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sexta-feira, novembro 14, 2008
Os filhos menores de 50 anos de Carreira

Concerto de Pedro Moutinho

Na Sexta-feira passada, Pedro Moutinho apresentou-se no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide, para um concerto integrado no ciclo de fados promovido por aquela autarquia.
Eu sou fã de Pedro Moutinho, mas apenas o havia visto uma vez na casa de fados Mesa de Frades e no concerto dos 50 anos de carreira de Simone de Oliveira, que se realizou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Nunca tinha assistido a um concerto integral e único de Pedro Moutinho.
As expectativas eram muitas e foram totalmente superadas.
Contando apenas com dois álbuns editados, o concerto visitou alguns dos temas que compõem estes últimos, levantou o véu ao próximo álbum a ser editado por Pedro Moutinho e visitou um fado cantado pelo irmão - Camané - , outro de Carlos do Carmo e um outro de Fernando Maurício. Beatriz da Conceição foi também “homenageada” pelo fadista.
Pedro Moutinho venceu em palco. Demonstra uma capacidade vocal bem superior aquela que nos é apresentada nos álbuns, uma excelente dicção e postura. Mostrou uma bela cumplicidade com os seus músicos e soube manter a postura perante um problema técnico que ensombrou por momentos o concerto.
Mas acima de tudo, e para mim o mais importante, mostrou que não é cópia de ninguém. Tem um cunho pessoal bem vincado, um estilo, um modo próprio - e acertado - de estar no fado.
Não duvido que Pedro Moutinho vença na sua caminhada musical no mundo do fado. Tem voz, talento, poetas, músicos e originalidade. Tem, também, memória (todo o concerto foi marcado com a referência aos nomes que - implícita ou explicitamente - o marcam no fado).
Espero, ansioso, o novo trabalho e um novo concerto de Pedro Moutinho.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Coisas que nunca mudam
(Interior da Pastelaria Lobo)terça-feira, outubro 07, 2008
SÓ EU SEI PORQUE NÃO FICO EM CASA
A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.
Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade - a votação das propostas - eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento.
E tão grave quanto a disciplina de voto do PS é a sua justificação. Segundo Strecht Ribeiro, vice-presidente do grupo parlamentar, os socialistas não estão a votar contra o casamento dos homossexuais. Nada disso. O que eles estão é a votar contra "o oportunismo político" do Bloco de Esquerda. Ou seja, o PS acredita que a situação actual dos gays é manifestamente injusta. Mas entende que esta não é a altura certa para reparar a injustiça. Extraordinário. Nós vivemos num país onde o partido que nos governa entende que até a correcção de injustiças que não dependem de mais nada senão da aprovação de uma lei deve obedecer a um timing certo. E os oportunistas políticos são os outros, claro. Partidos destes não deviam sentar-se no Parlamento. Partidos destes deviam sentar-se nas bancadas do Estádio de Alvalade.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Tenho bilhete e não vou.
domingo, julho 20, 2008
Casa dos Bicos vai para a Fundação José Saramago
Comentários
Nunca se deu o devido valor á Casa dos Bicos, um edificio do ponto de vista arquitectónico lindo e desperdiçado (como é habitual). Também sou contra a cedencia á Fundação, poderiam ter arranjado outro edificio qualquer. O Saramago tem sido muito indelicado e arrogante com Portugal (confesso que nunca consegui ler nada dele), que a Fundação fosse para a terra onde ele nasceu e não em Lisboa. Dá-se tanta importância ao Saramago e só agora se lembraram de homenagear o Manuel de Oliveira por ocasião dos seus 100 anos, esse sim que nunca renegou ser português, e que é mais conhecido e premiado que o Saramago. E os outros escritores? Como o Lobo Antunes? Esse sim merecia um NOBEL. Mas como diz o ditado "Santos da Casa não fazem milagres", e nós vamos mais uma vez pagar a arrogancia do Saramago.
anonima, em 2008-07-20 01:02:41
Esse tal de Antonio Costa, deveria ser penalizado por ter oferecido a Casa dos Bicos a Espanha.
