre caminho à canonização

Uma cura, alegadamente milagrosa, de um olho de uma mulher de 61 anos pode ser a chave para a conclusão do processo de canonização do beato Nuno Álvares Pereira, que foi aberto pelo Patriarcado de Lisboa. Segundo Francisco Rodrigues, frade carmelita e vice-postulador para a Canonização do Beato Nuno de Santa Maria, os relatórios médicos desta cura confirmam que a ciência não tem explicação para este caso, pelo que falta apenas autorização do Vaticano para que se constitua o tribunal canónico que vai analisar o processo de canonização.
O relato do presumível milagre confirma a intervenção divina de Beato Nuno no processo de cura do olho esquerdo de uma mulher residente em Ourém, que ficou queimado com óleo que saltou de uma frigideira a ferver. Depois do acidente, em Setembro de 2000, a idosa consultou vários especialistas, que confirmaram que uma eventual recuperação da visão nesse olho, caso viesse a suceder, demoraria sempre um mínimo de um ano.

O olho deveria ficar tapado de forma a não ser sujeito à luminosidade do sol e a senhora era obrigada a tomar medicamentos diários na tentativa de debelar a queimadura. “Mas mesmo com esses tratamentos não havia garantia de cura e a solução poderia ser um transplante de córnea”, explicou à Agência LUSA o Pe. Francisco Rodrigues,

Depois de várias novenas ao Santo Condestável feitas pelo pároco local e familiares, na noite de 7 de Dezembro de 2000, a senhora “encheu-se de coragem” e rezou de forma intensa ao Beato Nuno, tendo beijado uma imagem sua. «Logo então sentiu uma paz imensa. Foi sentar-se no sofá, ligou a televisão e apercebeu-se que via desse olho», recorda o sacerdote.

De acordo com o vice-postulador, existem «várias graças divinas» que envolvem a intercessão de Beato Nuno, entre os quais «curas de vários tipos de cancro» mas os responsáveis do processo entenderam avançar apenas com este caso já que é mais «evidente» e «simples de provar».

Devido à existência de vários documentos médicos que confirmam a incapacidade e a posterior recuperação da visão, a Postulação para a Causa para a Canonização do Beato Nuno decidiu avançar com o processo, tendo enviado várias informações para o Vaticano, que acolheu com agrado a proposta.

Agora, falta somente a confirmação da Santa Sé para que o tratamento e acompanhamento desta alegada cura seja feita pelo Patriarcado de Lisboa, que irá constituir um tribunal diocesano, à semelhança do que já sucede com a canonização dos Pastorinhos de Fátima.

«O cardeal D. José Policarpo está muito empenhado, bem como o cardeal D. Saraiva Martins», prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, entidade que tutela todos os processos de santidade antes de chegarem ao Papa. Posteriormente, caberá à Congregação dos Carmelitas «propor a canonização do Beato Nuno», explicou Francisco Rodrigues, mostrando-se entusiasmado com a possibilidade de concluir um processo que tem várias centenas de anos.


Mais frade que militar

Depois da sua beatificação, em 1918, por duas vezes, a Igreja tentou promover a sua canonização, que permite o seu culto universal e não apenas em Portugal, como agora sucede.

Em 1940, o Papa Pio XII tentou «canonizá-lo por decreto» como «exemplo do soldado cristão num tempo de guerra» mas pouco tempo depois optou por um processo normal, alicerçado em milagres ou graças divinas. Na década de 60, a Ordem dos Carmelitas deu um novo fôlego ao projecto mas o início da guerra colonial acabou por fazer fracassar esses intentos, com receio de que fosse mais valorizado o seu papel como soldado do que como religioso.

«Penso que agora é que é o momento certo para a sua canonização. Em que é mais importante o seu papel como frade do que como militar», justifica o vice-postulador, embora salientando que as suas virtudes pessoais já eram nítidas durante a crise de 1383-85.