Por este andar o ex-Cardeal cria uma Fundação e o " Tony " cede-lhe os Jeronimos.
Mais nós é que vamos andar a sustentar estas Fundações estranhas, perece-me que esta conduta deste comunismo capitalista deveria ser bastante criticado, onde já se viu um comunista puro ter uma Fundação, só mesmo neste pais e com essa gente que utiliza o dinheiro dos outros para fins pessoais, onde esta a oposição.
FORA COM O SARAMAGO e COM O SEU PREMIO NOBEL, nós sempre vivemos sem um premio NOBEL, se bem que esse premio só se deve a Portugal e aos Portugueses e um bocadinho ao escritor.
fiesta2008, em 2008-07-19 10:50:01
A Casa dos Bicos nunca lhe deveria ser cedida!!!
A Casa dos Bicos é Histórico!!!
leoj, em 2008-07-18 23:08:47
Vencedor, em 2008-07-17 23:54:45
gipsyking, em 2008-07-17 21:22:44
Que raio de portugueses que nós somos. Foge-nos sempre o olho para a desgraça. Pobretes mas alegretes. Logo logo vem o futebol e depois em Outubro vem Fátima, de seguida o Natal e para o ano tudo se repete. É verdade nos intervalos dos bicos temos fado. Assim se vai esquecendo para onde vai o nosso dinheirinho.
Deixamerir, em 2008-07-17 21:00:33
gipsyking, em 2008-07-16 20:43:46
O Saramago tem dado tantas bicadas em Portugal e nos Portugueses, que nada mais justo que retribuir-lhe com a casa bos bicos.
Estou até disposta a oferecer à fundação, todos os livros que tenho dele, menos um, para memória. futura.
provinciana, em 2008-07-16 19:53:49
surpreso, em 2008-07-16 19:18:04
Assim a fundação seria o Pilar, mais eficiente, do projecto hegemónico de Portugal e Espanha tão do agrado do Saramago...
Trauliteiro, em 2008-07-16 18:13:56
AZULCLARINHO, em 2008-07-16 18:05:44
Costa já pagou as dívidas, quer fazer da Casa dos Bicos a casa de saramago e tudo isto com o dinheiro do "desastroso" negócio do Casino de Lisboa?
Será que ele pensa que somos tansos?
Porque será que só se sabem queixar das dívidas herdadas e nunca falam na herança recebida?
mulher, em 2008-07-16 17:21:41
luxuriablack, em 2008-07-16 17:15:39
porque é que a Amália nunca conseguiu o que agora cedem ao estrangeirado?
vendidos!
DisMissed, em 2008-07-16 17:12:56
luxuriablack, em 2008-07-16 17:03:31
Espesso, em 2008-07-16 16:47:56
Portugalaosbichos, em 2008-07-16 16:30:04
Não gosto da mensagem de Saramago. Não tenho nada contra a sua pessoa. Não acho que esteja à altura do prestígio daquela Casa.
Acho que foi uma decisão infeliz.
nunogil, em 2008-07-16 16:27:08
Saramago merece 1 Monumento mas já agora que seja em terras Espanholas, pagas pelos Espanhois.
manuelamarinho, em 2008-07-16 15:55:04
MELHOR É IMPOSSÍVEL!...
TELMOVIEIRA, em 2008-07-16 15:54:40
AZULCLARINHO, em 2008-07-16 15:54:25
A casa dos bicos tem um valor histórico por si só.
Saramago tambem. Por isso merecia uma casa só para ele.
Assim misturam-se a casa dos bicos com o Nobel do Saramago.
Zeus, em 2008-07-16 15:48:27
segunda-feira, julho 07, 2008
Admirável carta de Isabel Pires de Lima a Luís Miguel Cintra... ABENÇOADA

Carta ao Aristocrata da Cultura Luís Miguel Cintra
Venho com esta cartinha, Sr. Dr., pedir-lhe desculpa de mais uma vez o ter incomodado. Não era minha intenção, está bom de ver. Mas sabe, sou uma alma simples, vinda lá do Norte e carregando no lombo (do burro e não do “camelo”, Sr. Dr., que aqui para estes lados ele há mais é burros) a antiga “ignorância” e “incompetência” dos simples, assim a modos que uma Maria Papoila.
Esforcei-me, Sr. Dr., para escapar a esta fatalidade mas, sabe, isto é mesmo assim, cada um é pró que nasce, uns, como o Sr. Dr., para serem entes esclarecidos, aristocratas da cultura, toda a vida instalados na varanda dos iluminados a fazer o verdadeiro teatro subsidiado a quase 100% pelo Estado e a ver o poviléu ignaro passar (não pelo seu teatro, eu sei, que às vezes disfarço-me de inteligente e vou lá, embora o Sr. Dr. não goste que até não me cumprimenta); outros, como eu, para ajeitada a trouxa, meterem as mãos na massa que mais suja, a do serviço público e da política, e errarem quase sempre – é da sua natureza. Lá dizia a tia Zita: bezerro manso mama na mãe dele e na dos outros. Nem os estudos me valeram, nem ser professora catedrática da Universidade do Porto (fica fora de mão, é verdade, mas ó Sr. Dr., é a maior do país), nem as andanças por esse mundo fora, onde por vezes fui vendo teatro imitando o seu. Não retive nada; deve ter sido por via da mente mole, já o sr. padre dizia.
É o mal, Sr. Dr., de democratizarem a Universidade e, pior ainda, a cultura. Onde já se viu, por exemplo, querer que o povo vá ao D. Maria II ou ao S. Carlos? São coisas mesmo de gente que “quer transformar a cultura em mercado”, como o Sr. Dr. perspicazmente percebeu das minhas palavras. Pior Sr. Dr., confesso, de gente que entende que um dos sinais do nosso tímido desenvolvimento cultural é o descaso entre mercado e cultura.
É como aquela coisa que o Sr. Dr. lembrou e bem da minha “tão defendida descentralização” que “corresponde apenas a um ponto de vista de mero consumidor” e de província, acrescento eu, e pagante, acrescentam muitos contribuintes simplórios. Está mal! Querem cultura de primeira, produzam-na lá na terrinha, como o Sr. Dr. reclama. Concordo! Imagine que até se criaram novos apoios para isso. E se a malta for alfabetizada de primeira geração, esforce-se, que foi o que o Sr. Dr. fez (embora os simplórios contribuintes venham ajudando, pelo menos há trinta anos, com constância, generosidade e, no caso único da Cornucópia, pagando até o aluguer, mas isso são minudências e, como o Sr. Dr., não há outro).
Só não gostei, desculpe Sr. Dr., foi a expressão “exportar para a província”; é que até parece que província e Lisboa não constam do mesmo país e sabe, a gente cá é muito patriota. Mas ó Sr. Dr., olhe que parece que o S. Carlos, a CNB e o D. Maria têm feito mais descentralização e internacionalização, concorrendo isso, é bom de ver, para a “decadência do nosso Teatro de Ópera” a que “conduziu a substituição ordenada por” mim, como o sr. Dr. recorda, “da anterior direcção”. Ó Sr. Dr. isso não será ter em pouca conta o corpo de músicos, cantores e técnicos do S. Carlos? Não me diga que o director artístico era insubstituível e eu, simplória também nestas matérias, e o prof. dr. Mário Vieira de Carvalho, ainda mais simplório, apesar de falar línguas estrangeiras e perceber de bandas de música, não entendemos que devíamos nomear para dirigir um teatro alguém que se recusara púbica e reiteradamente a aceitar o modelo de gestão empresarial (ai, ai, a linguagem!) que o Estado se atreveu a escolher para o S. Carlos? Está mal!