Então, D. Nuno Álvares Pereira, que é também fundador da Casa Real de Bragança, optou pelo Mestre de Avis já que recusava entregar o trono a partidários de Castela, que então apoiava o Papa de Avinhão, ao contrário de Portugal, que defendia a Cúria de Roma, durante o cisma do Ocidente.

Francisco Rodrigues recorda mesmo que D. Nuno Álvares Pereira nunca praticou «guerra ofensiva» e obrigava os seus soldados a confessar-se e a ir à missa com regularidade, proibindo-os ainda de perseguir os espanhóis derrotados após as batalhas.

terça-feira, janeiro 03, 2006



SÉ DE LISBOA
Estampa de 1840


Uma antiga tradição fala-nos de Veríssimo, Máxima e Júlia, como mártires lisbonenses na perseguição de Diocleciano (viragem do século III para o IV). O certo é que, meio século depois, encontramos a diocese presidida por Potâmio, seu primeiro bispo conhecido, que interveio nas polémicas doutrinais do Cristianismo de então (arianismo).
No século V chegaram os bárbaros. Sob a monarquia visigótica, os bispos de Lisboa participaram em vários concílios, de Toledo, de Viarico no de 633 a Landerico no de 693. Como sucedeu por toda a parte, datará desta época a descentralização do culto, da cidade para os campos em redor, constituindo-se as primeiras paróquias rurais.
Dos princípios do século VIII a meados do XII, Lisboa esteve sob domínio muçulmano. Não conhecemos o nome de nenhum dos seus bispos deste período, mas continuaram a existir cristãos na cidade e seu território. Aquando da tomada de Lisboa aos mouros, em 1147, existia um bispo moçárabe ( = cristão sob domínio muçulmano) em Lisboa.
Depois da conquista, a diocese foi refeita, ficando por seu bispo o inglês D. Gilberto, vindo com os cruzados: Lisboa ficaria oficialmente ligada (sufragânea) à arquidiocese de Compostela até ao fim do século XIV. Construiu-se a Sé, no local onde fora a mesquita e talvez antes a Sé visigoda, sendo o único monumento românico que resta na capital.
A Sé tinha o seu Cabido de cónegos que apoiavam o bispo e mantinham uma escola capitular. Nessa escola estudaria em menino Santo António de Lisboa, já na viragem para o século XIII. Além da Sé e das paróquias que rapidamente se estabeleceram, a partir talvez de antigas comunidades moçárabes, Lisboa viu levantar-se por iniciativa de D. Afonso Henriques o mosteiro de S. Vicente de Fora (por ficar fora das muralhas da altura). S. Vicente foi martirizado em Valência no século IV, e as suas relíquias foram depois muito veneradas pelos moçárabes no cabo algarvio que tem o seu nome. O nosso primeiro rei trouxe-as para Lisboa, ficando guardadas na Sé. O referido mosteiro foi um importante centro cultural e nele se formou também Santo António.
Em 1289 o bispo D. Domingos Jardo fundou o colégio dos Santos Paulo, Elói e Clemente, para o ensino de cânones e teologia. Pouco depois e, com intermitências, até ao século XVI, Lisboa dispôs duma Universidade fundada por D. Dinis com o apoio do clero. A Universidade só ensinou Teologia a partir do século XV, sendo até aí ministrada nos conventos dos dominicanos e franciscanos, levantados no século XIII. Na segunda década deste século nasceu em Lisboa Pedro Julião, mais tarde papa com o nome de João XXI (1276-1277).
Em 1393, Lisboa foi elevada a metrópole eclesiástica, sendo seu primeiro arcebispo D. João Anes. Ficaram-lhe sufragâneas várias dioceses portuguesas do centro e sul, a que se juntaram outras, ultramarinas, no século seguinte. No século XVI, o cardeal D. Henrique, arcebispo de Lisboa, aplicou na diocese os decretos reformadores do Concílio de Trento, devendo-se-lhe, nomeadamente a fundação do seminário diocesano de Santa Catarina em 1566. Era um estabelecimento modesto e os seus alunos frequentavam as aulas do grande colégio jesuita de Santo Antão.


Eram tempos de intensa vida religiosa, alimentada por muitas congregações religiosas e associações de piedade e caridade, ligadas a mosteiros, conventos e paróquias: a primeira Misericórdia foi fundada em 1498 numa capela do claustro da Sé de Lisboa. Desde o final do século XV não se permitiam divergências religiosas no país; mas a missão ultramarina - tão magnificamente evocada no mosteiro dos Jerónimos - pedia constantemente obreiros: entre tantos outros, Lisboa deu S. João de Brito à Índia e o Padre António Vieira ao Brasil, ambos jesuítas do século XVII.
Em 1716, o papa Clemente XI elevou a capela real a basílica patriarcal, ficando a antiga diocese dividida em duas até 1740, ano em que foi reunificada. Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo: os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
Depois do grande terramoto de 1755, teve de se remodelar o tecido paroquial de Lisboa, com outros templos e outras delimitações. A reorganização das paróquias da cidade, feita pelo patriarca D. Fernando de Sousa e Silva em 1780, ficou como base dos complementos ulteriores. Nesse mesmo ano, a rainha D. Maria I cedeu-lhe o antigo colégio dos jesuítas em Santarém, para aí transitando o seminário diocesano. Foi também D. Maria I quem mandou construir a basílica da Estrela em honra do Sagrado Coração de Jesus.
Após grandes perturbações ligadas às invasões francesas e às lutas liberais com as respectivas sequelas, a reorganização diocesana deveu-se especialmente ao patriarca D. Guilherme Henriques de Carvalho, em meados do século XIX. Foi ele quem conseguiu reabrir o seminário diocesano de Santarém em 1853. Os seus sucessores até à terceira década do século XX tiveram de sustentar a vida católica contra grandes reptos ideológicos e institucionais, antes e depois da implantação da República.
A partir de 1929, o patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira consolidou a vida diocesana, fomentando as vocações sacerdotais, fundando novos seminários - Olivais (1931), Almada (1935) e Penafirme (1960) - , multiplicando paróquias e impulsionando o apostolado laical. Foi também no seu tempo que reabriu a Sé de Lisboa, depois de arquitectonicamente reintegrada. O seu sucessor, D. António Ribeiro, continuou-lhe a obra, nos termos novos exigidos pelo Concílio Vaticano II e o Portugal de antes e depois do 25 de Abril. Em 1975 criaram-se as dioceses de Setúbal e Santarém, destacadas do Patriarcado de Lisboa. Em 1984, D. António Ribeiro fundou o seminário de Caparide.
Em Outubro de 1998, o patriarca D. José Policarpo transferiu os serviços diocesanos para o antigo mosteiro de S. Vicente de Fora, que já os alojara de 1834 a 1910.


D. Manuel Clemente

quarta-feira, dezembro 21, 2005



AVE-MARIA


----- Nas nossas Ruas, ao noitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

----- O céu parece baixo e de neblina,
O gás estravassado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

----- Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, no mundo!

----- Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

----- Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

----- E evoco, então, as crônicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

----- E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

----- Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
As portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

----- Vazam-se pos arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

----- Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, á cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

----- Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!