O Sr. Dr., mais do que com a minha fúria arrasadora de três escassos anos, ficou foi zangado por não ter compreendido que a Cinemateca Portuguesa é “uma das melhores cinematecas da Europa e talvez do mundo” – de facto não compreendi. Mas ó Sr. Dr. talvez isso derive de me situar intelectualmente ao nível minhoto e duriense e não europeu e universal; é uma questão de escala, desculpe-me mais uma vez. Em compensação, deu-me a alegria de saber que nalguma coisa, já que no Europeu de futebol foi o que se viu, somos os maiores. Com o espinhaço dobrado, atrevo-me contudo a manter as críticas que faço (no artigo a que se refere e numa entrevista regional que creio não terá lido), a propósito do chamado “pólo” da Cinemateca, ao modo como esta instituição é gerida e a concordar, de boca aberta, com o sr. Dr. quando qualifica de “saudável” a petição que o reclama. O Sr. Dr. é tão compreensivo!
Admira o facto de o Sr. Dr. ter resolvido vir em pública “defesa” de um amigo que acha que eu “insultei”. Fez muito bem, os amigos são para as ocasiões e os lobbies – lá na minha terra a gente chama-lhes a malta do Zé do Telhado, do Quim Bexigas, do Toino das Iscas, mas é o mesmo – existem para isso; e vai ver como virão outros ajudá-los a ambos... Só que, Sr. Dr., há-de ler com menos paixão e mais siso os dois artigos em causa e vai acabar por dar conta que se a motivação para vir em defesa do Sr. Director da Cinemateca foi questão de insultos ainda vai escrever um artiguinho em minha defesa, porque está-me a parecer que o seu amigo é como dizia dum patrício um homem cá de Ceide: “É estilista bilioso, explica-se azedamente, diz com afoiteza grosseira o que sabe; mas acontece às vezes não saber o que diz.” Em matéria de insultos, eu não faço uso deles nem em política, nem na discussão intelectual, por uma razão – simplória – é que o sr. padre sempre me disse que é pecado... Antes um pau de marmeleiro nos costados, mas também sou fraquinha de braços.
Uma coisinha fez-me doer a alma: então o Sr. Dr. acha-me arrogante? E logo o Sr. Dr., um intelectual tão humilde, como não pode deixar de ser um verdadeiro intelectual e príncipe das artes. Penitencio-me, Sr. Dr., nunca eu deveria, como diz, ter tido a “veleidade” de apontar o dedo a um bonzo intocável. Sempre assim foi, nos Dantas não se toca, nem pim, nem que se tenha estado num ponto privilegiado de avaliação. Calado, venerando e agradecido é assim que o poder político deve estar face aos outros poderes e é se quer ganhar eleições. Como os tempos mudaram!
Para terminar, que esta já vai longa, lamento Sr. Dr. ter de o contrariar naquele conselho final que me dá: “Sois belle et tais toi!” Bem queria ser-lhe agradável e seguir o conselho azedo, misógino e fora de moda, até para o sr. Dr. poder envergonhar-se menos de ser o português que é nesta matéria, mas não posso: quanto à beleza, cada um estende a perna até onde tem coberta, como dizia a tia Berta; quanto à faladura, sou dona da minha voz para não ser escrava do meu silêncio, como dizia a mãe dela, que era uma santa e não era deputada.
Dantes, eu sei, as Marias Papoilas calavam e os aristocratas de barba rija falavam, mas os tempos mudaram: é esta coisa da democracia e das igualdades que nos obriga a lidar com gente desqualificada, as mais das vezes, mal lavada até. Mas na vida é assim, Sr. Dr.: uns montam o circo, outros batem palmas. (Deputada do PS pelo Porto – Artigo escrito em 29/06/2008 e publicado no Jornal Público de 07/07/08) - Isabel Pires de Lima
domingo, julho 06, 2008
Aldina Duarte - Mulheres ao Espelho

Aldina Duarte - Não Vou, Não Vou (Criação de Lucília do Carmo)
Depois de uma ligeira decepção relativamente ao novo álbum do Camané, aguardava ansioso a chegada do novo álbum de Aldina Duarte. E ele eis que chegou - Mulheres ao Espelho - editado pela editora criada pela própria Aldina Duarte RODA-LA Music.