CESÁRIO VERDE

quarta-feira, dezembro 07, 2005

O Catolicismo Português
O catolicismo – cujos méritos ou defeitos, sociais ou outros, não tenho aqui que examinar – tem a singularidade notável, provinda talvez do que nele resta de Império Romano, de ser, ao mesmo tempo que universal, particularizado em cada região onde existe. A Igreja de Roma é como um regime de municípios morais centralizados num império imponderável. Vasto sistema sincrético, tanto a podemos considerar uma sobrevivência do paganismo como uma transmutação dele. E em cada onde essa religião existe, esse paganismo sobrevive, ou se transmuta, de uma maneira peculiar. Nisto se assemelha a Igreja à Ordem Maçónica, ressalvando que nesta não há elementos pagãos.
Entre os portugueses, em quem, em meu entender, a emoção supera a paixão – e é isto, creio, o que radicalmente nos distingue dos vários espanhóis – o catolicismo assume naturalmente o que poderemos chamar o aspecto franciscano, que é, por assim dizer, o aspecto essencialmente emotivo do cristianismo católico.
Do paganismo latente no catolicismo não se manifesta em nós o aspecto estético, como diversamente nos italianos e nos espanhóis, nem o aspecto imperial, como diversamente nestes e nos franceses, mas o aspecto dispersivo e fluido, próprio de tudo quanto a emoção conduz. O nosso catolicismo é sem contornos – uma meiguice religiosa, preguiçosamente incerta do em que realmente crê. Por isso o nosso ver o Deus Manifesto é, não o Deus uno e trino, ou qualquer das Pessoas da Trindade, mas um Cupido católico chamado o Menino Jesus. Por isso não curamos de Maria Virgem, mas só de Maria Mãe.
Por isso os nossos santos autênticos são um S. João Baptista menino – isto é, de muito antes de ele ser Baptista – ou um Santo António, concebido irremediavelmente como um adolescente infantil, cuja função distintivo – a de consertar bilhas – é um milagre-brinquedo.
Quanto ao Diabo, nunca um português acreditou nele. A emoção não permitiria.

Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 24, 2005

RESPONSO A SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

Santo Antoninho se levantou
Suas santas mãosinhas lavou
Seu caminhinho andou
Jesus Cristo encontrou
Que lhe perguntou:
"Onde vais tu António?"
"Eu Senhor convosco vou"
-"Tu comigo não irás
Tu na terra ficarás
Quantas coisas te pedirem
Tu, António, ouvirás
Todas as coisas perdidas
Tu, António, depararás"
(faz-se o pedido pessoal)
Por vosso pai, por vossa mãe,
Por vosso padrinho, por vossa madrinha,
Por vossa ama que vos criou
Padre Nosso e Avé Maria

quarta-feira, novembro 23, 2005

Assim vai a onda (Tsunami, mesmo) "reformista" da nossa mui leal e querida Igreja Católica.

"Vaticano exclui homossexuais do sacerdócio (act.)



A Igreja exclui dos seminários e do sacerdócio quem praticar a homossexualidade, apresentar tendências homossexuais profundas ou apoiar a chamada cultura gay, segundo um documento divulgado na terça-feira.
Estas afirmações estão incluídas no documento aprovado pelo Papa Bento XVI a 31 de Agosto de 2005 e preparado pela Congregação para a Educação católica, que foi divulgado pela agência católica Adista, uma semana antes da sua prevista publicação.
Segundo esta «Instrução», de que largos extractos foram já publicados pela imprensa italiana, a Igreja «não poderá admitir no seminário e nas ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais enraizadas ou apoiam o que se chama a cultura gay».
O texto, aprovado por Bento XVI a 31 de Agosto, foi enviado a semana passada aos bispos e responsáveis de seminários de todo o mundo, indicaram fontes concordantes.
O documento vai ser publicado pelo Osservatore Romano, o órgão de imprensa do Vaticano, a 29 de Novembro.
Sublinha que, embora os homossexuais tenham direito ao «respeito», a igreja considera os «actos» homossexuais como «pecados graves» e em todos os casos a homossexualidade como uma «desordem».
Para o Vaticano, os homossexuais não podem ser ordenados padres porque «eles encontram-se numa situação que cria obstáculos a uma relação justa com homens e mulheres».
Evoca também, sem mais precisão, «as consequências negativas que podem decorrer da ordenação de pessoas que apresentam tendências homossexuais profundamente enraizadas».
Várias Igrejas, nomeadamente nos Estados Unidos, foram recentemente abaladas por escândalos sexuais.
O texto sublinha que a ordenação não é «um direito» e acrescenta, dirigindo-se aos seminaristas, que «seria extremamente desonesto que um candidato esconda a sua homossexualidade» para ser ordenado padre.
Mesmo que a homossexualidade tenha sido apenas um «problema transitório» para jovens acabados de sair da adolescência, sem que isso traduza a sua personalidade profunda, é-lhes pedido terem «ultrapassado» isso três anos antes de pedirem para serem ordenados diáconos, a etapa que precede a ordenação para padre.
O documento, que esteve na gaveta durante longos anos, foi redigido pela Congregação para a educação católica - o serviço do Vaticano encarregado dos seminários - , de acordo com a congregação para o culto divino.
Reafirma, ao actualizá-lo, uma linha constante da Igreja Católica, que é recusar o acesso ao sacerdócio daqueles a que se chamava outrora os «sodomitas».
O último texto sobre este assunto remonta a 1961.
A instrução do Vaticano diz respeito apenas aos seminaristas, candidatos ao sacerdócio, e não aos padres já ordenados."