sexta-feira, maio 23, 2008
Tosca com Elisabete Matos - Teatro Nacional de São Carlos

domingo, maio 18, 2008
Camané no Coliseu dos Recreios de Lisboa

terça-feira, fevereiro 26, 2008
Simone de Oliveira – 50 Anos de Carreira

quarta-feira, janeiro 16, 2008
Monologo das Avenidas Novas
(foto do autor)e entre nós e as palavras, o nosso dever falar” – Mário Cesariny
segunda-feira, agosto 27, 2007
Fernanda Câncio
jornalista
Nunca me contei entre as fãs de Diana de Gales. Não me tocou a história da rapariga espigadota e tímida que casou com o príncipe muitos anos mais velho e que acabaria por se divorciar, dois herdeiros e ene peripécias pouco edificantes depois. Interessou-me, no entanto, a construção do mito - que precedeu a sua morte -, a forma como contribuiu para erodir de forma irreversível a imagem da monarquia e interessou-me a sua complexa relação com os media.
E, sobretudo, interessou-me a tragédia. Uma tragédia que parecia ter sido anunciada, de tão exacta no simbolismo. Lembro-me da manhã em que acordei para a notícia, de como estranhamente me comoveu, a mim que não sentia nada por Diana, de como me pareceu mentira de tão caricatural. Lembro-me também da longa discussão que se seguiu, ao longo de meses, sobre o papel dos media na morte de uma das suas maiores estrelas, das propostas, no Reino Unido, de um "código de conduta", dos protestos de que nada nunca mais seria igual, que nunca mais se perseguiria ou exploraria de modo tão cruel a imagem ou a vida privada de alguém.
Dez anos depois, aquilo que nos parecia, de Portugal, uma realidade distante e estrangeira - a proliferação do cor-de-rosa, a tabloidização de toda a informação - chegou em todo o seu esplendor. O "acordo de cavalheiros" que foi prometido no pós-Diana, a ideia piedosa da auto-regulação, o primado do bom senso e do respeito pelas pessoas, onde é que isso vai. O caso Maddie - que não por acaso foi comparado, no Reino Unido, em impacto e adesão popular, ao de Diana -, demonstra, caso houvesse dúvidas, a obscenidade da noção prevalecente do que faz sentido publicar. Durante meses, assistimos, nos media britânicos e portugueses, a uma histeria que, incrivelmente, subsiste. Todos os dias saem "notícias" contraditórias e infundamentadas que mais não são que palpites: o sangue é dela, não é dela, é de um homem, "afinal não se sabe". Ela morreu, foi raptada, foi drogada, houve um acidente, os pais estão inocentes, os pais estão metidos na marosca, o Murat é um malandro, o Murat é uma vítima, a PJ é óptima, a PJ não presta para nada. Anunciam-se "buscas" antes de ocorrerem, "prováveis detenções" que não acontecem, fritam-se hoje os mártires/heróis de ontem e vice-versa. Uma alegria. Interessa lá que estejam a decorrer investigações, interessa lá que esteja em causa uma criança de 4 anos, interessa lá que a publicação de tanta falsidade evidencie o quão afastados os media andam da sua suposta missão de informar e esclarecer, interessa lá que haja gente inocente a ser enxovalhada e perseguida, interessa lá que se destruam vidas. Não, nunca saímos do túnel de Alma. Ainda lá estamos, pé no acelerador, atrás de Diana, sempre com a bela desculpa de que se não formos nós, outros serão. Porque elas, as Dianas, "vendem". E toda a gente compra.
sexta-feira, abril 06, 2007
A Extraordinária Arte de (Saber) Representar

Cortem-lhe a cabeça!
Uma coisa é certa: À semelhança da História do mundo que ficou dividida entre antes e depois de Cristo, a nossa História parece caminhar a passos largos para um antes e depois de Salazar…
O seu a seu dono!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Artigo de Opinião de Mário Viegas no Diário Económico, 30-06-1995

TEATRO
Por Mário Viegas
Crónica muito violenta, indignada, contra três bestas humanas inimigas de Portugal
Está na moda arrasar uns «pobres diabos» que aparecem nos 4 canais de televisão que temos e chamar-lhes: javardos, vendidos, produto da incultura e estupidez, atrazados menstais, ordinários, oportunistas, prostitutas, gandulos, boçais… uns montes de Merda, enfim!...
E lá se citam os nomes dos ex-actores de Teatro ou políticos como: o Baião, o Samora, o Zé Jorge Duarte, a Lídia Franco, o Monchique, a amiga Olga, o Luís Pereira de Sousa, o Pacheco Pereira, o Marco Paulo, a Rita Blanco, o Goucha… uns montes de figuras, enfim!...
Mas ninguém tem a coragem de chamar os mesmos nomes a uns «intelectuais», «pensadores», «analistas», «comentadores», que escrevem e dizem os jornais e Televisão, as maiores enormidades. Mais grave ou pior que as desses «pindéricos» que (coitados) andam a ganhar a vida, sem se arrumar automóveis…
Como são artigos ditos por malandrins e malandronas, que se infiltram num certo meio jornalístico, pela cama, pelos bares de opinião alcoólica, ninguém lhes toca.
Vejam lá se não são tão ordinários (ou mais!) do que os outros?!
Passo a citar:
CLARA FERREIRA ALVES – (uma pirosa, de cabelo mal-pintado, que fala pretenciosamente de tudo e todos, antes de atender um senhor que se segue… na SIC)
«(…) em Portugal não acontece nada (…) Portugal só é falado a reboque da Espanha (…) o nosso ritmo é o dos povos infelizes, com muito passado, pouco presente e nenhum futuro.»
Basta!!! Esta «amiga Olga dos intelectuais» deve andar na pré-menopausa dela e a confundi-la com o Povo Português. Pirosa!!!!! Volta amiga Olga, que estás perdoada!!!!
VASCO PULIDO VALENTE – (um homenzinho balofo, a destilar cubos de gelo para Whisky, por todos os lados e que já nos sacou dinheiro como Secretário de Estado da Cultura!!!)
«(…) Portugal, culturalmente não tem grande interesse, à excepção de 2 ou 3 coisas: a nave Alcobaça, o Convento de Cristo e uma e uma ou outra curiosidade. (…) os portugueses não lêem ou lêem lixo! Mas leio eu vários amigos meus e não vejo porque motivo o Estado nos sacrifica à estupidez da Raça!»
Basta!! Vamos Ordinário Cobardola!!! Volta Marco Paulo, que estás perdoado, perante tais vómitos de ódio a si mesmo e à Pátria que lhe tem dado tantos «tachos»!!!...
ALBERTO PIMENTA – (é um tipo que parece um gorila de rabo pelado. Julga-se humorista, escreveu um livro chamado «Discurso sobre o filho da puta», meteu-se numa jaula do Zoo, para ver as reacções dos outros. Mas os «outros» não reagiram, pois confundiram-no com um «macacóide» que estava ao lado dele a meter-lhe uma banana na boca.)
«A Arte em Portugal não tem nada a ver com a vida (…) Há um egoísmo parfeitamente catastrófico que caracteriza os Portugueses (…) Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo da civilização urbana.»
Basta!!! E ninguém lhe põe Pimenta no rabo, a ver se nos salta da nossa vida para fora? Volta Baião que estás perdoado!!!
Estas citações são tiradas de artigos que escreveram em jornais. Quem lhes paga para escrever estas opiniões demolidoras, racistas, fascistas, pretensiosas e inacreditáveis?! Faltam tantos Almada Negreiros por aí, para demolirem nuns bons «Manifestos Anti-Cagões Intelectuais». Estes «seres pensantes» são daquela raça de portugueses que afirma:
«- Este país é pequeno de mais para mim!»