Diário Digital / Lusa
E digo mais. Segundo declarações de um padre à nossa também mui leal e querida Antena 1, este documento deve-se ao facto de terem existido inúmeros casos de pedofilia, envolvendo padres. Aqui está um erro grave, embora não inocente (os padres nunca fazem nada de modo inocente), de se confundir pedofilia e pedofilos com homossexualidade e homossexuais... e isto quando um dos actores desta douta Igreja dizia: - "deixai vir a mim as criancinhas".
E dizia também este padre: - "O Amor é muito mais complexo do que o amor genital que hoje se pratica. Os tempos actuais só querem o amor genital. Ora, há outro Amor, o que liberta..." e outras frases igualmente emblemáticas e de alto teor filosofico... sempre referindo o amor genital.
Enfim... Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo... Assim Seja (=Amén)

quarta-feira, abril 06, 2005

João Paulo II e Rainier

Num espaço de apenas uma semana padeceram o Papa João Paulo II e o Príncipe Rainier do Monáco.

O primeiro detinha o Poder Espiritual. O segundo o Poder Temporal.
Ambos governavam apartir de pequenos Estados, menores que algumas cidades mais pacatas do nosso Portugal.

O Papa João Paulo II simbolizava aquilo que de melhor os humanos podiam ter/ser no seu interior, ao nível do espírito. Pregou a paz entre os homens, a caridade e a necessidade da ajuda ao próximo, abraçou políticos e assassínos (há algumas diferenças de espécie entre estes dois vocábulos), doentes e saudáveis, novos e velhos, mostrando-nos desta forma que todos somos iguais; encheu estádios e descampados, de maneira a fazer corar um qualquer Rock In Rio ou comício de Alberto João Jardim na Madeira (pequeno Estado em que a figura do soberano, à semelhança de Isabel II de Inglaterra, encerra em si o Poder Espiritual e o Poder Temporal), converteu Maria de Jesus Barroso do Socialismo para o Catolicismo e foi um dos responsáveis pela criação e aumento do número de pombas brancas no planeta, devendo ter sido, a meu ver, condecorado com a honra de Sócio Honorário da Quercus ou do Clube de Caça Desportiva do Crato. Colocou assim o Vaticano, de novo, no centro do mundo, local de peregrinação para milhares e milhares de homens e mulheres de todos os continentes (que são cinco). Segundo consta, tal também acontece porque João Paulo II nunca mandou encerrar as casas de banho públicas que servem a Praça de São Pedro, erro crasso cometido no Santuário de Fátima que deixou assim de figurar na "biblia dos alegres" - Spartacus - que, como alguns saberão, é o roteiro turístico campeão de vendas em todo o Mundo. E tudo isto em redor do símbolo da Cruz.

Homem notável... mas Rainier não lhe ficou atrás.
Representava tudo aquilo a que o Homem poderia ascender na vida material, o que poderia ser no seu exterior.