Então não chateiem e vão ser professores, analistas, cronistas para a Amazónia ou para o deserto do Saara!!! E como são feios, porcos e maus já estou a vê-los vomitar cólera contra mim e a dizerem:
- Mas quem é que este medíocre do Actor Mário Viegas se julga, para nos atacar assim?!
Estou-me a ralar para eles! Eles até não me vão ver ao Teatro há anos… Nem a mim nem a ninguém!!
Voltarei, em próximas crónicas, a outros mitos de pé-de-barro! Se estes não andarem já a pensar como me hão-de calar a boca. É gente para isso e para muito pior! Até para lançar o gaz da «Verdade Suprema» na redacção do «Diário Económico». Cuidado!!
terça-feira, janeiro 23, 2007
Uma noite no Sr. Vinho
Capa do disco de Filipa Cardoso. Um nome a fixar e uma voz a adorarsábado, novembro 18, 2006
UM FADO DE MAGIA NA CULTURGEST

Depois de um belo jantar no restaurante Namur, acompanhado por três pessoas que me são muito queridas - Ligia (que já viciei em Aldina), o Pedro (viciámo-nos ao mesmo tempo em Aldina) e a Cristina (que ficou viciada hoje em Aldina), fomos até à Culturgest, em Lisboa, para assistir ao concerto Crua de Aldina Duarte.
segunda-feira, novembro 13, 2006

Sexta-Feira, dia 10 de Novembro, a convite do meu amigo Duarte, fui assistir à estreia de Conversas de Camarim - com Simone de Oliveira, Vitor de Sousa e Nuno Feist, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz.
Foi um espectáculo muito bom, onde mais uma vez pude confirmar a excelência de Simone em palco, quer em postura quer em voz. A sensualidade e a profunda sensibilidade passada por Simone ao cantar são extraordinárias, sendo impossivel não nos comover.
O espectáculo inicia-se com "Visita de Camarim" e termina com "Palavras Gastas". O expoente máximo, para mim, foi quando Simone cantou "Rosa e a Noite", uma extraordinária música com poema de Vasco de Lima Couto.
No entanto, e apesar de achar que este é um espectáculo imprescindivel, não deixa de ter os seus "senãos"... tem Vitor de Sousa a mais. O equilibrio entre aquilo que foi a participação de Simone e aquilo que é a participação de Vitor não é o mais correcto.
Todos sabemos que Simone de Oliveira é uma contadora de histórias interessantíssima e com imensa piada. Pois da boca dela não se ouviu uma única... E o Vitor fala, fala, declama, declama, e fala, fala, declama, Simone canta, e Vitor fala, fala, declama, declama, declama, fala, fala, declama, fala, Simone canta, canta, e Vitor fala, fala, fala... é mais ou menos assim a coisa.
Acho que talvez deveriam ter chamado de Monólogos de Camarim com Vitor de Sousa e a participação generosa de Simone de Oliveira.
E atenção: eu não tenho rigosamente nada contra o Vitor de Sousa. Reconheço que tem o seu relativo valor. Mas temos de ser honesto e dizer que quem vai ver aquele espectáculo - 99,8% das pessoas - vão para ver e ouvir Simone de Oliveira, e não o Vitor de Sousa. E a sensação com que eu sai de lá foi: soube a muito pouco. Ela muito apagada - excepção feita quando canta, que aí dá tudo de uma forma espantosa - e o Vitor muito saliente.
Espero não estar a cometer nenhuma injustiça ao dizer estas coisas, que não é esse o propósito. É apenas uma opinião de alguém que esperava uma Simone mais interventiva na fala e durante o espectáculo.
Mas eu também acho que mesmo que Simone estivesse 4 horas em palco a falar e a cantar eu iria sempre dizer que sabe a pouco... porque Simone sabe sempre a pouco.