Rainier reuniu também os homens em uma mesma mesa onde no centro se figura o símbolo da Roleta. Ajudou os pobres e oprimidos, os falidos e deprimidos, oferecendo-lhes empréstimos a serem gastos nos Casinos Grimaldi.

Mas também abraçou os doentes (a começar pela filha mais nova), os artistas de circo (tendo acolhido um deles para seu genro), as estrelas de cinema (acolheu também uma, transformando-a na Nossa Senhora de Fátima do Monáco, tendo como pastorinho vidente Alfred Hitchcock) e todos os demais cujos braços de João Paulo II não chegaram. E arrastou multidões com o Grand Prix du Monáco - Formula 1.

Para mim estas duas mortes foram um sinal da divina providência. Assim como que a lembrar... nem João Paulo II nem Rainier devem ser imitados no seu extremo. É preciso um equílibrio, uma fusão. Espiritual e Material não têm de ser opostos, mas podem e devem ser complementares. Porque ter-se fé quando se tem fome é dor. E ter-se dinheiro sem se ter fé é nada.
Danies

domingo, abril 03, 2005

Papa João Paulo II


Papa João Paulo II

A propósito da Morte do Santo Padre João Paulo II

Sábado, 02 de Abril de 2005, pelos 20 h e 37 minutos falecia o Santo Padre João Paulo II.
Durante cerca de três dias assistiu-se a um nojo jornalístico nos mais diversos meios que esta nobre arte de informar (e de chatear) possuiu: rádio, televisão e imprensa escrita.
Nestes cerca de três dias o penoso definhamento do Santo Padre foi explorado, violado e escandalosamente profanado.
Nestes cerca de três dias as gentes foram obrigadas a assistir, angustiadas, a todo este teatro mediático que teve como actor principal uma das figuras históricas mais exemplares do final do séc. XX e inícios do séc. XXI.
Nesta era da informação e da globalização a Morte deixou de ser pacífica, solitária, introspectiva e momento de consideração ou reverência. Antes transformou-se num espectáculo obstinado, de especulação, de falsos boatos e de alarmismo. A Morte está banalizada e desrespeitada.
Nestes cerca de três dias o que se viu foi a fome da comunicação social pela Morte efectiva do Papa. Não esconderam a ânsia do seu desejo. Exploraram-na até ao cansativo, ao nojo, ao perturbante.
Nestes cerca de três dias falou-se, sem qualquer tipo de pudor ou pejo, de João Paulo II, pai da Cristandade, venerado por milhares em todo o mundo, homem actuante em diversos domínios, do social ao político, figura de notariedade planetária, homem sem descanso durante a sua longa vida (84 anos), propagador da paz e da tranquilidade, do igualdade dos povos e das crenças.
Nestes cerca de três dias o que se assistiu foi o desrespeitar de todas estas permissas. Desrespeitou-se todos os católicos e admiradores de João Paulo II.
Nestes cerca de três dias houve um homem no mundo que não teve a Morte que merecia. Uma Morte calma, tranquila e serena.
Nestes cerca de três dias chocou-me a conivência e a alta participação do clero neste realitydeath-show. Estes, que desde o início deveriam ter tido a preocupação de terem aberto a porta dos seus templos aos milhares de anónimos que procuravam consolo nas rezas e nas palavras de um sacerdote, preferindo antes ir para o comil televisivo ou radiofónico debitar até à exaustão palavras e mais palavras que em nada ajudavam aqueles que sentiam no seu interior a dor da proximidade da perda de alguém que lhes era querido, que lhes era da família, que lhes era amigo.
A cobertura jornalística da Morte do Santo Padre em nada o glorificou. Os jornalistas e o próprio clero corromperam e devassaram o que de mais sagrado e misterioso há na vida de um Homem, um dos focos centrais e fundadores de toda a ideologia cristã - a Morte.