Eu ainda estou pasmo com a capacidade vocal, de graves limpos e claros, com que Simone está a cantar. Há muito tempo que não a ouvia cantar de uma forma tão certa, rigorosamente adequada à sua capacidade vocal neste momento. Simone tem, de facto, ainda muito para dar à música portuguesa e à historia do espectáculo em Portugal.
Já sabem que é só este mês de Novembro. É melhor irem já no próximo fim-de-semana. É no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz - aquele que fica nas traseiras do Teatro-Estúdio Mário Viegas - às 23.30 m. O preço dos bilhetes é de 15 € mas com alguns descontos que não vos sei dizer. Corram...
terça-feira, novembro 07, 2006
A Illustração – Revista Quinzenal para Portugal e Brazil, 20 de Maio de 1884, director Mariano Pina, Paris – cota Biblioteca Nacional J. 1505 M.
“Chronica
Ha dois seculos pelo menos que o mundo inteiro admitte sem discussões uma lenda que deseja passar ao estado de verdade e ao estado de axioma, e que diz assim – Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso.
Em todo o seculo XVIII os francezes passaram a sua vida a conversar com Mlle. de Nesle e com a Pompadour, a fazer phrases pelos salões dourados e vastos das Tulherias e pelos velludos de relva dos jardins de Versailles, onde ha satyros que nos espreitam e que riem com o sorriso branco dos marmores por detraz das ramas dos castanheiros – para provarem ás gentes que só eles tinham graça, e que para além da França as sociedades matavam o seu tempo aborrecendo-se e abrindo a bocca. E appareceu Beaumarchais para confirmar a coisa, e hoje a graça parece ser feita exclusivamente de barro francez. Os inglezes, de quando em quando, pela boca de Punch ainda protestam contra semelhante lenda. Mas o Punch não tem razão – porque não tem bom barro! A Grã-Bretanha não precisa de mais gloria porque foi ella quem inventou o beef. Mas a graça, ainda não ha melhor no mercado do que a franceza, a que se encontra á venda por toda a parte, em S. Francisco e em Pekim, e que só se fabrica entre o Café de la Paix e o restaurante do Brébant, quasi sempre ás horas em que toda a Europa honesta dorme.
Mas se Paris é a terra onde melhor se fabrica o riso, é necessário tambem que todo o mundo saiba e que todo o mundo comprehenda que – Lisboa é a terra onde melhor se fabricam as cousas que fazem rir!
Uma das grandes causas que levaram Lisboa até á fabricação verdadeiramente indigena de coisas ridiculas, tendo mais originalidade e mais aspecto primitivo que a própria louça das Caldas e a louça preta d’Aveiro, é a preponderância da imbecilidade insolente nos negocios da terra, obrigando os espiritos sensatos a affastarem-se – deixando o campo livre a todos os banaes, a todos os idiotas, a todos os insignificantes, que se mettem em tudo e que tudo conquistam.
Presentemente em Lisboa raros são os indivíduos que se acham nos lugares que de direito lhes competem;
e são principalmente os governos que se encarregam de collocar os sapateiros nos lugares de alfayates e vice-versa.
De modo que um sensato e pacifico morador da Baixa que assista, sem alterar o seu sangue-frio, a tanta irregularidade e a tanto desconchavo, no dia em que precisar d’um par de botas não sabe ao certo a quem se ha de dirigir – se ao sr. Nunes Algibebe, se ao tribunal da Bôa-Hora, se á secção geodesica, se á Padaria Militar!...
(…)
Os governos lembraram-se um dia de soccorrer a arte portugueza, de ouvir todas as noutes a Somnambula, e de possuir gratis um camarote em S. Carlos. Sobretudo de possuir gratis um camarote! E como em Portugal se não sabe que destino dar a tanto dinheiro que atulha as arcas do thesouro, dão-se todos os annos 25 contos de reis para que venham italianos a Lisboa deliciar os ouvidos de Suas Excellencias os Ministros, - emquanto os pintores portuguezes que illustram em França e Italia o nosso paiz produzindo trabalhos de primeira ordem, teem que viver em Paris com pensões miseraveis;”
